Síntese do salicilato de metila

Síntese do salicilato de metila

1. INTRODUÇÃO

1.1.HISTÓRIA

Segundo Thomas Karl (2009) “Diferentemente das pessoas, a quem se prescreve aspirina como um antitérmico, as plantas têm a capacidade de produzir sua própria mistura de substâncias químicas análogas à aspirina,  disparando a formação de proteínas que aumentam suas defesas bioquímicas e reduzem os danos", diz o cientista do NCAR Thomas Karl, que liderou o estudo. "Nossas medições mostraram significativas quantidades da substância química que pode ser detectada na atmosfera quando as plantas respondem a secas, temperaturas extremas ou outros fatores causadores de estresse".

Há anos que os cientistas sabem que as plantas no laboratório podem produzir salicilato de metila, que é uma variante química do ácido acetilsalisílico ou aspirina. Mas os pesquisadores nunca tinham detctado antes o salicilato de metila em um ecossistema, ou verificado que as plantas emitem essa substância química em quantidades significativas na atmosera.

1.2 Uma descoberta inesperda

Segundo (scienceblogs) (2009) os pesquisadores não pensavam que poderiam encontrar salicilato de metila em uma floresta e a equipe do NCAR descobriu a substância por acidente. Eles dispuseram instrumentos especializados em um bosque de nogueiras próximo de Davis, Califórnia, para monitorar as emissões das plantas de certos compostos orgânicos voláteis (volatile organic compounds = VOCs). Estes compostos hidrocarbônicos são  importantes porque eles podem se combinar com emissões industriais, afetando a poluição atmosférica e também podem influenciar o clima local.

Quando os cientistas do NCAR revisaram suas medições, para sua surpresa descobriram que as emissões dos VOCs incluíam salicilato de metila. Os níveis das emissões de salicilato de metila aumentavam muito quando as plantas, que já estavam estressadas por uma seca local, passaram por um frio extremo durante as noites, seguidas de altas pronunciadas na temperatura diurna. Os instrumentos montados em torres a cerca de 30 metros acima do chão mediram cerca de até 0,025 miligramas de salicilato de metila emitidos por uma área de um pé quadrado de floresta a cada hora

O salicilato de metila também pode ser um mecanismo através do qual uma planta estressada se comunica com as plantas vizinhas, alertando-as para a ameaça. Os pesquisadores demonstrarm em laboratório que uma planta pode aumentar suas defesas se estiver ligada, de alguma maneira, a outra planta que esteja emitindo essa substância. Agora que a equipe do NCAR demonstrou que o salicilato de metila pode se acumular na atmosfera acima de uma floresta estressada, os cientistas especulam que as plantas podem usar a substância para ativar um sistema imunológico por todo um ecossistema.

Salicilato de Metila

É um composto orgânico de fórmula molecular C8H8O3, éster, solúvel em álcool e ácido acético glacial, pouco solúvel em água, presente em folhas de gaultéria, Gaultheria procumbens e outras espécies, pode ser obtido pela via sintética por meio da reação de esterificação do ácido salicílico e metanol.

1.3 PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

Segundo (Damedpel) (2009) O Salicilato de metila é um analgésico tópico obtido das folhas de Gautheria Procumbens e da casca da Bétula lenta, ou ainda obtido por síntese. Aplicado na pele, tem ação irritante e rubefaciente, além das ações analgésicas e antiinflamatórias característica dos salicilatos. É amplamente utilizado no alívio de dores musculares, dores reumáticas, mialgia, nevralgia e torcicolo.

1.3.1 APLICAÇÕES:

  • Óleos de massagem

  • Pomadas analgésicas

  • Géis e Sprays para contusões e dores musculares.

1.3.2 CONCENTRAÇÃO USUAL:

  • 3 A 25% como analgésico tópico

  • 0,05% como flavorizante em enxaguatórios bucais

1.4. REAÇÕES DE ESTERIFICAÇÃO

De acordo com GRAHAM SOLOMONS (2006), “os ácido carboxílicos reagem com alcoóis para formar ésteres através de uma reação de condensação conhecida como esterificação”.

