Apostila de Anatomia Aplicada I (parte 1)

Apostila de Anatomia Aplicada I (parte 1)

(Parte 1 de 6)

EDUCAÇÃO FÍSICA I Leonardo Delgado

Barra do Corda/MA 2010

Prezado Aluno.

Fruto de um trabalho de anos de pesquisa e da evolução tecnológica e que atualmente, poderemos usufruir das novas formas de aprendizado, um exemplo disso é a nossa disciplina Anatomia Aplicada a Educação Física I, que tem a função de acompanhar a evolução do mundo virtual.

Em um primeiro momento, a disciplina terá um momento, por isso, é necessária a sua presença e participação efetiva nas aulas para que você tenha uma melhor compreensão dos conteúdos apresentados, o segundo momento será virtual através da utilização da ferramenta moodle, onde o aluno irá realizar seus estudo e enviará as atividades propostas pelo professor. Além disso, para ler e compreender a forma e a estrutura do corpo humano é de fundamental importância acompanhar a leitura em um Atlas Anatômico, que permite a visualização de todas as partes do corpo que foram objetos do estudo. Para isso utilizaremos o Atlas Interativo de Anatomia Humana, de Frank H. Netter, que traz imagens com detalhes de ossos, músculos e outras estruturas com a nova nomenclatura anatômica, anexo em forma de CD na apostila.

A disciplina será concluída com exame presencial aonde o aluno irá comprovar seus conhecimentos. Para tanto, é importante saber o que é necessário para que você alcance o êxito em todas as etapas que serão apresentadas durante o período de vigência do curso.

Não esqueça que este apostila, apesar de todo o nosso esforço é um caminho de estudo a ser percorrido e que se completa com as aulas práticas e com a sua dedicação em pesquisar e estudar as referências citadas.

Esperamos que você o leia com cuidado e atenção, uma vez que este conteúdo será vivenciado na prática! Afirmo que se você tiver alguma dúvida, não hesite em entrar em contato com o seu tutor para saná-la. Além disso, procure discutir as temáticas apresentadas neste material com os seus colegas de curso, seja no ambiente de aprendizagem, seja no pólo de sua cidade.

Essa prática certamente lhe trará ganhos, pois você poderá ter acesso a diferentes pontos de vista.

Leonardo Delgado aquabarra@sapo.pt

Quando começou o estudo da Anatomia?02
Conceitos04
Divisão da anatomia05
Normal e Variação Anatômica08
Anomalias X Monstruosidade08
Fatores Gerais das Variações Anatômicas08
Divisão do Corpo Humano10
Nomenclatura Anatômica13

Unidade I: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE ANATOMIA 01 Estudos dos Planos Anatômicos – Planimetria 15

Anatomia Aplicada a Educação Física I Professor: Leonardo Delgado

Você, caro aluno, nesta unidade, ira realizar uma breve introdução ao estudo da anatomia. Serão apresentados os conceitos de Anatomia Humana e seu histórico. Fatores de variação. Biótipo. Termos de posição para se proceder à localização das partes do corpo humano. Planos de secção e delimitação do corpo humano. Designações genéricas básicas em Anatomia.

Competência

- Conhecimento introdutório de Anatomia Humana, suas divisões, posições e partes do corpo humano.

Objetivo

- Conceituar Anatomia, normal e variação anatômica; - Descrever a “posição de descrição anatômica”, os planos de delimitação e secção, bem como ser capaz de definir os termos de posição e direção.

Anatomia Aplicada a Educação Física I Professor: Leonardo Delgado

Quando começou o estudo da Anatomia?

Começou nos primórdios da história humana. O homem pré-histórico já observava à sua volta a existência de seres diferentes de seu corpo, os animais. Com isso, passou a gravar nas paredes das cavernas e fazer esculturas das formas que via. Com isso passou a notar detalhes, que hoje nos permite identificar as espécies animais descritas.

A história da anatomia inicia-se na Mesopotâmia e Egito. Mesopotâmia era o nome dado a uma longa faixa de terra localizada entre os rios Tigre e

Eufrates, atualmente parte do Iraque. Cerca de 4.0 anos atrás, povos dessa região, conhecida como Berço da Civilização, faziam investigações voltadas em tentativas de descrever as forças básicas da vida, por exemplo, as pessoas desejavam descobrir em qual órgão se alojava a alma humana. O fígado era considerado o “guardião da alma e dos sentimentos que nos fazem homens”, uma suposição lógica visto o seu tamanho e pela íntima associação com o sangue, considerado essencial para a vida.

Algum tempo depois, Menes, sobre o qual paira uma antiga discussão: seria ele o lendário primeiro faraó (chamado de Narmer) ou médico do rei da primeira dinastia egípcia cerca de 3.400 a.C., foi fundador de Mênfis como capital egípcia. Escreveu o que é considerado o primeiro manual em anatomia.

