O que é pesquisa científica

O que é pesquisa científica

MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO

Prof. Dr. Ruy Ferreira (ruy@cpd.ufmt.br)

Texto produzido com base no livro “Planejamento de pesquisa – Uma introdução”, de Sérgio Vasconcelos de Luna, editado pela EDUC, São Paulo, 1999, para apoiar o ensino da disciplina-título. Rondonópolis-MT, 20 de Fevereiro de 2010.

  1. O QUE É PESQUISA CIENTÍFICA

    1. O que não é!

Existem várias formas de conhecimento. Certamente a mais antiga é o conhecimento popular ou senso comum, transmitido boca-a-boca entre as pessoas. Grande parte do processo civilizatório de nossa humanidade baseou-se nessa forma de conhecimento. Pessoas mais observadoras, com maior necessidade ou curiosidade que outras, descreveram fenômenos ocorridos ao seu redor dando origem ao senso comum. Dar um banho frio numa pessoa febril é produto dessa forma de conhecimento, gerado por mães atenciosas e observadoras, e que muito tempo depois foi incorporado por outra forma de saber.

Outra forma é o revelado ou conhecimento religioso que provê ao ser humano respostas para qualquer pergunta. A revelação não pode ser comprovada e torna-se artigo de fé, gerando dogmas insofismáveis e irrefutáveis.

Por fim o conhecimento filosófico obtido pelo ato de pensar sobre determinadas interrogações e encontrar as respectivas respostas plausíveis que não podem ser observadas, nem mensuradas e nem reproduzidas.

A Ciência não se ocupa dessas formas do conhecimento.

    1. Ciência e Pesquisa Científica

Álvaro Vieira Pinto define Ciência como:

[...] a investigação metódica, organizada, da realidade, para descobrir a essência dos seres e dos fenômenos e as leis que os regem com o fim de aproveitar as propriedades das coisas e dos processos naturais em benefício do homem. (VIEIRA PINTO, 1979, p. 30)

Dessa definição tem-se que a Ciência exige método para seu processamento. Por método entende-se, entre outras, a definição de Mário Bunge:

[...] é um procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa, seja material ou conceitual. (BUNGE, 1980, p. 19)

Logo, para fazer Ciência é necessário seguir um método científico aceito. Ou seja, a pesquisa científica exige que o pesquisador siga um método, entendido como meio pelo qual se chega aos resultados

As pesquisas científicas têm um objetivo maior: o benefício do homem. Esse objetivo filosófico da pesquisa norteia eticamente o trabalho do pesquisador. Entretanto a pesquisa visa sempre que alguém aprenda alguma coisa, ou seja, a pesquisa visa gerar conhecimento sobre algo para que alguém possa conhecer tal coisa. Não se faz pesquisa sobre o já comprovado, exceto para refutar. A pesquisa científica visa à produção de conhecimento novo, relevante teoricamente, fidedigno e útil socialmente.

Os objetivos de uma pesquisa podem assumir infinitas situações. Por exemplo:

  1. Demonstrar a existência ou ausência de relação entre diferentes fenômenos;

  2. Estabelecer consistência interna entre conceitos dentro de certa teoria;

  3. Desenvolver novas tecnologias;

  4. Demonstrar novas aplicações de tecnologias conhecidas;

  5. Aumentar a generalidade do conhecimento científico;

  6. Descrever as condições sob as quais um fenômeno ocorre.

Obviamente a lista de objetivos das pesquisas é infinita. Entretanto, pelos exemplos nota-se que por meio da pesquisa científica há possibilidade de responder qualquer pergunta factível e relevante.

Pedro Demo define a pesquisa científica como "[...] a atividade científica pela qual descobrimos a realidade" (DEMO, 1987, p. 23). Para Fred Kerlinger a pesquisa científica “[...] é uma investigação sistemática, controlada, empírica e crítica de proposições hipotéticas sobre supostas relações entre fenômenos naturais" (KERLINGER, 1973, p. 11). Ou seja, a pesquisa científica é o instrumento de investigação usado pela Ciência para gerar novos conhecimentos.

