Tecnicas de construção

Tecnicas de construção

(Parte 1 de 5)

DE INFRA-ESTRUTURA ESCOLAR 1616 pro uncionário pro uncionário

Curso Técnico de Formação para os Funcionários da EducaçãoTécnicas de construção

- Curso Técnico de Formação para os F uncionários da Educação /Técnico em meio ambiente e manutenção de infra- estrutura escolar: Técnicas de construção

Brasília– 2009 Brasília– 2009

Governo Federal

Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica

Diretoria de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para a Educação Básica

Universidade de Brasília(UnB)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica

Mo692Módulo 16 : Técnicas de construção. / Alessandro

Guimarães Pereira. – Brasília : Universidade de Brasília, 2009. 124 p.

ISBN: 978-85-203-0989-2

1. Educação a distância. 2. O edifício escolar. 3. Técnicas de construção aplicadas à escola. I. Pereira, Alessandro Guimarães. I. Universidade de Brasília. Centro de Educação a Distância.

CDD 574

Apresentação

Caro cursista do Profuncionário com futura habilitação de Técnico(a) em Meio Ambiente e Manutenção da Infra- Estrutura Escolar.

Com este módulo de Técnicas de Construção, sua caminhada por este curso chega ao seu último passo.

Neste momento, nós o ajudaremos a conhecer melhor o seu edifício escolar e como cuidar bem dele. Você já sabe que o espaço escolar é um espaço muito especial, ou seja, é um local dedicado à educação formativa das crianças, e requer uma série de cuidados para atingir esses objetivos educativos. É um espaço que deve favorecer a convivência, o conforto, a segurança e, é claro, a vontade de estudar.

Por isso a escola possui uma série de requisitos importantes que devem ser observados para que alunos, professores e funcionários possam fazer o melhor uso dela, a fim de atingir tais objetivos educativos.

Para que a escola funcione, o seu papel como Técnico(a) é fundamental. Para concluir sua formação, você terá acesso ao que chamamos de especificações escolares. Ao mesmo tempo, para fazer uso dessas especificações e dialogar com outros profissionais sobre melhorias no espaço escolar, obterá informações sobre desenho técnico arquitetônico, elementos simbólicos e topografia. Em suma, poderá interpretar e fazer desenhos do espaço escolar para o seu uso e para a comunicação com outros.

Abordaremos também os materiais e as técnicas mais empregadas nos edifícios escolares, com dicas para reparos e para a realização da manutenção de equipamentos e de elementos do edifício.

Além dessas informações, você terá também unidades dedicadas ao impacto ambiental dos sistemas de construção civil, à história das técnicas de construção e sobre como enfrentar situações que exigem mais que os conhecimentos técnicos, exigem o seu bom senso: como enfrentar a questão das pichações? Como facilitar o acesso aos portadores de necessidades especiais? Como promover áreas verdes na escola?

A proposta maior deste módulo é justamente a de qualificá-lo para a execução de melhorias na estrutura física do espaço escolar. Tais melhorias motivam a todos, alunos, professores e funcionários, para fazer da escola um espaço convidativo, educativo e de cooperação.

Fornecer (ao funcionário) informações a respeito do impacto ambiental da construção civil e do manejo correto de seus resíduos; levar a ele informações básicas sobre a história das técnicas construtivas na Europa, na América pré-colombiana e no Brasil; explicar princípios básicos da arquitetura e da engenharia civil, como leituras de plantas de escolas, de seu entorno e de seus componentes; informá-lo acerca de especificações escolares; ampliar o seu repertório sobre técnicas e materiais de construção e, ainda, indicar algumas técnicas de reparos que podem ser executadas em sua escola; ressaltar ao funcionário o seu papel fundamental na manutenção e conservação do espaço escolar, por meio de sua intervenção visando fazer da escola um espaço de convivência, como, por exemplo, no enfrentamento da depredação, na manutenção de quadros-de-giz e no manuseio de extintores de incêndio; fornecer informações básicas sobre o papel do funcionário quanto à acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais.

Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental. Arquitetura, engenharia civil e educação. Evolução técnica das construções: passado e presente. História das construções: na Europa, na América précolombiana, no Brasil colonial, independente e moderno. Leitura e desenho de projetos. Especificações escolares. Leitura de plantas de prédios escolares. Prática elementar de construções e reformas: alicerces, vigas, pilares, ferragens, paredes, rebocos, azulejos, pisos, pintura, impermeabilizações, cercados, muros. Instalações elétricas e hidrossanitárias adaptadas às especificações escolares. Construção e manutenção de quadros-de-giz. Orçamentação e custos de construções. Papel do funcionário quanto à construção, conservação e manutenção física dos prédios escolares. Qualidade e segurança.

