Manual de Fitopatologia II

Manual de Fitopatologia II

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Sintomas - Em canteiros de mudas, a doença manifesta-se sob a forma de tombamento (“damping-off”), mela ou estiolamento. Mesmo antes da emergência, as modinhas podem apodrecer, ficando recobertas por uma massa rosada de esporos do longo.

No campo, onde a doença caracteristicamente distribui-se em reboleiras, os sintomas mais comuns são enrolamento, curvatura e amarelecimento de folhas. Ocorre alongamento e rigidez na região do pescoço das plantas, onde pode-se verificar grande abundância de pontuações pretas, constituídas de acérvulos do patógeno. Nas folhas, aparecem lesões alongadas, deprimidas, de coloração parda, dentro das quais também se formam numerosos acérvulos. normalmente distribuídos em círculos concêntricos. Estas lesões podem crescer e coalescer, provocando a morte das folhas, que caem e deixam o talo nu, resultando na produção de bulbos pequenos e que apodrecem rapidamente durante o armazenamento. A partir dos acérvulos, em condições de muita umidade, são liberadas massas gelatinosas de coloração rosada ou alaranjada, que contem os esporos do fungo.

Etiologia - Em 1961, o agente causal desta doença foi identificado como sendo Colletotrichum chardonianum Nolla que, segundo Arx é sinônima de Colletotrichum gloeosporioides. Em 1979, após ter-se demonstrado na ESALQ, Piracicaba, que o fungo que infectava cebola tinha especificidade de hospedeiro, ou sendo o mesmo que ocorre em outras culturas, foi sugerido o nome Colletotrichum gloeosporioides (sensu Arx. 1957) f. sp. cepae para se referir aos isolados patogênicos à cebola. Esta tem sido a denominação aceita em nosso país até os dias atuais. Em outros países onde ocorre, a causando apenas como causando doença denominada “twister’’, fungo é classificado C. gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc., sem referência à forma especial. mas sim a fase sexuada Glomerella cingulata.

C. gloeosporioides f. sp. cepae é um fungo Deuteromiceto que produz acérvulos sobre uma base estomática subcuticular que, na maturidade, rompem a cutícula pela formação de conidióforos e setas, expondo as frutificações. Os conídios são hialinos, unicelulares, cilíndricos com as listras obtusas e asseptados. Seu formato elipsoidal distingue-os nitidamente dos de C. dematium f.sp. circinans, agente causal da antracnose da cebola branca.

O fungo sobrevive no solo, em restos de culturas e nas sementes. A disseminação a longas distâncias, de um campo para outro, dá-se principalmente através de sementes, bulbinhos e mudas contaminadas. Dentro de um mesmo campo, de uma planta para outra, os conídios são disseminados principalmente pelos respingos de água de chuva ou de irrigação, que conseguem dissolver a massa mucilaginosa que os envolve. Os conídios que são depositados sobre tecido hospedeiro, em condições de alta umidade e temperaturas entre 23-300C, germinam formando tubo germinativo, apressório e então penetram diretamente o tecido através da cutícula. Através de inoculações artificiais, verificou-se que, além da cebola, este fungo pode infectar outras espécies do gênero Allium, como A. cepae var. aggregatum, A. fistulosum e Allium porrum.

Controle - O controledesta doença nas nossas condições é baseado principalmente na aplicação de fungicidas, destacando-se aqueles à base de benomyl e tiofanato metílico. Com relação à utilização de materiais resistentes, vários testes têm sido feitos para identificar esta característica em diferentes populações. Para cebolas de ciclo de dias curtos, verificou-se que o cultivar Barreiro é uma boa fonte de resistência, e alguns de seus híbridos com Baia Periforme, como Pira Ouro, Pira Lopes e Pira Tropical apresentam algum nível de resistência. Variação no índice de resistência de diferentes materiais também parece ocorrer em populações de cebolas de ciclos de dias longos. Não há, entretanto, nenhuma variedade comercial totalmente resistente ao patógeno.

MÍLDIO - Peronospora destructor (Berk.) Casp.

