Benefícios do reaprofeitamento do fluído de corte

Benefícios do reaprofeitamento do fluído de corte

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1. OBJETIVO GERAL

Reutilização do fluído de corte, usando quantidade mínima na usinagem e desenvolver produtos biodegradáveis.

2. OBJETIVO ESPECÍFICO

Utilizar o fluído de corte em menor quantidade na usinagem de peças, onde o fluído de corte está diretamente relacionado a custos, perigos à saúde e questões ambientais (descarte, reciclagem, etc.), minimizando o descarte.

3. INTRODUÇÃO

A utilização de fluídos de corte é imprescindível na usinagem de aços e particularmente na usinagem de aços inoxidáveis.

A possibilidade de utilização de quantidades mínimas de fluídos de corte através de sistemas específicos vem sendo investigados com resultados animadores. Além disso, a investigação de fluídos biodegradáveis ou de menor impacto ambiental, também tem sido alvo de pesquisas.

A pesquisa realizada revela o desempenho do novo produto e sua recuperação no tratamento, seu desempenho na proteção à saúde do operador. Utilizando as normas do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) Resolução 09/93 e a Resolução 362/2005.

Desenvolver um produto e reutilizá-lo é muito importante porque o fluído representa uma grande parcela do custo final na retificação, devido, principalmente, aos gastos com seu descarte e manutenção, principalmente com os danos ao meio ambiente. Também as ferramentas que são utilizadas na usinagem terão uma vida útil maior.

4. INFLUÊNCIA DO FLUIDO DE CORTE NA USINAGEM

Desenvolvendo esta pesquisa bibliográfica para realização do trabalho observou-se que o professor Anselmo Eduardo Diniz, do Departamento de Engenharia de Fabricação da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, trabalha há mais de 22 anos na área de usinagem de materiais. O mesmo diz que a usinagem é “o processo de trabalhar uma peça bruta com máquina-ferramenta para lhe dar a forma final desejada, removendo material em forma de cavacos ou de farpas”.

Faz-se importante ressaltar que para minimizar os desgastes das ferramentas e o aquecimento da peça, vários recursos podem ser utilizados, conforme cita professor Anselmo Diniz, os quais o emprego de fluído de corte, uma mistura líquida constituída em geral de óleo e água em proporções adequadas a cada caso, que variam de 3 a 15 de óleo. A utilização mais eficiente desses fluídos de corte no torneamento ou fresamento, ou até sua supressão, tem constituído uma de suas linhas de pesquisa.

[1] Figura 1 - usinagem de uma peça em aço

5. Efeitos colaterais do Fluído de corte

O fluído de corte tem efeitos indesejáveis, pode gerar alergias ou outros problemas de saúde ao operador da máquina pelo contato com a pele ou pela inalação dos seus vapores durante anos.

Sua deterioração é porque adquire fungos e bactérias, o que exige tratamento periódico, e mesmo assim precisa de tempo em tempo ser reciclado, pois não pode ser descartado no solo.

6. PREVENÇÃO DE PROBLEMAS DE PELE EM CONTATO COM O FLUIDO DE CORTE NA USINAGEM E PREPARAÇÃO:

  • Evitar contato entre o fluído de corte e a pele;

  • Evitar danos à pele pelo contato com o cavaco e com spray de alta pressão gerado na usinagem;

  • Utilizar luvas quando possível, em caso contrário usar creme repelente de óleo;

  • Usar roupas protetoras;

  • Não usar produto em concentração acima da recomendada;

  • Problemas de pele como irritações, dermatites, erupções;

  • Câncer de pele, reto, cólon, bexiga, estômago, esôfago, pulmão, próstata, pâncreas;

  • Doenças pulmonares como asma, bronquite, pneumonia, fibroses, redução da capacidade respiratória;

7. POLÍTICA AMBIENTAL DOS FLUÍDOS DE CORTE

A política ambiental deve seguir leis nacionais e/ou internacionais, ou ainda as leis estaduais, dependendo de cada situação, sendo que uma das ferramentas que podem fortalecer as empresas em relação aos fatores ecológicos e ambientalmente corretos é a obtenção por estas da certificação ISO 14001 que faz da mesma uma empresa comprometida com o meio ambiente. Sendo esta certificação de reconhecimento internacional, o que abre novos horizontes para a empresa em relação ao mercado exterior.

