Doenças respiratórias crônica

Doenças respiratórias crônica

(Parte 1 de 13)

Cadernos de Atenção Básica Nº 24 - Doenças Respiratórias Crônicas D

Cadernos de Atenção Básica - n.º 25

Brasília - DF 2009

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica - n.º 25

Brasília - DF 2009

Este material é destinado prioritariamente para as Equipes de Saúde da Família.

Deve ser conservado em seu local de trabalho.

© 2009 Ministério da Saúde Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução total ou parcial ou total desta obra, desde que citada à fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra e de responsabilidade da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br Tiragem: 35 mil exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 6º andar, sala 655 CEP: 70058-900 - Brasília – DF Fone: (61)3315-2497 w.saude.gov.br/dab

Supervisão Geral: Claunara Schilling Mendonça

Autores: Alcindo Cerci Neto Alvimar Botega – DAF/SCITE Carolina de Souza-Machado Celina Márcia Passos de Cerqueira e Silva José Carlos Prado Junior Josélia Cintya Quintão Pena Frade José Miguel do Nascimento Junior – DAF/SCITE José R. Jardim Micheline Marie Milward de A. Meiners

Paulo A. M. Camargos Samantha Pereira França

Colaboradores: Ana Maria Emrich Ednilton Dultra Veras Isabella Funfas Bandeira Lucia de Araújo Costa Beisl Noblat Luci Kuromoto de Castro Maria Amélia Barboza Talhari Pablo de Moura Santos Vinicius Emigdyo Faria

Revisão: Álvaro A. Cruz Maria Lucia Medeiros Lenz Nelson Rosário Filho

Arte-final e diagramação: Eward Siqueira Bonasser Junior

Ilustrador: Rodrigo Barreto de Andrade

APrESENTAÇÃo1

Sumário

Prevalência e impacto12
Fatores de risco13
Níveis de evidência13
Segurança de medicação na gravidez14
SiNAiS E SiNTomAS rESPirATórioS15
Sintomas15
Tosse15
Expectoração16
Hemoptise16
Sibilância (chiado, chieira, piado)17
Dor torácica17
Taquipneia e dispneia17
Sinais18
Cianose18
Baqueteamento digital18
Respirador bucal19
riNiTE AlérgicA21
Definição21
Diagnóstico2
Diagnóstico diferencial2
Classificação da gravidade23
Abordagem terapêutica23
Objetivos do tratamento23
Princípios do tratamento de manutenção23
Tratamento farmacológico25

EPidEmiologiA dAS doENÇAS rESPirATóriAS crôNicAS 12 Tratamento adjuvante ........................................................................................25

Rinite alérgica e asma26
Rinite e conjuntivite alérgicas27
Rinite alérgica e sinusite27
Rinite alérgica e respiração bucal27
ASmA28
Definição28
Fatores de risco28
Diagnóstico28
Diagnóstico funcional29
Classificação da gravidade30
Abordagem terapêutica32
Objetivos do tratamento32
Princípios do tratamento de manutenção32
Programas de asma49
obSTruTivA crôNicA (dPoc)51
Definição51
Fatores de risco51
Diagnóstico51
Exames52
Diagnóstico diferencial53
Classificação da gravidade54
Abordagem terapêutica5
Objetivos do tratamento5
Princípios do tratamento de manutenção56
PrEvENÇÃo E PromoÇÃo Em SAúdE70
Tabagismo70
Controle do tabagismo70

doENÇA PulmoNAr Tabagismo como dependência: tratamento ......................................................71

Testes e dicas75
Dicas para parar de fumar76
Benefícios após a cessação do tabagismo76
Medicações adjuvantes no tratamento do fumante7
Atividade física78
cuidAdo iNTEgrAl Ao PAciENTE E à fAmíliA82
Acolhimento82
Visita domiciliar: etapa primordial da atenção integral83
ProfiSSioNAiS dA ESf E gESTorES84
Atribuições comuns a todos os profissionais da equipe84
Atribuições do médico84
Atribuições do enfermeiro85
Atribuições do auxiliar de enfermagem85
Atribuições do agente comunitário de saúde86
Atribuições do fisioterapeuta e educador físico86
Atribuições do farmacêutico86
Atribuições dos gestores municipais87
Outros profissionais87

