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Rubem Alves

Por fim, a maior dificuldade observada foi um dos alunos com uma deficiência de concentração, o que dificultava o trabalho do professor regente e que com certeza dificultou o meu também, no período de regência. Pois, já que o estudante apresentava níveis diferentes de aprendizagem e certa incapacidade de concentração, seria necessário um atendimento individualizado. Esse foi o meu grande desafio.

Contudo, o início dessa fase nos proporcionou um entrosamento com outros professores regente e comunidade escolar do campo de estágio para que existisse efetivamente uma troca de experiência. Além disso, oportunizou condições de integração no contexto escolar para que pudesse identificar características do funcionamento interno e da integração com a comunidade externa. E, sobretudo o conhecimento do desenvolvimento da turma para o planejamento das aulas de estágio.

  1. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO ESTÁGIO

A observação aconteceu de maneira abrangente, envolvendo tanto a escola como um todo tanto a sala específica com seus 26 alunos, a qual apresentava durante a aula certa dificuldade em entender o conteúdo devido à falta de base. A observação foi importantíssima, principalmente porque, através do roteiro, que produzi em sala de aula com orientação do professor, foi possível chegar no local de observação com um olhar direcionado a cada um dos estudantes.

A fase de co-participação ocorreu de 24 de março a 01 de maio de 2009. Esta fase totalizou 37 horas/aula. Foi um período importante do estágio devido a minha participação na aplicação das avaliações, do questionário sócio-econômico e da ajuda mútua ao professor na tiragem de dúvidas a respeito do assunto abordado em sala. Percebi uma grande deficiência na aprendizagem, em que alguns não apresentavam pré-requisitos necessários àquela série.

Foi uma fase fundamental, assim como a de observação, para o planejamento das aulas do período de regência considerando os diferentes níveis de conhecimento, de interesse e participação.

Quando chegou a hora da regência, deixei claro para os estudantes como gostaria de fazer e pedi que eles colaborassem comigo, pois, assim como eles estavam lá para aprender, assim também eu estava lá para aprender, embora fossem aprendizagens diferentes.

E isso de fato surtiu efeito: quando da minha regência, os alunos comportaram-se de modo semelhante ao comportamento diante da professora, sem muito alvoroço e com mais respeito.

O período de regência foi essencial para minha formação como docente. De certo que o aprendizado não se deu somente na regência, mas também se dará ao longo da minha história de educadora na medida em que reconheço que cada sala de aula tem uma particularidade que a torna única, e, sendo única, deve ser dada atenção de modo diferente das outras. Além disso, o convívio com educandos de idades, classes sociais, opções e ideologias diferentes dá mais sabor à experiência profissional de educador.

  1. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

Ao iniciar o estágio, a expectativa era de aumentar os conhecimentos no setor educacional e, por estagiar em uma sala com estudantes de classe baixa, adquiri base uma mais sólida na análise de discentes com certa restrição financeira, acompanhando, participando e regendo aulas dinâmicas, proporcionando um aprendizado significativo.

Eis alguns dos resultados positivos:

  • Alunos com mais e melhores aptidões, atitudes e conhecimentos.

  • Alunos com mais e melhores capacidades de relacionar, inferir e concluir sobre conhecimentos da matemática utilizando materiais e meios mais adequados.

  • Aluno integrado na sociedade tecnológica em que vive e em permanente evolução, através da sua adaptação e utilização de software.

  • Maior competência técnico-pedagógicas de utilização software educativa;

  • Criação de condições que permitiram o desenvolvimento de futuros projetos no âmbito da pedagogia e da didática da matemática e de outras disciplinas.

  1. CONCLUSÃO

O estágio foi parte fundamental para a minha formação como futura professora, devido a uma serie de fatores, entre eles o mais importante, que foi o contato com a pratica profissional, onde fiz ligação entre teoria e pratica, foi um período em que busquei vincular aspectos teóricos com aspectos práticos. Foi um momento em que a teoria e a prática se mesclaram para que fosse possível apresentar um bom resultado. E, sobretudo perceber a necessidade em assumir uma postura não só crítica, mas também reflexiva da nossa prática educativa diante da realidade e a partir dela, para que possamos buscar uma educação de qualidade.