Tanto os órgãos internacionais como os nacionais de proteção ao meio ambiente exigem cada vez mais das empresas o correto descarte de seus rejeitos industriais, sendo que o fluído de corte é um dos principais resíduos industriais que podem causar danos ao meio ambiente de forma considerável. ( Monici 1999 ).

O principal órgão que fiscaliza e impõe penalidades às indústrias que estejam operando de forma incorreta no Estado de São Paulo, perante a Legislação Ambiental Brasileira é a CETESB ( Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental ).

No Brasil, o órgão responsável pela fiscalização das Leis Ambientais Brasileiras em relação à utilização e descarte de fluidos de corte é o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Sendo que a Resolução CONAMA 9/93, considera crime ambiental não só descartar o óleo na natureza, mas também comercializar, fornecer, transportar, queimar ou dar outro destino que não a reciclagem através do refino.

Aliado às leis e é a de estarem sempre de acordo com a ISO 14001, que é obrigações estipuladas pelo CONAMA, outra preocupação que as empresas devem ter em relação às leis ambientais uma certificação emitida as empresas que seguem acima de tudo várias normas de apelo ecológico, sendo, portanto empresas preocupadas com o meio ambiente.

A obtenção desta certificação pela empresa é muito vantajosa, em pesquisas realizadas nos Estados Unidos em 1994, já se notava que o consumo com apelo ecológico estava crescendo em demasia, sendo que o cenário mundial de implementação da ISO 14001 mostra um crescimento acentuado do número de empresas certificadas. ( Epelbaum 2002 ).

8. DESCARTE DE FLUÍDOS DE ACORDO COM AS LEIS AMBIENTAIS

Enfim, após se tratar das Leis Ambientais estaduais e nacionais bem como da certificação ISO14001, torna-se interessante conhecer mais sobre o descarte dos fluídos de corte.

A fim de satisfazer as leis governamentais e locais sobre a poluição da água, todo fluido de corte solúvel em água deveria sofrer uma espécie de tratamento antes de ser disposto no rio, córrego ou sistema municipal de esgoto. Os produtos químicos considerados como poluentes da água são os óleos, nitritos, fenóis, fosfatos e metais pesados.

O conteúdo do óleo pode ser quebrado/separado da emulsão por um tratamento de ácido ou sulfato de alumínio. Em alguns estados dos EUA, efluentes contendo mais que duas partes por bilhão de fenol ou derivados fenólicos são proibidos ( Baradie, 1996 ).

Melhor que descartar o fluído é reciclar o mesmo. O refrigerante usado é removido da máquina e os resíduos são separados através do processo de reciclagem, sendo que o refrigerante limpo é então adicionado ao reciclado e a nova mistura volta para dentro da máquina. ( Siliman 1992).

O processo de reciclagem elimina a freqüência com que o refrigerante é descartado. Isto pode trazer um grande benefício financeiro, pois os custos com os descartes são muito elevados.

O descarte de fluido de corte é um processo indesejável, mas necessário de ser feito pelas empresas, pois o seu tratamento, antes de sua disposição final, é relativamente caro e geralmente é realizado por empresas especializadas. ( Monici 1999 ).

Assim as empresas antes de destinarem seus fluídos de corte a outras especializadas nessa área, devem consultar a CETESB que analisa a transação e aprova ou não o tratamento final e disposição que será dado àquele fluido de corte.

9. RESOLUÇÃO CONAMA N.º 9, 31 DE AGOSTO DE 1993

  • Torna obrigatória a coleta de todos os óleos usados por empresas credenciadas na ANP e licenciados pelos órgãos estaduais de proteção ambiental;

  • Proíbe descartar óleo em solos, águas superficiais, águas subterrâneas, no mar ou em sistema de esgoto ou evacuação de águas residuais, ou de modo que represente contaminação atmosférica superior ao nível estabelecido por lei;

  • Determina que o descarte só possa ser realizado após tratamento prévio;

  • Obriga manter os registros de compra e alienação do óleo usado por dois anos caso consuma um mínimo anual de 700 litros/ano;

  • Crimes capitulados Lei 9605/98 e no Decreto Federal 3179.

