Português para Concursos - Pegadinhas

Português para Concursos - Pegadinhas

(Parte 1 de 8)

Português em Exercícios Para provas e concursos

Cortesia: w.materialconcursos.com.br

Interpretação de texto

Texto I (Carlos Chagas)

Ganhamos a guerra, não a paz

Os físicos se encontram numa posição não muito diferente da de Alfred Nobel. Ele inventou o mais poderoso explosivo jamais conhecido até sua época, um meio de destruição por excelência. Para reparar isso, para aplacar sua consciência humana, instituiu seus prêmios à promoção da paz e às realizações pacíficas. Hoje(*), os físicos que participaram da fabricação da mais aterradora e perigosa arma de todos os tempos sentem-se atormentados por igual sentimento de responsabilidade, para não dizer culpa. E não podemos desistir de advertir e de voltar a advertir, não podemos e não devemos relaxar em nossos esforços para despertar nas nações do mundo, e especialmente nos seus governos, a consciência do inominável desastre que eles certamente irão provocar, a menos que mudem sua atitude em relação uns aos outros e em relação à tarefa de moldar o futuro.

Ajudamos a criar essa nova arma, no intuito de impedir que os inimigos da humanidade a obtivessem antes de nós, o que, dada a mentalidade dos nazistas, teria significado uma inconcebível destruição e escravização do resto do mundo. Entregamos essa arma nas mãos dos povos norte-americano e britânico, vendo neles fiéis depositários de toda a humanidade, que lutavam pela paz e pela liberdade. Até agora, porém, não conseguimos ver nenhuma garantia das liberdades que foram prometidas às nações no Pacto do Atlântico. Ganhamos a guerra, não a paz. As grandes potências, unidas na luta, estão agora divididas quanto aos acordos de paz. Prometeu-se ao mundo que ele ficaria livre do medo, mas, na verdade, o medo aumentou enormemente desde o fim da guerra. Prometeu-se ao mundo que ele ficaria livre da penúria, mas grandes partes dele se defrontam com a fome, enquanto outras vivem na abundância. (...)

Possa o espírito que motivou Alfred Nobel a criar sua notável instituição, o espírito de fé e confiança, de generosidade e fraternidade entre os homens, prevalecer na mente daqueles de cujas decisões dependem nossos destinos. Do contrário, a civilização humana estará condenada. (Albert Einstein, Escritos da maturidade.. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)

(*) Este texto foi escrito em 1945, logo depois do fim da I Guerra Mundial.

1. Ao escrever esse texto, o grande físico Albert Einstein preocupou-se sobretudo em formular uma grave advertência contra (A) a pacificação do mundo por meio da ação de governos totalitários. (B) a perigosa instabilidade gerada pelo Pacto do Atlântico. (C) o novo potencial belicoso da situação de pós-guerra. (D) o poder de devastação representado pelo invento de Alfred Nobel. (E) o espírito do armistício assinado pelas grandes potências.

2. Considere as seguintes afirmações:

I. A criação e a entrega da mais aterradora e perigosa arma de todos os tempos aos norte-americanos e britânicos se deram em meio a uma perigosa e disputada corrida armamentista.

I. Einstein mostra-se insatisfeito quanto aos termos em que se configurou o Pacto do Atlântico, um acordo em si mesmo tímido e incapaz de gerar bons resultados. I. Einstein inclui-se entre os responsáveis pelo término da guerra e pela derrota dos nazistas, mas declina de qualquer responsabilidade quanto a uma futura utilização da nova e devastadora arma.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em (A) I. (B) I. (C) I. (D) Ie I. (E) IIe I.

3. A atitude de vigilância, para a qual Einstein convoca a todos nesse texto, deve materializar-se, conforme deseja o grande físico, (A) numa advertência contra os preocupantes riscos representados pela iminente reorganização dos nazistas. (B) na conscientização dos vitoriosos quanto à necessidade de se entenderem e de assumirem suas responsabilidades diante do futuro. (C) no cumprimento das exigências feitas pelos cientistas quando se propuseram a elaborar as condições do Pacto do Atlântico. (D) na manutenção das auspiciosas condições políticas do pós-guerra, marcadas pela derrota dos nazistas. (E) na constituição de um novo tratado que, indo de encontro ao Pacto do Atlântico, represente um esforço de real pacificação.