Esta doença é cosmopolita, embora tenha sua importância variável com as condições de clima de cada região. No Brasil, tem maior importância nas áreas produtoras de cebola do sul do país. No Estado de São Paulo é de ocorrência restrita a certas áreas e épocas do ano, quando ocorrem condições muito favoráveis ao seu desenvolvimento.

Sintomas - Folhas e hastes florais são afetadas pelo patógeno. Nas folhas, a doença caracteriza-se por lesões grandes (3-30 cm de comprimento), alongadas no sentido das nervuras, geralmente apresentando zonas concêntricas de tecido clorótica e de várias tonalidades de verde, com centro necrótico, muitas vezes recobertas por eflorescência de coloração violeta, especialmente em períodos de maior umidade. As folhas afetadas tornam-se gradualmente amarelecidas, podendo dobrar-se e morrer. E muito comum ocorrer a invasão dos tecidos afetados por outros fungos, como Alternaria, que esporulam abundantemente sobre as lesões, mascarando os sintomas de míldio e dificultando sua diagnose.

Nas hastes florais, as lesões são muito semelhantes às das folhas, freqüentemente afetando apenas um lado da haste. Pode ocorrer quebra da haste floral, que não sustenta o peso da inflorescência, com conseqüências muito semelhantes às descritas para mancha púrpura. O agente causal do míldio pode afetar as flores, sendo carregado pelas sementes.

Pode ocorrer infecção sistêmica, em plantas provenientes de bulbos infectados, que mostram-se, então, subdesenvolvidas e exibem nas folhas, além de coloração menos intensa, numerosas manchas brancas, pequenas, que podem ser confundidas com aquelas causadas por Botrytis ou tripes. Algumas vezes, bulbos com infecção sistêmica podem, depois de certo tempo de armazenamento, desenvolver uma podridão aquosa.

Etiologia - A doença é causada por Peronospora destructor, da classe Oomycetes, ordem Peronosporales, que produz esporangióforos não septados, com duas a seis ramificações e que carregam 3-63 esporângios piriformes a fusiformes. O micélio deste fungo é cenocítico e localiza-se intercelularmente nos tecidos das plantas hospedeiras. Produz ainda oósporos globosos, que são freqüentemente muito numerosos.

O fungo sobrevive em plantas voluntárias de cebola, na forma de oósporos, ou como micélio em bulbos e sementes infectados, embora estas últimas não pareçam ter grande importância epidemiológica.

O plantio de bulbos infectados aparece como o ponto inicial do ciclo primário da doença em um campo e a disseminação planta a planta dá-se através de esporângios carregados por correntes de ar ou água. Temperaturas relativamente baixas (inferiores a 220C) e alta umidade relativa (acima de 95%)favorecem o desenvolvimento e reprodução do fungo. Algumas horas com tempo seco e ensolarado são suficientes ia para impedir o progresso da doença no campo. A gama de hospedeiros deste patógeno inclui várias espécies do gênero Allium, selvagens ou cultivadas, como cebola, de cebolinha, alho, alho-poró e outras.

Controle - Medidas de controle envolvem a escolha de local adequado para o plantio, evitando áreas de solo mal drenado e sujeitas à alta umidade relativa do ar; plantio de bulbos sadios; espaçamento não adensado; pulverizações com fungicidas à base de cobre, metalaxyl e ditiocarbamatos, embora as características da doença e da as planta, como a presença de cera nas folhas e a emergência contínua de folhas, a geralmente tornem os resultados das pulverizações pouco satisfatórios.

QUEIMA DAS PONTAS - Botryotinia squamosa Vien.-Bourg. (Botrytis squamosa Walker)

Muitas espécies de Botrytis podem estar associadas a plantas de cebola onde quer que estas sejam cultivadas, destacando-se duas doenças principais causadas por estes fungos: queima das pontas e podridão do pescoço.

A queima das pontas é uma das mais importantes doenças desta cultura no Brasil, embora não seja normalmente considerada como tal. A dificuldade no diagnóstico desta doença, pelo fato de seus sintomas serem muito semelhantes aos ocasionados por seca, excessiva umidade do solo, oxidação por ozônio, ataque por tripes, entre outros, aliada ao difícil isolamento do agente causal, é o que mais prejudica a adequada avaliação da importância da doença nas nossas condições.

