Diluição de medicamentos em Neonatologia

Diluição de medicamentos em Neonatologia

(Parte 1 de 6)

CICLO 2MÓDULO

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.

E quem não estiver inscrito no Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) não poderá realizar as avaliações, obter certificação e créditos.

Associação Brasileira de Enfermagem ABEn Nacional SGAN, Conjunto “B”. CEP: 70830-030 - Brasília, DF Tel (61) 3226-0653 E-mail: aben@nacional.org.br http://www.abennacional.org.br

Artmed/Panamericana Editora Ltda. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670. Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS – Brasil Fone (51) 3025-2550 – Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@sescad.com.br consultas@sescad.com.br http://www.sescad.com.br

Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas.

As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

PROENFSESCAD

A administração de medicamentos é uma das atividades mais importantes e é freqüentemente executada pela enfermagem. O termo “administração” é definido por Phillips (2001) como sendo um processo de liberação de drogas para várias partes do corpo.

No Brasil, o preparo e a administração de medicamentos é atribuição do enfermeiro, dos técnicos e dos auxiliares de enfermagem, respaldados ética e legalmente pela lei do exercício profissional e pelo código de ética da enfermagem.

O Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987, regulamenta a Lei 7.498, que dispõe sobre o exercício da enfermagem e assegura aos profissionais de enfermagem a atribuição de administrar medicamentos por via oral e parenteral.

O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem proíbe: Artigo 47 – Administrar medicamentos sem certificar-se da natureza das drogas que o compõem e da existência de risco para o cliente.

Artigo 50 – Executar prescrições terapêuticas quando contrárias à segurança do cliente.

O conhecimento da natureza das drogas e da existência de risco em sua administração é o que subsidia o profissional da enfermagem a executar as prescrições terapêuticas com segurança. Essa competência está intimamente relacionada às atualizações teóricas contínuas da prática profissional de todos envolvidos nesse processo.

Solange Pires Salomé de Souza – Enfermeira, doutora em Enfermagem em Saúde Pública, mestre em Assistência de Enfermagem, especialista em Enfermagem Pediátrica, docente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso

Norma Machado Costa – Enfermeira, mestre em Enfermagem Pediátrica, especialista em Enfermagem Pediátrica, docente da Faculdade de Saúde e Ecologia Humana (FASEH) de Minas Gerais, docente aposentada da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso

TRIAEste capítulo propõe a discussão, em primeiro lugar, de questões teóricas gerais que envolvem o processo de diluição de medicamentos, tais como veículos e cuidados para manipulação das misturas. Em um segundo momento, com o respaldo das referências bibliográficas e de nossa prática profissional, discute o cotidiano da prática de diluição de medicamentos em pediatria e neonatologia.

Este trabalho busca discutir a questão específica da diluição de medicamentos a serem administrados em recém-nascidos e crianças. Ao final deste capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:

PROENFSESCAD

113 ESQUEMA CONCEITUAL

Medicações e diluições em neonatologia e pediatria

Administração de medicamentos

Diluição de medicamentos Veículos

Características dos veículos aquosos Substâncias adicionais

Veículos aquosos

Manipulação das misturas intravenosas

Infra-estrutura física Organização e pessoal

Utilização de soluções parenterais em Serviços de Saúde

Conhecimentos mínimos e procedimentos no preparo das soluções parenterais

Cuidados a serem observados nas associações parenterais

Cuidados a serem tomados no preparo e na administração de medicamentos

O cotidiano da prática de diluição de medicamentos em neonatologia e pediatria

Cálculos matemáticos

Material utilizado Diluição de medicamentos orais

Resoluções das situações-problema Comentários sobre diluição de comprimidos

Situações-problema sobre diluição de medicamentos orais

Diluição de medicamentos parenterais

Resolução das situações-problema

Situações-problema sobre diluição de medicamentos intravenosos

Conclusão

Além dos aspectos legais e éticos mencionados na Introdução deste capítulo, a administração de medicamentos também tem a característica de ser um processo multidisciplinar, composto de atividades inter-relacionadas que envolvem:

Nesse contexto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) alertam sobre a segurança dos medicamentos, conclamando todos profissionais de saúde a participarem do processo de vigilância contínua da segurança e eficácia de produtos farmacêuticos com o intuito de disponibilizar tratamentos medicamentosos mais seguros e efetivos (OMS/OPAS, 2005).

