Custeio Baseado em Atividades da Empresa

Custeio Baseado em Atividades da Empresa

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Soeli Maria Rinaldi Contadora – CRCRS nº 4.271

Este trabalho trata do Custo Baseado em atividade da empresa, como método que visa a reduzir as distorções conseqüentes do rateio das despesas diretas e indiretas da empresa. Para isso apresenta as mudanças na estrutura dos custos e o aumento das parcelas principalmente das despesas indiretas procurando identificar as vantagens e desvantagens de sua utilização.

PALAVRAS-CHAVE: Custo Baseado em Atividade; custos de produção e serviços. 1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata do custeio baseado em atividade da empresa, como método que visa a diminuir as distorções que são provocadas em conseqüência do rateio das despesas diretas e, principalmente, indiretas da empresa em seu ramo de atuação, a fim de identificar quais os agentes causadores dos seus custos, e se pode atribuir um valor.

O Sistema ABC surgiu em meados da década de 80, tendo como objetivo suprir a necessidade de informações precisas sobre o custo da necessidade de recursos de produtos, serviços, clientes e canais específicos para as empresas. O principal fator são as mudanças ocorridas em relação à estrutura e aumento das parcelas das despesas indiretas em relação aos custos da empresa.

Uma das vantagens do sistema ABC é a metodologia que permite informações mais precisas quanto ao controle efetivo dos gastos. Podendo servir como ferramenta para todos os tipos de empresas. A desvantagem na utilização do sistema ABC é o alto custo para sua implantação, havendo a necessidade de um alto nível de controle interno.

2. AS PRINCIPAIS MUDANÇAS NA RELAÇÃO DA ESTRUTURA DOS CUSTOS

As principais mudanças em relação à estrutura dos custos se referem às novas tecnologias de produção e serviços, as quais impuseram à necessidade de uma maior diversificação na estrutura dos custos e, conseqüentemente, sua redução. O custeio baseado nas atividades da empresa, custos de produção e serviços, permite uma estimativa mais precisa quanto à incidência das despesas indiretas sobre cada produto ou serviço, tendo em vista que alguns custos são de difícil mensuração.

Os rateios que antigamente eram usados, atualmente não satisfazem mais, em vista das exigências impostas pelo desenvolvimento tecnológico, fazendo com que as empresas se sintam obrigadas a utilizarem uma forma mais avançada para determinação das despesas indiretas, mediante o custeio baseado nas principais atividades que utilizam maiores recursos.

Com a competição cada vez maior entre as empresas em âmbito mundial, a busca pela qualidade e preço, acabou sendo prioridade em todas as empresas, independentemente de seu tamanho e ramo de atividade, pois perceberam que a existência desses dois fatores é de extrema importância para a permanência no mercado. Entre estas inovações que surgiram no mercado, podemos citar o Sistema de Custos Baseado em Atividades (ABC).

3. O AUMENTO DAS PARCELAS DAS DESPESAS INDIRETAS NA RELAÇÃO COM CUSTOS

Atualmente a parcela das despesas indiretas representam um crescimento substancial em relação aos custos totais. Tendo em vista principalmente as novas tecnologias e estratégias de produção e serviços, como uma diversificação cada vez maior.

A existência de custos que apresentam maior dificuldade em sua mensuração traz reflexos nos resultados finais e, conseqüentemente, algumas vezes os investimentos realizados na empresa podem não trazer o retorno esperado. Os custos de difícil medição geralmente são obtidos por meio da utilização do sistema ABC.

4. A INFLUÊNCIA DOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS

Com os avanços tecnológicos ocorridos nos processos de produção, houve uma diminuição nos custos diretos, principalmente em relação aos custos com mão-de-obra direta, em conseqüência da utilização das tecnologias à disposição da empresa, havendo um acréscimo nos custos indiretos. Como exemplo, nos anos 70, os custos diretos representavam o maior índice no total. Com o avanço das novas tecnologias, os custos indiretos tiveram um sensível acréscimo no seu percentual, chegando aos patamares de 35%, sendo que as empresas que utilizam alta tecnologia o índice dos custos indiretos pode chegar a 70% do custo total.

Importante ressaltar também a produção em grande escala de produtos diversificados, que atendam um maior número de clientes, com produtos e serviços personalizados, necessitando com isso de uma pesquisa, havendo uma maior qualidade e seleção do mercado atingido.

O custeio baseado em atividade por meio de uma análise trata os custos indiretos, como se diretos fossem. Assim, como conseqüência, surge a possibilidade de melhorar e reduzir os custos das atividades desenvolvidas pela empresa.

