Emprego de espuma mecânica no combate a incêndios

Emprego de espuma mecânica no combate a incêndios

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Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros

1ª Edição 2006

Volume 43

Os direitos autorais da presente obra pertencem ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte.

Comandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Antonio dos Santos Antonio

Subcomandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Manoel Antônio da Silva Araújo

Chefe do Departamento de Operações Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Comissão coordenadora dos Manuais Técnicos de Bombeiros

Ten Cel Res PM Silvio Bento da Silva Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Maj PM Omar Lima Leal

Cap PM José Luiz Ferreira Borges 1º Ten PM Marco Antonio Basso

Comissão de elaboração do Manual Cap PM Roberto Rodrigues de Azevedo

Cap PM Júlio César Silva Brito 1º Ten PM Adriano Manoel Rédua dos Santos 2o Ten PM Hugo Eduardo Barone

Subten PM José Lino Fernandes da Costa 1º Sgt PM João Carlos do Nascimento Ferreira 2o Sgt PM Luiz Henrique Simões

Comissão de Revisão de Português 1º Ten PM Fauzi Salim Katibe 1° Sgt PM Nelson Nascimento Filho 2º Sgt PM Davi Cândido Borja e Silva

Cb PM Fábio Roberto Bueno Cb PM Carlos Alberto Oliveira Sd PM Vitanei Jesus dos Santos

As atividades de bombeiros sempre se notabilizaram por oferecer uma
Nosso Corpo de Bombeiros, bem por isso, jamais descuidou de contemplar a
Objetivando consolidar os conhecimentos técnicos de bombeiros, reunindo, dessa
Assim, todos os antigos manuais foram atualizados, novos temas foram

No início do século XXI, adentrando por um novo milênio, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo vem confirmar sua vocação de bem servir, por meio da busca incessante do conhecimento e das técnicas mais modernas e atualizadas empregadas nos serviços de bombeiros nos vários países do mundo. diversificada gama de variáveis, tanto no que diz respeito à natureza singular de cada uma das ocorrências que desafiam diariamente a habilidade e competência dos nossos profissionais, como relativamente aos avanços dos equipamentos e materiais especializados empregados nos atendimentos. preocupação com um dos elementos básicos e fundamentais para a existência dos serviços, qual seja: o homem preparado, instruído e treinado. forma, um espectro bastante amplo de informações que se encontravam esparsas, o Comando do Corpo de Bombeiros determinou ao Departamento de Operações, a tarefa de gerenciar o desenvolvimento e a elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros. pesquisados e desenvolvidos. Mais de 400 Oficiais e Praças do Corpo de Bombeiros, distribuídos e organizados em comissões, trabalharam na elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB e deram sua contribuição dentro das respectivas especialidades, o que resultou em 48 títulos, todos ricos em informações e com excelente qualidade de sistematização das matérias abordadas.

Na verdade, os Manuais Técnicos de Bombeiros passaram a ser contemplados na continuação de outro exaustivo mister que foi a elaboração e compilação das Normas do Sistema Operacional de Bombeiros (NORSOB), num grande esforço no sentido de evitar a perpetuação da transmissão da cultura operacional apenas pela forma verbal, registrando e consolidando esse conhecimento em compêndios atualizados, de fácil acesso e consulta, de forma a permitir e facilitar a padronização e aperfeiçoamento dos procedimentos.

Os novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB são ferramentas
Estudados e aplicados aos treinamentos, poderão proporcionar inestimável

O Corpo de Bombeiros continua a escrever brilhantes linhas no livro de sua história. Desta feita fica consignado mais uma vez o espírito de profissionalismo e dedicação à causa pública, manifesto no valor dos que de forma abnegada desenvolveram e contribuíram para a concretização de mais essa realização de nossa Organização. importantíssimas que vêm juntar-se ao acervo de cada um dos Policiais Militares que servem no Corpo de Bombeiros. ganho de qualidade nos serviços prestados à população, permitindo o emprego das melhores técnicas, com menor risco para vítimas e para os próprios Bombeiros, alcançando a excelência em todas as atividades desenvolvidas e o cumprimento da nossa missão de proteção à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio.

Parabéns ao Corpo de Bombeiros e a todos os seus integrantes pelos seus novos

Manuais Técnicos e, porque não dizer, à população de São Paulo, que poderá continuar contando com seus Bombeiros cada vez mais especializados e preparados.

São Paulo, 02 de Julho de 2006.
Coronel PM ANTONIO DOS SANTOS ANTONIO

Comandante do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

INTRODUÇÃO3
1 ESPUMA DE COMBATE A INCÊNDIO4
1.1 Defini ção4
1.2 Caracter ísticas4
1.3 Limitações para uso da espuma6
1.4 Espuma mecânica7
1.4.1 Expansão das espumas7
1.4.1.1 Baix a expansão7
1.4.1.2 Média expansão8
1.4.1.3 Alta expansão8
2 EXTRATO FORMADOR DE ESPUMA (EFE)10
2.1 EFE Proteínico1
2.1.1 Proteínico comum1
2.1.2 Proteínico polivalente1
2.1.3 Fluorprot eínico12
2.1.4 Fluorproteínico com formação de filme (FFFP)12
2.2 EFE Sintético12
2.2.1 EFE Sintético para espuma de baixa expansão13
2.2.1.1 A F 3%13
2.2.1.2 A F 6%14
2.2.1.3 AFFF-ARC 3% - 3%14
2.2.1.4 AFFF-ARC 3% - 6%15
2.2.2 EFE Sintético para espuma de média e alta expansão16
3 EQUIPAMENTOS FORMADORES DE ESPUMA17
3.1 Proporci onadores17
3.1.1 Proporcionadores portáteis17
3.1.1.1 Conjunto proporcionador - esguicho lançador18
3.1.1.2 Esguicho proporcionador de espuma20
3.1.1.3 Esguicho proporcionador de espuma com vazão regulável21

