Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos

Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos

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Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos Arnaldo Alves de Mendonça

Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: http://www.lava.med.br/livro

Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos Arnaldo Alves de Mendonça

Inicialmente devemos conceituar e compreender de forma simplificada o que é diabetes. Trata-se de uma condição clínica que se caracteriza por uma falência parcial ou total da produção de insulina pelo pâncreas, ou decorre de resistência à ação da insulina, levando dessa forma ao aparecimento da hiperglicemia e de seus efeitos deletérios para todo o sistema orgânico, principalmente para o sistema vascular. As conseqüências da diabetes a longo prazo incluem danos, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sangüíneos. Com freqüência os sintomas clássicos,( perca inexplicada de peso, polidipsia e poliúria ), estão ausentes, porém poderá existir hiperglicemia de grau suficiente para causar alterações funcionais ou patológicas por um longo período antes que o diagnóstico seja estabelecido. Antes do surgimento de hiperglicemia mantida, acompanhada do quadro clinico clássico da diabetes, a síndrome metabólica passa por um estágio de distúrbio do metabolismo da glicose, caracterizada por valores de glicemia situados entre a normalidade e a faixa de diabetes.

IMPORTÂNCIA: O diabetes se constitui em um grave e importante problema ao nível de saúde pública em todo o mundo. Dados de prevalência da diabetes mellitus na população de nove capitais brasileiras, em indivíduos entre 30 e 69 anos de idade, apontam um índice de 7,6%. Tal impacto pode ser avaliado através de dados obtidos de fontes do Ministério da Saúde, de levantamentos regionais e de outras associações:

· Diabetes mellitus como o diagnóstico primário de internação hospitalar aparece como a sexta causa freqüente e contribui de forma significativa ( 30% a 50% ) para outras causas como cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca, colecistopatias, acidente vascular cerebral e hipertensão arterial; • Pacientes diabéticos representam cerca de

30% dos pacientes que internam em unidades coronarianas intensivas com dor precordial;

• diabetes é a principal causa de amputação de membros inferiores;

• É, também a principal causa de cegueira adquirida;

• Cerca de 26% dos pacientes que ingressam em programas de diálises são diabéticos.

Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos Arnaldo Alves de Mendonça

Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: http://www.lava.med.br/livro

TIPO 1: destruição da célula, geralmente ocasionando deficiência de insulina absoluta, de natureza auto- imune ou idiopática.

TIPO 2: varia de uma predominância de resistência insulínica com relativa deficiência de insulina, a um defeito predominantemente secretório, com ou sem resistência insulínica.

defeitos genéricos funcionais da célula beta defeitos genéricos funcionais na ação da insulina doenças do pâncreas exócrino endocrinopatias induzidos por fármacos e agentes químicos infecções formas incomuns de diabetes imuno- mediado outras síndromes genéticas geralmente associadas a diabetes

· Indivíduos com 45 anos de idade ou mais a cada três a cinco anos, utilizando a glicose plasmática de jejum. • Sugere-se rastreamento mais freqüente ( um a três anos) ou mais precoce (antes de 45 anos), ou então realizar o rastreamento com TTG (teste de tolerância a glicose ), com 75g de glicose quando:

a- Há evidência de dois ou mais componentes da síndrome plurimetabólica ( exesso de peso, HDL baixo, triglicérides elevados, hipertensão, e doença cardio vascular); b- Além da idade >= 45 anos, há presença adicional de dois ou mais fatores de risco; c- DM gestacional prévio. • Sugere-se rastreamento anual ou mais freqüente nas seguintes condições:

a- Glicemia de jejum alterada ou tolerância à glicose diminuída; b- Presença de complicações compatíveis com diabetes; c- Hipertensão arterial; d- Doença coronariana;

• Idade >= 45 anos • História familiar de diabetes ( pais, filhos, e irmãos )

• Excesso de peso( imc >= 25 Kg/m2 ) • Sedentarismo

• HDL baixo e triglicérides elevados • Hipertesão arterial

• Doença coronariana • Diabetes mellitus gestacional prévio

• Macrossomia ou história de abortos de repetição ou mortalidade perinatal.