  • Integra da Res. 9/93 Conama em www.mma.gov.br/conama

Estabelece definições e torna obrigatório o recolhimento e destinação adequada de todo o óleo lubrificante usado ou contaminado

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições previstas na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, alterada pelas Leis nº 7.804, de 18 de julho de 1989, e nº 8.028, de 12 de abril de 1990, e regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 06 de junho de 1990, e no Regimento Interno aprovado pela Resolução/CONAMA/nº 025, de 03 de dezembro de 1986,

 

- Considerando que o uso prolongado de um óleo lubrificante resulta na sua deterioração parcial, que se reflete na formação de compostos tais como ácidos orgânicos, compostos aromáticos polinucleares, "potencialmente carcinogênicos", resinas e lacas, ocorrendo também contaminações acidentais ou propositais;

 

- Considerando que a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, em sua NBR-10004, "Resíduos Sólidos - classificação", classifica o óleo lubrificante usado como perigoso por apresentar toxicidade;

 

- Considerando que o descarte de óleos lubrificantes usados ou emulsões oleosas para o solo ou cursos d'água gera graves danos ambientais;

 

- Considerando que a combustão dos óleos lubrificantes usados pode gerar gases residuais nocivos ao meio ambiente;

 

- Considerando a gravidade do ato de se contaminar o óleo lubrificante usado com policlorados (PCB's), de caráter particularmente perigoso;

 

- Considerando que as atividades de gerenciamento de óleos lubrificantes usados devem estar organizadas e controladas de modo a evitar danos à saúde, ao meio ambiente;

- Considerando ainda que a reciclagem seja instrumento prioritário para a gestão ambiental,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º Para efeito desta Resolução, entende-se por:

 

I - Óleo lubrificante básico: principal constituinte do óleo lubrificante. De acordo com sua origem, pode ser mineral (derivado de petróleo), ou sintético (derivado de vegetal ou de síntese química);

 

II - Óleo lubrificante: produto formulado a partir de óleos lubrificantes básicos e aditivos;

 

III - Óleo lubrificante usado ou contaminado regenerável: óleo lubrificante que, em decorrência do seu uso normal ou por motivo de contaminação, tenha se tornado inadequado à sua finalidade original, podendo, no entanto, ser regenerado através de processos disponíveis no mercado;

 

IV - Óleo lubrificante usado ou contaminado não regenerável: óleo lubrificante usado ou contaminado, conforme definição do item anterior, não podendo, por motivos técnicos, ser regenerado, através de processos disponíveis no mercado;

 

V - Reciclagem de óleo lubrificante usado ou contaminado: consiste no seu uso ou regeneração. A reciclagem via uso envolve a utilização do mesmo como substituto de um produto comercial ou utilização como matéria-prima em outro processo industrial. A reciclagem via regeneração envolve o processamento de frações utilizáveis e valiosas contidas no óleo lubrificante usado e a remoção dos contaminantes presentes, de forma a permitir que seja reutilizado como matéria-prima. Para fins desta Resolução, não se entende a combustão ou incineração como reciclagem;

 

VI - Óleo lubrificante reciclável: material passível de uso, ou regeneração;

 

VII - Refino: processo industrial de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos dos óleos lubrificantes usados ou contaminados, conferindo as mesmas características de óleos básicos, conforme especificação do DNC;

 

VIII - Combustão: queima com recuperação do calor produzido;

 

IX - Incineração: queima sob condições controladas, que visa primariamente destruir um produto tóxico ou indesejável, de forma a não causar danos ao meio ambiente;

 

X - Produtor de óleo lubrificante: formulador, ou envaziliador, ou importador de óleo lubrificante;

 

XI -Gerador de óleo lubrificante usado ou contaminado: pessoa física ou jurídica que, em decorrência de sua atividade, ou face ao uso de óleos lubrificantes gere qualquer quantidade de óleo lubrificante usado ou contaminado;

 

XII -Receptor de óleo lubrificante usado ou contaminado: pessoa jurídica que comercialize óleo lubrificante no varejo;

 

XIII-Coletor de óleo usado ou contaminado: pessoa jurídica, devidamente credenciada pelo Departamento Nacional de Combustíveis, que se dedica à coleta de óleos lubrificantes usados ou contaminados nos geradores ou receptores;

 

XIV - Rerrefinador de óleo lubrificante usado ou contaminado: pessoa jurídica, devidamente credenciada para a atividade de rerrefino pelo Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) e licenciamento pelo órgão estadual de meio ambiente;

 

Art. 2º Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado será, obrigatoriamente, recolhido e terá uma destinação adequada, de forma a não afetar negativamente o meio ambiente.

