Petrogás, petroleo e gases, seus riscos e perigos

Petrogás, petroleo e gases, seus riscos e perigos

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ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DE SERGIPE

CURSO TÉCNICO DE SEGURANÇA NO TRABALHO

PETRÓLEO E GASES:

SEUS RISCOS E PERIGOS

PROFESSOR: HERMINIO GOMES DA SILVA FILHO

APRESENTAÇÃO

No mundo de hoje não há como negar a dependência dos seres humanos a milhares de produtos químicos utilizados na agricultura, na industria, na medicina, nos lares, enfim, onde houver a presença do homem, sempre ao seu redor estará algum produto derivado do petróleo. Ao lado dos inúmeros benefícios trazidos por esses produtos temos o crescente problema da poluição, que compromete a qualidade do ar, da água e dos alimentos, trazendo constantes desequilíbrio em nosso eco sistema. Ao lado desses riscos químicos existem outros riscos, quando da transformação das matérias primas, dentro das fábricas, durante o processamento, que, por uma causa qualquer, como um descontrole operacional, vazamentos, falha mecânica, etc.:, venha provocar perdas substanciais como problemas toxicológicos nos indivíduos, incêndios, explosões, poluição, ou qualquer outra emergência, significando perdas de equipamentos e vidas humanas, muitas das vezes, em forma de tragédias.

A industria do petróleo caracteriza-se pela multiplicidade de exposições potenciais a diversos agentes físicos, químicos, biológicos, mecânicos, ergonômicos, etc.:. Mas, nesse trabalho, não iremos nos deter aos aspectos toxicológicos, haja vista que, é assunto específico da ciência Toxicologia. Iremos abordar de maneira genérica os aspectos práticos da convivência de um Técnico de Segurança no trabalho na área específica, de uma indústria de petróleo, convivendo com o petróleo e seus derivados, principalmente o óleo e os gases. Serão informações de um profissional que passou sua vida laboral, em contato permanente com esses riscos.

ÍNDICE

1. -APRESENTAÇÃO

2.- HISTÓRICO:

  1. O petróleo no mundo

  2. O petróleo no Brasil

3. –DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO

4. – HIDROCARBONETOS: Séries Principais

5. - CLASSIFICAÇÃO E DERIVADOS

6. - ORIGEM. TEORIAS.

7. –OCORRÊNCIAS.

8. - PROPRIEDADES FÍSICAS

7.1 – Densidade

7.2 - Peso específico

7.3 - Grau º A.P.I .

7.4 – Viscosidade

9. – EXTRAÇÃO

10 –EXPLORAÇÃO

11 –DESENVOLVIMENTO

12 –PERFURAÇÃO

13 –ATIVIDADES DE PRODUÇÃO

14 –PROCESSO INICIAL

15 -PLATAFORMAS MARÍTIMAS

16 –PRINCIPAIS TIPOS DE PLATAFORMAS

17 – REFINO – Esquemas de refino

18 – GASES E VAPORES : Conceituação, classificação

19 - NOÇÕES DE PROCESSAMENTO DE GÁS NATURAL E O GLP

20 – UNIDADES DE PROCESSAMENTO DE GÁS NATURAL

21 - PRINCIPAIS PROCESSOS

22 - FORMAS DE APRESENTAÇÃO DO GÁS

23 – PERIGO X RISCO

24 – MEDIDAS DE CONTROLE DE RISCOS

25 – OS PERIGOS E OS RISCOS NA INDUSTRIA DO PETROLEO

26 – OS PERIGOS DE EXPLOSÕES, INCÊNDIOS, DETONAÇÕES E VAZAMENTOS.

27 – A QUIMICA DO FOGO

28 – FAIXA DE EXPLOSIVIDADE

29 – OS PERIGOS DO OXIGÊNIO E DO AR

30 – OS COMBUSTÍVEIS E SUAS CARACTERISTICAS

31 – FONTE DE IGNIÇÃO

32 – DETONAÇÕES

33 - PROPRIEDADES DAS DETONAÇÕES, OCORRÊNCIAS, SUMÁRIO

34 – ESTUDOS DE CASOS

35 - O QUE SE DEVE FAZER ?

36- O GÁS DE COZINHA

37 - BIBLIOGRAFIA

HISTÓRICO

O PETRÓLEO NO MUNDO

A história do petróleo remonta vários séculos, constando referências na Bíblia da sua utilização quando a arca de Noé foi impermeabilizada com betume. No capitulo 6, versículo 14 do Gênesis ao relatar o episódio a Bíblia assim se refere: “Então, Deus disse a Noé: Constrói uma arca de madeiras resinosas. Dividi-la-ás em compartimentos e calafeta-la-ás com betume por fora e por dentro”.