    1. Elementos básicos da Pesquisa

Para planejar e executar uma pesquisa científica são necessários os seguintes elementos básicos, sem os quais não há pesquisa:

  1. Problema de pesquisa – formular o problema consiste no conjunto de perguntas que se pretende responder, cujas respostas sejam novas e relevantes teórica e socialmente;

  2. Informações pertinentes – determinar as informações necessárias para encaminhar as respostas das perguntas feitas;

  3. Seleção das fontes – Selecionar as melhores fontes dessas informações;

  4. Definição das ações – definir um conjunto de ações que produzam tais informações;

  5. Tratamento das informações – selecionar um sistema capaz de tratar essas informações;

  6. Base teórica – usar um sistema teórico (marco teórico) para interpretar tais informações;

  7. Respostas – produzir as respostas às perguntas formuladas pelo problema;

  8. Confiabilidade – indicar o grau de confiabilidade das respostas obtidas. Explicar por que aquelas respostas são as melhores possíveis;

  9. Generalização – indicar o grau de generalidade dos resultados. Até que ponto podem-se esperar os mesmos resultados em outros locais ou noutras condições.

A pesquisa científica é um elo entre o pesquisador e a comunidade científica, razão pela qual sua publicidade é elemento indispensável do processo de produção de conhecimento científico. Há uma clara separação entre pesquisar e prestar serviços. Pois, a intervenção do pesquisador numa realidade pode visar ambas as situações ao mesmo tempo, mas não se pode esquecer que a finalidade básica da pesquisa é produzir novos conhecimentos para a Ciência.

  1. O PROJETO DE PESQUISA

Cada caso exige uma solução particular em se tratando de pesquisa científica. Entretanto, a Ciência como sistema organizado exige que um mínimo de planejamento se dê antes da realização de uma pesquisa. Este planejamento denomina-se – Projeto de Pesquisa. Projetar é planejar, antecipar passos a serem dados. Alguns elementos são fundamentais num projeto de pesquisa qualquer, são eles:

    1. O problema de pesquisa

O tema escolhido e o título de uma pesquisa não esclarecem, muitas vezes, o problema de pesquisa. O problema de pesquisa deve ser claramente formulado. Uma das formas de apresentação do problema de pesquisa é no formato de pergunta ou conjunto de perguntas. A formulação do problema de pesquisa deve delimitar (recortar) o trabalho de pesquisa e facilitar os demais passos necessários ao trabalho de investigação, por exemplo, selecionar a literatura a ser revisada visando embasar o trabalho e analisar os resultados.

A relevância de uma pesquisa deve trazer efetiva contribuição ao campo de conhecimento. Tal relevância deve ser julgada por dois aspectos: teórica e social. O pesquisador deve ter em mente que a Ciência é uma construção coletiva e não uma ação individual. Logo, situar o problema onde outros já estudaram é fundamental. Revisar a literatura referente ao problema é a chave que abre os passos seguintes da pesquisa.

    1. Hipóteses e objetivos de pesquisa

Hipótese é a conjectura que o pesquisador faz a respeito dos possíveis resultados a serem obtidos. A hipótese deriva do problema de pesquisa e representa a formalização do problema. Normalmente a hipótese é uma frase afirmativa. Já os objetivos da pesquisa dizem respeito à explicitação do que se espera conseguir com a realização da pesquisa (resultados esperados).

    1. Viabilidade de um projeto de pesquisa

Grandes problemas mundiais ou nacionais não devem ser tratados por pesquisador iniciante. A complexidade é tanta que normalmente nada se produz quando o problema assume tal proporção. Inúmeros fatores afetam a viabilidade de um projeto de pesquisa – tempo, tecnologia disponível, experiência do pesquisador, recursos financeiros são alguns mais comuns. Melhor perguntar a si mesmo: - Quem sou eu para realizar esta pesquisa? Com humildade responda a essa questão antes de perder um tempo precioso e ao final frustrarem-se diante de algo superior as suas forças. Outro fator a ser levado em conta é o cronograma de execução fora da realidade. Uma transcrição de fita gravada costuma estar na relação uma hora gravada para sete de transcrição.