Realmente não foi fácil, tinha grandes receios inicialmente, o que a principio me causou ansiedade, encontrei diversas dificuldades, principalmente quanto à estrutura física da escola, pois a sala era muito quente, tinha uma acústica desfavorável. Infelizmente, foram poucas as oportunidades de realização de um trabalho individual na tentativa de tentar sanar dificuldades específicas. Além disso, detectei através do questionário sócio-econômico que os alunos não gostavam muito da matéria.

Devo confessar que pensei em ser mais tradicional possível como uma punição aos alunos por conversarem tanto e por não colaborarem comigo. Foi muito difícil ser simpática e boazinha, na verdade foi necessário brigar, reclamar, ser até chata para conseguir ao menos falar nessa turminha de 6ª série. Chegava à mesa dos professores, todos reclamavam dos calos, a maioria tinham aversão à turma. E no início do meu estágio senti o que a maioria dos professores sentiam. Mas o meu desejo em fazer algo por eles foi maior. Cheguei à conclusão de que eu os conquistava e mostrava que a matemática não era algo ruim e complicado como eles pensavam. Busquei na medida do possível dinâmicas para minhas aulas, conversas informais sobre a importância do estágio e do estagiário.

Descobri que eu tinha conhecimento suficiente em matemática para ajudar a tirar duvidas dos alunos, de qualquer nível, e ainda consegui expressar este de forma natural, conseguindo explicar os assuntos de forma clara e concisa.

Durante todo o estágio, consegui ver a importância da teoria de sala de aula e a pratica profissional, ligando autores de diversos artigos para apoio em sala de aula, e também para o entendimento melhor da pratica profissional.

Precisamos ter uma postura efetiva de um profissional que se preocupa verdadeiramente com o aprendizado, que deve exercer o papel de um mediador entre a sociedade e a particularidade do educando. Devemos despertar no educando a consciência de que ele não está pronto, aguçando nele o desejo de se complementar, capacitá-lo ao exercício de uma consciência crítica de si mesmo, do outro e do mundo, como dizia Paulo Freire. Mas como fazer isso é o grande desafio que o educador encontra, no estágio não foi diferente e busquei a cada momento ser mais que professora ser uma educadora.

Os grandes pesquisadores não nascem grandes, nem educadores, mas, desenvolvem uma capacidade ao longo de sua experiência de vida, certamente estimulados por uma soma de fatores que os rodeia.

A escola transformou-se em extensão da família e o foco do ensino passou de formar pessoas autônomas, capazes de monitorar a busca de conhecimentos, para formar cidadãos; esse redimensionamento da função da escola tem levado-a a não dar conta de realizar o papel que de fato lhe cabe, qual seja ensinar o aluno a buscar suas próprias estratégias de aprendizagem, a gostar do conhecimento e encontrar para ele um sentido social, político, filosófico, ou outros; levar o aluno a compreender-se como parte fundamental de transformação social através da pesquisa, da construção de conhecimentos e saber.

Mas sem dúvida alguma o meu aprendizado foi imenso, mesmo terminando a aula roca, com a cabeça doendo, exausta e chateada por causa das conversas paralelas. Pelos pontos positivos e também pelos negativos foi uma experiência inesquecível.

Enfim, tenho a sensação de que sou vitoriosa, por alcançar os objetivos traçados para este estágio, por transpor as dificuldades encontradas e, sobretudo, conquistar se não todos os alunos, pelo menos uma parte.

REFERÊNCIAS

BONJORNO, José Roberto. Matemática Fazendo a Diferença 8ª Série. São Paulo:

FTD, 2006.

CARVALHO, Dione Lucchesi. Metodologias do Ensino de Matemática. São Paulo:

Cortez, 1990.

COSTA, M. A. As idéias fundamentais da matemática e outros ensaios. São

Paulo: Editorial Grijaldo e USP. 1971.

D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação Matemática e Etnomatemática, da Teoria à

Prática. Campinas, Papirus, 1996.

FORTZ, Maria de Fátima Ausaloni. Uma nova Concepção do processo de ensino

e aprendizagem. Belo Horizonte: Revista Presença Pedagógica número 13/ UFMG/

1997.

GRUPO DE PROFESSORES. Matemática 2ª Série – Ensino Médio. Curitiba – PR,

Editora Posigraf S/A, 2008.

IEZZI, Gelson. Os Fundamentos da Matemática Elementar. São Paulo: Editora

Atual. 2000.