A segurança na administração de medicamentos depende de um conjunto de fatores e deve ter a participação de todos profissionais envolvidos nas diferentes etapas do processo, isto é, desde a produção até a administração do medicamento. A enfermagem está diretamente envolvida nas seguintes etapas:

Em relação às prescrições médicas (etapa importante e muito envolvida em erro medicamentoso, por cálculo equivocado, diluição inadequada e interpretação equivocada), a enfermagem está envolvida diretamente tanto por concretizar essa prescrição sob a forma de administração como pela co-responsabilidade que lhe cabe perante o código de ética da enfermagem anteriormente referido.

Um dos desafios quanto às medicações e às diluições em neonatologia e pediatria diz respeito à indisponibilidade de formulações farmacêuticas adequadas para uso nessa clientela, pois a maioria dos fármacos comercializados foi desenvolvida e testada em adultos jovens. Por ausência de formulações específicas, muitos desses fármacos são utilizadas em recém-nascidos em crianças, sendo esse uso respaldado na prática clínica e em pesquisas realizadas na área (Perterline; Chaud; Pedreira, 2003). Diante dessa realidade, os profissionais de enfermagem lançam mão de métodos como triturar comprimidos ou fazer diluições de fármacos em altas concentrações, contribuindo para a ocorrência de eventos adversos relacionados à diluição de medicamentos.

PROENFSESCAD

Evento adverso é qualquer ocorrência médica desfavorável, que pode acontecer durante o tratamento com um medicamento, mas que não possui, necessariamente, relação causal com o tratamento (OMS/OPAS, 2005, p. 3). Os eventos adversos podem ser causados por erro humano (armazenamento, prescrição, dispensação, preparo e administração) ou serem inerentes ao fármaco. Esses eventos podem ser monitorizados, amenizados e detectados precocemente (Salomé-Souza; Costa, 2005).

Apesar das possibilidades de riscos que advêm dessa prática, sabe-se que tal conduta continuará até que o mercado farmacêutico disponibilize medicamentos com características de formulações e apresentação direcionadas para a faixa etária pediátrica, assim facilitando e permitindo uma administração mais segura e eficaz (Perterline; Chaud; Pedreira, 2003). Essa realidade justifica a necessidade de capacitação do profissional de enfermagem para que os cuidados com a administração de medicamentos em neonatologia e pediatria sejam o mais seguro possível.

Quando se estuda diluição de medicamentos, é comum encontrar, nos levantamentos bibliográficos, manuais e guias de consulta para orientação aos profissionais de saúde no preparo e na administração de medicamentos. Muitos desses materiais foram elaborados a partir da necessidade da prática em hospitais e representam normas a serem seguidas por instituições específicas (Capobiango; Tacla, 2005). Nesses manuais, geralmente, há informações sobre:

Os manuais de preparo e administração de medicamentos são de suma importância, principalmente quando elaborados de acordo com as necessidades de cada serviço, e devem ser periodicamente revisados.

Entretanto, mesmo na presença desse material para consulta, não há como padronizar todos os cuidados, sobretudo para recém-nascidos e crianças. Além do problema relacionado à ausência de fármacos específicos a essa clientela, ela se encontra em fase de crescimento e desenvolvimento, dificultando o estabelecimento de normas rígidas. De qualquer modo, os manuais de preparo e administração de medicamentos atendem sua função como recomendação fundamentada cientificamente.

Cada caso é um caso, e as condutas relacionadas aos medicamentos devem ser adotadas de acordo com as normatização dos manuais ou guias de cada instituição ou serviço, desde que sejam resguardadas as especificidades próprias da idade, do peso, das respostas fisiológicas ou patológicas que podem ser diferentes daquelas esperadas. Isso reforça a necessidade de construção contínua do conhecimento em que todos envolvidos com a terapia medicamentosa possam discutir e contribuir para o aumento da segurança dessa clientela.

TRIA1. A que aspectos referentes à diluição e à administração de medicamentos a enfermagem está diretamente envolvida?