Sintomas - Manifestam-se inicialmente sob a forma de pequenas manchas esbranquiçadas, com cerca de 2 mm de diâmetro, no limbo foliar. Posteriormente ocorre a morte progressiva dos ponteiros, cuja intensidade é diretamente proporcional ao número de lesões que ocorriam anteriormente na folha.

As lesões nas folhas normalmente ocorrem quando os bulbos ainda não estão totalmente formados, o que faz com que os mesmos permaneçam pequenos, com os tecidos do pescoço amolecidos. Após a colheita e retirada da parte aérea, estes bulbos tomam-se altamente suscetíveis ao ataque por vários outros microrganismos causadores de podridões pós-colheita. O mesmo tipo de lesão que ocorre nas folhas também pode ser visualizado nas hastes florais. O fungo pode ocorrer também em fase de canteiros de mudas, causando morte de plântulas.

Etiologia - O agente causal da doença é Botrytis squamosa, que produz micélios septado, hialino, com ramificações que podem dar origem a conidióforos que sustentarão os conídios. O fungo pode formar, ainda, escleródios sobre restos de cultura ou na região do pescoço dos bulbos de plantas afetadas. Tais escleródios, que medem 3-10 mm, são geralmente elípticos, embora muitos apresentem formato irregular. A forma perfeita deste fungo é Botryotinia squamosa Vien .-Bourg.

A doença é favorecida por temperatura baixa (20-250C) e umidade relativa do ar alta (acima de 75%), principalmente com ocorrência de cerração seguida de sol forte. A ocorrência de queima depende do número de horas de água livre sobre as folhas, sendo tanto maior quanto mais tempo estas se mantiverem úmidas e quase desaparecendo quando as condições são muito secas, mesmo que ocorram muitas manchas esbranquiçadas na superfície do limbo foliar.

As folhas mais velhas são mais suscetíveis à infecção. O fungo não consegue penetrar diretamente pela superfície de folhas jovens. Neste caso, destaca-se a importância de ferimentos provocados por tripes, queimadura pelo sol e outras doenças, como o míldio, no favorecimento da infecção. O fungo sobrevive entre as estações de cultivo sob a forma de escleródios no solo ou micélio cm bulbos e restos de cultura. Este patógeno só é relatado em plantas do gênero Allium, sendo mais importante para cebola. Allium fistulosum (cebolinha japonesa) é resistente à doença, enquanto A. schoenoprasum (cebolinha) e A. bouddhae (outro tipo de cebolinha japonesa) são totalmente imunes.

Controle - Pulverizações com fungicidas à base de benomyl, tiofanato metílico e carbendazin; plantio em locais e épocas não sujeitas à ocorrência de cerrações; plantio não adensado; eliminação ou incorporação de restos de cultura e rotação de culturas são medidas de controle recomendadas para esta doença.

ANTRACNOSE DA CEBOLA BRANCA Colletotrichum circinans (Berk.) Voglimio sin. C. dematium (Pers. ) Grove f. sp circinans (Berk) Arx e Vermicularia circinans Berk.)

Esta doença é muito comum na Europa, onde foi descrita pela primeira vez na Inglaterra, em 1951, e Estados Unidos, sendo também relatada no Japão. Argentina e Itália. Nos países de língua inglesa é denominada “smudge”. No Brasil, devido à predominância de variedades de bulbos coloridos, que são resistentes, tem importância mais restrita, embora possa ser responsável por danos quando ocorre em fase de canteiros de mudas.

Sintomas - Esta doença ocorre praticamente apenas na escama mais externa dos bulbos brancos, sob a forma de pequenos estromas subcuticulares verde-escuros, que tornam-se pretos com passar do tempo. Em condições de alta umidade, formam-se acérvulos com massa de esporos de cor creme, sobre tais estromas. E muitas vezes comi fundi da com outras doenças, como a podridão branca e o carvão. Quando inoculado artificialmente, o fungo é capaz de provocar subdesenvolvimento e até morte deplântulas de cebola, até mesmo em variedades pigmentadas como Texas Grano 502 e Roxa Chata de Piracicaba.

