PORTUGUÊS-Regência Verbal

PORTUGUÊS-Regência Verbal

(Parte 1 de 5)

TIRANDO DÚVIDAS Reginaldo Gonçalves – DIREITO

UNINORTE - 2010 1

Relembrando conceito

Regência Verbal Para o estudo da regência verbal, é importante que você se lembre de alguns conceitos.

Pronome Oblíquo

Funcionam como

Tipo de verbo Exemplo

Admite voz passiva Exemplo o(s), a(s) Objeto Direto VTD Encontrei o tesouro.

Encontrei-o. SIM Todos vaiaram o juiz. (voz ativa)

O juiz foi vaiado por todos (voz passiva) lhe e lhes Objeto Indireto VTI O garoto obedeceu ao pai.

O garoto obedeceu-lhe. NÃO

OBS.: nem todo OI, pode ser trocado por LHE ou LHES. Eu gostei do jogo. Eu gostei-lhe. (ERRADO) Eu gostei dele. (CERTO) me, te, se, nos, vos objeto direto ou objeto indireto

VTD, VTI ou VTDI

Como é impraticável e desnecessário estudar a regência de todos os verbos que existem em português, vamos estudar alguns verbos cujas regências nos interessam.

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Verbo Aspirar

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Aspirar

Respirar, inalar

(perfume, ar, etc) VTD Objeto Direto - A menina aspirou o gás tóxico.

O gás tóxico foi aspirado pela menina. (voz passiva)

A menina aspirou-O. (pronome oblíquo)

Pretender, desejar VTI Objeto Indireto A Você aspirava Ao diploma. NÃO existe voz passiva.

Sim, eu aspirava-lhe. (ERRADO)

Sim, eu aspirava a ele. (CERTO) (esse verbo não admite o pronome lhe).

Observação:

É muito comum explorar a regência verbal em frases em que apresentam pronome relativo (que, quem, qual, onde, cujo, etc.). Nestes casos, se o verbo que aparece depois do pronome relativo exigir uma preposição, ela deverá ser colocada antes do pronome relativo.

Você desconhece as vantagens A que aspiro. Você desconhece as vantagens Às quais aspiro. Macete:

Estas são as pessoas

- que aprecio DE que gosto A que me refiro EM que creio DE que Discordo

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Verbo assistir

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Assistir

Estar presente, ver. VTI Objeto Indireto A

Uma multidão assistiu Ao jogo. NÃO existe voz passiva.

Eu já lhe assisti. (ERRADO)

Eu já assisti a ele. (CERTO) (neste sentido o verbo não admite o pronome lhe).

Caber, pertencer.

O direito de protestar assiste A todo jovem.

Estas são as pessoas A quem assiste o direito de criticar.

NÃO existe voz passiva.

Não lhe assiste o direito de criticar o rapaz.

(CERTO) (neste sentido o verbo admite o pronome lhe).

Socorrer, prestar assistência. VTD Objeto Direto - O médico assistiu o doente

O doente foi assistido pelo médico. (voz passiva)

O médico O assistiu. (pronome oblíquo)

Morar, residir. VI Adjunto Adverbial de Lugar

Geralmente com, EM.

Durante dois anos ele assistiu EM Santos.

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Verbo agradar

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Agradar

Contentar, satisfazer. VTI Objeto Indireto A Sua atitude não agradou Ao pai.

NÃO existe voz passiva.

Não lhe agradou. (ERRADO)

Não agradou a ele. (CERTO) (esse verbo não admite o pronome lhe).

Acariciar, fazer carinho. VTD Objeto Direto - A criança agradava o pequeno animal.

O pequeno animal foi agradado pela menina. (voz passiva)

A criança agradou-O. (pronome oblíquo)

Verbo visar

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Visar

Pretender, ter em vista, almejar, desejar.

VTI Objeto Indireto A Você sempre visou A este cargo.

O cargo A que você visa é importante.

NÃO existe voz passiva.

Sim, sempre lhe visei. (ERRADO)

Sim, sempre visei a ele. (CERTO) (esse verbo não admite o pronome lhe).