Uma das ferramentas mais usadas para diminuir essa diferença é a redução dos custos, custos esses que se forem mal calculados afetarão profundamente a vida financeira de qualquer empresa, independente de seu tamanho. Existem varias ferramentas para fazer a medida dos custos e uma das mais usada é o sistema de custeio ABC (Custos Baseados em Atividades).

Neste contexto, a análise de custo pode ser vista como processo de avaliação do impacto financeiro das decisões gerenciais e passa a assumir uma maior amplitude como elemento de informações consistentes para o desenvolvimento de estratégias superiores, a fim de conseguir vantagens competitivas sustentáveis.

5. A UTILIZAÇÃO DE NOVOS MÉTODOS DOS RATEIOS

Assim quando analisamos a distribuição dos custos pelo sistema ABC, primeiramente verifica-se a existência de custos que sejam ligados diretamente e exclusivamente à atividade, produtos e serviços desenvolvidos pela empresa conhecida como alocação direta. Em segundo plano, analisa-se as alocações baseadas nas atividades casuais da empresa, devendo haver cuidado diante das dificuldades na medição e baixa disponibilidade de dados. Em terceiro lugar, vem a análise baseada no volume.

O sistema de custeio baseado em atividades não se diferencia do sistema de custeio baseado em volume apenas pela mudança das bases de alocação de custos, mas, também, pela identificação que faz dos custos por atividade e da maneira como se aloca aos produtos por meio de maior número de bases.

O Sistema ABC é um sistema de gestão de custos, que pode ser implantado com maior ou menor grau de detalhamento, dependendo das necessidades de informações gerenciais para cada empresa, sendo que está intimamente ligado ao seu ramo de atividade e porte.

5.1 As Vantagens da Utilização do Sistema ABC

O sistema ABC surgiu para fornecer informações mais precisas. Esta metodologia permite um controle mais efetivo dos gastos, e os custos indiretos não são tratados mais por produtos, mas, sim, por atividade.

Esse sistema traz informações gerenciais mais seguras por meio da utilização do rateio, sendo mais adequado para as empresas que prestam serviços, pelas dificuldades que têm na definição de seus custos, gastos e despesas. Tendo essas empresas menor necessidade de imposição de seus rateios.

Havendo necessidade de revisão dos custos internos, pode ser identificado de forma transparente, em que se consome mais recurso, podendo ser identificado em cada atividade seu custo real em relação aos custos totais.

Esse sistema quando bem aplicado e adaptado, pode servir de ferramenta de grande valor para todos os tipos de empresas, seja de prestação de serviços com ou sem fins lucrativos, indústria, comércio, setor bancário, etc.

Não sendo utilizado paralelamente ao sistema de Contabilidade, pode passar informações às gestões econômicas, tendo, assim, condições de eliminar das atividades aquilo que não acrescenta valor ao produto.

Nota-se que algumas empresas obtiveram sucesso na aplicação do sistema de custeio, trazendo grandes resultados e, com isso, tornando-as mais competitivas e sólidas, pois proporciona melhor gerenciamento dos seus custos além de manter a competitividade num mercado globalizado.

5.2 As Desvantagens da Utilização do Sistema ABC

O sistema tem um alto custo na sua implantação, necessitando de elevado nível de controle interno, revisão constante. Muitos dados são de difícil obtenção e, para tanto, a empresa deve estar plenamente organizada antes de sua implantação.

6. IDENTIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES RELEVANTES Importante ressaltar as atividades que são relevantes no sistema dentro de cada departamento.

Nos casos das empresas que possuem uma estrutura contábil que faz apropriação dos custos por atividade facilita a adequação da implantação dos custos pelo sistema do ABC. Geralmente ocorrem mais nas empresas industriais e como foco principal do sistema são os custos indiretos, os quais são mais voltados aos custos de apoio, isto é, de serviço. Assim é mais difícil encontrar um sistema de custos detalhado na área de serviços.

Assim, em cada atividade se deve identificar o direcionador e atribuir o custo. No caso das empresas de serviços, o custo de uma atividade compreende todos os custos necessários para manutenção da empresa, inclusive os encargos sociais, materiais de expediente, depreciação, energia e instalações.

Como exemplo, temos o custo de remuneração que se compõe de salários, mais encargos, mais benefícios. O custo com as instalações compreende aluguel, imposto predial, água e luz. Já o custo de comunicações refere-se a telefone, fax e Correios. O custo com manutenção dos equipamentos de informática.

O rateio apenas é utilizado quando há impossibilidade de utilizar a alocação direta e o rastreamento, porém devemos ter cuidados com os rateios arbitrários, estes devem ser evitados.