4. Quanto à sua construção interna, as frases Ganhamos a guerra, não a paz e As grandes potências, unidas na luta, estão agora divididas têm em comum . (A) um jogo entre alternativas. (B) uma relação de causa e efeito. (C) a formulação de uma condicionalidade. (D) a articulação de uma hipótese. (E) a exploração de antíteses.

5. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de uma expressão do texto em: (A) numa posição não muito diferente da de Alfred Nobel = em atitude inteiramente similar à de Alfred Nobel. (B) para aplacar sua consciência humana = para obliterar seu juízo sobre a humanidade. (C) dada a mentalidade dos nazistas = em que pese a consciência dos nazistas. (D) vendo neles fiéis depositários = reconhecendo-os como confiáveis guardiões. (E) consciência do inominável desastre = concepção inevitável da tragédia.

6. Possa o espírito que motivou Alfred Nobel a criar sua notável instituição, o espírito de fé e confiança, de generosidade e fraternidade entre os homens, prevalecer na mente daqueles de cujas decisões dependem nossos destinos. Observa-se que na construção do período acima, se empregou o verbo (A) poder como auxiliar do verbo criar. (B) criar como auxiliar do verbo prevalecer. (C) motivar como auxiliar de prevalecer. (D) criar como auxiliar do verbo poder.

(E) poder como auxiliar do verbo prevalecer.

Texto I (Carlos Chagas)

Ciência e esoterismo

A astrologia é muito mais popular do que a astronomia. Um número muito maior de pessoas abre um jornal ou uma revista para consultar uma coluna astrológica do que para ler uma coluna sobre astronomia. E a astrologia não está sozinha: numerologia, quiromancia, cartas de tarô, búzios etc. também são extremamente populares.

esotéricos para que ele fale sobre você, sua vida, seus problemas, seu futuro

Como físico, não cabe a mim explicar o porquê dessa irresistível atração pelo que obviamente está além do que chamamos fenômenos naturais. Mas posso ao menos oferecer uma conjectura. O fascínio pelo esotérico vem justamente de seu aspecto pessoal, privado: você paga a um profissional com conhecimentos ou "poderes"

O problema com o esoterismo é que não temos nenhuma prova concreta, científica, de que certos fenômenos realmente ocorrem. As "provas" que foram oferecidas até o momento – fotos, depoimentos pessoais, sessões demonstrativas e compilações estatísticas de dados – misteriosamente se recusam a sobreviver quando testadas no laboratório sob o escrutínio do cientista ou após uma análise quantitativa mais detalhada. Uma das grandes armas da ciência contra o charlatanismo é justamente a possibilidade de repetirmos certos experimentos tantas vezes quantas desejarmos. Os cientistas não precisam "acreditar" nos resultados de outros cientistas; basta repetir o experimento em seu próprio laboratório, sob condições idênticas, e os mesmos resultados devem ser encontrados.

Seria realmente fascinante se houvesse uma força desconhecida que pudesse influenciar nosso comportamento (ou pelo menos indicar tendências) a partir de um arranjo cósmico em que nós, como indivíduos, participássemos ativamente, uma espécie de astronomia personalizada.

Mas, para mim, mais fascinante ainda é seguir os passos de outros cientistas e dedicar toda uma vida ao estudo dos fenômenos naturais, armado apenas com inspiração e razão. Ao compreendermos um pouco mais sobre o mundo à nossa volta, estaremos, também, compreendendo um pouco mais sobre nós mesmos e sobre nosso lugar neste vasto e misterioso Universo. (Marcelo Gleiser, Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999)

7. Observando-se alguns dos recursos utilizados na construção do texto, verifica-se que (A) o emprego das aspas em "poderes" justifica-se do mesmo modo que em "provas". (B) a falta de marca pessoal na linguagem garante a objetividade da demonstração. (C) as expressões astronomia personalizada e basta repetir o experimento são manifestações da ironia do autor. (D) o emprego das aspas em "acreditar" deve-se à ênfase atribuída a uma ação afirmativa dos cientistas. (E) o emprego da palavra inspiração, no final do texto, revela que o autor reviu e retificou sua posição contrária ao esoterismo.