    1. Fontes de informações

A busca da informação necessária pode ser realizada pela observação direta ou indireta, por análise de documentos, pelo relato verbal direto ou indireto. Todas essas formas possuem vantagens e desvantagens. Podendo ser usadas de forma combinada numa mesma pesquisa.

A forma mais direta é a observação, pois ela permite explicações funcionais coerentes, vistas pelo próprio pesquisador sobre o fenômeno observado, mas deixa a desejar quanto à explicação sobre o processo em que se manifestou o fenômeno.

Os relatos verbais são carregados de subjetividade e devem ser tratados com muita cautela. Perguntar a um flamenguista qual é o melhor time de futebol do Rio de Janeiro é tendencioso e contamina a pesquisa, pois a resposta será parcial, sem nenhuma confiabilidade.

Os documentos possuem os mesmo problemas das anteriores, pois foram escritos por pessoas. Para fins de estudo eles são divididos em fontes primárias e secundárias. Obras originais do autor são consideradas fontes primárias, enquanto as traduções ou comentadas são chamadas de fontes secundárias. A pesquisa exige a coleta em fonte primária, exceto quando essa fonte seja inalcançável.

Na escolha da fonte de informação a regra é: - quanto mais direta melhor. No trabalho de pesquisa uma fonte direta é muito mais confiável que a opinião de um especialista, uma “autoridade” no assunto. Os fatos têm a supremacia sobre a opinião. Cuidado com a informação optativa. A escolha das fontes determina os próximos passos da pesquisa.

  1. PROCEDIMENTOS DE COLETA DE INFORMAÇÃO

O problema define as fontes de informações e também, quais procedimentos devem ser adotados para buscar (coletar) tais informações. Entre outras, pode-se coletar dados pela entrevista, observação, análise documental, questionário etc.

    1. Entrevista

A entrevista pode ser aberta ou fechada, isto é, o pesquisador pode limitar as possíveis respostas do entrevistado, por meio de uma entrevista fechada (p.ex. resposta em múltipla escolha, assinalar sim ou não, etc.) ou deixar que o entrevistado discorra livremente sua resposta (aberta). Ambas as formas tem vantagens e desvantagens, entretanto, o pesquisador deve levar em conta que para realizar uma entrevista ele deve considerar a disponibilidade do entrevistado, o limite do tempo disponível, etc.

    1. Observação

Se o fenômeno estudado permite a observação, o pesquisador deve considerar seu uso. Direta ou indireta a observação permite ao pesquisador “ver” o fenômeno acontecer, mas raramente é possível descrever como o processo ocorreu, desde sua gênese ou explicar o porquê ocorreu. A observação deixa o pesquisador diante do fenômeno sem intermediários e isso elimina vieses opinativos de terceiros. O maior problema da observação está na oportunidade, pois nem sempre o fenômeno social ocorre quando o observador está presente. Por isso, cuidado ao escolher essa fonte, a disponibilidade de pessoas envolvidas pode afetar a coleta de informações.

    1. Questionário

A tentação do uso de questionários é grande, mas o fracasso de pesquisas baseadas nessa forma de coleta de dados também é grande. Cerca de 30% dos questionários enviados retornam preenchidos ao pesquisador. Outro fator negativo está na compreensão da pergunta formulado pelo pesquisador, surgindo daí perguntas sem respostas (em branco) ou respondidas de maneira indevida. O emprego de questionário deve ser precedido de teste piloto, quando então se testa a compreensão das perguntas formuladas e das respostas, no caso dos questionários fechados.

    1. Análise documental

Se minha pesquisa vai relacionar se o estudante da UFMT vem de escola pública ou privada, a melhor fonte está no questionário sócio-econômico preenchido pelo aluno no ato da matrícula. Esse documento possui a informação desejada, basta então coletá-la. Isso, a princípio, se chama análise documental.

