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organizadas pelo hipotálamo

A estabilidade do meio interno é garantida mantendo-se ajustados vários parâmetros biológicos (temperatura corporal, a pressão arterial, o pH do plasma, os níveis de hormônios circulantes, de glicose, etc). Através de influências sobre o SNA e o sistema endócrino o HIPOTÁLAMO orquestra inúmeras funções neurovegetativas conforme as demandas do organismo. O hipotálamo exerce uma multiplicidade de controles e coerente com isso, recebe aferências dos órgãos que controla através de conexões neurais e humorais e de amplas áreas do cérebro. As expressões viscerais e somáticas de um determinado estado emocional são

O hipotálamo situa-se no diencéfalo, sob o tálamo. Situa-se bilateralmente nas paredes do I ventrículo e apresenta algumas formações anatômicas visíveis na sua face inferior como o quiasma óptico, túber cinéreo, o infundíbulo e os corpos mamilares. Praticamente constituído de substância cinzenta, possui vários núcleos, muitas vezes de difícil individualização.

As informações que chegam ao hipotálamo

O hipotálamo possui muitas conexões difusas, mas podemos reconhecer feixes distintos de fibras anatomicamente como o feixe prosencefálico medial; o fascículo longitudinal dorsal, o fórnix; a via amigdalo-fugal e o feixe mamilo- talâmico.

O feixe prosecefálico medial

origina-se na área septal e áreas olfátorias e dirige-se para a FOR passando pelo hipotálamo onde deixa fibras colaterais. Enquanto as informações sensoriais olfatórias chegam ao hipotálamo por esse caminho, as informações sensoriais dos nervos VII, IX e X chegam pelo fascículo longitudinal dorsal, vindos do núcleo do trato solitário, núcleo parabraquial e da região paraventral do bulbo. As informações veiculadas pelo feixe prosencefálico medial são particularmente essenciais para a organização de comportamentos motivados como a atividade sexual e a de ingestão de alimento.

O sistema límbico forma um conjunto de estruturas corticais e subcorticais responsáveis pela interpretação e expressão das emoções, cujo circuito é conhecido como circuito de Papez. O hipotálamo faz parte do circuito recebendo informações do sistema límbico, especificamente do hipocampo (subículo) via fornix. Dos corpos mamilares o hipotálamo conecta-se com o tálamo (feixe mamilo-talamico). Outra área do sistema límbico chamado área septal também conecta-se ao hipotálamo (fórnix e do feixe prosencefálico medial) e, finalmente, recebe da amígdala (via amigadlo-fugal), o botão disparador das emoções. Esse conjunto de informações possibilita ao hipotálamo organizar as expressões viscerais e somáticas das emoções. Assim quando ficamos ansiosos (“nervosos”) ou com medo com uma prova, o hipotálamo realiza uma serie de ajustes autonômicas.

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Graças a essas conexões o hipotálamo organiza os ajustes viscerais e endócrinos adequados durante uma reação emocional.

Éimportante mencionar as aferências que o hipotálamo recebe diretamente da retina através do trato retino-hipotalâmico. Graças à detecção do ritmo de luminosidade circadiana pelo núcleo supra-quiasmatico, o hipotálamo pode sincronizar ritmicamente várias atividades que controla como, por exemplo, a termorregulaçâo, a secreção de hormônios da adenohipófise, o ciclo sono-vigilia, etc. No ciclo sono-vigilia o hipotálamo participa através de grupos de neurônios histaminergicos do hipotálamo posterior os quais recebem aferências do sistema de modulação difuso (feixe prosencefálico medial).

Os núcleos do hipotálamo

O hipotálamo é praticamente uma massa de substância cinzenta com inúmeros núcleos. Uma maneira de reconhecer esses núcleos é usando o I ventrículo como referência. Assim, podemos identificar três colunas longitudinais de cada lado:

lateral

periventricular, medial e

Outra forma é identificar os núcleos é no sentido rostro-caudal conforme a região: área

pré-optica; hipotálamo anterior, tuberal e hipotálamo posterior (ou mamilar)

Como os sinais químicos (humorais) chegam ao hipotálamo?

O hipotálamo recebe não só aferências neurais como também humorais (sinais químicos circulantes) para realizar ajustes homeostáticos do meio interno. Em torno dos ventrículos estão os órgãos

circunventriculares. Nessas regiões a barreita hematoencefalica é permeável (capilares fenestrados) e os neurônios aí situados possuem receptores moleculares para os sinais químicos circulantes. A

Hipotálamo posterior ( Mamilar)

HIPOTÁLAMO Área pré-ótica

Tuberal Hipotálamo anterior

Curso de Fisiologia 2007 Ciclo de Neurofisiologia Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida 168 grande maioria desses órgãos circunventriculares fica no hipotálamo como a eminência mediana e a lâmina terminal.

O órgão subfornical (associado a regulação da osmolaridade) e a área postrema

(sitiada próxima ao NTS está associada ao reflexo do vômito) não ficam no hipotálamo mas além de possuirem conexões recíprocas entre si, enviam axônios para o hipotálamo. Isso significa que o hipotálamo recebe informações neurais e humorais das visceras.