A ausência de ácidos fortes faz esta reação ocorrer lentamente, mas se refluxados com pequenas quantidades de ácido sulfúrico ou ácido clorídrico concentrado a velocidade desta reação pode aumentar, ou seja, a reação ocorrerá mais rápido. Os ésteres têm odores prazerosos, alguns até lembram cheiro de frutas, como o acetato de isopentila que tem cheiro de banana, esses ésteres são usados na fabricação de sabores artificiais, outros são usados na fabricação de fragrâncias. GRAHAM SOLOMONS (2006).

2. RESULTADOS E DISCUSSÕES:

2.1 Execução do experimento:

Iniciou-se esse experimento misturando 5,035 g de ácido salicílico com 15 mL de metanol em um balão de 125 mL, agitou-se a solução até que o sólido se dissolvesse totalmente e em seguida adicionou-se lentamente 5 mL de ácido sulfúrico concentrado, houve formação de precipitado que se dissolveu durante o refluxo que foi praticado com o intuito de não se perder reagentes durante o aquecimento brando em temperatura de 115°C por 45 minutos.

Resfriou-se a mistura por alguns minutos. Usando um funil de separação com 15 mL de água destilada e a solução extraiu-se a solução aquosa com diclometano, sendo esse procedimento executado em 2 x de 15 mL de diclometano, as demais fases orgânicas foram extraídas com 25 mL de solução aquosa de bicarbonato de sódio 5% em seguida lavou-se a fase orgânica com 15 mL de água, coletou-se a fase orgânica em um frasco contendo sulfato de sódio anidro e deixou-se em repouso tampado com vidro de relógio por 10 minutos.

Filtrou-se a solução e evaporou-se o solvente em banho-maria (40-50°C) para se obter o produto puro.

2.2 CROMATOGRAFIA

Aplicou-se a técnica da CCD para verificar a pureza do produto obtido, e através da CCD verificamos que além do Salicilato de metila também tinha vestígios do ácido salicílico, pois o ácido ficou retido na placa cromatográfica porque é mais polar que o salicilato de metila que foi arrastado pelo solvente diclorometano, por isso não foi possível fazer o calculo do rendimento, pois daria mais de 100%.

2.2 Mecanismos da reação:

Nesse mecanismo o par de elétrons do oxigênio carboxílico ataca o H do meio ácido onde está acontecendo a reação, deixando o oxigênio protonado, nesse momento a dupla se desfaz quando o nucleófilo ataca o carbono carbonílico, liberando pares de elétrons para o oxigênio. E o par de elétrons do oxigênio do álcool ataca o carbono carbonílico, formando um intermediário tetraédrico. Em seguida o grupo hidroxila do ácido ataca o Hda molécula do metanol fazendo uma transferência de prótons intramolecular, isso porque é mais fácil atacar esse H do que pegar do meio reacional. Nesse momento há formação de água que sai da molécula porque é um bom grupo abandonador. O par de elétrons dessa molécula de água ataca o hidrogênio do grupo hidroxila ligado ao carbono carbonílico desfazendo-se a ligação e liberando um par de elétrons para o oxigênio. Esse par de elétrons volta a se ligar com o carbono carbonílico formando uma dupla ligação novamente formando o Salicilato de metila e liberando água para o meio reacional onde ácido e água ficam em equilíbrio.

3.CONCLUSÃO:

Comparando a reação da síntese do AAS com a síntese do salicilato de metila, vemos que a diferença está nos reagentes e produtos, onde o ácido salicílico reage com anidrido acético, formando como produto da reação o ácido acetilsalicílico (AAS) e um ácido carboxílico (Ácido etanóico) e seu processo de purificação é feito por recristalização, enquanto que na obtenção do salicilato de metila, a reação acontece entre o ácido salicílico e um álcool (metanol), formando como produto o salicilato de metila (óleo de wintergreen) e água, e seu processo de purificação consiste na separação e evaporação do solvente em banho-maria com formação de um óleo. As duas reações são de esterificação, pois os produtos obtidos são ésteres.

3) REFERENCIA BIBLIOGRAFICA

GRAHAM SOLOMONS, T. W., FRYHLE, C. B., Química Orgânica, vol. 2, 8º edição. Rio de Janeiro, LTC, 2006;

Scienceblogs disponível em (http://scienceblogs.com.br/chivononpo/2008/09/uma-aspirina-realmente-verde.php) - Acessado em 2009

Damedpel disponível em (www.damedpel.com/.../FARMACOLOGIA%20.../3oANO.FARMACO%2012.%20AINES%2013.06.07.ppt - Similares) – Acessado em 2009

Comentários