MACHADO Nilson José Matemática por assunto: Geometria Analítica. São Paulo:

Editora Scipione. 1988.

PAIS, Luiz Carlos. Didática da Matemática – 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

ANEXOS

Q

25

UESTIONÁRIO SÓCIO-ECONOMICO

Nome:_______________________________________________ Idade_________

Endereço:______________________________________________Telefone:______

Nome da mãe: _______________________________________________________

Nome do pai: ________________________________________________________

Naturalidade: _________________________________Estado Civil:_____________

Sexo: ( ) M ( ) F Povoado: ____________________________

  1. Quantos irmãos você tem?

( ) Nenhum

( ) Um

( ) Dois

( ) Três

( ) Quatro ou mais

  1. Quantos filhos você tem?

( ) Nenhum

( ) Um

( ) Dois

( ) Três

( ) Quatro ou mais

  1. Qual o grau de escolaridade de seu pai?

( ) Nenhuma escolaridade

( ) Ensino fundamental incompleto

( ) Ensino fundamental completo

( ) Ensino médio incompleto

( ) Ensino médio completo

( ) Superior

  1. Qual o grau de escolaridade de sua mãe?

( ) Nenhuma escolaridade

( ) Ensino fundamental incompleto

( ) Ensino fundamental completo

( ) Ensino médio incompleto

( ) Ensino médio completo

( ) Superior

  1. Com quem você mora?

( ) Com os pais e/ou outros parentes

( ) Com esposa (o) e/ou filhos

( ) Com amigos (as)

( ) Sozinho (a)

  1. Qual a renda mensal de sua família?

( ) Menos de um salário mínimo

( ) Um salário mínimo

( ) De 1 a 2 salários mínimos

( ) De 2 a 3 salários mínimos

( ) Mais de 3 salários mínimos

  1. E

    26

    xerce alguma atividade remunerada? ( ) Sim ( ) Não

  1. Você vem para a escola: ( ) Direto do trabalho ( ) Direto de casa

  1. Você utiliza algum meio de transporte para vir à escola? ( ) Sim ( ) Não

  1. Em caso afirmativo, qual? __________________________

  1. Você consegue chegar no horário da primeira aula? ( ) Sim ( ) Não

  1. Se não chega no horário, o(s) motivo(s) é (são):

( ) Horário de trabalho

( ) Problemas domésticos

( ) Horário de ônibus

( ) Outros

  1. O que você mais gosta de fazer nas horas vagas?

( ) Assistir televisão

( ) Jogar futebol

( ) Ler um livro

( ) Ler uma revista ou jornal ( ) Estudar e fazer as tarefas da escola

( ) outros

  1. . Você estudou mais em escola: ( ) Pública ( ) Particular

  1. Você gosta da escola onde estuda: ( ) Sim ( ) Não

  1. Qual a disciplina que você mais gosta? ____________________

  1. Qual a disciplina que você menos gosta? ___________________

18. O que você acha das aulas de matemática? ( ) Sim ( ) Não

19. Você gosta da presença de estagiários nas aulas? ( ) Sim ( ) Não

20. Pretende ingressar na Universidade? ( ) Sim ( ) Não

46

Gráfico 1 – Sexo dos Alunos. Fonte: Emanuela. 2009

Gráfico 2 – Onde mora os Alunos. Fonte: Emanuela. 2009

47

Gráfico 4 - O que gosta de fazer. Fonte: Emanuela, 2009

48

Gráfico 5 – Escolaridade do Pai. Fonte: Emanuela, 2009

Gráfico 6 – Escolaridade da Mãe. Fonte: Emanuela, 2009

49

Gráfico 7 – Renda Mensal. Fonte: Emanuela 2009

Gráfico 8 – Atividade Remunerada. Fonte: Emanuela, 2009

50

Gráfico 9 – Utilização de transporte. Fonte: Emanuela, 2009

Gráfico 10 – Gosta da Escola. Fonte: Emanuela, 2009

51

Gráfico 11 – Gosta das aulas de matemática. Fonte; Emanuela, 2009

Gráfico 12 – Disciplina que mais gosta. Fonte: Emanuela, 2009

52

Gráfico 13: Disciplina que mais gosta. Fonte: Emanuela, 2009

Gráfico 14 – Idade. Fonte: Emanuela, 2009

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1 Professor regente, formado pela Faculdade de Tecnologia e Ciência em Matemática.

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