2. Em que consiste um efeito adverso?

3. Quais as principais dificuldades envolvidas na administração e diluição de medicamentos para pacientes recém-nascidos e/ou pediátricos?

Devido à ausência de formulações medicamentosas próprias, a maioria dos medicamentos tanto por via oral (VO) como por via intravenosa (IV) em neonatologia e pediatria necessita de diluição.

A diluição de medicamento oral apresenta situações para as quais não encontramos resposta nas consultas, nem nas referências bibliográficas, como a administração para crianças menores de 6 anos de medicamentos só encontrados em comprimidos e em dosagens altas, por exemplo. Ao se diluir um comprimido, não se obtém uma solução homogênea, não se conhece a estabilidade do fármaco após a diluição nem sua compatibilidade com o solvente utilizado, mesmo em se tratando de água potável.

Outra questão diz respeito às medicações orais liofilizadas, que precisam ser diluídas em água. A informação dos fabricantes só indica o uso de água potável, o que gera dúvida quanto à composição da água potável disponível em cada região. Por exemplo, em Minas Gerais, há regiões de água calcária, outras de água potável sulfurosa, ferruginosa, alcalinobicarbonatada e tantas outras que se encontram por todo o país. No entanto, essas características físico-químicas da água não são consideradas nas diluições de medicamentos enterais.

PROENFSESCAD

Considerando as mais variadas composições de água potável existentes nas diferentes regiões do país, parece-nos óbvio que essas possam intervir nas formulações farmacêuticas interferindo na segurança dos medicamentos. Segundo Martindale (2005), a água potável sem ser purificada pode ser inapropriada para finalidades farmacêuticas.

Partindo do princípio de que a constituição físico-química da água é extremamente variável, alguns investigadores sugerem que seja feita uma reavaliação crítica da fórmula da água (H2O), uma vez que a mesma deveria sofrer variações de acordo com a região em que é produzida. Em geral, as águas duras originam-se de águas em que a camada do solo é espessa e de formação calcária, enquanto as águas brandas são encontradas em zonas de formação não-calcária, em terrenos arenosos, argilosos ou silicoargilosos (Agrest; Schor; Heilberg, 2001).

A indisponibilidade de informações esclarecedoras sobre as várias composições da água potável e o seu efeito nas formulações farmacêuticas quando usadas como diluentes indica uma necessidade de investimentos teóricos voltados à diluição dos medicamentos orais.

Os medicamentos intravenosos (IV) são os mais estudados, talvez pelo maior risco de apresentar reações, leves ou fatais, que podem ocorrer até mesmo de forma imediata à sua administração. Em neonatos e crianças a administração de medicamentos por via IV exige a diluição de drogas e o ajuste de doses. Os medicamentos necessitam ser puros e livres de agentes contaminantes físicos e biológicos. Para alcançar este objetivo é necessário que se adote práticas seguras desde a produção dos fármacos até sua administração.

Na maioria das injeções líquidas, o componente presente em maior proporção é o veículo. O veículo de maior importância para o produto parenteral é a água.

Um veículo normalmente não tem atividade terapêutica e não é tóxico. Contudo, é de grande importância na formulação, visto que se apresenta aos tecidos corporais na forma do constituinte ativo para absorção. A absorção normalmente ocorre mais rápida e completamente quando o medicamento apresenta-se como uma solução aquosa (Avis; Levchuk, 2004, p. 804).

Os veículos podem ser aquosos, miscíveis em água, ou não-aquosos. Neste estudo, apenas o veículo aquoso será enfatizado, por ser o veículo de maior importância para o produto parenteral.

TRIA Veículos aquosos

São considerados veículos aquosos isotônicos e utilizados como veículos para infusão de medicamentos:

O uso de líquido IV como forma de veículo oferece as vantagens de se ter conveniência, ser um meio de reduzir a irritação em potencial do medicamento e constituir-se em um método de terapia medicamentosa contínua (Turco, 2004, p.

Ao usar as soluções como veículo, deve-se atentar para a compatibilidade e para a estabilidade dos aditivos acrescidos aos líquidos IV que estão servindo de veículos. Há necessidade de técnica asséptica rigorosa quando do acréscimo de substâncias aos líquidos IV e quando da infusão dos mesmos (Turco, 2004).

(Parte 1 de 6)

Comentários