A seleção de quais documentos, da localização deles e da sua disponibilidade é problema a ser enfrentados pelo pesquisador. Nem sempre os documentos estão acessíveis ao pesquisador. Caso opte pela análise documental, então buscar a informação na fonte primária é o correto. Em nosso exemplo o questionário preenchido pelo calouro é a fonte primária, enquanto os registros lançados pelos técnicos da universidade são considerados fontes secundárias.

  1. TRANSFORMAÇÃO E TRATAMENTO DE DADOS

Os dados foram coletados, e agora? Pois bem, é hora de tratar os dados e transformá-los em informações úteis à pesquisa. Dependendo da forma em que se deu a coleta o tratamento dos dados será longo, demorado e complexo, ou rápido e simples.

Fitas de áudio ou vídeo gravadas são lentas para degravação e tratamento. No momento da coleta tais formas são simples, mas seu tratamento é lento e complexo. Outras formas como os protocolos de observação permitem um tratamento mais simples, pois na coleta o pesquisador registrou, por exemplo, a ocorrência do fato e o tempo que durou. No momento do tratamento esses dados são tabulados com facilidade e de rápida interpretação. Um registro feito num questionário fechado é simples na hora do tratamento, pois o dado está pronto para ser tabulado e interpretado.

A criação de escalas e unidades de análise vão direcionar o trabalho de tratamento e transformação de dados em informação. Escalas suportam informação do tipo sim ou não, certo ou errado, gênero: masculino ou feminino. Enquanto as unidades de análise exigem um referencial teórico claro que gere tais unidades. A teoria gera a categoria de análise ou a categoria de registro.

As categorias de registro representam fatos registrados, com um mínimo de interpretação exigida. Ao passo que as categorias de análise nascem da teoria adotada pelo pesquisador e exigem maior esforço para tratar o dado e classificá-lo nas categorias previamente determinadas.

Nas categorias de análise quando a pesquisa é quantitativa, normalmente permite o tratamento estatístico, as existências de modelos de tratamento das informações facilitam o trabalho do pesquisador em transformar dados em informação e a categorização para a análise.

Ao passo que nas pesquisas qualitativas isso é complexo. Quando a teoria fornece as unidades de análise prévias o tratamento é mais fácil. Entretanto, caso isso não aconteça às categorias devem “brotar” da leitura do material coletado, o que é uma temeridade. Nesse caso, devem-se empregar as técnicas de “análise de conteúdo” (Bardin1) ou de “análise etnográfica” (Bogdan e Biklen2).

Melhor definir previamente as categorias (unidades) de análise com base na revisão teórica do que garimpar na fase de tratamento de dados.

Ao concluir essa fase as informações precisam apresentar um mínimo de compatibilidade e integração, sob risco de inviabilizar o trabalho seguinte. Assim vale a recomendação de Sérgio Vasconcelos de Luna:

Um grande volume de informações, tratado na ausência de unidades prévias, implica uma quantidade considerável de ambigüidade e de interpretação, o que significa aumentar sensivelmente a incerteza da análise. (LUNA, 1998, p. 68)

Planejar é também aumentar as probabilidades de sucesso de uma pesquisa.

  1. GENERALIDADE DO CONHECIMENTO

Se o estudo tem como referência uma escola e chega a resultados conclusivos sobre determinado assunto o que se pergunta é se esse resultado é válido para outras escolas semelhantes, e também, sobre a possibilidade de se eliminarem idiossincrasias daquela escola pesquisada e os resultados generalizados a outras escolas.

Quando se trabalha com abordagens experimentais e quase-experimentais (conforme Campbell e Stanley3) os critérios para avaliar fidedignidade e generalidade são essencialmente estatísticos, ou seja, probabilísticos. Ao submeter uma hipótese ao teste estatístico o pesquisador quer avaliar a probabilidade de que os resultados obtidos são frutos da pesquisa ou meramente frutos do acaso.

Para que se tenha confiabilidade nos resultados da pesquisa quantitativa é necessário que haja representatividade da amostra em relação à população. Como não se pode estudar todos os alunos de uma cidade, extraí-se uma determinada quantidade desse universo (amostra) e trabalha-se com essa pequena parte representativa. Quanto mais próxima a amostra estiver do universo estudado, melhor será a generalização dos resultados obtidos.