Pôr o visto, assinar.

Visar, dirigir a pontaria

VTD Objeto Direto -

O responsável visou o passaporte do rapaz

O atirador visava o coração do indefeso animal.

O passaporte do rapaz foi visado pelo responsável. (voz passiva)

O responsável visou-O. (pronome oblíquo)

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Verbo querer

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Querer

Gostar, amar, querer bem VTI Objeto Indireto A

Ele sempre quis Aos meus pais.

Essas são as pessoas A quem queremos bem.

NÃO existe voz passiva.

Ela lhes queria. (ERRADO)

Ela queria a eles. (CERTO) (esse verbo não admite o pronome lhe).

Desejar, tomar posse. VTD Objeto Direto -

O garoto queria o prêmio.

O imóvel era velho, por isso ninguém o queria.

O prêmio foi querido pelo garoto. (voz passiva)

O garoto queria-O. (pronome oblíquo)

Verbo chamar

Verbo Sentido Tipo de verbo

Regência (complemento)

Preposição obrigatória Exemplo

Voz passiva

Uso do Pronome Oblíquo

Chamar

Denominar, apelidar.

VTI Objeto Indireto DE + A Todos chamavam DE louco Ao rapaz

Todos chamavam louco Ao rapaz.

NÃO existe voz passiva.

Todos LHE chamavam de louco. (pronome oblíquo)

VTD Objeto Direto - Todos chamavam de louco o rapaz.

Todos chamavam louco o rapaz.

O rapaz foi chamado de louco por todos

Todos O chamavam de louco. (pronome oblíquo)

Pedir para vir VTD Objeto Direto - Foi então que chamei os amigos.

Chamei por meus amigos.

Então, os amigos foram chamados por mim. (voz passiva)

Então, chamei-Os. (pronome oblíquo)

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Agora faça o seu próprio esquema, os acima citados são de minha autoria, adaptado da maneira que eu melhor assimilo. Siga o modelo ou crie novos. Ah! Manda pra mim.

Veja a síntese do assunto, confrontado pelos melhores gramáticos do país.

Hoje, trataremos do assunto em epígrafe – SINTAXE DE REGÊNCIA. Há sempre nas orações elementos regentes e elementos regidos. Chamamos de regentes aos termos que pedem complemento e de regidos aos que complementam o sentido dos primeiros.

Regente Artigo ou Preposição Regido Comprei - uma casa Dependo DE você Crença EM Deus Ávido DE carinho Insisto EM lutar Vejo O mar

A sintaxe de regência estudará, portanto, as relações de subordinação ou dependência entre os elementos da oração.

Em palavras mais simples: regência significa “uso ou não de preposição”. Veremos casos em que determinada palavra (substantivo, adjetivo, advérbio ou verbo) exige certa preposição ou tem o seu sentido modificado em virtude do emprego de alguma delas. Os complementos servem a nomes (substantivos, adjetivos ou advérbios) e a verbos – daí, a regência dividir-se em nominal e verbal.

REGÊNCIA VERBAL – analisa o emprego e o significado dos verbos de acordo com a preposição do seu complemento indireto (ou a ausência da preposição no complemento direto). Nosso estudo terá por base, principalmente, as lições de Celso Pedro Luft presentes nas seguintes obras:

Dicionário Prático de Regência Nominal - Editora Ática – 4ª edição - 2003; Dicionário Prático de Regência Verbal – Editora Ática – 8ª edição – 2002.

O conceito de REGÊNCIA VERBAL passa necessariamente pela definição da TRANSITIVIDADE DO VERBO.

Há verbos que bastam por si mesmos – são os verbos INTRANSITIVOS. Outros há que necessitam de informações suplementares, ou seja, do auxílio de uma expressão subsidiária, que se apresenta sob a forma de COMPLEMENTO. Esses são os verbos TRANSITIVOS.

Aliás, essa denominação provém do conceito de TRANSITAR/TRÂNSITO. Se esse “trânsito” não encontra obstáculo algum, ele é DIRETO. O “obstáculo” é a preposição.

