Conceitos Gerais

Conceitos Gerais

MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO

Prof. Dr. Ruy Ferreira (ruy@cpd.ufmt.br)

Este texto tem como finalidade apresentar os conceitos gerais utilizados na pesquisa científica. Rondonópolis-MT, 24 de Fevereiro de 2010.

CONCEITOS GERAIS

CIÊNCIA

“Forma especial de conhecimento [...] conhecimento racional, metódico e sistemático, capaz de ser submetido à verificação.” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 3)

MÉTODO

“Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. Conjunto de processos ou fases empregadas na investigação, na busca do conhecimento.” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 3)

“[...] o método é o caminho ordenado e sistemático para se chegar a um fim.” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 2)

“Método é uma forma de selecionar técnicas, forma de avaliar alternativas para ação científica... Assim, enquanto as técnicas utilizadas por um cientista são fruto de suas decisões, o modo pelo qual tais decisões são tomadas depende de suas regras de decisão. Métodos são regras de escolha, técnicas são as próprias escolhas” (ACKOFF apud HEGENBERG, 1976, p. 116).

Método é o “caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho não tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado” (HEGENBERG, 1976, p. 115).

“Método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de início o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo(TRUJILLO, 1974, p. 24).

“Método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado (...) é o caminho a seguir para chegar à verdade nas ciências” (JOLIVET, 1979, p. 71).

“Em seu sentido mais geral, o método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-se por método o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade” (CERVO; BERVIAN, 1978, p. 17).

“Método é o conjunto coerente de procedimentos racionais ou prático-racionais que orienta o pensamento para serem alcançados conhecimentos válidos” (NÉRICI, 1978, p. 15).

“Método é um procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa, seja material ou conceitual” (BUNGE, 1980, p. 19).

Método científico é “um conjunto de procedimentos por intermédio dos quais a) se propõe os problemas científicos e b) colocam-se à prova as hipóteses científicas” (BUNGE, 1974, p. 55).

“A característica distintiva do método é a de ajudar a compreender, no sentido mais amplo, não os resultados da investigação científica, mas o próprio processo de investigação” (KAPLAN apud GRAWITZ, 1975, p. 18).

TÉCNICA

“Procedimentos [...] que operacionalizam os métodos, mediante emprego de instrumentos adequados.” (SEVERINO, 1996, p. 130)

“A técnica é uma resposta à questão: “Por quais meios chega-se ao conhecimento x ou y?” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 3)

“O método estabelece de modo geral o que fazer, e a técnica nos dá o como fazer, isto é, a maneira mais hábil, mais perfeita de fazer uma ação.” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 4)

METODOLOGIA

“[...] corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. É a aplicação do método através de processos e técnicas que garante a legitimidade do saber obtido” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 2)

“[...] não procura soluções, mas escolhe as maneiras de encontrá-las [...]” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 2)

PLANEJAMENTO

Entende-se planejamento como o processo sistematizado através do qual se pode dar maior eficiência a uma atividade para num prazo maior ou menor alcançar o conjunto de metas estabelecidas.

PROJETO

Em seu significado fundamental o projeto é o plano prospectivo de uma unidade de ação capaz de materializar algum aspecto do desenvolvimento de determinado bem ou serviço.

Um projeto consiste num esforço temporário empreendido com um objetivo pré-estabelecido, definido e claro, seja criar um novo produto, serviço, processo. Tem início, meio e fim bem definidos, duração e recursos limitados, numa seqüência de atividades relacionadas.

PROGRAMA

Programa é um grupo de projetos relacionados entre si e coordenados de maneira articulada.

PESQUISA CIENTÍFICA

“[...] investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência.” (RUIZ, 1996, p. 48)

PAPER OU COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

Destina-se a comunicação oral em cursos, simpósios, etc. Contém de 2 a 10 páginas, estruturadas no modelo do artigo científico ou artigo-relatório, para posterior publicação em atas e anais dos eventos. Podem ser publicados na íntegra ou nos resumos e sinopses. Não apresenta subdivisões, é um texto unitário

ARTIGO CIENTÍFICO

Visa publicar os resultados de um estudo. O artigo tem formato reduzido, mas deve ser sempre um trabalho completo e integral (notas, revisões, citações). Normalmente são publicados em revistas especializadas para divulgar conhecimentos, comunicar resultados e novidades, contestar, refutar ou apresentar soluções para uma situação controvertida.