Como é possível que além dos fatores (variáveis) estudados numa pesquisa, outros também influenciem os resultados obtidos, no caso da pesquisa experimental usa-se procedimentos de controle para aumentar a confiabilidade, embora limitando a generalidade. Isso leva a conclusão de que nas pesquisas experimentais e quase-experimentais o maior controle das condições de pesquisa trás maior rigor metodológico e maior fidedignidade dos dados, ao mesmo tempo em que reduz a generalidade.

    1. Generalização em Pesquisas Educacionais

Após 1954, o governo dos Estados Unidos da América do Norte decidiu investir pesado na pesquisa educacional, aumentando as verbas de fomento e por conseqüência, um aumento de pesquisadores e pesquisas nesse campo. Dessa nova condição surgem várias correntes de pesquisadores em oposição aos paradigmas positivistas da Ciência daquela época, quase hegemônicos da pesquisa quantitativa experimental, com análise estatística.

Tais correntes de pensadores criaram alternativas metodológicas capazes de estudar e descrever a realidade da escola e de seus integrantes. No Brasil o mesmo fenômeno ocorre duas décadas depois.

Na Década de 1970 surgem muitos resultados de pesquisa educacional qualitativa, de valor explicativo, em formato descritivo, captando concepções, representações de indivíduos e oferecendo uma enxurrada de relatos de professores, orientadores educacionais, diretores de escola, alunos de diferentes níveis de ensino, falando sobre o que fazem e pretendem, sobre dificuldades que enfrentam e muitos outros tópicos educacionais.

Nesse período há uma predominância do “estudo de caso”, não no sentido proposto por Robert K. Yin4, mas como o estudo de uma só escola. O que fazer com esses resultados descritivos? Para que eles servem em termos científicos? Como prestação de serviços de consultoria pedagógica àquela escola os resultados são válidos. Mas, além daquela escola pode-se generalizar os resultados? Ou ainda, os resultados ultrapassam a descrição dos fenômenos estudados? Aumentam a teoria existente? De que serve fatos que não se integram? Explicações ad hoc não podem ser generalizadas, pois dizem respeito a uma só coisa de um só lugar.

A pesquisa em educação passou trinta anos no Brasil excessivamente comprometida com a intervenção, sem que haja compromisso equivalente na geração de conhecimento novo. Prestação de serviço demais e pesquisa científica de menos.

A generalização de pesquisa qualitativa é a ampliação do poder explicativo dos resultados. Só a teorização, isto é, uma fundamentação teórica forte pode dar aos resultados qualitativos a capacidade de serem usados em outras situações semelhantes.

A descrição de informações obtidas caracteriza a entrada do pesquisador em uma área inexplorada, nova ou em revisão. Seu emprego como pesquisa exploratória é desejável e deve ser incentivada.

  1. REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura tem papel fundamental na pesquisa científica, pois é através dela que o pesquisador situa seu trabalho dentro da área de pesquisa da qual faz parte, contextualizando-o e situando o tema pela definição dos autores pertinentes que fundamentam a investigação. A revisão de literatura identifica a linha teórica em que a pesquisa se insere com base nos autores selecionados.

Dependendo do nível em que a pesquisa se situa o tempo que devemos retroceder na revisão é maior ou menor. Quando uma área possui boa produção então retroceder de quatro a cinco anos é um tempo suficiente para revisar a literatura.

O trabalho de revisão de literatura em uma pesquisa possui vários outros nomes: marco teórico; revisão teórica, levantamento teórico; fundamentação teórica; levantamento de literatura, etc. Todos com o mesmo objetivo maior: mapear quem já escreveu e o que já foi escrito sobre o problema da pesquisa. A revisão da literatura possui outros objetivos discutidos a seguir.

    1. Determinar o estado-da arte

Pesquisadores experientes costumam dedicar-se a esse objetivo, cuja intenção é determinar como está uma dada área de pesquisa. É um trabalho exaustivo e complexo.