8. Na argumentação que desenvolve em seu texto, o autor se vale dos seguintes procedimentos:

I. Não aceita a suposta popularização das crenças de natureza esotérica, considerando-a uma manipulação dos charlatões que têm interesse em propagar seus falsos poderes. I. Afirma que os fenômenos esotéricos não são comprovados quando submetidos a testes rigorosamente científicos ou a análises largas e detalhadas. I. Admite que a ciência é menos atraente que as práticas esotéricas, já que ela não se propõe a desvendar as grandes incógnitas do nosso Universo. IV. Conclui que a ciência também tem seus encantos, embora aceite que os que a praticam não costumam se valer dos conhecimentos já conquistados dentro da tradição científica.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em (A) I. (B) I. (C) I. (D) I e I. (E) I e IV.

9. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de uma expressão do texto em: (A) ao menos oferecer uma conjectura = pleitear, mesmo assim, uma comprovação. (B) seu aspecto pessoal, privado = sua verdade íntima, inconfessável. (C) arranjo cósmico = pretexto universal. (D) sob o escrutínio do cientista = pela análise minuciosa do cientista. (E) armado apenas com inspiração e razão = tão-somente com a fé e a perseverança.

Texto I (Carlos Chagas)

O Brasil entrou no século XXI justificando o lugar comum do século passado: continua sendo um país de contrastes. Isso é o que revelam os números iniciais do Censo 2000, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último ano da década passada, em comparação com o primeiro – 1991 –, muito mais brasileiros estavam estudando, tinham carros, eletrodomésticos, telefones, luz, água encanada, esgoto e coleta de lixo, e muito menos brasileiros morriam antes de completar um ano de vida. A mortalidade infantil caiu 38%: de 48 por mil nascimentos para 29,6. A queda foi maior do que os especialistas haviam projetado no início da década.

Isso, a despeito de a maioria da população continuar vivendo com rendimentos franciscanos: pouco mais da metade dos 76,1 milhões de membros da população economicamente ativa ganhava até dois salários mínimos por mês (ou R$ 302,0 à data do recenseamento e R$ 40,0 hoje) e apenas 2,4% ganhavam mais de vinte salários mínimos, ou seja, R$ 4 0,0 – um salário relativamente modesto nas sociedades desenvolvidas. Por esse ângulo, pode-se dizer que o Brasil é um país igualitário: ostenta a dramática igualdade na pobreza.

Os números agregados escondem que o consumo se distribui de forma acentuadamente desigual pelo território e entre os diversos grupos de renda. Enquanto no Sul e no Sudeste os domicílios com carro somam mais de 40%, no Norte e no Nordeste não chegam a 15%. De certo modo, quem pode consumir bens duráveis acaba consumindo por si e por quem não pode. O desequilíbrio regional e social do consumo acompanha, obviamente, a concentração da capacidade aquisitiva.

Os dados que apontam para a intolerável persistência da igualdade na pobreza entre os brasileiros têm relação manifesta com o desempenho da economia. Se é verdade que, em matéria de expansão dos benefícios sociais e do acesso a bens indispensáveis no mundo contemporâneo, como o telefone, os anos 1990 foram uma década ganha, no que toca ao crescimento econômico foram uma década das mais medíocres, desde a transformação do País em sociedade industrial. Entre 1991 e 2000, o Brasil cresceu, em média, parcos 2,7% ao ano. Mesmo em 1994, o melhor ano do período, o Produto Interno Bruto (PIB) não chegou a 6% – muito abaixo dos picos registrados na década de 1970, a do "milagre brasileiro". É óbvio que a retomada do desenvolvimento é condição sine qua para a elevação da renda do povo. (Adaptado de O Estado de S. Paulo, maio/2002)

10. De certo modo, quem pode consumir bens duráveis acaba consumindo por si e por quem não pode. A afirmação acima aponta para

(A) a melhoria real do padrão de vida da população brasileira, registrando existência de consumo mesmo entre os mais pobres. (B) resultados estatísticos aparentemente otimistas, mas que deixam de mostrar dados pouco animadores da situação econômica e social da população brasileira. (C) um equilíbrio final da capacidade de consumo da população nas várias regiões brasileiras, igualando os resultados de cada uma delas. (D) o paradoxo que resulta dos dados do último censo, pois eles indicam o consumo de bens duráveis por uma população que não tem poder aquisitivo. (E) a falsidade do resultado de certas pesquisas, cujos dados desvirtuam a realidade, especialmente a da classe social mais desfavorecida.