Etiologia - O agente causal da doença é Colletotrichum circinans. Apresenta micélio septado. Ramificado, hialino quando novo tornando-se escuro e mais grosso com a idade, forma conídios hialinos. Fusiformes, unicelulares, em acérvulos geralmente ricos em setas. Podo produzir também clamidósporos intercalares nas hifas.

O patógeno é capaz de sobreviver no solo, provavelmente na formado estromas em restos de culturas as escamas de cebola, ou ainda como saprófita, podendo permanecer viável por muitos anos, na ausência do hospedeiro. A infecção dá-se diretamente pela cutícula. O fungo produz enzimas pectolíticas de grande importância na patogênese.

A faixa de temperatura favorável ao patógeno é bastante ampla, de 10 a 30ºC. A germinação dos esporos e a infecção ocorrem mais abundantemente entre 13 e 20ºC. Umidade elevada é essencial para a formação o disseminação dos conídios, através de respingos de chuva ou água de irrigação.

A ocorrência de infecção e a invasão dos tecidos são restringidas pela presença de compostos fenólicos pré-formados (catecol e pirocatecol), presentes em grande quantidade em variedades de cebola do bulbo colorido, o que condiciona a resistência das mesmas à doença. Estas substâncias são hidrossolúveis se difundem na gota de infecção, impedindo a germinação dos conídios do fungo. Variedades brancas não possuem tais substâncias o por isso são suscetíveis à doença.

Controle - O uso de variedades de escamas coloridas é suficiente para impedir a ocorrência da doença. Quando deseja-se plantar variedades brancas, devo-se fazer rotação de culturas o promover boa drenagem do solo; proteger os bulbos colhidos da chuva, usar sementes ou mudas sadias o estocar os bulbos em temperaturas baixas (OºC) e umidade ce tomo de 65%.

RAÍZES ROSADAS - Pyrenochaeta terrestris (Hans) Gorenz. Walker & Larson

Esta doença já foi constatada em várias regiões do Brasil, tendo sua importância subestimada pelos poucos estudos a ela dedicados nas nossas condições. Entretanto, as condições que ocorrem nas áreas produtoras de cebola são geralmente muito propícias ao seu desenvolvimento, o que aumenta a necessidade de atenção que deve ser dada à mesma. O fungo agente causal da doença é importante para cebola, sondo que alguns isolados são também patogênicos a outras plantas, como pimenta, tomate, soja, trigo, melancia, pepino e berinjela, entre outros. É uma doença de ocorrência generalizada cm todo o mundo, sendo uma das mais devastadoras em áreas de clima quente produtora de cebola.

Sintomas - A doença pode afetar a planta em todos os estágios do seu desenvolvimento, porém é mais comumente observada em plantas próximas à maturidade. O sintoma mais característico é a coloração inicialmente rosada, passando para vermelho, púrpura, pardo o preto, apresentado pelas raízes afetadas. A evolução de cores é acompanhada pelo enrugamento dos tecidos e morte da raiz, resultando em redução do suprimento nutricional da planta, que irá formar bulbos menores. Plântulas infectadas na fase de canteiro podem morrer e aquele que sobrevivem ficam menores e dá origem a bulbos enrugados o menores, indesejáveis para a comercialização.

Etiologia - Descrito primeiramente como Phoma terrestris (Hans.) e posteriormente como Pyrenochaeta terrestris (Hans.) Gorenz, Walker & Larson, o patógeno é um fungo Deuteromiceto, que produz picnídios ostiolados providos de setas, globosos a subglobosos, onde são produzidos conídios unicelulares, hialinos, oblongo-ovóides, que medem 1,8-2,4 por 3,7-5,8 m. Os picnídios formam-se sobre raízes ou escamas basais de plântulas ou plantas adultas de cebola. O micélio do fungo é septado, ramificado e hialino. Clamidósporos intercalares podem ser produzidos em meio de cultura ou raízes de cebola.