Finalmente é interessante mencionar a natureza da neurohipofise e da glândula

seus mediadores na circulação sob o comando do hipotalamo

pineal: ambas são de origem neural, mas funcionam como glândulas nervosas que secretam

O que o hipotálamo faz com tanta informação? Afinal que funções desempenha?

comportamento sexual e do ciclo-sono-vigilia

De posse dessas informações neurais e humorais o hipotálamo está plenamente apto para exercer o controle e a coordenação das funções viscerais através do SNA e do sistema endócrino. De maneira bastante geral, podemos agregar ao hipotálamo várias funções integrativas como regulação da ingestão de alimentos; regulação da ingestão de água, regulação da diurese, termorregulação, regulação do comportamento emocional, regulação do Função neuroendócrina do hipotálamo

No hipotálamo há neurônios que ao invés de realizar sinapses químicas típicas, liberam os seus mediadores químicos diretamente na corrente sanguínea, ou seja, realizam neurossecreçâo. Por isso esses mediadores hipotalâmicos foram chamados de neuro- hormonios, ou simplesmente hormônios hipotalâmicos. Lembre-se: uma célula endócrina caracteriza-se por sintetizar, armazenar e secretar para a circulação sangüínea, moléculas mensageiras altamente específicas que atuam em células-alvo, modificando suas funções.

Estas moléculas mensageiras são coletivamente denominadas de hormônios e as células secretoras, glândulas endócrinas. Pois bem, no hipotálamo existe a possibilidade dos sinais

organizado

neurais (impulsos elétricos) serem convertidos em secreções endócrinas. Para compreendermos os mecanismos de ação desses neuro-hormonios hipotalâmicos vejamos como a hipófise com o qual o hipotálamo tem intima conexão anatômica e funcional está

Hipófise

A hipófise é uma estrutura peduncular que se localiza na base do cérebro e é anatomicamente dividida em três partes: adenohipófise (de origem não nervosa) pars intermédia neurohipófise (origem nervosa).

A adenohipófise é responsável pela síntese, armazenamento e secreção de vários hormônios, entre eles Hormônio estimulante da tireóide (tireotropina,TSH), Hormônio adenocórticotrofico (ACTH),

Hormônio folículo estimulante (FSH), hormônio luteinizante

Prolactina (PRL) e Hormônios de crescimento (GH). Para que estes sejam liberados para a corrente sangüínea e atuem nos respectivos órgãos-alvo, depende da influência de neurônios hipotalâmicos.

Como o hipotálamo controla a hipófise?

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A atividade de síntese e liberação dos hormônios hipofisários depende de controle hipotalâmico. Os neurônios hipotalâmicos neurossecretores são de dois tipos:

1) Células parvicelulares do núcleo arqueado que secretam no sistema porta-hipofisario, hormônios hipofiseotrópicos (com destino à adeno-hipófise) que determinarão a síntese/ liberação ou não de seus hormônios. A figura abaixo ilustra os vários tipos de hormônios hipotalâmicos que agem sobre a adeno-hipófise.

Endocrinologia

Cada um dos hormônios adeno-hipofisários agirão a distancia nos respectivos órgãos alvo, causando efeitos específicos que serão detalhadamente estudado no ciclo de

2) Células magnocelulares do núcleo paraventricular que secretam o hormônio anti- diuretico (ADH) que age diretamente nos túbulos renais e dos núcleos supra-oticos que secretam a ocitocina que agem diretamente no útero e nas glândulas mamarias, são liberadas para a grande circulação.

Desta maneira, estímulos originados no ambiente externo (como luz, som, substâncias químicas voláteis, estímulos nociceptivos, etc) ou originados no meio interno podem influenciar o sistema endócrino e as funções dos tecidos alvos através do hipotálamo. Estados psicológicos alterados como medo, ansiedade, ira, libido sexual, depressão, etc. também podem influenciar o hipotálamo e alterar o nível de atividade do sistema endócrino. Assim

CRH: hormônio liberador de corticotrofina; TRH: hormônio liberador de tireotrofina; GnRH: hormônio liberador de gonadotrofina; GRH: hormônio liberador de GH; GIH:hormônio inibidor de GH; PRH hormônio liberador de prolactina; PIH: hormônio inibidor da prolactina.

Curso de Fisiologia 2007 Ciclo de Neurofisiologia Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida 170 esses neurônios hipotalâmicos funcionam como transdutores neuroendocrinos: excitam-se

distantes

eletricamente e secretam seus mediadores na corrente sanguinea que agem em células-alvo

Controle do hipotálamo sobre o SNA

O hipotálamo é o centro suprassegmentar mais importante do Sistema Neurovegetativo juntamente com o Sistema

Límbico. As estimulações do hipotálamo anterior causam respostas parassimpáticas e do hipotálamo posterior, respostas

SNA expressa as respostas viscerais

simpáticas. Durante uma alteração emocional, é o hipotálamo que através do

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