Manual de Salvamento Bombeiros - Brasília

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Cordas auxiliares: são cordeletes com diâmetro inferior a 8 m, que auxiliam nas progressões verticais, sendo empregadas em outras cordas de bitolas superiores.

Cordas simples: são classificadas como cordas simples as que possuem diâmetros entre 10,4 m e 1 m, devendo ainda ser observado como elas estão sendo empregadas, pois, apesar de sua bitola, estará trabalhando sozinha e o seu uso não traz prejuízos à atividade que está sendo realizada, tanto na prática desportiva, quanto dentro de uma operação de salvamento (resgate).

Cordas duplas: são as cordas que, em razão da aplicação requerida, precisam ser empregadas duas cordas dentro da operação.

Os conceitos citados anteriormente estão relacionados com as atividades técnico-profissionais. Apresentaremos a seguir outros conceitos que são reconhecidos por normas específicas.

2.1.2 Especificações técnicas

Cordeletes auxiliares: cordeletes com bitolas inferiores a 8 milímetros, chegando até uma dimensão mínima de emprego (6 milímetros), porém, outras bitolas poderão ser encontradas, chegando até 3 milímetros. Esses cordeletes, quando empregados em conjunto com cordas de bitolas diferentes, têm como finalidade auxiliar progressões verticais. Esses cordeletes também são chamados de cabinhos, cabinhos para prusik, etc.

Cordas simples: são aquelas com bitolas entre 1 e 12,5 m, empregadas dentro das atividades profissionais (pelo bombeiro), sabendo-se, porém, que em muitas atividades empregamos cordas de 12,5mm duplas ou dobradas, uma vez que elas passam a trabalhar sob tensão e com cargas, sendo que a razão principal desse uso é assegurar o melhor desempenho durante a realização das atividades, buscando fornecer uma maior segurança e, principalmente, aumentar a resistência da corda dentro do trabalho executado.

Cordas duplas: cordas com bitolas que podem variar entre 8 e 10,5 m, sendo que a sua utilização passa a ser permeada (dobrada) ou dupla, aumentando a sua massa para facilitar a frenagem; essas cordas não são empregadas nas atividades profissionais de bombeiros e, normalmente, possuem características de cordas dinâmicas, podendo ser empregadas até mesmo no âmbito profissional, nas atividades de segurança.

2.2 Constituição básica das cordas

As cordas são constituídas, basicamente, por fibras, fios, camadas ou cordão. Cordas é o conjunto de camadas de cordões torcidos ou trançados, empregados para sua formação (figuras 5 e 6).

Fibras: unidade básica da constituição das cordas. Fios: conjunto de fibras torcidas, trançadas ou unidas entre si. Camada ou cordão: é formado pela união dos fios.

Figura 6: corda trançada

2.2.1 Fibras utilizadas na confecção das cordas

Os materiais que compõem as cordas são de diversas origens. Essa informação é importante, pois a resistência da corda, bem como o seu emprego serão também definidos por esse dado. Por isso serão apresentadas algumas informações sobre a constituição das cordas e alguns termos técnicos que envolvem essa abordagem.

Vegetais: as cordas de fibra vegetal foram quase que totalmente substituídas por cordas com maior resistência ao desgaste. Possuem a desvantagem de serem pesadas (principalmente quando molhadas); não são muito elásticas; apodrecem com muita facilidade e devem ser armazenadas cuidadosamente. Essas cordas, atualmente, são empregadas nos treinamentos físicos, nos serviços de elevação de cargas e nas atividades de pouco risco. As cordas são trançadas e as

Figura 5: corda torcida suas fibras vegetais são muito curtas. São ainda utilizados na sua confecção os seguintes materiais: algodão, sisal e cânhamo.

As cordas de fibra vegetal podem estar sem condições de uso e, mesmo assim, não apresentarem sinais externos que indiquem essa condição. Quando era amplamente empregada nos salvamentos poderia ser considerado fato comum uma corda, aparentemente em condições de uso, romper-se com o peso de apenas uma pessoa.

Há algumas observações feitas às cordas de fibra vegetal, são elas: 1) normalmente são cordas menos flexíveis; 2) possuem um determinado padrão de manuseio devido ao seu formato externo (ondulado); 3) possuem excelente resistência ao atrito e à tração, devido ao seu maior coeficiente de elasticidade; 4) todas as partes da corda são visíveis, facilitando a visualização dos danos existentes em suas fibras; 5) reduzem, gradualmente, sua resistência em função do desgaste; 6) basicamente são um tipo de corda empregado em serviços pesados; 7) quando empregadas corretamente, são de grande durabilidade; 8) são um tipo de corda que não tem alma; e 9) quando ocorre o rompimento das fibras ou dos fios, torna-se fácil a sua identificação, contudo, esse fato não implica que as cordas estejam completamente danificadas.

Animais: são cordas trabalhadas feitas de fibras extraídas de animais, tais como: seda, crina e couro.

Essas cordas têm o seu comprimento diretamente relacionado com o tamanho da fibra encontrada, sendo que o fio da seda é, normalmente, o mais longo. São cordas raras, caras e quase não são utilizadas nos serviços de salvamento, com exceção das de couro, que são utilizadas na confecção de laços para captura de animais.

Minerais: são cordas constituídas de substâncias derivadas do petróleo e do carvão, sendo divididas em fibras sintéticas, aço e carbono.

Aço ou arame: normalmente, são cabos altamente resistentes (em qualquer tipo de operação) e fornecem grande confiabilidade aos que os empregam.

São feitos com seguimentos de fios metálicos (aço ou arame), normalmente torcidos ou enrolados em feixe e a sua resistência varia de acordo o seu diâmetro (bitola), possuem ainda o objetivo de ser empregado em trações e içamentos de objetos de peso elevado.

Sintéticos: são cabos constituídos de substâncias derivadas do petróleo ou carvão. Possuem fibras longas, podendo chegar ao comprimento total da corda, sendo que as mais comuns são as de polipropileno, poliamida, poliéster, polietileno e aramida. São cordas utilizadas nas atividades de salvamento, devido ao fato de terem boa resistência à tração e ao atrito, impermeabilidade, e, conseqüentemente grande durabilidade. As características da corda dependerão tanto do tipo e da qualidade da fibra, quando de sua estrutura (trançada ou torcida).

As fibras sintéticas também apresentam variedades de tipos para a mesma substância, conforme se segue:

Poliamida: nylon, perlon ou grilon, enkalon: lilion; Polipropileno: olefin: meraklon; Poliéster: dacron, terilene, tergal: trevira. Aramida: kevlar: arenka.

O principal material de confecção da corda para trabalhos em altura é a poliamida, comumente conhecida como Nylon. Essa escolha se deve por ela apresentar excelentes características, combinando tanto resistência, quando elasticidade, sendo capaz de absorver choques como nenhum outro material, não flutua na água e não apodrece, não deve ser deixada ao sol por períodos prolongados, pois, contudo, é sensível à radiação ultravioleta.

Aramida: este é o mais novo tipo de fibra sintética utilizada na confecção de cordas. São produzidas pela Dupont com nome de Kevlar. Possuem características que as fazem ser comparadas com as fibras de aço e não com outras fibras sintéticas.

Figura 7: Quadro de características das fibras.

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