SUMÁRIO 3.1.1.4 Esguicho proporcionador de espuma para canhão monitor................23

3.1.2.1 Tanques de EFE das viaturas24
3.1.2.2 Dosador para EFE24
3.1.2.3 Passo a passo em viatura25
3.1.2.4 Limpeza do sistema hidráulico26
3.2 Esguichos para espuma de média expansão26
3.3 Gerador para espuma de alta expansão27
4 TÉCNICAS DE EMPREGO DE ESPUMA28
4.1 Usando um anteparo28
4.2 Combate em espiral ou caracol29
4.3 Recom endações29
5 INCÊNDIO EM TANQUES30
5.1 Equipamento recomendado31
5.2 Taxa de aplicação31
5.3 Exemplos para hidrocarbonetos32
5.4 Exemplos para solventes polares3
5.5 Câmaras de espuma34
5.6 Inci dentes36
5.6.1 “Boil over”36
5.6.2 “Slop over”38
5.7 Incêndio em bacias de contenção38
6 ESPUMA PARA CLASSE “A”40
6.1 EFE Sintético para espuma classe “A”40
6.2 Incêndios florestais e urbanos41

3.1.2 Proporcionador na bomba de viatura.......................................................24 7 BIBLIOGRAF IA................................................................................................. 42

O presente manual técnico é destinado às guarnições que utilizam o extrato formador de espuma (EFE) no atendimento de ocorrências e tem como objetivo dar o conhecimento mínimo para as guarnições identificarem um incêndio Classe “A” ou “B” e combatê-lo, utilizando espuma mecânica.

Serão mostrados alguns tipos de extratos formadores de espuma e os vários tipos de equipamentos proporcionadores.

Normalmente a espuma é utilizada em incêndio Classe “B”, porém, em um capítulo específico, serão abordadas as vantagens do uso da espuma em incêndio Classe “A”.

1 - ESPUMA DE COMBATE A INCÊNDIO 4

1 ESPUMA DE COMBATE A INCÊNDIO

1..1 Definição

É um aglomerado de bolhas de ar formado por solução aquosa. Trata-se do resultado do batimento de água, ar e extrato formador. Flutua sobre os líquidos devido a sua baixa densidade.

1..2 Características

Para ser eficiente, a espuma, para incêndio, deve ter determinadas características físicas:

• Fluidez: a espuma deve cobrir toda a superfície em chamas com rapidez;

• Resistência calor: o volume de espuma aplicado tem que ser capaz de resistir aos efeitos destrutivos do calor irradiado pelo fogo remanescente do vapor de líquidos inflamáveis ou de qualquer tipo de material metálico;

• Resistência ao combustível: a espuma deve resistir às ações dos combustíveis, não se desfazendo ou perdendo sua capacidade extintora;

• Contenção de vapores: a cobertura produzida deve ser capaz de conter os vapores inflamáveis, provocando uma selagem do combustível, minimizando os riscos de um novo incêndio;

• Densidade baixa: a espuma deve flutuar sobre o combustível formando uma cobertura;

• Dupla ação de combate a incêndio: A extinção do incêndio por meio da espuma é feita por isolamento do combustível do ar (abafamento) e resfriamento.

1 - ESPUMA DE COMBATE A INCÊNDIO 5

Fig. 1: Atuação de abafamento e resfriamento da espuma. Fonte: 16º Grupamento de Bombeiros

A espuma flutua sobre os líquidos produzindo uma cobertura que impede o contato com o ar (oxigênio), extinguindo o incêndio por abafamento.

Utilizando-se somente água, a extinção em hidrocarbonetos é muito demorada, pois possuem peso específico tão baixo, que flutuam sobre a água. A extinção em solventes polares (álcool, acetona, metanol, etc), que são miscíveis à água, exige atenção quanto ao aumento do volume, pois pode ocasionar o alastramento do fogo.

Por isto, em incêndios de líquidos inflamáveis o uso de espuma mecânica é indispensável. O baixo peso específico da espuma fará com que ela flutue sobre o combustível, isolando-o do ar.

Fig.2: Esquema da espuma formada Fonte: 16º Grupamento de Bombeiros

1 - ESPUMA DE COMBATE A INCÊNDIO 6

Os líquidos liberam vapores inflamáveis. A espuma deve ser suficientemente compacta e densa para impedir a passagem desses vapores e evitar reignição.

O resfriamento ocorre por intermédio da água que drena da espuma e, portanto auxilia na extinção do fogo.

1..3 Limitações para uso da espuma

• Recomenda-se não usar espuma em materiais que sejam armazenados como líquidos, mas que em condições ambientes são gasosos, tais como o GLP (gás liqüefeito de petróleo), o butano, o propano, o butadieno, etc.;

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