Estudos regionais das doenças

Estudos regionais das doenças

Raquel Almeida Martins

Estudos Regionais

Macaé, abril de 2009.

Introdução

Convencionou-se no Brasil designar determinadas doenças, a maioria delas parasitárias ou transmitidas por vetor, como "endemias", essas doenças, predominantemente rurais, constituíram a preocupação central da saúde pública brasileira por quase um século, até que diversos fatores, notadamente a urbanização, desfizeram as razões de sua existência enquanto corpo homogêneo de preocupação.

O conceito doenças infecciosas resulta do desenvolvimento da microbiologia como disciplina científica, no final do século XIX e início do século XX. A renovação urbana talvez tenha sido o grande legado da resposta sanitária brasileira do início do século XX. A partir do final do século XIX, houve um salto de qualidade nas atividades de controle de endemias, decorrência do advento da microbiologia como ciência.

É muito difícil conseguir estabelecer uma tendência geral das endemias na virada do século. Ao mesmo tempo em que o país se vê às voltas com repetidas epidemias de dengue, com a circulação, até a data, de três sorotipos diferentes do vírus, vários estados vêm sendo certificados pela OPAS como tendo interrompido a transmissão vetorial da doença de Chagas.

Aqui serão expostas as doenças endêmicas atuais predominantes em cada região do Brasil.

Doenças predominantes na região Sudeste

Dengue

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. O dengue clássico se inicia de maneira súbita e podem ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas no corpo. A febre dura cerca de cinco dias com melhora progressiva dos sintomas em 10 dias. Em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz. Raramente há complicações. Dengue hemorrágico é uma forma grave de dengue. No início os sintomas são iguais ao dengue clássico, mas após o 5º dia da doença alguns pacientes começam a apresentar sangramento e choque. Os sangramentos ocorrem em vários órgãos. Este tipo de dengue pode levar a pessoa à morte. Dengue hemorrágico necessita sempre de avaliação médica de modo que uma unidade de saúde deve sempre ser procurada pelo paciente. A melhor forma de prevenir a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros. Não existe tratamento específico para dengue, apenas tratamentos que aliviam os sintomas. Deve-se ingerir muito líquido como água, sucos, chás, soros caseiros, etc. Os sintomas podem ser tratados com dipirona ou paracetamol. Não devem ser usados medicamentos à base de ácido acetil salicílico e antiinflamatórios, como aspirina e AAS, pois podem aumentar o risco de hemorragias. È importante saber que o ovo do Aedes Aegypti pode sobreviver até 450 dias, mesmo que o local onde foi depositado fique seco. Se este local receber água novamente o ovo volta a ficar ativo, podendo se transformar em larva e depois empupa, atingindo a fase adulta dentro de 2 a 3 dias, por isso eliminar a água e lavar os recipientes com água e sabão.

Meningite

Meningite (MGT) é uma infecção das membranas (meninges) que recobrem o cérebro por elementos patológicos como: vírus, bactérias, fungos ou protozoários. A aquisição da infecção está relacionada ao tipo de germe associado. Geralmente, pode estar associado a um quadro infeccioso respiratório, podendo ser viral ou bacteriano, otites, amigdalites, trauma cranioencefálico.

O tratamento das meningites agudas é considerado uma emergência, principalmente se a suspeita etiológica for bacteriana. Ele deve ser iniciado o mais rápido possível e com antibióticos administrados via endovenosa, pois o paciente corre o risco de vida e de apresentar seqüelas graves nestes casos. Na suspeita de meningite crônica, como aquela provocada pela tuberculose, o tratamento pode ser administrado via oral, sendo que o mesmo se prolonga por semanas.

A prevenção é possível nos casos diagnosticados e com certeza da doença. O uso de máscaras e a profilaxia com antibiótico podem prevenir a meningite das pessoas que estiverem em contato próximo a um paciente que esteja com a infecção. Atualmente, existe vacinas contra a meningite causada por bactérias pneumococo, meningococo, e hemófilus.

A vigilância de meningites no Brasil está organizada com base em um sistema de vigilância sindrômica, que inclui diferentes etiologias de meningite e não diferencia as doenças meningocócicas segundo o sorogrupo. A incidência de doença meningocócica no sudeste foi de 1.978 em 2005.

Doenças predominantes na região Centro-Oeste

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada por um gênero de vírus conhecido como flavivírus, a enfermidade apresenta duas formas de expressão, a urbana e a silvestre.

Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode vir a óbito. A única forma de prevenir a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos e pessoas alérgicas a gema de ovo.

A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença, onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais.

Desde 1942, não é registrado nenhum caso de febre amarela urbana. Desde 17 de dezembro de 2007, até 06 de fevereiro de 2008, somaram-se: 25casos confirmados de febre amarela, em que 13 resultaram em morte dos pacientes. Todos os casos aconteceram nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Doenças predominantes na região Norte

Malária

A malária é uma doença infecciosa, potencialmente grave, causada por parasitas (protozoários do gênero Plasmodium), que são transmitidos de uma pessoa para outra pela picada de mosquitos (Anopheles).

A malária quando detectada correta e precocemente é uma doença de tratamento bastante simples. Para cada espécie do plasmódio é utilizado medicamento ou associações de medicamentos específicos em dosagens adequadas à situação particular de cada doente. Quando há retardo no diagnóstico, em especial em um caso de infecção por Plasmodium falciparum, graves complicações podem surgir, culminando com o óbito do doente.