 

Art. 3º Ficam proibidos:

 

I - quaisquer descartes de óleo usados em solos, águas superficiais, subterrâneas, no mar territorial e em sistemas de esgoto ou evacuação de águas residuais;

 

II - qualquer forma de eliminação de óleos usados que provoque contaminação atmosférica superior ao nível estabelecido na legislação sobre proteção do ar atmosférico (PRONAR);

 

Art. 4º Ficam proibidos a industrialização e comercialização de novos óleos lubrificantes não recicláveis, nacionais ou importados.

 

§ 1º Casos excepcionais serão submetidos à aprovação do IBAMA, com base em laudos de laboratórios devidamente credenciados.

 

§ 2º No caso dos óleos não recicláveis, atualmente comercializados no mercado nacional, o IBAMA, no prazo de 90 (noventa) dias a contar da publicação desta Resolução, efetuará estudos e proposição para a sua substituição.

 

Art. 5º Fica proibida a disposição dos resíduos derivados no tratamento do óleo lubrificante usado ou contaminado no meio ambiente sem tratamento prévio, que assegure:

 

I - a eliminação das características tóxicas e poluentes do resíduo;

 

II - a preservação dos recursos naturais; e

 

III - o atendimento aos padrões de qualidade ambiental.

 

Art. 6º A implantação de novas indústrias destinadas à regeneração de óleos lubrificantes usados, assim como a ampliação das existentes, deverá ser baseada em tecnologias que minimizem a geração de resíduos a serem descartados no ar, água, solo ou sistemas de esgotos. Parágrafo único. As indústrias existentes terão o prazo de 120 (cento e vinte) dias para apresentar ao Órgão Estadual de Meio Ambiente um plano de adaptação de seu processo industrial, que assegure a redução e tratamento dos resíduos gerados.

 

Art. 7º Todo o óleo lubrificante usado deverá ser destinado à reciclagem.

 

§ 1º A reciclagem do óleo lubrificante usado ou contaminado regenerável deverá ser efetuada através do rerrefino.

 

§ 2º Qualquer outra utilização do óleo regenerável dependerá de aprovação do órgão ambiental competente.

 

§ 3º Nos casos onde não seja possível a reciclagem, o órgão ambiental competente poderá autorizar a sua combustão, para aproveitamento energético ou incineração, desde que observadas as seguintes condições:

 

I - o sistema de combustão/incineração esteja devidamente licenciado ou autorizado pelo órgão ambiental;

 

II - sejam atendidos os padrões de emissões estabelecidas na legislação ambiental vigente. Na falta de algum padrão, deverá ser adotada a NB 1266, "Incineração de resíduos sólidos perigosos - Padrões de desempenho";

 

III - a concentração de PCB's no óleo deverá atender aos limites estabelecidos na NBR 8371 - "Ascaréis para transformador e capacitores - Procedimento".

 

Art. 8º Das obrigações dos produtores:

 

I - divulgar, no prazo máximo de 12 meses, a partir da data de publicação desta Resolução, em todas as embalagens de óleos lubrificantes produzidos ou importados, bem como em informes técnicos a destinação imposta pela lei e a forma de retorno dos óleos lubrificantes usados contaminados, recicláveis ou não;

 

II - ser responsável pela destinação final dos óleos usados não regeneráveis, originárias de pessoas físicas, através de sistemas de tratamento aprovados pelo órgão ambiental competente;

 

III - submeter ao IBAMA para prévia aprovação, o sistema de tratamento e destinação final dos óleos lubrificantes usados, após o uso recomendado, quando da introdução no mercado de novos produtos, nacionais ou importados.

 

Art. 9º Obrigações dos geradores de óleos usados:

 

I - armazenar os óleos usados de forma segura, em lugar acessível à coleta, em recipientes adequados e resistentes a vazamentos;

 

II - adotar as medidas necessárias para evitar que o óleo lubrificante usado venha a ser contaminado por produtos químicos, combustíveis, solventes e outras substâncias, salvo as decorrentes da sua normal utilização;

 

III - destinar o óleo usado ou contaminado regenerável para a recepção, coleta, rerrefino ou a outro meio de reciclagem, devidamente autorizado pelo órgão ambiental competente;

 

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