Técnicas Florestais

Técnicas Florestais

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Universidade de Brasília Faculdade de Tecnologia Departamento de Engenharia FlorestalUnB

TÉCNICAS FLORESTAIS ISSN 1517-1922

ISSN 1517-1922

Universidade de Brasília Faculdade de Tecnologia Departamento de Engenharia Florestal

VARIÁVEIS DENDROMÉTRICAS
José Imaña Encinas
Gilson Fernandes da Silva
Iuri Ticchetti

Comunicações Técnicas Florestais v.4, n.1 Brasília, outubro de 2002

Presidente: Fernando Henrique Cardoso Vice-Presidente: Marco Antonio de Oliveira Maciel

Ministro: José Carlos Carvalho Secretário Executivo: Marcos Vinicius Caetano Pestana

Secretaria de Biodiversidade e Florestas Secretário: José Pedro de Oliveira Costa Diretor do Programa Nacional de Florestas: Raimundo Deusdará Filho

Gerente do Projeto de Uso Sustentável dos Recursos Florestais: Newton Jordão Zerbini

Gerente do Projeto de Reflorestamento e Recuperação de Áreas Degradadas: Hélio dos Santos Pereira

A série Comunicações Técnicas Florestais é uma publicação que visa divulgar trabalhos originais de pesquisa e de informação, de todas as áreas de Engenharia Florestal. A publicação deste fascículo foi patrocinada pela Diretoria do Programa Nacional de Florestas (DIFLOR) do Ministério do Meio Ambiente.

Os textos são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O Ministério do Meio Ambiente não se responsabiliza pelas opiniões emitidas pelos autores. O total ou parte do texto só poderá ser reproduzido com prévia comunicação escrita do Comitê Editorial desta série técnica.

Departamento de Engenharia FlorestalMinistério de Meio Ambiente
Universidade de BrasíliaPrograma Nacional de Florestas
Caixa Postal 04357Esplanada dos Ministérios

Comitê Editorial Comunicações Técnicas Florestais 70919-970 Brasília, DF 70068-900 Brasília, DF Fax: 061 347.0631Fax 061 317.7936

Projeto gráfico da capa: Ivanise Oliveira de Brito

Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da Universidade de Brasília

I31Variáveis dendrométricas / José Imaña Encinas

Imaña Encinas, José [et al.]. Brasília : Universidade de Brasília, Departamento de Engenharia Florestal, 2002. 102p. : il. (Comunicações técnicas florestais; v.4, n.1)

ISBN 85-87599-07-0

1. Dendrometria. 2. Engenharia florestal medição.

I. Silva, Gilson Fernandes da. I. Ticchetti, Iuri. II. Título. IV. Série

CDU 634.0.5

As árvores constituem recursos naturais renováveis fundamentais para o desenvolvimento de um país. Muitas civilizações e culturas foram medidas em função do conhecimento que detinham sobre as formações florestais. Nessa filosofia, o Programa Nacional de Florestas (PNF) assume entre suas diversas ações, a responsabilidade de nortear diretrizes básicas para a manutenção do equilíbrio ecológico do meio ambiente, contribuindo entre outros, em programas de desenvolvimento sustentável dos setores produtivos florestais.

A existência no País de vastos recursos florestais constitui sério desafio no que se refere a sua manutenção para as próximas gerações. Os indiscutíveis benefícios que acarretam o correto conhecimento dos componentes que integram as florestas permitirão o desenvolvimento coerente de planos de manejo florestal, atendendo assim a sustentabilidade do meio ambiente dos ecossistemas florestais brasileiros. Para que os planos de manejo possam adquirir a pertinente importância ecológica, econômica e estratégica, se faz necessário o adequado e detalhado conhecimento dos seus componentes. Assim, para atingir o pleno desenvolvimento do uso de recursos florestais, a dendrometria ocupa lugar de destaque, uma vez que o indivíduo árvore deve ser conhecido em toda a sua magnitude. Nesse sentido, o PNF se faz partícipe na contribução qu oferecerá ao setor florestal. A cuidadosa recompilação bibliográfica que apresenta o tratado, certamente estará contribuindo de modo significativo ao melhor conhecimento da mensuração florestal e em consequência, aos planos de manejo.

e a obra Variáveis Dendrométricas

Raimundo Deusdará Filho

Diretor do PNF Ministério do Meio Ambiente

Prefácio

Apresentação

No intuito de contribuir ao desenvolvimento do setor florestal e na intenção de apresentar avanços tecnológicos da mensuração florestal, é que foi elaborada a presente obra, orientada ao acompanhamento da oferta da disciplina de Dendrometria.

Esta obra foi concebida e elaborada quando o autor Prof. Dr.

José Imaña Encinas em 2001, ficou como Professor Visitante e bolsista da CAPES no Instituto de Silvicultura Tropical da Universidade de Göttingen, Alemanha.

De retorno à Universidade de Brasília, juntamente com o apoio do Professor Dr. Gilson Fernandes da Silva e do aluno do curso de Engenharia Florestal Iuri Ticchetti, a obra foi concluída e estruturada no seu atual formato.