    1. Revisão teórica

Nesse caso o objetivo é revisar as teorias sobre um dado problema de pesquisa, circunscrevendo-o num determinado quadro teórico. Esse objetivo está presente na maioria das pesquisas científicas.

    1. Revisão de pesquisas empíricas

Para explicar como certo problema vem sendo pesquisado numa dada área os pesquisadores determinam a revisão de pesquisas empíricas como objetivo. Nessa forma de revisar o objetivo está na explicação de como um problema vem sendo pesquisado metodologicamente. Esse tipo de revisão ajuda a responder perguntas como: - Quais procedimentos normalmente são empregados no estudo desse problema? – Que fatores vêm afetando os resultados? – Que propostas têm sido feitas para controlá-los ou explicá-los? – Que procedimentos vêm sido usados para analisar os resultados? – Existem relatos de generalização dos resultados? – Dependem do quê?

    1. Revisão histórica

As revisões históricas são extremamente importantes, por recuperar a evolução de um conceito ou de uma área, tema, etc. e sua inserção num determinado quadro de referência que explique as mudanças ocorridas. Entretanto, as revisões históricas são raras nos dias atuais.

Ninguém deveria entrar em uma nova área de conhecimento sem realizar uma revisão histórica de seus conceitos.

  1. REFERÊNCIAS

BUNGE, Mario. Epistemologia. São Paulo: Edusp, 1980.

DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1981.

KERLINGER, Fred N. Foundations of behavioral research. New York: Holt, Rinehart &Winston, 1973.

LUNA, Sérgio Vasconcelos de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1999.

VIEIRA PINTO, Álvaro. Ciência e existência. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

  1. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ALVES-MAZZOTTI, A. J., GEWANDSZNAJDER, F. O Método nas Ciências Naturais e Sociais. São Paulo: Editora Pioneira Thomson Learning. 2. ed. 1999.

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a Metodologia do Trabalho Cientifico. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

BUNGE, M. Epistemologia – Curso de Atualização. São Paulo: T. A. Queiroz, Editor e EDUSP. 1987.

GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991.

______. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

LÜDKE, Menga: ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

______. Metodologia do Trabalho Científico: Procedimentos Básicos: Pesquisa bibliográfica, projeto e relatório: Publicações e trabalhos científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2001.

MARTINS, Joel. Pesquisa qualitativa. In: FAZENDA, Ivani (org.). Metodologia da Pesquisa Educacional. São Paulo: Cortez, 2001.

MINAYO, Maria Cecília de Souza [org.]. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

RICHARDSON, Roberto Jary et al.. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1999.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho cientifico. 22 ed. São Paulo: Cortez, 2002.

TEXTOS UTILIZADOS NA DISCIPLINA MTPE EM 2010

ARQUIVO

CONTEÚDO

MTPEdu_2010

Plano de Ensino da disciplina

MTPE_01

Introdução da disciplina com o texto produzido com base no livro “Planejamento de pesquisa – Uma introdução”, de Sérgio Vasconcelos de Luna, editado pela EDUC, São Paulo, 1999

MTPE_02

Este texto tem como finalidade apresentar os conceitos gerais utilizados na pesquisa científica

MTPE_03

Texto produzido com a finalidade de oferecer uma visão geral sobre a elaboração de resumo, seguindo a orientação da norma NBR 6028/2003, emanada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MTPE_04

Com base na obra Estudo de Caso: Planejamento e Métodos, de Robert K. Yin, este texto tem como objetivo apresentar uma visão geral sobre a estratégia de pesquisa “Estudo de Caso”.

MTPE_05

Texto produzido com a finalidade de oferecer uma visão geral sobre o trabalho de revisão de literatura em um projeto de pesquisa, baseado em material didático elaborado por Luiz Fernando Amaral dos Santos.

MTPE_06

1 BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

2 BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em Educação – Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora, 1991.

3 CAMPBELL, D. T. ; STANLEY, J. C. Delineamentos experimentais e quase-experimentais de pesquisa. São Paulo: EPU/Edusp, 1979.

4 YIN, Robert K. Estudo de caso: Planejamento e Métodos. Trad. Daniel Grassi. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

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