O petróleo igualmente teria sido empregado na edificação da Torre de Babel e nos jardins suspensos da Babilônia. Os egípcios o utilizavam para embalsamar seus mortos com técnicas até hoje não muito conhecidas. Esse mesmo material serviu para unir os grandes blocos de rochas das pirâmides. Alexandre da Macedônia, “O Grande”, já observara o petróleo na região onde se situam hoje os principais paises produtores do Oriente. Registros históricos revelam que os primeiros contatos do homem com o óleo negro remonta ao ano 4.000 a. C. Os povos do antigo Egito, da Mesopotâmia e da Pérsia utilizavam o combustível na pavimentação de estradas, na calafetagem das grandes construções da época, no aquecimento e na iluminação de suas casas. Os chineses e os povos bíblicos utilizavam o óleo há cerca de 600 anos para o cozimento dos alimentos e também para outras finalidades, havendo registros de que os mesmos chineses haviam perfurado poços de até 1.000 metros de profundidade fazendo canalizações com a utilização de bambus.; os gregos e os romanos incendiavam as cidadelas inimigas arremessando lanças e tochas acesas impregnadas com petróleo. Uma das peculiaridades do petróleo é a migração, isso é, ele migra entre os poros da rocha e se não encontra rochas permeáveis que o prendam em armadilhas ou alçapões, por isso, ás vezes, ele acaba aflorando, dando-se as chamadas exudações. Os Incas e os índios americanos já tinham conhecimento do produto, havendo até explosões ou flashes de fogo quando eles se aproximavam com tochas acesas á mão, de lagoas com presença desse combustível sobre a água, á noite, para apanhar água ou para banharem-se. Era, evidentemente, o gás que emanava desse petróleo. Provavelmente também foi assim que os povos antigos acharam esse combustível e deram-lhe as primeiras utilidades.Em Séculos mais recentes, o petróleo foi também encontrado á flor da terra em várias partes do mundo, como na França e nos Estados Unidos. Na Alsácia, por exemplo, o petróleo foi pela primeira vez minerado em 1742, através de poços que não ultrapassavam os 30 metros de profundidade.

Apesar de já ser conhecido há milênios, o ano de l859 consagra a data oficial da perfuração do primeiro poço com a finalidade de descobrir petróleo. Nesse ano, o ex-maquinista de trem Edwin Laurence Drake descobriu petróleo em Titusville, Pensilvânia, nos Estados Unidos, a uma profundidade de apenas 22 metros, com uma vazão de 20 barris por dia e a partir daí , começou a produção em escala comercial. Nessa época, havia outros combustíveis que eram muito utilizados como o óleo de baleia, o óleo de rícino para iluminação e o carvão como combustível industrial . Porém, com a escassez deste último motivou a procura de substitutos. Alguns pesquisadores como James Young e Abraham Gesner tiveram sucesso produzindo óleos de iluminação a partir do carvão. Outras pessoas como Samuel Kler, farmacêutico que engarrafava petróleo para fins medicinais, passou a pesquisar a respeito da utilização do produto como iluminante, quando verificou que, por destilação, o petróleo produzia um óleo de característica excelentes para iluminação. Apesar de não conseguir tornar o processo em escala industrial, kler despertou a atenção de muitos para a procura de métodos que permitissem a produção de petróleo em escala comercial. Foi aí que entrou o Sr. Drake com o seu poço de petróleo e passou a ser o marco inicial da nova era que se abriria para o mundo, desbancando todos os demais combustíveis, inclusive o principal deles – o carvão. Esse fato gerou uma corrida ao chamado ouro negro, e logo se perfuraram inúmeros poços fazendo com que a produção mundial no ano seguinte atingisse a marca de 70.000 toneladas. Em 1887, com o advento dos motores á explosão, as frações do petróleo que eram antes desprezadas passaram a ter grandes aplicações, surgindo assim a gasolina, o diesel e o querosene de aviação, abrindo assim um passo decisivo para a industria petrolífera. A revolução industrial que dominava os países mais avançados da época apontava um caminho brilhante para o petróleo.

Em 1900, a produção mundial ultrapassava os 400 mil barris/dia ( barril = 159 litros), sendo os maiores produtores nessa época a Rússia (206 mil barris/dia) e os Estados Unidos (173 mil barris/dia). As estatísticas do inicio do Séc. apresentam ainda como produtores, entre outros, a Polônia (6.410 barris/dia), a Rumânia ( 4.920 barris / dia ), o Japão (2.380 barris/ dia) e o Canadá ( 1.940 barris / dia ).

De 1859 até o fim da I Guerra Mundial (1918 / 19) , dezenas de países se lançaram na busca do petróleo, induzidos sobretudo pela escassez dos óleos de origem animal e vegetal. Assim é que logo nas primeiras décadas deste século surgem como produtores expressivos o México e a Venezuela, nas Américas, e a Alemanha e a França, na Europa. A I Guerra, lançando os primeiros veículos motorizados, apressou ainda mais a corrida para o petróleo. Registra-se, em conseqüência, uma evidente melhoria nos processos de extração e pesquisa.