ATribuiÇõES E comPETêNciAS doS

dE mEdicAmENToS PArA ASmA E riNiTE8
Medicamentos da atenção básica8
Medicamentos de dispensação excepcional90
Plano Nacional de Eliminação de clorofluorcarbonos (CFCs)91
Estratégia brasileira92
Propriedades do HFA92
ANEXo 194
Programas de asma94

ASSiSTêNciA fArmAcêuTicA: cuSTEio CONFECÇÃO DE ESPAÇADORES – Como fazer um espaçador ......................................................96

Técnicas de uso dos dispositivos inalatórios97
Técnica de uso do aerossol dosimetrado (AD)97
Técnica de uso do aerossol dosimetrado com espaçador (bocal)98
Técnica de uso do aerossol dosimetrado com espaçador e máscara100
Técnica de dos inaladores de pó102
Técnica de uso do “turbohaler”102
Técnica de uso do “pulvinal”103
Técnica de uso do “aerolizer”104
Técnica de uso do “handihaler”105
Técnica de uso do “diskus”106
Nebulizadores107
Nebulizadores de jato (NJ)107
Nebulizadores ultrassônicos (NU)108
ANEXo 3109
Bulário109
ß2 agonistas de curta duração109
ß2 agonistas de longa duração112
ß2 agonistas via oral113
ß2 agonistas sistêmicos114
Anticolinérgicos de curta duração115
Anticolinérgico de longa duração116
Associação ß2 agonista de curta duração e brometo de ipratrópio116
Associação ß2 agonista de curta duração e corticoide inalado116
BD sistêmicos: Metilxantinas120
Corticoides inalados121
Corticoides orais123
ANEXo 4127
Fluxogramas127
Fluxograma. Tratamento da crise de asma em unidade de saúde ou domicílio129
Fluxograma. Tratamento da crise de asma em sala de emergência130
Fluxograma. Diagnóstico da DPOC131
Fluxograma. Manejo de exacerbação da DPOC132
Fluxograma. Oxigenoterapia domiciliar133
Fluxograma. Manejo de DPOC estável134
Fluxograma. Tratamento medicamentoso da DPOC estável de acordo com a dispneia134
rEfErêNciAS bibliográficAS135
Sinais e sintomas:135
Asma135
DPOC:142
Promoção em saúde – tabagismo:143
Promoção em saúde – atividade física:143
Programas de asma144
ASMA145
Fluxograma 4.1. Manejo da asma145
ASMA146
Quadro 4.2. Classificação da gr146
Quadro 4.3. Níveis de controle da asma146
ASMA147
Fluxograma 4.2. Tratamento da asma em etapas147
ASMA148
Etapas do tratamento148
ASMA149
Fluxograma. Tratamento da crise de asma em unidade de saúde ou domicílio149
ASMA150
Quadro 4.7. Classificação da intensidade da exacerbação da asma150

PágiNAS PArA dESTAcAr Doses de medicamentos em crise de asma ................................................................................151

Fluxograma. Diagnóstico da DPOC152
DPOC153
DPOC154
Fluxograma. Tratamento medicamentoso da DPOC estável de acordo com a dispneia154
Quadro 5.6. Tratamento da DPOC154
DPOC155
Quadro 5.8. Drogas utilizadas em DPOC155
Fluxograma. Manejo de DPOC estável157

1 APrESENTAÇÃo

A Atenção Primária é o primeiro contato dos usuários com o sistema de saúde, portanto, deve estar apta a manejar os problemas de maior frequência e relevância presentes na comunidade.

As atividades dos profissionais das equipes da Atenção Primária/Saúde da Família devem ser desenvolvidas tendo como princípios o acesso universal e a integralidade do cuidado, conforme as necessidades de saúde da população atendida.