O sistema ABC trabalha com o conceito de centro de atividades, sendo recomendável organizar o centro de custos em suas variadas atividades. Para a atribuição correta dos custos aos produtos é necessário a escolha certa dos direcionadores de custos, que são fatores determinantes do custo de uma atividade. O direcionador de custos é a base utilizada como o fim de atribuir os custos das atividades aos produtos. Estes direcionadores podem variar para cada empresa, dependendo das atividades que cada uma delas desenvolve.

7. AS MUDANÇAS NO NÚMERO DE ATIVIDADES DAS EMPRESAS

As constantes mudanças no número de atividades empreendidas pelas empresas e o modo como elas são realizadas fazem com que os custos aumentem ou diminuam. O processo das atividades que o compõe permite a análise dos fatores responsáveis pelo consumo dos recursos e das atividades, exigindo informações cada vez mais precisas e adequadas quanto aos custos para tomada de decisões e estratégias e, conseqüentemente, de se obter aprimoramentos operacionais para as empresas.

Os processos fazem uso dos recursos da organização para gerar resultados concretos. O valor deve ser percebido pelo cliente para ter validade, pois a análise da cadeia de valor é um conjunto de atividades criadoras de valor, desde fontes de matéria-prima, passando por fornecedores de componentes e o produto final. Esta análise identifica as atividades estratégicas para a compreensão do comportamento dos custos.

Assim, no sistema ABC, atividade é tudo aquilo que é executado em uma empresa, consumindo recursos, para a concretização de um processo, e para atingir a sua finalidade, toda atividade consome recursos (matéria, mão-de-obra, tecnologia), combinando esses recursos de forma a obter resultados específicos: produtos e serviços.

Neste sentido, a relação custo-benefício na seleção de um sistema de informações é de fundamental importância. A empresa que deseja implantar o sistema de custeio por atividade deve ter parcelas bem consideráveis de custos indiretos de produção compondo o custo total da empresa, bem como deve estar produzindo no mesmo estabelecimento uma variedade de produtos, com clientela diversificada, visto que este tipo de empresa tende a apresentar graves distorções no custeio tradicional de seus produtos ou serviços, requerendo, para isso, técnicas mais sofisticadas de custeamento de suas atividades e produtos para a tomada de decisões.

Pode-se concluir que o sistema de custeio ABC, apesar de algumas controvérsias quanto ao se método de aplicação, ainda é uma das ferramentas que transmite um alto grau de confiabilidade, e a sua aplicação, com apenas algumas adaptações, pode ser implantada em qualquer empresa e área de trabalho (comércio, indústria ou serviço). Dele se consegue um excelente resultado com muita satisfação, trazendo grandes mudanças nas áreas em que são aplicadas. Também, por conseqüência, concede certo grau de organização na empresa, pois, se bem aplicado, nada passa sem que seja percebido. Isso garante maior exatidão em seus resultados, trazendo retorno mais confiável e evitando, assim, desperdícios com possíveis custos que em outros sistemas acabam sendo incorporados e calculados, dando uma vida financeira mais confiável para a empresa, seja ela de qualquer setor.

Cabe ressaltar que cada empresa deve optar pelo método que melhor atenda suas necessidades. O sistema de custeio ABC apresenta diversas vantagens, conforme demonstrado.

Assim sendo, restam aos detentores da gestão analisar a real necessidade da empresa em sua área de atuação e a sua condição em implantar determinado tipo de custeio em detrimento de outro. Entretanto, vale lembrar que, dos sistemas analisados, o ABC traz melhores benefícios em relação aos demais, justamente por diminuir as distorções causadas pelo rateio.

Dessa forma, é importante ressaltar a necessidade imposta pelo mercado, os custos de implantação e acompanhamento, o recurso humano necessário, os produtos envolvidos, as necessidades dos gestores, etc., os quais devem ser analisados, para possibilitar o dimensionamento de suas vantagens e desvantagens, para cada tipo de empresa.

ANDRADE, Nilton de Aquino, BATISTA, Daniel Gerhard, DE SOUZA, Cleber Batista: VANTAGENS E DESVANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO SISTEMA DE CUSTEIO ABC: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/art_cie/art_37.pdf: Acesso em 23.09.2007.

COGAN, Samuel: Professor Adjunto da UFRJ, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção (Coppe) e autor dos livros Activity-Based Costing, (ABC): a poderosa estratégia empresarial, Modelos de ABC/ABM e Gerenciando as percepções nas filas de espera. Administração Contábil e Financeira. E-mail: scogan@uol.com.br: Acesso em 16.09.2007

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

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