O fungo é habitante do solo, sendo capaz de sobreviver nesse ambiente até uma profundidade de 45 cm, possivelmente na forma de picnídios e clamidósporos. A sobrevivência ocorre também em restos de culturas de plantas suscetíveis. A penetração nos tecidos do hospedeiro dá-se diretamente pela cutícula, com o patógeno produzindo uma série de toxinas envolvidas na patogênese. O intervalo ótimo de temperatura para o desenvolvimento da doença e também do fungo em meio de cultura é de 24 a 280C. A presença de alta umidade no solo durante períodos longos é importante fator que predispõe a planta ao ataque do patógeno.

Controle - Quando possível rotação de culturas por pelo menos 3 anos com plantas não suscetíveis ao fungo é recomendada, uma vez que a doença é mais severa em áreas onde há cultivo contínuo de cebola. O uso de variedades resistentes também é medida de controle recomendada. Provavelmente, a pequena importância dada à doença em nosso país é devida à utilização de variedades resistentes, como Barreiro, Baia Periforme e Granex.

Para permitir o plantio de variedades suscetíveis, porém com boas características agronômicas, como Texas Grano, outras medidas de controle que podem ser adotadas são tratamento do solo com fumigantes e solarização, associados ou não. A solarização tem se mostrada muito efetiva na redução da doença e no aumento de produção nos Estados Unidos e em Israel, também sendo utilizada, associada à fumigação, na Austrália. Bom manejo da cultura, incluindo controle da irrigação, também reduz a ocorrência da doença.

PODRIDÃO BRANCA - Sclerotium cepivorum Berk

Esta é uma das mais importantes, cosmopolita e destrutiva doença que ocorre sobre espécies de Allium. Nas nossas condições, é conhecida há muito tempo, afetando principalmente culturas do alho e cebola, embora possa afetar também alho-poró (A. ampeloprasum)e cebolinhas (A. fistulosum e A. schoenoprasum). Tem ocorrência generalizada nas regiões serranas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Sintomas - A doença manifesta-se principalmente no campo, sendo raros os casos de perdas durante o armazenamento. A morte de plântulas não é muito comum, embora seja muito rápida quando ocorre. No campo, os sintomas são observados geralmente em reboleiras, com plantas subdesenvolvidas, mostrando amarelecimento e morte de folhas mais velhas, seguidos por murcha e apodrecimento dos bulbos.

Na planta doente observa-se, junto ao solo e sobre os bulbos, sob condições de alta umidade, crescimento micelial esbranquiçado (podridão branca), que com o decorrer do tempo vai dando lugar a inúmeros escleródios que dão um aspecto enegrecido aos bulbos afetados (podridão preta). As raízes também sofrem apodrecimento e as plantas são facilmente arrancadas do solo. A presença dos escleródios junto aos bulbos é extremamente importante na diagnose da doença, uma vez que outros sintomas, particularmente da parte aérea das plantas, podem ser confundidos com aqueles provocados por outras causas.

Etiologia - O agente causal da doença é Sclerotium cepivorum, Deuteromiceto da Ordem Micelia Sterilia, cuja forma perfeita não foi ainda descrita. Não produz esporos funcionais conhecidos. As únicas estruturas reprodutivas são os escleródios, que podem persistir no solo por mais de 8 anos, na ausência de plantas hospedeiras. A disseminação ocorre através de bulbos contaminados, água de chuva e de irrigação que atravessam áreas contaminadas e implementos agrícolas.

Os escleródios podem ficar dormentes no solo, tendo sua germinação estimulada por compostos voláteis liberados pelas raízes de plantas do gênero Allium. A germinação se dá através de tufos de micélio que podem surgir de diferentes pontos do escleródio.

Temperaturas do solo entre 10 e 200C favorecem a infecção e rápido desenvolvimento da doença. A doença é mais severa em baixadas úmidas e o excesso de irrigação também pode contribuir para um rápido progresso da doença no campo.

