Manual de Normas de Vacinação

Manual de Normas de Vacinação

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Manual de

Normas de Vacinaçªo

Manual de

Normas de Vacinaçªo

Manual de Normas de Vacinaçªo

Brasília, junho de 2001

' 2001. MinistØrio da Saœde. Fundaçªo Nacional de Saœde. 3“ Ediçªo É permitida a reproduçªo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Editor: Assessoria de Comunicaçªo e Educaçªo em Saœde - Ascom Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 5” Andar Sala 517 CEP: 70.070-040 Brasília/DF

Distribuiçªo e Informaçªo Coordenaçªo Geral do Programa Nacional de Imunizaçıes. Centro Nacional de Epidemiologia. Fundaçªo Nacional de Saœde/MS SAS - Setor de Autarquias Sul, Quadra 04, Bl. N, 5” Andar, Sala 510/512 Telefone: (061) 226.7738/314.6414 - FAX (061) 322-1548 CEP: 70.070-040 - Brasília - DF

Tiragem: 30.0 exemplares. Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Manual de Normas de Vacinaçªo. 3.ed. Brasília: MinistØrio da Saœde: Fundaçªo Nacional de Saœde; 2001 72p.

1. Imunizaçªo. I. Brasil. Fundaçªo Nacional de Saœde. I. Brasil. MinistØrio da Saœde.

Apresentaçªo

A primeira edição do Manual de Vacinação, publicada em 1984, abrangia os aspectos técnicos e operacionais relacionados a essa atividade.

Em sua segunda edição, publicada em 1993, o Programa Nacional de Imunizações optou por incluir no seu conteúdo, tão-somente aspectos técnico-científicos que fundamentassem a administração de vacinas e outros imunobiológicos que integram o Programa.

Hoje, em sua terceira edição, o Manual de Normas de Vacinação permanece optando pelo conteúdo técnico-científico, mantendo a orientação de que as questões relacionadas à operacionalização deverão ser atendidas através do Manual de Procedimentos para Vacinação.

Neste Manual encontraremos as orientações relativas à vacinação da população indígena, produto de profundas discussões com todos os segmentos da sociedade envolvidos com a questão.

O Comitê Técnico Assessor em Imunizações, criado pela Portaria nº 547/GM, de 14 de maio de 1992, que vem ao longo dos anos recebendo renovações em sua composição, através de instituições, coordenou o processo de revisão, que contou com a participação da equipe do Programa Nacional de Imunizações, de Representantes de Comitês de Experts de outras áreas do Ministério.

Esperamos que este Manual cumpra o seu destino que é o de atender aos profissionais de saúde que trabalham diretamente com imunizações nas diversas instâncias do Sistema de Saúde.

SumÆrio

1. Vacinaçªo: Conceitos bÆsicos 1.1. Fundamentos imunológicos 1.1.1. Fatores próprios das vacinas

1.1.2. Fatores inerentes ao organismo que recebe a vacina: mecanismos bÆsicos da resposta imune

1.1.2.1. Mecanismos inespecíficos 1.1.2.2. Mecanismos específicos 1.1.2.2.1. Imunidade celular 1.1.2.2.2. Imunidade humoral 1.1.2.2.3. Os complexos de histocompatibilidade e seu papel na imunidade 1.1.2.2.4. Antígenos T-dependentes e T-independentes 1.1.2.3.Integraçªo de mecanismos de imunidade específica e inespecífica 1.2. Agentes imunizantes 1.2.1. Natureza 1.2.2. Composiçªo 1.2.3. Origem 1.2.4.Controle de qualidade 1.2.5. Conservaçªo 1.2.6.Vias de administraçªo 1.3. Pessoa a ser vacinada 1.3.1. Contra-indicaçıes 1.3.1.1. Contra-indicaçıes gerais 1.3.1.2. Contra-indicaçıes específicas 1.3.1.3.Adiamento de vacinaçªo 1.3.2. Falsas contra-indicaçıes 1.4. Associaçªo de vacinas 1.5. Situaçıes especiais 1.5.1.Surtos ou epidemias 1.5.2.Campanha de vacinaçªo 1.5.3.Vacinaçªo de escolares 1.5.4.Vacinaçªo de gestantes 1.5.5.Infecçªo pelo vírus da imunodeficiŒncia humana (VIH) Aids 1.6. Eventos adversos após as vacinaçıes 2. CalendÆrio de vacinaçªo do MinistØrio da Saœde - ano 2000 2.1. CalendÆrio bÆsico de vacinaçıes de rotina 2.2. Vacinaçªo de rotina da gestante 2.3. Vacinaçªo de populaçıes indígenas 2.3.1. Vacina oral contra poliomielite (VOP) 2.3.2. Vacina tríplice DTP contra difteria, tØtano e coqueluche. 2.3.3. Vacina contra Haemophilus influenzae do tipo b. 2.3.4. Vacina contra hepatite B. 2.3.5. Vacina contra difteria e tØtano (dT - dupla bacteriana tipo adulto) 2.3.6. Vacina contra sarampo 2.3.7. Vacina tríplice viral contra sarampo, rubØola e caxumba 2.3.8. Vacina contra rubØola e sarampo (dupla viral) 2.3.9. Vacina contra rubØola