1. Considere as afirmativas abaixo, a respeito do texto. O Censo 2000

I. indica o avanço do Brasil, idêntico ao de algumas sociedades desenvolvidas, especialmente quanto à garantia de emprego, apesar de um valor modesto para o salário mínimo. I. apresenta índices positivos de melhoria na qualidade de vida do povo brasileiro, ao lado de disparidades acentuadas, em todo o território nacional. I. assinala um aumento geral do poder aquisitivo do povo brasileiro, reduzindo a um mínimo as diferenças regionais.

Está correto o que se afirma SOMENTE em: (A) I e I (B) I e II (C) I (D) I (E) I

12. A afirmação no segundo parágrafo: “Por esse ângulo, pode-se dizer que o Brasil é um país igualitário”. É correto afirmar que a conclusão acima tem um caráter (A) acentuadamente irônico, pela constatação que se segue a ela. (B) bastante otimista, por ter sido possível constatar melhorias na distribuição de renda. (C) de justificado orgulho, pela melhoria da qualidade de vida no Brasil. (D) de extremo exagero, considerando-se os dados indicativos do progresso brasileiro. (E) pessimista, tendo em vista a impossibilidade de aumento do salário mínimo.

13. A queda foi maior do que os especialistas haviam projetado no início da década. O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica, no contexto, (A) uma incerteza em relação a um fato hipotético. (B) um fato consumado dentro de um tempo determinado.

(C) a repetição de um fato até o momento da fala. (D) uma ação passada anterior a outra, também passada. (E) uma ação que acontece habitualmente.

14. O segundo parágrafo do texto está ligado ao primeiro (A) por tratar-se de uma explicação das afirmações apresentadas de início. (B) pela condição imposta no início desse segundo parágrafo, em relação aos dados observados no Censo. (C) por ser uma síntese do que vem sendo desenvolvido. (D) pela continuidade da mesma idéia, desenvolvida em ambos. (E) por uma ressalva, marcada pelo uso da expressão a despeito de.

15. Há, no texto, relação de causa e efeito entre (A) retomada do desenvolvimento e elevação da renda do povo. (B) a década do "milagre brasileiro" e a persistência da situação de pobreza do povo. (C) situação econômica do Brasil no século X e a que se apresenta no início do século XXI. (D) queda dos índices de mortalidade infantil e valor do salário mínimo. (E) consumo maior no Sul e no Sudeste e acentuadamente menor no Norte e no Nordeste.

16. A mortalidade infantil caiu 38%: de 48 por mil nascimentos para 29,6. O emprego dos dois pontos assinala (A) uma restrição à afirmação do período anterior. (B) a ligação entre palavras que formam uma cadeia na frase. (C) a inclusão de um segmento explicativo. (D) a citação literal do que consta no relatório do IBGE. (E) a brusca interrupção da seqüência de idéias.

17. Os números iniciais do Censo 2000 revelam melhorias. A queda das taxas de mortalidade infantil foi maior do que o esperado. Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. As frases acima formam um único período, com correção e lógica, em:

(A) Se as taxas de mortalidade infantil entraram em queda maior do que era esperada, a população brasileira continua vivendo na pobreza, apesar das melhorias que o Censo 2000, revelam em seus dados iniciais. (B) A população brasileira em boa parte continua vivendo na pobreza, os números iniciais do Censo 2000 revelam as melhorias, onde as taxas de mortalidade infantil em queda, maior do que se esperava. (C) Com a queda das taxas de mortalidade infantil, e os números iniciais do Censo 2000 revela que foi maior que o esperado, mas boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. (D) Os números iniciais do Censo 2000 melhoraram, com a queda das taxas de mortalidade infantil, que foi maior do que se esperavam, onde boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza. (E) Boa parte da população brasileira continua vivendo na pobreza, conquanto os números iniciais do Censo 2000 revelem melhorias, como a queda das taxas de mortalidade infantil, maior do que o esperado.

Texto IV (Esaf)

(Parte 1 de 8)

Comentários