Controle - O modomais racional de controlar esta doença envolve a escolha de locais para o plantio que não estejam infectados e de épocas e locais menos favoráveis ao desenvolvimento da doença. Rotação de culturas e uso de variedades resistentes são pouco viáveis, devido às características da doença e ao fato de não se conhecer nenhuma espécie de Allium resistente.

Quando a incidência da doença é baixa, geralmente logo após sua introdução na árcade plantio, plantas infectadas devem ser destruídas e o solo, tratado com fumigantes.

Alguns fungicidas têm sido utilizados no controle da doença, como os dicarboximidas iprodione, vinclozolin, procymidone, mostrando-se eficientes para o tratamento de mudas e de bulbilhos antes do plantio, além de regas na cultura já instalada. Outros fungicidas, como diniconazole, tebuconazole e fluazinan, eficientes no controle de outros patógenos formadores de escleródios, mostram-se promissores para o controle de S. cepivorum. Produtos que estimulam a germinação de escleródios do fungo, visando sua erradicação do solo, também têm sido testados experimentalmente.

A solarização do solo também tem se mostrado eficiente no controle da doença, sendo utilizada no Egito e Israel.

PODRIDÃO BASAL - Fusarium oxysporum f.sp. cepae (Hans.) Snyder & Hans

Também conhecida como bico branco ou fusariose, ocorre em todo o mundo, sendo um dos principais problemas da cebola durante seu armazenamento e trânsito.

Sintomas - Plantas de alho e cebola podem ser infectadas em qualquer fase de seu desenvolvimento no campo. No início do desenvolvimento da cultura, no campo e em canteiros de mudas, a doença pode provocar tombamento. Em plantas mais desenvolvidas, manifesta-se inicialmente através de amarelecimento das pontas das folhas, que progride para a base até que todo o limbo seja tomado. As raízes das plantas afetadas apresentam-se com coloração marrom-escura, achatadas e ocas. Muitas vezes, as plantas afetadas podem não mostrar sintomas na parte aérea, mas cortando­se verticalmente o bulbo pode-se observar uma coloração marrom no seu interior. Nos bulbos, por ocasião da colheita ou posteriormente, ocorre uma podridão basal que caminha para cima, podendo destruir totalmente os tecidos do bulbo. Em condições de alta umidade pode-se observar um crescimento cotonoso, esbranquiçado, sobre o bulbo afetado, constituído de micélio do fungo.

Etiologia - Fusarium oxysporum f.sp. cepae (Hans.) Snyder & Hans, e um Deuteromiceto da Ordem Moniliales que produz clamidósporos, microconídios unicelulares e macroconídios em forma de canoa, com 3-4 septos. Outras espécies de Fusarium são citadas como causadoras de podridão basal, porém com menor freqüência.

O fungo é encontrado no solo, sobrevivendo por longos períodos na forma de clamidósporos. A infecção é Favorecida pela ocorrência de ferimentos causados por outros patógenos, como P terrestris. A disseminação no campo se dá através de água, solo, vento e mudas contaminadas. Durante o armazenamento, (a disseminação ocorre pelo contato) entre bulbos sadios c doentes. A presença de ferimentos nos bulbos favorece a penetração do fungo. As condições favoráveis à doença são temperaturas entre 26-280C e umidade alta.

Além de cebola, outras espécies cultivadas de Allium podem sofrer perdas com esta doença, como alho, chalota e cebolinha.

Controle - Rotação de culturas em locais onde há grande incidência da doença, utilizando plantas não suscetíveis por períodos de 4 anos; uso de sementes sadias; drenagem de solo muito úmido; prevenção de ferimentos, cura bem feita e armazenamento em temperaturas de 40C e baixa umidade são medidas de controle recomendadas para minimizar as perdas com a doença.

TOMBAMENTO OU “DAMPING-OFF”

O tombamento, mela ou “damping-off” esta tornado um dos problemas mais sérios na produção da cultura da cebola, não sendo rara a perda de grande parte das mudas em canteiros ou o aparecimento de falhas em culturas oriundas de semeadura direta. Ocorre cm estádios iniciais da cultura e caracteriza-se por necrose de sementes e plântulas, favorecida por alta umidade e baixa temperatura.