CLÍNICOS ( em mg/dl ). CATEGORIAS JEJUM * 2 H APÓS 75G

Glicemia de > 110 e < 126 < 140 Jejum alterada

Tolerância a > 126 >= 140 e < 200 glicose diminuída

Diabetes > = 120 > 200 > = 200 mellitus com sintomas

* O jejum é definido como a falta de ingestão calórica de no mínimo 8 horas. * Glicemia plasmática casual é definida como aquela realizada a qualquer hora do dia, sem observar o intervalo da última refeição.

Obs.: O diagnóstico de diabetes mellitus deve sempre ser confirmado pela repetição do teste em outro dia, a menos que haja hiperglicemia inequívoca com metabólica aguda ou sintomas óbvios de diabetes.

Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos Arnaldo Alves de Mendonça

Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: http://www.lava.med.br/livro

2h pós-prandial 140mg/dl

glicemia plasmática jejum 110mg/dl hemoglobina glicada limite superior do método

HDL > 45mg/dl
LDL < 100mg/dl
Triglicerides< 150mg/dl

colesterol total < 200mg/dl

Diastólica < 80mmHg

Pressão arterial sistólica < 135mmHg Índice de massa corporal 20 – 25Kg/m2

Nesse item abordaremos de forma prática, os cuidados que devem ser oferecidos aos pacientes diabéticos que irã se submeter a alguma intervenção cirúrgica.

Faz-se necessária uma criteriosa avaliação pré-operatória a fim de que sejam identificados fatores de risco para a cirurgia proposta. Sabemos que em resposta ao trauma cirúrgico ocorrem alterações metabólicas que colocam em risco a vida do paciente diabético. Podemos ocorrer as seguintes complicações:

Os cuidados pré – operatórios de rotina devem ser tomados. A avaliação do estado da glicemia de jejum, bem como pela glicemia pós – prandial, sendo esta última um importante critério de controle metabólico e um importante fator de risco. A dosagem da hemoglobina glicada é de extrema importância, pois através desse parâmetro temos noção de como se encontra o controle glicêmico do nosso paciente nos últimos dois a três meses.

operatório são: glicemia, sódio, potássio, cloro, ph, bicarbonato, uréia, provas de função hepática. Avaliar a presença de neuropatia autonômica, pois a sua presença implicaria no aparecimento mais freqüente de distúrbios cardiovasculares, disfunções gastrointestinais, íleo paralítico, disfunções urinárias, retenção urinária e conseqüente risco aumentado de infecções.

É importante frisar que o controle metabólico prévio mostra com clareza se existe um maior comprometimento das defesas humorais, com risco maior ou menor de complicações infecciosas.

A realização de uma cuidadosa avaliação cardiovascular, por sabermos que é a maior causa de morte no paciente diabético.

Cuidados Clínicos com Pacientes Diabéticos Arnaldo Alves de Mendonça

Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: http://www.lava.med.br/livro

Avaliação da função renal, com especial atenção ao uso de drogas nefrotóxicas e de contraste iodados.

As cirurgias devem ser agendadas para o período matutino. Os pacientes devem ser colocados em jejum 12 horas antes da cirurgia, tal procedimento se justifica por haver um esvaziamento gástrico devido a neuropatia autonômica, com aumento do risco de broncoaspiração. Quando iniciar o jejum e mandatório a instalação de soro glicosado a 5% na velocidade de 100 a 200ml/h.

*DIABÉTICOS TIPO 2 CONTROLADOS COM DIETA:

apenas manter em dieta zero e monitorar as glicemias capilares de 4 em 4 horas.

*DIABÉTICOS TIPO 2 CONTROLADOS

Manter dieta zero, suspender os hipoglicemiantes orais, monitorar as glicemias capilares de 4 em 4 horas e fazer insulina regular conforme esquema: até 180mg/dl não fazer 181 – 250mg/dl 04U SC

251 – 350mg/dl 06U SC 351 – 450mg/dl 08U SC

> 500mg/dl12U SC.

451 – 500mg/dl 10U SC Manter hidratação inclusive com soro glicosado a 5% com infusão de 100ml/h. A metformina e a clorpropramida deve ser suspensa 3 dias antes de cirurgia. As sulfonilureias de 2 geração devem ser interrompidas no dia da cirurgia; e a acarbose

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