No que se refere às doenças respiratórias crônicas, os serviços de saúde, frequentemente, realizam abordagens restritas ao tratamento sintomático das exarcebações. Como consequência temos elevado número de internações desnecessárias, alta morbidade, visitas frequentes a serviços de urgência, além de recorrentes faltas ao trabalho e à escola, resultando em um enorme custo econômico e social. Associa-se a isso o subdiagnóstico e a falta de controle dos sintomas.

O manejo dos casos leves e moderados de rinite, asma e DPOC deve ser realizado pelas equipes da Atenção Primária, que, por atuarem de forma próxima das famílias, conseguem melhor adesão ao tratamento, permitindo maior controle dos sintomas, com consequente diminuição do número de internações hospitalares e aumento na qualidade de vida. É necessário, portanto, que os profissionais das equipes da Saúde da Família estejam preparados para lidar com esses agravos, para que possam ofertar o melhor tratamento às pessoas que têm doença respiratória crônica.

Nesse sentido, este departamento publica o Caderno de Atenção Básica Doenças

Respiratórias Crônicas. Esta publicação tem como finalidade oferecer conhecimento prático para o manejo dos agravos em questão. O documento traz protocolos clínicos para o manejo da rinite, asma e DPOC, além de um capítulo introdutório que discute de maneira objetiva os sintomas respiratórios.

Esta publicação representa o reconhecimento dos resultados positivos alcançados pelos profissionais da Atenção Primária frente às doenças respiratórias crônicas. Consiste em uma das ações do Departamento de Atenção Básica no sentido de qualificar o trabalho das equipes para a atuação na Saúde da Família. O Caderno de Atenção Básica Doenças Respiratórias Crônicas foi elaborado por equipe multiprofissional, formada por generalistas e especialistas em doenças respiratórias, com o objetivo de produzir um documento adequado à realidade da Atenção Primária no País.

Ministério da Saúde

EPidEmiologiA dAS doENÇAS rESPirATóriAS crôNicAS

Doenças respiratórias crônicas (DRC) são doenças crônicas tanto das vias aéreas superiores como das inferiores. A asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são as DRC mais comuns. Representam um dos maiores problemas de saúde mundialmente. Centenas de milhões de pessoas de todas as idades sofrem dessas doenças e de alergias respiratórias em todos os países do mundo e mais de 500 milhões delas vivem em países em desenvolvimento. As DRC estão aumentando em prevalência particularmente entre as crianças e os idosos. Afetam a qualidade de vida e podem provocar incapacidade nos indivíduos afetados, causando grande impacto econômico e social. As limitações físicas, emocionais e intelectuais que surgem com a doença, com consequências na vida do paciente e de sua família, geram sofrimento humano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial estimam que quatro milhões de pessoas com DRC podem ter morrido prematuramente em 2005 e as projeções são de aumento considerável do número de mortes no futuro. Como estratégia para enfrentar esse problema de saúde no plano mundial, a OMS criou a Global Alliance against Chronic Respiratory Diseases (GARD).

A rinite pode ser considerada a doença de maior prevalência entre as doenças respiratórias crônicas e problema global de saúde pública, acometendo cerca de 20 a 25% da população em geral. Embora com sintomas de menor gravidade, está entre as dez razões mais frequentes de atendimento em Atenção Primária em Saúde. Ela afeta a qualidade de vida das pessoas, interferindo no período produtivo de suas vidas, podendo causar prejuízos pelo absenteísmo ao trabalho e à escola. Por ser uma doença subdiagnosticada pelos profissionais de saúde, e pelo fato de que nem todos os portadores de rinite procurem atendimento, há falta de controle dos sintomas.