Muitos são os fungos capazes de provocar esta doença, como Colletotrichum circinans, C. gloeosporioides f. sp. cepae, Fusarium oxysporum f. sp. cepae, Pyrenochaeta terrestris, Pythium spp., phytophthora spp., e Rhizoctonia solani, o que dificulta e onera o controle da doença, baseado principalmente na utilização de fungicidas.

Tratamento de sementes com captan ou thiran e de solo com brometo de metila e PCNB são recomendados, embora estes últimos tenham limitações de ordem econômica. Rotação de culturas c boa drenagem do solo, especialmente para o caso de ataque por Pythium e Phytophthora também são essenciais.

OUTRAS DOENÇAS

A presença de virus que não levam ao aparecimento de sintomas, mas têm umefeito negativo sobre a produção e qualidade dos bulbos é comum em alho. Os vírus do gênero Carlavirus,caracterizados por partículas filamentosas de 600-670nm, são os mais comumente encontrados nestes casos, associadoscom no ou mais dos potyvirus citados anteriormente. ‘Shallot latent virus, encontrado também na chalota, cebola e alho-poró; “garlic latent virus” e “narcissus latent virus” são os principais representantes deste gênero de vírus já detectados em alho. Uma estirpe do “onion mite-borne latent virus”, possível espécie do gênero Rimovirus, da família Potyviridae, cujas partículas variam de 200-800 um de comprimento, também foi detectada em plantas de alho, causando infecção latente. Além da transmissão através da propagação vegetativa, este vírus pode passar de uma planta de alho para outra através da ação do ácaro Aceria tulipae.

Algumas bactérias podem estar associadas a plantas de alho e cebola, causando apodrecimento de bulbos e necroses foliares, destacando-se Pseudomonas gladiolí pv. aliicola (Burkholder) Young et al.; Erwinia herbicola (Löhnis) Dye; Pseudomonas syringae pv. syringae van Hall; Erwinia rhapontici (Millard) Burkholder e Pseudomonas margina1is (Brown) Stevens.

A cebola e o alho podem ainda ser afetados por várias doenças fúngicas, que geralmente têm importância secundária. Nas condições do Brasil, podemos citar: bolor azul, causado por Penicillium spp., que afeta principalmente alho em condições de armazenamento, mas pode incitar sintomas de podridão basal cm plantas originadas de bulbilhos contaminados; mancha foliar, cansada por Stemphylium vesicarium (Wallr.) Simmons, que comumente afeta folhas velhas já infectadas por Alternaria porri (mancha púrpura) ou Peronospora destructor (míldio); mancha oliva da cebola, causada por Heterosporium allii-cepae Ranojevic (sin. Cladosporium allii-cepae (Ranojevic) Ellis), detectada recentemente em diversas lavouras de cebola de Santa Catarina, causando sintomas foliares semelhantes àqueles provocados por A. porri (mancha púrpura) e Botrytis squamosa (queima das pontas), distinguindo-se destes pelo aspecto) verde-oliva sobre manchas de fundo claro; mofo cinzento ou podridão do pescoço, incitada por Botrytis allii Munn, e espécies correlatas, como B. byssoidea,ocorrendo com maior freqüência em brilhos armazenados, nos quais provoca podridão do pescoço que se cobre de um crescimento pardo-acinzentado e posteriormente, escleródios do fungo; mofo preto, causado por Aspergillus niger Thiegh., manifestando-se nas escamas externas dos bulbos, na forma de pó preto, constituída de massa de esporos do fungo. Rápida cura e armazenamento adequado previnem a ocorrência da doença; podridão de Phytophthora,detectada mia região de São José do Rio Pardo, onde recebe o nome de cabeça murcha, manifestando-se em sementeiras e ocasionando sintomas de murcha e tombamento de folhas, e podridão de raízes, cansada por Sclerotium rolfsii Sacc., observada ocasionalmente em final de ciclo de culturas de cebola e alho.

BIBLIOGRAFIA

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