Um dos mais importantes inventos desse período foi o equipamento giratório que caracteriza até hoje as perfurações, permitindo maior velocidade aos trabalhos. Conseguiu-se alcançar profundidades mais significativas, ficando definitivamente aposentado o sistema empírico de perfuração. Mas a despeito de tais progressos, alguns poços eram ainda perfurados aleatoriamente pelos chamados “adivinhadores” que se baseavam apenas na intuição. Embora o carvão mineral fosse muito utilizado em 1920, o petróleo tinha vencido o seu grande teste no primeiro conflito mundial. Desse ano em diante, os transportes terrestres, marítimos e aéreos passaram a consumir quantidades maiores do novo combustível. Era necessário encontrar mais petróleo.

O aprimoramento das técnicas encontrou na geologia e na geofísica duas ciências que iriam revolucionar a pesquisa petrolífera. Foram criadas teorias a partir das quais seria mais fácil achar o ouro negro. O aparecimento da petroquímica em 1930, com a promessa de que milhares de coisas poderiam ser feitas tendo como base o petróleo , gerou euforia entre os produtores.

A indústria de refino teve impulso sem precedentes, passando a garantir o abastecimento de milhares de veículos e o funcionamento dos parques industriais. A gasolina tornou-se o principal derivado , enquanto as entradas se multiplicavam exigindo mais asfalto. O mundo ingressara na era do petróleo , fato de uma vez por todas comprovado com a eclosão da II Guerra Mundial (1939/45). O petróleo alimentou os aviões e os carros blindados e assegurou a sobrevivência das nações em luta.

De 1944 a 1973, as nações consolidaram sua grandeza no desenvolvimento e no conforto proporcionado pelo petróleo, ao mesmo tempo em que eram feitas gigantescas descobertas adicionais, notadamente no Oriente Médio , Norte da África; México e Venezuela . Esses períodos, como os anteriores , caracterizou-se pelo petróleo barato . Dezenas de paises , como não podia deixar de ser, estruturaram suas economias no convidativo preço do petróleo. Os grandes consórcios internacionais, principalmente os norte-americanos, ingleses e holandeses, haviam-se fixado nas regiões de maior produção para explorar, sob regime de concessões ou de contratos bastante elásticos, as imensas jazidas petrolíferas, principalmente naqueles paises grandes produtores de petróleo.

A situação era absolutamente tranqüila até a década de 50, quando começou a fermentar entre os paises produtores o sentimento nacionalista que culminaria no cancelamento gradativo das concessões e na criação das empresas estatais. O aparecimento da Organização dos Paises Exportadores de Petróleo ( OPEP ), em 1960, foi a primeira manifestação concreta desse movimento. Até 1973, a maioria dos integrantes da OPEP conservou-se eqüidistante dos problemas políticos, mantendo orientação que praticamente estava em sintonia com os interesses do Ocidente. A partir do conflito Árabe-Israelense o comportamento de alguns membros desse organismo adquiriu influência mais aguda.

A verdade é que o preço do barril, de pouco mais de 1 dólar e 50 centavos, em 1972, passou para mais de 30 dólares no início de 1980. Em resumo, o petróleo deixou de ser um produto barato. Praticamente, desde essa década até hoje, o preço tem oscilado ao sabor das políticas dos grandes produtores, principalmente quando se acentuam os conflitos dos países do Oriente Médio ( conflito Israel-Árabe ), como recentemente tem acontecido. E hoje, com o mundo globalizado todos sofrem . Os programas governamentais dos países dependentes perseguem o aumento na sua produção, fazendo racionamentos e mantendo sua política de preços mais competitivos, com melhor aproveitamento dos combustíveis. Além disso, se perseguem novas alternativas energéticas, embora se saiba que pelo menos nos próximos 30 anos o petróleo terá ainda forte participação no progresso da humanidade. Para os estudiosos, mesmo considerando-se o esgotamento das atuais jazidas, sempre haverá novos campos petrolíferos.

Pode-se dizer que todos os paises dependentes do petróleo empenham-se em encontrar um sucedâneo. Esse período de transição está levando os paises consumidores a uma economia cada vez maior de petróleo. Predomina, então, a preocupação de se conseguir o melhor rendimento possível, aumentando seu desempenho energético, melhorando tecnicamente o aproveitamento das máquinas e equipamentos. Tirar o máximo proveito é atualmente uma das metas básicas de todos os consumidores, Essa política conservacionista tem proporcionado ao mundo uma economia de milhões de barris de petróleo. No Brasil, a Petrobrás e muitas outras entidades, têm se preocupado muito, melhorando cada vez mais suas estratégias, com envolvimento dos seus técnicos em programas de conservação de energia; Enquanto existir petróleo queimando nas caldeiras ou impulsionando outras máquinas, haverá sempre perspectivas de melhores desempenhos. E com a evolução da tecnologia, temos a certeza de que chegaremos a resultados nunca antes imaginados.

O PETRÓLEO NO BRASIL

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