ENSAIO

É um texto científico que desenvolve uma proposta pessoal do autor a respeito de um assunto. É a expressão da visão do autor, que pode ser independente com relação ao pensamento científico comum a respeito do assunto. Por ser um conjunto de impressões de um especialista, seu valor depende do respeito que a comunidade científica tem por seu autor.

MONOGRAFIA

Relatório escrito de uma questão bem determinada e limitada, realizado com profundidade. É um trabalho sistemático e completo sobre um assunto particular, pormenorizado no tratamento e extenso no alcance. Exposição exaustiva de um problema ou assunto específico. O Trabalho de conclusão de curso é uma monografia defendida diante de uma banca de profissionais da área.

MONOGRAFIA DE COMPILAÇÃO

Exposição do pensamento de vários autores sobre o assunto. É necessário examinar um número significativo de obras, organizar opiniões, apresentar um panorama de várias posições de maneira clara e didática. O autor deve opinar sobre os pontos relevantes e apresentar uma conclusão pessoal

MONOGRAFIA DE PESQUISA DE CAMPO

Pesquisa empírica, investigação não restrita apenas aos aspectos teóricos. A ênfase dar-se-á na análise de dados concretos, extraídos de observações de fatos ou indagações das pessoas envolvidas. Não é possível ir ao campo buscando premissas aleatórias, mas elas podem ser mudadas com a realização da pesquisa concreta. Utiliza entrevista, questionário e formulário como instrumentos de coleta de dados.

DISSERTAÇÃO

É necessária para obtenção do grau de mestre. Apresenta-se na forma de relatório científico ou de monografia. Sua principal característica é o aprofundamento. O texto deve identificar, situar, tratar e fechar uma questão científica de maneira competente e profunda. Pode ser expositiva ou argumentativa.

As dissertações apresentam ainda as seguintes características: 1) Deve estar veiculada a um programa de pós-graduação stricto sensu; 2) situar-se numa área específica do conhecimento; 3) Desenvolver-se com a orientação de um doutor; 4) Revelar domínio e capacidade de síntese de conhecimentos específicos e aprofundados (dentro de sua área); 6) Ser apresentada e defendida publicamente a uma banca composta por três doutores.

TESE

Condição para o doutoramento, título de catedrático ou livre-docência. A tese assume o formato de uma monografia ou de um relatório. Uma boa tese identifica, situa, trata e fecha uma questão científica de maneira competente, profunda e inédita. O inédito pode ser algo totalmente novo ou aspectos novos de algo já conhecido.

As teses doutorais apresentam ainda as seguintes características: 1) Ser elaborada por pós-graduandos de nível doutorado; 2) Restringir-se a uma área específica de concentração, definida pela instituição; 3) Ser produzida sob a tutela (orientação) de um doutor; 4) Revelar o domínio e síntese de conhecimentos específicos e originais dentro da área de conhecimento/atuação em que é desenvolvida; 5) Ter texto apresentado e defendido publicamente, avaliado por uma banca composta por cinco doutores.

REFERÊNCIAS

BARROS, Aidil J. da Silveira; LEHFELD, Neide A. de Souza. Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. São Paulo: Makron Books, 2000.

BUNGE, Mario. La ciencia, su método y su filosofia. Buenos Aires: Siglo Veinte, 1974.

_____ . Epistemologia: curso de atualização. São Paulo: T. A. Queiroz/EDUSP, 1980. Capítulo 2.

CERVO, Amado Luiz, BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica:para uso dos estudantes universitários. 2.ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1978. Primeira Parte. Capítulo 2, Itens 2.4 e 2.5.

GRAWITZ, Madeleine. Métodos y técnicas de las ciências sociales.Barcelona: Hispano Europea, 1975. 2 v.

HEGENBERG, Leônidas. Etapas da investigação científica. São Paulo: E.P.U./EDUSP, 1976. v. 2, Capítulo 4.

JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 13.ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. Segunda Parte. Capítulo 2.

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina A. Metodologia Científica. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1991.

NÉRICI, Imídeo G. Introdução à lógica. 5.ed. São Paulo: Nobel, 1978. Primeira Parte. Capítulo 6. Segunda Parte. Capítulo 11.

RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1996.

SALMON, Wesley C. Lógica. 4.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. Capítulos 2 e 3.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 1996.

TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da ciência. 2.ed. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974. Capítulo 2.

Comentários