Assim, quando não há preposição necessária (obstáculo), o verbo é TRANSITIVO DIRETO, ou seja, liga-se ao complemento diretamente (OBJETO DIRETO).

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No caso de a preposição ser obrigatória, o verbo é classificado como TRANSITIVO INDIRETO e o complemento é antecedido de preposição (OBJETO INDIRETO).

Em todo momento, mencionamos “preposição necessária” ou “obrigatória”. Isso porque há casos em que, mesmo sendo dispensável, a preposição é utilizada como recurso estilístico (exemplo 1 abaixo), como, por exemplo, para evitar ambigüidade, ou obrigatoriamente quando o objeto direto vier sob a forma de um pronome oblíquo tônico (exemplo 2).

Nesses casos, o complemento é chamado de OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO. Exemplo 1 – Matou o caçador ao leão. – Sem a preposição, não saberíamos quem matou quem.

Exemplo 2 – Nem ele entende a mim, nem eu a ele. – Os pronomes oblíquos tônicos exigem sempre a preposição, mesmo que exerça a função de objeto direto.

Em determinadas construções, alguns verbos, mesmo acompanhados de complemento direto (OBJETO DIRETO), podem requerer um outro complemento, precedido de preposição (OBJETO INDIRETO). Esses verbos são os chamados TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS ou BITRANSITIVOS.

Por fim, há também os que necessitam de uma informação adicional que venha a complementar o sentido ou alcance do objeto (direto ou indireto).

Esses são os verbos TRANSOBJETIVOS. Essa “informação complementar” vem sob a forma de PREDICATIVO DO OBJETO.

O predicativo do objeto pode estar ligado diretamente ao verbo (O júri considerou o réu inocente) ou por meio de uma preposição (Os médicos consideravam a doença como incurável.)

Podem ser transobjetivos os verbos: chamar, considerar, julgar, reputar, supor, declarar, crer, estimar, tornar, designar, nomear, sagrar, coroar, encontrar, achar, deixar etc. C omo já ressaltamos antes, a transitividade de um verbo só pode ser definida na oração, de acordo com os elementos presentes na construção.

Enquanto que os nomes (regência nominal) exigem uma e/ou outra preposição, não tendo seu significado alterado, alguns verbos, a depender da acepção que se deseje apresentar, podem exigir determinada preposição, aceitar mais de uma ou até mesmo dispensá-la.

Ou seja, os substantivos e adjetivos podem reger diversas preposições sem que tenham seu sentido alterado. Já os verbos apresentam sentidos diferentes a depender da preposição que for utilizada. Essa é a diferença significativa entre regência nominal e verbal e é por isso que o estudo da sintaxe de regência verbal é bem mais complexo do que o de regência nominal.

Em relação às provas de concursos públicos, o número de questões que envolvem aspectos de regência verbal é infinitamente maior que o de questões sobre regência nominal. Isso você irá perceber nos exercícios de fixação.

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Há verbos que admitem mais de uma regência sem ter seu sentido alterado.

Falar sobre o assunto. Falar do assunto. Falar acerca do assunto. Ele não tarda em chegar. Ele não tarda a chegar.

Em algumas construções, a preposição é usada, mais do que para reger, para acrescentar novos matizes de significação aos verbos.

Cumpri o dever. / Cumpri com o dever. – O verbo é originalmente transitivo direto (primeiro exemplo). A preposição serve para acentuar a idéia de cuidado, zelo.

Fiz que ele fosse aprovado./ Fiz com que ele fosse aprovado. – O verbo fazer é transitivo direto. A preposição emprega valor de dedicação, esforço.

Comi o bolo. / Comi do bolo. – Apenas um pedaço do bolo, e não todo ele, foi comido.

Quando, em uma construção, surgirem dois ou mais verbos com regências diferentes em relação a um mesmo elemento, o rigor gramatical exige que se apresentem os dois objetos distintos.