Sumário Sumário

UNIDADE 1 – Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental 1

UNIDADE 2 – Evolução técnica das construções: passado e presente. História das construções: na Europa, na América pré-colombiana, no Brasil colonial, independente e moderno19

UNIDADE 3– O edifício escolar 3

UNIDADE 4 – Técnicas de construção aplicadas à escola 63

UNIDADE 5 – Papel do funcionário na construção, conservação e manutenção física dos prédios escolares 97

REFERÊNCIAS 120

Construção como

aplicação de materiais

e de suas relações com

a sustentabilidade ambiental

UNID ADE 1

– Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental

Todo ser humano busca um abrigo. Desde os seus primórdios, protegeu-se das chuvas, do frio e de raios. O abrigo mais antigo e que nos faz lembrar logo da era pré-histórica é a caverna. A caverna possuía, para nossos antepassados, alguns elementos importantes que a definiam como um abrigo seguro e que respondiam, ainda que precariamente para os padrões atuais, às necessidades que o homem tinha de proteção dos fenômenos naturais e dos predadores.

A caverna é coberta, protegida de ventos e da chuva, portanto, minimamente confortável. Possui apenas uma entrada, facilitando a defesa contra inimigos externos.

Acontece que o ser humano resolveu se espalhar pelo mundo e nessa aventura desenvolveu, geração após geração, técnicas para se abrigar artificialmente, ou seja, o ser humano foi aprendendo o artifício de se abrigar.

A idéia de “construção” é o resultado dessa preocupação do homem por um abrigo. A construção representa um abrigo artificial, ou seja, edificado pelo homem para sua proteção.

Hoje, quando pensamos em um abrigo, lembramos logo de nossa casa, uma construção que, geração após geração, vem ganhando novos materiais e novas técnicas construtivas. Mas as construções não se limitaram às residências.

Do que são feitas as casas? E os edifícios? E as grandes obras, como usinas hidrelétricas, estádios de futebol? Diversos materiais são empregados e combinados para gerar as construções atuais.

Na casa, temos uma série de materiais básicos para a construção: cimento, tijolo, areia, brita, cal, vigamento, madeira, prego, telha e, é claro, água. Temos também elementos já manufaturados, como as janelas, os canos, os fios elétricos, os vasos sanitários, os pisos e azulejos. E de onde vem tudo isso? Como o material de construção chegou até o depósito?

Uma coisa é certa: uma parte do planeta Terra foi deslocada para a construção da casa de cada um de nós.

Todos os materiais empregados na construção de uma casa são extraídos da natureza, o que significa que a construção civil é uma atividade que gera um intenso impacto ambiental.

UNID ADE 1 – Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental

O cimento é um material composto a partir do calcário adicionado de outros materiais, como, por exemplo, o gesso. Ele é extraído de grandes jazidas, intensa e constantemente, o que não só altera a paisagem como também gera impacto ambiental. O processo de calcinação – uma das etapas de fabricação do cimento – lança grande quantidade de CO2 na atmosfera. Estima-se que para cada tonelada de cal virgem produzida são

Já os tijolos podem ser derivados de concreto (cimento, areia e água) ou produzidos a partir da argila. Além do impacto extrativo, a confecção de tijolos exige o seu cozimento a altas temperaturas em fornos geralmente alimentados a carvão. Temos o impacto causadopela extração de madeira para a produção de carvão e também o problema dos gases liberados na atmosfera pela queima desse carvão.

Outro material que gera um enorme impacto ambiental em sua extração é a areia. A areia de construção civil é, em sua maior parte, extraída de leitos de rios e, em menor parte, das chamadas “cavas” ou “barrancos”. A extração de areia causa enorme impacto ambiental, pois contribui diretamente para o seu assoreamento. Significa que a extração de areia nos rios contribui para a desconfiguração do seu leito e sua conseqüente desertificação.

As maiores consumidoras de material de construção são as grandes cidades. Junto a elas, os recursos naturais estão esgotados. Assim, é necessário o transporte de material de outras localidades, o que também gera poluição, com a queima de combustíveis fósseis dos navios, trens e caminhões.