Apesar de vários estudos, que vêm sendo feitos há muitos anos, ainda hoje não existe uma vacina que confira proteção satisfatória contra a malária. a utilização de repelentes químicos, mosquiteiros sobre as camas ou redes de dormir, telas nas janelas e portas das habitações e evitar a permanência ao ar livre nos horários em que os mosquitos se apresentam em maior quantidade, como o amanhecer (crepúsculo matutino) e o anoitecer (crepúsculo vespertino).

As autoridades de saúde de Manaus já registraram 14,7 mil casos de malária em 2003. O Instituto de Medicina Tropical recebeu, apenas em abril de 2003, 700 pessoas com suspeita de portarem a doença por dia. A maioria dos casos é de moradores das zonas rurais ou desmatadas. A Amazônia legal concentra 99,5% dos casos, constatando 600 mil em 2005.

Leishmaniose

Leishmaniose é uma é uma zoonose, os animais infectados com maior grau de importância são os cães, os roedores e os próprios humanos. Trata-se de enfermidade infecciosa, parasitária, cuja etiologia, no Brasil, é dominada por 4 espécies destes protozoários: Leishmania chagasi, Leishmania braziliensis, Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis. A primeira ocorre em todo o Brasil e as demais estão restritas a região norte. Tratamento Nas formas cutâneas a remissão espontânea das lesões pode ocorrer dispensando o tratamento com drogas. Nas formas: visceral e mucocutânea o tratamento medicamentoso é indicado principalmente nos casos de lesões incapacitantes ou desfigurantes. Existem vários esquemas terapêuticos baseados de forma geral em Antimônios, Anfotericina B, Paromomicina e Pentamida. Cetoconazol e Itraconazol, entre outros, também são usados. A forma mais efetiva de prevenção é a proteção mecânica contra as picadas dos insetos, fazendo uso de repelentes de insetos, roupas adequadas, telas nas aberturas e mosquiteiros ao redor das camas; evitar contato com os vetores nos horários de maior atividade dos insetos, raiar e cair do dia; além de tomar medidas de combate ao vetor. Os pacientes internados e contaminantes devem ser submetidos a cuidados especiais a fim de evitar a exposição às picadas dos insetos vetores.

Taxa de incidência da leishmaniose tegumentar americana em 2005 foi de 71,09 casos por 100.000 habitantes no norte do Brasil.

Doenças predominantes na região Nordeste

Hanseníase

A hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução crônica (muito longa) causada pelo Mycobacterium leprae, microorganismo que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo. A doença tem um passado triste, de discriminação e isolamento dos doentes, que hoje já não existe e nem é necessário, pois a doença pode ser tratada e curada. A transmissão se dá de indivíduo para indivíduo, por germes eliminados por gotículas da fala e que são inalados por outras pessoas penetrando o organismo pela mucosa do nariz. Outra possibilidade é o contato direto com a pele através de feridas de doentes. No entanto, é necessário um contato íntimo e prolongado para a contaminação, como a convivência de familiares na mesma residência. Daí a importância do exame dos familiares do doente de hanseníase. A hanseníase tem cura. O tratamento da hanseníase no Brasil é feito nos Centros Municipais de Saúde (Postos de Saúde) e os medicamentos são fornecidos gratuitamente aos pacientes, que são acompanhados durante todo o tratamento. A duração do tratamento varia de acordo com a forma da doença: 6 meses para as formas mais brandas e 12 meses para as formas mais graves. Uma importante medida de prevenção é a informação sobre os sinais e sintomas da doença, pois, quanto mais cedo for identificada, mais fácil e rápida ocorrerá a cura. Uma outra medida preventiva, é a realização do exame dermato-neurológico e aplicação da vacina BCG nas pessoas que vivem com os portadores desta doença. A maioria da população adulta é resistente à hanseníase, mas as crianças são mais susceptíveis, geralmente adquirindo a doença quando há um paciente contaminante na família. No ano de 2005 foi constatado no nordeste do Brasil 10.934 casos de hanseníase.

Doenças predominantes na região Sul

AIDS

A aids é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês - Human Immunodeficiency Virus. Também do inglês deriva a sigla AIDS, Acquired Immune Deficiency Syndrome, que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Apesar de ser uma doença que ainda não tem cura, existe tratamento eficiente e que controla a doença. Pessoas portadoras do vírus HIV devem procurar ajuda médica, tentar conhecer a doença e jamais perder a esperança, afinal, de 1981 até hoje, já se passaram muitos anos, estamos num novo milênio e a medicina evolui a cada dia. A prevenção é feita através da utilização de camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais, do não compartilhando seringas e agulhas com outras pessoas, verificando se o sangue recebido em hospitais foi testado contra HIV, tomando o AZT durante a gestação, para não passar para o bebê (somente gestantes com HIV/aids), não amamentando o bebês com seu próprio leite (somente mães com HIV/aids).

O Brasil tem, aproximadamente, 600 mil portadores do vírus da aids, o HIV. Segundo previsão do Banco Mundial o Brasil teria 1,2 milhão de infectados pelo HIV no ano 2000.

Referências Bibliográficas

LAZARO, Alcino. ABC da saúde. Medsi. ed. 1.

Informações epidemiológicas e morbidade. DATASUS. Disponibilizado em: http://w3.datasus.gov.br/datasus/datasus.php. Verificado em 23 de março de 2009.

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