De acordo com o estudo International Study of Asthma and Allergies in Childhood

(ISAAC), realizado no Brasil [J Pediatr 2006;82(5):341-6], a prevalência média de sintomas relacionados à rinite é de 29,6% entre adolescentes e 25,7% entre escolares, estando o País no grupo de países com as maiores taxas mundiais de prevalência, tanto em asma como em rinite. A asma acomete cerca de 300 milhões de indivíduos em todo o mundo e frequentemente está associada à rinite. A elevada frequência de asma em crianças sugere aumento da prevalência geral da asma nos próximos anos.

O Brasil ocupa a oitava posição mundial em prevalência de asma, com estimativas para crianças e adolescentes escolares variando de menos que 10 a mais do que 20% em diversas cidades estudadas, dependendo da região e da faixa etária consideradas. Em 2007, foi responsável por cerca de 273 mil internações, gerando custo aproximado de R$ 98,6 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Houve 2.500 óbitos, de acordo com o DataSUS, dos quais aproximadamente um terço ocorreu em unidades de saúde, domicílios ou vias públicas.

Estimativas sobre a prevalência de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) têm sido baseadas primariamente nas estatísticas de mortalidade, o que configura um subdiagnóstico. Ainda assim, essas estimativas mostram que a morbimortalidade por DPOC está se elevando em muitas regiões. A DPOC afeta 210 milhões de pessoas, é a quarta causa de mortalidade e representa 4,8% dos óbitos em todo o mundo.

Um estudo de base populacional em São Paulo (Estudo Platino), em que foram realizadas espirometrias na residência em 1.0 pessoas, mostrou que a prevalência de DPOC era de 15,6% em pessoas acima de 40 anos, correspondendo a 18% dos homens e 14% das mulheres e que a prevalência aumenta com a idade. Vinte e cinco por cento dos fumantes eram portadores de DPOC. Desse modo, estima-se que existam 7,5 milhões de pessoas com DPOC no Brasil.

A DPOC foi responsável por 170 mil admissões no SUS em 2008, com permanência média de seis dias. A Região Sul do Brasil apresenta a maior taxa de internações, provavelmente por conta das temperaturas mais baixas. O número de óbitos por DPOC variou em torno de 3.0 mortes anuais de 20 a 2005. A DPOC encontra-se entre a quinta e sexta das principais causas de morte no Brasil. O custo estimado por paciente por ano com DPOC é de US$ 1.522,0, quase três vezes o custo per capita da asma.

Muitos dos fatores de risco para DRC preveníveis já foram identificados e medidas eficazes de prevenção foram estabelecidas. Tabagismo, poluição ambiental, alérgenos, agentes ocupacionais e algumas doenças como esquistossomose e doença falciforme podem ser citados como fatores de risco preveníveis para DRC. Além disso, pneumonia, bronquiolite e tuberculose, por causarem cicatrizes nas vias aéreas, também podem ser consideradas fatores de risco com impacto significativo sobre essas doenças. O aumento na expectativa de vida representa fator de risco independente para esse grupo de doenças.

O estabelecimento de uma linha de cuidado para as DRC pode ser efetivo para a redução da morbimortalidade dessas doenças. Entretanto, no Brasil, habitualmente, o sistema de saúde desenvolve ações de forma fragmentada. Faz-se necessária a organização de uma rede de atenção que atenda as pessoas com DRC com maior ênfase na atenção primária, incluindo ações de promoção da saúde e prevenção primária e secundária.

Em todo o material produzido, utilizaremos a tabela a seguir para representar os níveis de evidência científica.

Quadro 1.1. Níveis de evidência científica nos enfoques de terapia, prevenção e etiologia. IEnsaio clínico randomizado (ECR)1 ou revisão sistemática (RS) de ECR com desfechos clínicos

ECR ou RS de ECR de menor qualidade: Com desfechos substitutos validados Com análise de subgrupos ou de hipóteses a posteriori Com desfechos clínicos, mas de menor rigor metodológico

Estudo observacional de reconhecido peso científico (coorte ou caso-controle aninhado em uma coorte, séries temporais múltiplas) ou revisão sistemática desses estudos

14 DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CRÔNICAS

I ECR com desfechos clínicos não validados

(Parte 1 de 13)

Comentários