É necessário o aperfeiçoamento da construção civil no Brasil visando à redução do impacto ambiental que ela provoca. Para se ter uma idéia do que a construção civil causa, observamos que ela responde por cerca de 14% da economia brasileira. Para movimentar a economia, a construção civil tem sido responsável por algo entre 20% e 50% de todos os recursos naturais consumidos pela sociedade.

Outro problema que pode ser observado pela construção civil é justamente quanto ao consumo de energia. A obtenção de materiais primários, como a areia, a madeira ou a brita, de-

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– Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental manda energia para os equipamentos responsáveis por sua extração. Mas há materiais que, depois de extraídos, precisam ser beneficiados para se tornar um produto final, como o alumínio e o cobre. O alumínio, por exemplo, é encontrado na natureza junto com um minério chamado bauxita. Para a obtenção do alumínio, há um complicado processo de filtragem e separação da alumina, culminando com uma fase chamada eletrólise. É nessa fase que há um grande consumo de energia para a sua produção.

O que você faria com o entulho de uma parede demolida em sua escola? O que sua escola faz com o material velho que não utiliza mais, como carteiras, cadeiras ou armários? Como a escola pode reaproveitar o entulho produzido em uma construção?

No Módulo 1 você obteve importantes informações sobre o impacto ambiental resultante da exploração da natureza para a obtenção de recursos e também para a geração de energia. Lá foi falado sobre a Agenda 21, acertada entre diversos países com intuito de se alcançar o desenvolvimento sustentável de nosso planeta.

Com base nisso, o Ministério do Meio Ambiente, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias para minimizar os impactos ambientais. Essa decisão pode ser vista na Resolução n. 307, de 2002, do Conama, que indica os procedimentos para o reaproveitamento dos resíduos gerados pelas construções. Segundo essa resolução, os municípios devem elaborar um “Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil”. Nesse plano estão previstos programas e projetos para o gerenciamento dos resíduos dessa atividade, bem como as responsabilidades dos grandes geradores de resíduos. Ao mesmo tempo, essa resolução prevê o cadastramento de áreas específicas para o descarte e manejo dos resíduos de construção civil, o licenciamento de áreas de beneficiamento e aproveitamento e a proibição do descarte desses resíduos em áreas não autorizadas.

UNID ADE 1 – Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental

Conama é a sigla para “Conselho Nacional do Meio Ambiente”. Trata-se do órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente, instituído pela Lei n. 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto n. 9.274/190. Disponível em: <http://w.mma.gov. br/conama/>. Acesso em: 12 ago. 2007.

O maior objetivo da Resolução n. 307/2002 é a preservação do meio ambiente. Por isso, ela lida com duas situações. A primeira trata da diminuição da extração de recursos diretamente da natureza. A segunda trata da diminuição da geração de resíduos nos locais em que se consome material de construção. Assim, incentiva-se o descarte consciente de materiais de construção que não serão mais utilizados, como materiais agregados vindos de demolições, sobras de madeira, “bagulhos” de construções novas etc. Ao mesmo tempo, promovem-se a classificação e a destinação correta do material descartado, visando à sua reciclagem e reutilização na construção civil. Atenção ao que é definido na Resolução n. 307:

Art. 10. Os resíduos da construção civil deverão ser destinados das seguintes formas:

I – Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.

I – Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.

I – Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

IV – Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

Todos nós recebemos diariamente muitas informações, seja pela televisão e pelos jornais, seja na escola, dos benefícios ambientais da reciclagem. O que queremos mostrar é que a construção civil também pode estar inserida nesse ciclo!

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– Construção como aplicação de materiais e de suas relações com a sustentabilidade ambiental

A energia utilizada na reciclagem de latas de alumínio corresponde a apenas 5% da energia gasta durante a produção do alumínio a partir do minério. Isso significa que cada latinha reciclada economiza energia elétrica equivalente ao consumo de um aparelho de TV durante 3 horas.

Uma só tonelada de alumínio reciclado evita a extração de 5 toneladas de bauxita. A economia de energia proporcionada pela reciclagem de uma tonelada de metal equivale ao consumo de cerca de 6.700 lâmpadas de 60W. O material pode ser reciclado infinitas vezes, sem perder suas propriedades. O alumínio é o material mais reciclado no Brasil. No ano de 2002, 87% da produção nacional (9 bilhões de latas, que equivale a 121 mil toneladas) foi reciclada.

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