2.3.10. Vacina contra tuberculose 2.3.1. Vacina contra febre amarela 2.3.12. Vacina contra gripe (influenza) 2.3.13. Vacina contra pneumococo (antipneumocócica) 2.3.14. Vacina contra varicela (catapora) 2.4. Eventos adversos pós-vacinaçªo 3. Vacina contra tuberculose (BCG) 3.1. Composiçªo e apresentaçªo 3.2. Idade de aplicaçªo 3.2. Indicaçªo 3.3. Via de administraçªo 3.4. Esquema 3.5. Eventos adversos mais comuns 3.6. Contra-indicaçıes 3.7. Conservaçªo e validade 3.8. Vacinaçªo e/ou revacinaçªo de grupos especiais 3.9. Vacinaçªo de comunicantes de hanseníase 4. Vacina contra hepatite b 4.1. Introduçªo 4.2. Composiçªo e apresentaçªo 4.3. Idade de aplicaçªo 4.4. Via de administraçªo 4.5. Esquema 4.6. Eventos adversos mais comuns 4.7. Contra-indicaçıes 4.8. Conservaçªo e validade 5. Vacina oral contra poliomielite (VOP) 5.1. Composiçªo e apresentaçªo 5.2. Idade de aplicaçªo 5.3. Via de administraçªo 5.4. Esquema 5.5. Eventos adversos 5.6. Contra-indicaçıes 5.7. Conservaçªo e validade 5.8. AdvertŒncias 6. Vacina contra difteria, tØtano e coqueluche (Vacina tríplice DTP - Tríplice bacteriana) 6.1. Composiçªo e apresentaçªo 6.2. Idade de aplicaçªo 6.3. Via de administraçªo 6.4. Esquema 6.5. Eventos adversos 6.6. Contra-indicaçıes 6.7. Precauçıes 6.8. Conservaçªo e validade 7. Vacina contra difteria e tØtano (Vacina dupla bacteriana) 7.1. Composiçªo e apresentaçªo 7.2. Idade de aplicaçªo 7.3. Via de administraçªo 7.4. Esquema

7.5. Vacinaçªo da Gestante

Gestante nªo-vacinada Gestante vacinada 7.6. Eventos adversos mais comuns 7.7. Contra-indicaçıes 7.8. Precauçªo 7.9. Conservaçªo e validade 8. Vacina contra tØtano 8.1. Composiçªo e apresentaçªo 8.2. Idade de aplicaçªo 8.3. Via de administraçªo 8.4. Esquema 8.5. Imunizaçªo contra tØtano em caso de ferimento 8.6. Eventos adversos mais comuns 8.7. Contra-indicaçıes 8.8. Conservaçªo e validade

Adendo 1 - Cuidados adicionais na profilaxia do tØtano Adendo 2 - Teste de sensibilidade ao SAT Adendo 3 - Aplicaçªo do SAT pelo mØtodo de dessensibilizaçªo 9. Vacina contra Haemophilus Influenzaedo tipo b 9.1. Composiçªo e apresentaçªo 9.2. Idade de aplicaçªo 9.3. Via de administraçªo 9.4. Esquema 9.5. Eventos adversos mais comuns 9.6. Contra-indicaçıes 9.7. Conservaçªo e validade 10. Vacina contra sarampo 10.1. Composiçªo e apresentaçªo 10.2. Idade de aplicaçªo 10.3. Via de administraçªo 10.4. Esquema 10.5. Eventos adversos mais comuns 10.6. Contra-indicaçıes 10.7. Conservaçªo e validade 1. Vacina contra sarampo, caxumba e rubØola (vaciana tríplice viral) 1.1. Composiçªo e apresentaçªo 1.2. Idade de aplicaçªo 1.3. Via de administraçªo 1.4. Esquema 1.5. Eventos adversos mais comuns 1.6. Contra-indicaçıes 1.7. Conservaçªo e validade 12. Vacina contra sarampo e rubØola (Vacina dupla viral) 12.1. Composiçªo e apresentaçªo 12.2. Idade de aplicaçªo 12.3. Via de administraçªo 12.4. Esquema 12.5. Eventos adversos mais comuns