Porém, foi na Grécia antiga que a anatomia, inicialmente, ganhou maior aceitação como ciência. As escritas de vários filósofos gregos tiveram um forte impacto no pensamento científico futuro. Homero, em Ilíada, descreveu com precisão a anatomia das feridas ocorridas em batalhas, aproximadamente 800 a.C.

Aristóteles (384-322 a.C) é considerado o criador do termo

“Anatome”, uma palavra grega significando “cortar em pedaços, separa”. A palavra latina “Dissecare” tem um significado idêntico. Hipócrates, o mais famoso médico grego e considerado o “pai da medicina” por seus princípios éticos pregados em seus ensinamentos, teve seu nome imortalizado no juramento Hipocrático que muitos estudantes, ao se formarem em medicina, repetem como compromisso de exercício profissional e dever perante a sociedade. Seguia a doutrina dos quatro humores, cada um associado a um órgão em particular: sangue com o fígado; cólera, ou bile amarela, com a vesícula biliar; fleuma com os pulmões; e melancolia, ou bile preta, com o baço.

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Imaginava-se que uma pessoa teria saúde com o equilíbrio desses quatro humores, princípio esse seguido por mais de 2.0 anos.

Aristóteles, discípulo de Platão, contratado pelo Rei Filipe da

Macedônia para ensinar seu filho, Alexandre, conhecido como Alexandre, o Grande. Apesar de suas extraordinárias realizações, cultuava teorias errôneas como a sede da inteligência no coração e citava que a função do cérebro, banhado em líquido, era esfriar o sanguebombeado pelo coração para manutenção da temperatura corporal. Foi o fundador da Anatomia Comparada, 384 a 322 a.C.

Vieram os períodos Alexandrino e Romano, com os pensadores

Herófilo e Erasistrato, Celsus e Galeno, este último cujas escritas perduraram cerca de 1.500 anos, foi um dos escritores médicos mais influentes de todos os tempos.

O Renascimento, período posterior à Idade Média, é marcado como o período do renascimento da ciência, visto que durante a Idade Média a forte pressão da Igreja Cristã estagnou as atividades médicas, cultuando a “fé” como centro das respostas. Introduzido nas grandes universidades européias, reativou a busca pelo conhecimento e engrenou os estudos da anatomia humana, centralizando o interesse nos métodos e técnicas de dessecação em lugar de avançar no conhecimento do corpo humano.

Surgiram grandes personagens daquele tempo, Leonardo da Vinci e Andréas Vesalius, cada qual com estudos monumentais da forma humana. O primeiro produziu desenhos anatômicos de qualidade sem precedente baseado em dessecações de cadáveres humanos. O segundo refutou os falsos conceitos do passado sobre estrutura e função do corpo por observação direta e experiências; é chamado o “pai da anatomia moderna”. Durante os séculos XVII e XVIII, a anatomia atingiu uma aceitação inigualável.

Duas das contribuições mais importantes foram a explicação da circulação sanguínea e o desenvolvimento do microscópio. Harvey, em 1628, com a obra “Sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais”, provando a circulação contínua do sangue no interior dos vasos, e Leeuwenhoek, aperfeiçoando o microscópio, desenvolvendo técnicas para examinar tecidos e descrição de células sanguíneas, músculo esquelético e a lente do olho. Malpighi, lembrado como “pai da histologia”, primeiro a confirmar a existência dos capilares.

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A principal contribuição científica do século XIX foi a formulação da teoria celular. Princípio creditado a dois cientistas alemães, Matthias Schleiden e Theodor Schwann.

O objetivo desse tópico é definir, conceituar e abordar aspectos históricos da Anatomia. A Posição, planos e termos anatômicos.

Segundo DANGELO & FATTINI (1984, p.1) no seu conceito mais amplo anatomia (ana = em partes; tomein = cortar) é a ciência que estuda macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.

Anatomia é a ciência da estrutura e função do corpo. Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981, pela American Association of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais.

Tem como metas principais à compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. A amplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças em longo prazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediária em desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadas com fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estrutura estudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seus órgãos até as organelas celulares e macromoléculas.

Agora que você conhece o conceito de Anatomia, antes de aprofundar seus estudos, é conveniente também conhecer os conceitos básicos de biologia e fisiologia. O termo biologia é conceituado como o conjunto de leis que regulam os fenômenos relacionados aos seres vivos, ao passo que a fisiologia é a ciência que estuda as funções dos organismos vivos.

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DIVISÃO DA ANATOMIA A anatomia pode ser dividida em:

Segundo o Método de Observação:

Anatomia Microscópica (Histologia):

Necessita para o seu estudo a utilização de um aparelho que aumente as dimensões das estruturas para uma melhor observação (microscópio). Com a descoberta do microscópio desenvolveram-se ciências que, embora constituam especializações, são ramos da anatomia:

- Citologia: estudo das células; - Histologia: estudo dos tecidos e como estes se organizam para a formação de órgãos;

- Embriologia: estudo do crescimento e desenvolvimento do ser humano.

Anatomia Macroscópica:

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