Entrei e saí do quarto com extrema rapidez.– CONSTRUÇÃO CONDENADA O verbo entrar rege a preposição em (entrei no quarto), enquanto que o verbo sair exige a preposição de (saí do quarto). Assim, para que se observe a norma gramatical, devemos colocar cada verbo acompanhado de seu complemento:

Entrei do quarto e saí dele com extrema rapidez.

Se a transitividade dos verbos for a mesma, seja direta, seja indireta com a mesma preposição, pode-se apresentar somente um dos elementos.

O amigo que muito admiro e estimo veio aqui hoje.

O pronome relativo que retoma o substantivo amigo. Tanto o verbo admirar quanto estimar são transitivos diretos. Assim, não há preposição antes do pronome relativo que exerce a função de objeto direto de ambos os verbos.

O amigo que muito admiro e me preocupo veio aqui hoje .

Essa construção está condenada. Enquanto o verbo admitir é transitivo direto, o verbo preocupar-se exige o complemento regido pela preposição com (Eu me preocupo com o amigo). Assim, para corrigi-la, devemos repetir o pronome relativo, tomando o cuidado em usar, no segundo caso (com preposição), o relativo quem (assunto a ser tratado na aula sobre PRONOMES).

O amigo que muito admiro e com quem me preocupo veio aqui hoje.

Todavia, alguns autores, para empregar ao texto maior brevidade e concisão, admitem a forma gramaticalmente inadequada.

“Não se recorda ou não sabe que perdeu uma carta?” (Machado de Assis)

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O verbo recordar é transitivo indireto, com a preposição de (alguém se recorda de alguma coisa), ao passo que o verbo saber apresenta emprego transitivo direto (alguém sabe alguma coisa). No entanto, um único complemento (o direto) foi apresentado.

Note que essa “simplificação” ocorre também em outras construções: Ele esteve com ela antes e durante o velório. (antes do velório) Ele esteve com ela antes, durante e depois do velório. (durante o velório)

Se, em uma série de verbos com a mesma regência, apresenta-se um mesmo complemento expresso junto a um deles, pode-se repeti-lo (valorizando cada um dos verbos) ou omiti-lo (dando ênfase ao conjunto de ações).

Eu muito os admiro e os respeito. Eu muito os admiro e respeito.

Tanto o verbo admirar como o respeitar são transitivos diretos, o que possibilita essa construção.

Agora, iremos analisar as possibilidades de sintaxe de regência de alguns verbos. É lógico que nosso objetivo não é esgotar (até porque isso seria impossível), mas simplesmente apresentar.

Sempre que surgirem dúvidas, busque o auxílio de um bom dicionário de regência (como o indicado no início de nossa aula).

Em alguns verbos, destacaremos observações feitas por mestres consagrados, como Celso Luft, Evanildo Bechara e outros.

Como tudo na língua, a sintaxe de regência também sofre mutações decorrentes do uso. Por isso, serão registradas, também, algumas “inovações sintáticas” ocorridas em certos verbos e ressaltadas por Celso Luft em seu Dicionário Prático.

Agradar a) No sentido de acariciar, acarinhar, é transitivo direto. Com as mãos calosas, agradava o filho choroso. b) No sentido de satisfazer, contentar, é transitivo indireto. Suas palavras agradaram ao público que o ouvia.

Por analogia com contentar (transitivo direto), também ocorre a transitividade direta, não obstante impugnação dos puristas: “Essa regência (transitiva direta) se justifica nas acepções contentar e afagar, mimar.” (Celso Luft).

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Esforça-se mas não consegue agradá-lo.

E o que fazer na hora da prova? Analisar as demais opções e procurar identificar o posicionamento da banca – se tradicional (transitividade indireta) ou moderna (direta). De qualquer forma, se houver menção a “norma culta”, segue-se a sintaxe original (agradar a alguém).

Aspirar a) No sentido de respirar, sorver, é transitivo direto. "Aspirava o cheiro das rosas abertas depois da chuva." (Rachel de Queiroz) b)No sentido de desejar, pretender, buscar, é transitivo indireto (com preposição A).

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