12.6. Contra-indicaçıes 12.7. Conservaçªo e validade 13. Vacina contra rubØola 13.1. Composiçªo e apresentaçªo 13.2. Idade de aplicaçªo 13.3. Indicaçıes 13.4. Via de administraçªo 13.5. Esquema 13.6. Eventos adversos mais comuns 13.7. Contra-indicaçıes 13.8. Conservaçªo e validade 14. Vacina contra febre amarela 14.1. Composiçªo e apresentaçªo 14.2. Idade de aplicaçªo 14.3. Via de administraçªo 14.4. Esquema 14.5. Eventos adversos mais comuns 14.6. Contra-indicaçıes 14.7. Conservaçªo e validade 15. Vacina contra influenza (Gripe) 15.1. Consideraçıes gerais 15.2. Composiçªo e apresentaçªo 15.3. Idade de aplicaçªo 15.4. Via de administraçªo 15.5. Esquema 15.6. Eventos adversos mais comuns 15.7. Indicaçıes 15.8. Contra-indicaçıes 15.9. Conservaçªo e validade 16. Vacina e soro contra raiva 16.1. Composiçªo e apresentaçªo 16.2. Idade de aplicaçªo 16.3. Via de administraçªo 16.4. Esquema 16.5. Eventos adversos 16.6. Contra-indicaçıes 16.7. Conservaçªo e validade Profilaxia da raiva humana 16.8.Profilaxia preexposiçªo 16.9.Profilaxia pós-exposiçªo 16.10. Reexposiçªo 16.10.1. Profilaxia preexposiçªo incompleta 16.10.2. Profilaxia preexposiçªo completa 16.10.3. Profilaxia pós-exposiçªo completa 17. Vacinas contra meningococos dos sorogrupos A e C 17.1. Composiçªo e apresentaçªo 17.2. Idade de aplicaçªo 17.3. Via de administraçªo 17.4. Esquema

17.5. Indicaçıes 17.6. Eventos adversos mais comuns 17.7. Contra-indicaçıes 17.8. Conservaçªo e validade 18. Vacina contra meningocóco do sorogrupo b (Vacina bivalente B/C) 18.1. Composiçªo e apresentaçªo 18.2. Idade de aplicaçªo 18.3. Via de administraçªo 18.4. Esquema 18.5. Indicaçıes 18.6. Eventos adversos 18.7. Contra-indicaçıes 18.8. Conservaçªo e validade 19. Vacinas contra febre tifóide 19.1. Introduçªo 19.2. Composiçªo e apresentaçªo 19.3. Idade de aplicaçªo 19.4. Via de administraçªo 19.5. Esquema 19.6. Indicaçıes 19.7. Eventos adversos mais comuns 19.8. Contra-indicaçıes 19.9. Conservaçªo e validade 20. Bibliografia

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1. Vacinaçªo: conceitos bÆsicos

1.1. Fundamentos imunológicos

O processo imunológico pelo qual se desenvolve a proteção conferida pelas vacinas compreende o conjunto de mecanismos através dos quais o organismo humano reconhece uma substância como estranha, para, em seguida, metabolizá-la, neutralizá-la e/ou eliminá-la. A resposta imune* do organismo às vacinas depende basicamente de dois tipos de fatores: os inerentes às vacinas e os relacionados com o próprio organismo.

1.1.1. Fatores próprios das vacinas

Os mecanismos de ação das vacinas são diferentes, variando segundo seus componentes antigênicos, que se apresentam sob a forma de:

-suspensão de bactérias vivas atenuadas (BCG, por exemplo);

-suspensão de bactérias mortas ou avirulentas (vacinas contra a coqueluche e a febre tifóide, por exemplo);

-componentes das bactérias (polissacarídeos da cápsula dos meningococos dos grupos A e C, por exemplo);

-toxinas obtidas em cultura de bactérias, submetidas a modificações químicas ou pelo calor (toxóides diftérico e tetânico, por exemplo);

-vírus vivos atenuados (vacina oral contra a poliomielite e vacinas contra o sarampo e a febre amarela, por exemplo);

-vírus inativados (vacina contra a raiva, por exemplo);

-frações de vírus (vacina contra a hepatite B, constituída pelo antígeno de superfície do vírus, por exemplo).

1.1.2. Fatores inerentes ao organismo que recebe a vacina: mecanismos bÆsicos da resposta imune

Vários fatores inerentes ao organismo que recebe a vacina podem interferir no processo de imunização, isto é, na capacidade desse organismo responder adequadamente à vacina que se administra:

- idade;

-doença de base ou intercorrente;

- tratamento imunodepressor. Há dois mecanismos básicos de resposta imune: os inespecíficos e os específicos.

*Imunidade significa proteção; todos os seres humanos normais são dotados de mecanismos antiinfecciosos inespecíficos, que os protegem parcialmente contra as infecções e doenças. A imunidade específica adquirida ativamente exige estímulo prévio para se desenvolver, podendo resultar de infecção subclínica ou de doença de que o indivíduo se curou, ou de estímulos provocados por antígenos específicos (substâncias próprias dos agentes infecciosos), que o organismo acometido reconhece como substâncias estranhas. A resposta imune-específica provocada por antígenos tem geralmente como resultado a proteção duradoura contra o agente ou a substância em que estão presentes os antígenos pelos quais o organismo foi estimulado anteriormente. A imunidade passivamente adquirida é conferida ao recém-nascido por anticorpos que atravessaram a placenta durante a vida intra-uterina, por anticorpos presentes no leite materno e no colostro e pelos anticorpos contidos nas imunoglobulinas heterólogas (soros) e nas imunoglobulinas humanas administradas profilática ou terapeuticamente em determinadas situações clínicas.

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1.1.2.1. Mecanismos inespecíficos

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