TERESINA MARÇO DE 2010

A gravidez ectópica é caracterizada pela implantação do ovo fora da cavidade uterina; pode ocorrer nas trompas, na cavidade abdominal, dentro de um dos ovários, nos ligamentos uterinos.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a gravidez ectópica continua sendo uma causa importante de mortalidade materna, sendo também responsável pelo número considerável de casos de infertilidade e de recidiva ectópica.

Em relação à idade, a incidência de gravidez ectópica torna-se maior quanto mais avançada é a idade da paciente.

As maiores conseqüências da gravidez ectópica são a destruição da anatomia da tuba uterina e alteração no transporte tubário.Há o risco de GE em casos de ovulação prematura e óvulos imaturos,ou então ovulação tardia e óvulos pósmaduros,com tendência a implantação antes da cavidade uterina.

Outro mecanismo que influencia a implantação extra-uterina são os hormônios, níveis suprafisiológicos de estrógeno ou progesterona podem imobilizar os cílios e a musculatura tubária lisa, alterando o tempo preciso de retenção do ovo e seu desprendimento em direção ao istmo para iniciar a sua migração.Independente do mecanismo, ocorre a nidação em local extra-uterino, o trofoblasto prolifera normalmente e rapidamente invadindo os espaços subepiteliais. A secreção de hCG e progesterona é semelhante à uma gravidez normal e a paciente é assintomática. Quando o trofoblasto começa a invadir as arteríolas submucosas, ocorre a formação de hematoma, distendendo a serosa tubária provocando dor pélvica. A produção de hCG e progesterona começa a falhar, há pouco suporte lúteo e a paciente apresenta sangramento uterino anormal. O processo não gera um feto identificável e caminha para uma resolução em até oito semanas.

Alguns fatores são essenciais para o aparecimento da tais como:

Promiscuidade sexual; doença inflamatória pélvica; endometriose; operações anteriores; malformações tubárias; DIU; fertilização in vitro.

A gravidez ectópica pode ser primitiva ou secundária.

Gravidez ectópica primitiva é quando a nidação se faz e prossegue em zona única do aparelho genital.

Gravidez ectópica secundária é quando o ovo após implantar-se em local, ele se desprende e vem continuar o seu desenvolvimento em outro sítio.

As principais formas anátomo-patológicas da gravidez ectópica são:

1. Gravidez Tubária:

Representa 9% das gestações ectópicas. Os locais de implantação podem variar nos diversos segmentos tubários: Infundibular; intersticial; istmica e ampolar. 2. Gravidez Abdominal:

O ovo se implanta em qualquer ponto do abdome e nos diferentes órgãos que o peritôneo reveste. A gravidez abdominal ao desenvolver-se pode culminar em: Morte ovular precoce com reabsorção; Crescimento e maturação do concepto até fase avançada de gestação. Quando o feto alcança vivo, o termo, com elevada incidência de malformações ou a morte vindo a configurar o que se chama retenção, ainda possíveis as hemorragias viscerais e a oclusão intestinal.

3. Gravidez Ovariana:

Manifesta-se com sintomas de ínicio súbito,com possibilidade de choque.

Pode ocorrer : A rotura com reabsorção ovular; rotura envolvendo para o tipo secundário; evolução in situ até época avançada podendo chegar a termo, o que é inusitado.

4. Gravidez Intraligamentar:

É a nidação entre os folhetos do ligamento largo, retroperitoneal. A patogenia foi explicada como sendo a nidação secundária do zigoto, originalmente implantado em outro local,como os ovários, trompas ou peritôneo. A expulsão do ovo aninhado na trompa para a borda mesossalpinge deve ocorrer na maioria das vezes. Não se sabe como o zigoto sobrevive neste lapso que medeia a primeira e a segunda gestação, nem como o embrião recebe nutrientes. A evolução caminha para a morte do concepto, formação de hematoma, litopédio.

Os sitomas variam de acordo com o tipo de gestação ectópica(integra ou rota):

O sintoma de maior interesse é a dor do tipo cólica persistente, quase sempre unilateral,localizado no baixo ventre.

É observada em casos de abdômen agudo hemorrágico(Dor abdominal difusa,hipotensão, anemia, choque, dor reflexa na região escapular)

O diagnóstico de gravidez ectópica pode ser obtido pelo histórico da paciente, exame físico e exames complementares.

Na forma aguda o tratamento é a cirurgia,com possível excerese da trompa afetada; se o quadro é estável, o tratamento conservador com Methotrexate(MTX),por via vaginal ou por injeção intramuscular.

Quando a placenta está implantada no peritôneo posterior,mesentério,em zona muito vascularizada ,na bexiga ,não deve ser retirada.

Pacientes submetidas à cirurgia tradicional para gravidez ectópica têm gestações subseqüentes com feto vital. Na gravidez abdominal a mortalidade perinatal e materna varia, cerca de 1/3 dos fetos cuja vitalidade é possível são malformados.

Aluna: Rita de Cássia N Lages

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