Pretende-se publicar proximamente um segundo volume com assuntos complementares à presente obra. Nesse sentido os autores agradecem de antemão toda crítica e sugestão construtiva

Prefácio Apresentação

1.4Conceito de distâncias10
1.5Métodos para medir distâncias15
1.5.1Métodos diretos15

Tabela de Conteúdo página

4.3.2Tubo basimétrico de Panamá6

página página

1. DEFINIÇÃO DA DENDROMETRIA

A palavra dendrometria deriva dos vocábulos gregos "dendro" = árvore e "metrum" = medida. Consequentemente a dendrometria trata das medições ou variáveis de medida na árvore. Por muito tempo considerou-se sinônimos do termo dendrometria as expressões dasometria (dasos = floresta), silvimetria (silva = floresta) e mensuração florestal.

Mencionar a importância da dendrometria no setor florestal não requer muita explicação, já que deve ser conhecida por todo pessoal vinculado à ciência florestal. O engenheiro ou técnico florestal freqüentemente fará uso da dendrometria como ferramenta básica de trabalho, especialmente no que tange à captação de dados dendrométricos para os respectivos planos silviculturais, de manejo florestal, de exploração madeireira, e da própria política e economia florestal (Imaña-Encinas, 1998). Deve-se ainda considerar que a árvore, e em conseqüência a floresta, representam um capital que rende juros. Portanto faz-se necessário determinar e calcular esse capital e os juros correspondentes. No conceito moderno da engenharia florestal, o manejo sustentável dos recursos florestais se refere a manter “esse capital” (por exemplo, certo volume de madeira) e explorar somente “os juros” (aumento ou crescimento desse volume de madeira).

A dendrometria surgiu quando o homem sentiu a necessidade de estimar ou determinar quantitativamente o que possuía em termos de recursos florestais, possivelmente no século 13. Hoje, nos países em desenvolvimento, a dendrometria procura adequar sua importância contribuindo fundamentalmente ao conhecimento e avaliação das florestas e seus recursos, na exploração racional e do próprio desenvolvimento do setor.

Considerando a existência de: a) Florestas de Produção, que têm por objetivo suprir os mercados com matéria prima florestal; no princípio da produção sustentada das florestas, b) Florestas de Proteção que têm como função proteger a fauna, flora, solo e água mantendo o equilíbrio ecológico do local; e c) Florestas de Recreação que oferecem ambientes de lazer, onde as árvores serão abatidas em forma seletiva; o técnico florestal deve estar ciente e familiarizado com as mudanças que poderão ocorrer nestas florestas. Nesse sentido a prática da dendrometria torna-se imprescindível em qualquer tipo de floresta.

O conceito da medição florestal consiste em assinalar dentro da floresta, árvore ou parte dela, números à propriedades diretamente ponderáveis como objetos físicos ou eventos. Prodan et al. (1997) definem a mensuração florestal como a ciência que se ocupa da medição de florestas e seus produtos com a aplicação dos princípios básicos da matemática, estatística, geometria e física. Consequentemente a dendrometria também poderá ser definida como a matemática de medição quantitativa e qualitativa da árvore e seus produtos. Ferreira de Souza (1973) descreve a dendrometria como a determinação da massa lenhosa e das leis de crescimento, numa árvore e num grupo de árvores ou maciços florestais.

Para fins didáticos a mensuração florestal pode-se classificar em três áreas principais de atuação: a dendrometria, que considera a árvore como objeto de medição; a dasometria ou inventário florestal, que lida com os povoamentos florestais; e a epidometria, que trata das relações das variáveis dendrométricas com a idade da árvore, basicamente do estudo das taxas de crescimento das árvores e dos povoamentos.

A dasometria como doutrina, começa por ocupar-se da árvore como indivíduo e passa logo à coletividade ou massa/maciço florestal como objeto mensurável. Mackay (1964) indica que a dasometria ensina os fundamentos e técnicas operativas das produções florestais, e trata basicamente das medições da coletividade florestal (povoamentos).

Concluindo, a dendrometria como parte da ciência da mensuração florestal trata então fundamentalmente com a determinação ou estimação das variáveis dendrométricas (diâmetros, alturas, forma da árvore etc.) em árvores em pé ou abatidas, de seus produtos (como tábuas, lenha etc.), e da determinação das taxas de crescimento. Mede então, a árvore como um todo ou as suas partes diferenciáveis no aspecto tecnológico.

Considerando as peculiaridades expostas, define-se a dendrometria como o ramo da ciência florestal que trata da determinação e/ou estimação das dimensões das árvores, povoamentos e florestas, de seu crescimento e seus produtos.

Num povoamento florestal estar-se-á referindo a estimativas feitas a partir de determinações ou estimações em pequenas parcelas. A determinação das variáveis mensuráveis apoia-se em métodos diretos, empregando o sistema de medidas correspondente. A estimação baseia-se em medições indiretas ou processos estatísticos.

1.1 Objeto das Medições

A dendrometria surge portanto para atender várias finalidades florestais, desde a inquietação de conhecer como a madeira poderá ser medida até a necessidade de interpretar com exatidão quando e o quanto uma floresta estará produzindo de um determinado produto. Portanto, nas medições dendrométricas, existirão objetivos comerciais, de ordenamento e de pesquisa (Silva e Paula Neto, 1979).

Considerando a árvore e a floresta como "capital florestal", existirá a necessidade premente de interpretar os juros em termos dendrométricos. Assim, faz-se também necessário medir e interpretar corretamente os produtos primários e secundários da árvore e da floresta.

1.2 Unidades de Medida

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