1Acadêmico de Direito da Faculdade Jaguariaíva – FAJAR/PR e-mail: kaytovor@hotmail.com

DIREITO PENAL SIMBÓLICO:: A SSEEGGUURRANNÇÇA SSIIMMBBÓÓLLIICCA Marcus Vinicius de Oliveira Ribeiro1

Este trabalho mostra que o Direito Penal Simbólico é um fenômeno que nasce no sentimento de urgência que manifesta o Estado quando a indevida aplicação das normas penais, face às poucas políticas de prevenção da criminalidade, mostra as conseqüências de efeitos colaterais indesejáveis, ao crime, à violência e todo quadro social que geralmente se inserem estes dois elementos. Resume-se, em prática, sua aparição em uma onda propagandística, manipuladora dirigida geralmente às massas populares surgindo o simbolismo através das edições de leis em resposta ao clamor público toda vez que um fato crime choca o país. Simbolismo tal que muitas vezes é usado como instrumento para oportunistas políticos para benefício próprio, transformando-se em uma arma perigosa.

PALAVRAS--CHAVE Norma, simbolismo, segurança, garantias, legislador, criminalidade, lei, penal.

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This work shows that the Criminal Law Symbolic is a phenomenon that arises in the sense of urgency that expresses the state when the improper application of criminal law, given the few policies of crime prevention, shows the consequences of undesirable side effects for crime, violence and the whole social framework that generally fall into these two elements. Boils down, in practice, its appearance in a wave propagandistic, manipulative generally addressed the masses emerging issues through the symbolism of laws in response to public outcry every time a fact crime shocked the country. Such symbolism that is often used as a tool for opportunistic politicians to their own benefit, turning into a dangerous weapon

KEY WORDS Delict, crime, security, Law, public, state, criminology.

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1 INTRODUÇÃO8
2 A NORMA PENAL JURÍDICA E A DOGMÁTICA NEGATIVA9
3 DOS FENÔMENOS INTER-RELACIONADOS10
3.1 PUNITIVISMO10
3.2 MOVIMENTO LEI E ORDEM10
4 FENÔMENOS CONSEQUENTES1
4.1 A SEGURANÇA E A LEI1
4.2 TABU1
5 ESQUEMA ANALÍTICO1
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS12

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1INTRODUÇÃO

Este artigo tem como escopo suscitar uma discussão para medrar o conhecimento sobre este fenômeno chamado Direito Penal Simbólico e encetar a percepção crítica à luz dos acontecimentos e suas reais origens muitas vezes ocultas. Pensa, a sociedade, ser o Direito Penal o “super homem” dos ordenamentos jurídicos, que possui o condão de criar uma panacéia para os males simplesmente editando algumas leis penais propondo sanções mais severas, bem como, dificuldades às garantias dos “infratores”. Como saber se estas medidas são corretas? É correta uma falta de percepção destituir princípios de uma ciência regrada? Destarte, cria-se o mito, o qual Arruda Aranha esclarece tão bem em seu livro “Introdução à Filosofia”, em que diz ser a mente humana naturalmente inquiridora. Mas como saber ou perceber a verdade? Qual sinal para distinguirmos a verdade do erro? Para Descartes o critério da verdade é a evidência. Ainda há aqueles que buscam a verdade com o intuito de aprender na incoerência de argumentos, técnica chamada de “método socrático”. Mas a evidência se faz clara quando há escândalos tomando conta de nossos noticiários, inundando nossas casas com influências políticas muito bem planejadas. O que realmente importa é o fato de que as pessoas que erigem a sociedade acostumaram-se a viver no automático, perdendo a percepção de fatos e a capacidade inquiridora, critérios suscitados acima. Mediante isso, forma-se a projeção ilusória de algo que se espera vir como um milagre, uma glória pela massa populacional vivendo no piloto automático, seguindo idéias já precedentemente talhadas a força, atitudes equivocadas, como se todos bebessem da mesma fonte. O povo, hoje em dia, é tão influenciável que essa falsa sensação de segurança, muitas vezes, é posta acima da moral sedimentando um sentimento secular maquiavélico, ou seja, um sentimento onde os fins justificam os meios.

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2A NNOORRMMA PPENNALL JJUURRÍÍDDIICCA E A DDOOGGMMÁÁTTIICCA NNEGGATTIIVVA

O conceito de Cezar Roberto Bitencourt diz que: “Direito Penal é um conjunto de normas jurídicas que tem por objeto a determinação de infrações de natureza penal e suas sanções correspondentes- penas e medidas de segurança.” A norma penal se manifesta a vontade do Estado na definição dos fatos puníveis e suas respectivas sanções. Caracterizam-se por sua imperatividade. Tem como objetivo a tutela dos bens jurídicos, aplicando penas, medidas de segurança e etc. Pelo Direito Penal ter essa característica normativa é possível identificar a característica dogmática, que por si só não é negativa desde que aplicável e eficaz em relação a casos individuais que diariamente se apresentam a ele, pois somente adquire seu significado funcional e político profundo quando inserida no âmbito do sistema de controle penal da modernidade, no interior do qual devem ser analisadas suas funções. Portanto é aceitável de que haja a possibilidade de a dogmática assumir-se em uma conotação negativa diferente de onde deve-se aplicar o Direito Penal. Esta dogmática é que se manifesta em formas retóricas do Estado com efeitos práticos e nulos ou insignificantes através de edição de leis sem um critério rigoroso que garanta sua efetiva e coerente aplicação. Podemos citar o caso do assassinato da atriz filha da autora Glória Perez, o qual foi responsável pelo advento da Lei dos crimes hediondos (Lei 8072/1990). Por um lapso instintivo, sinônimo da “falta de percepção” citada na Introdução deste artigo, podemos perceber que em casos como assassinato de Isabela Nardoni a sociedade sobrepõe a justiça acima da moral desconsiderando sua inerência com a mesma, colocando os direitos fundamentais a serviço da segurança. Idéia qual se torna uma arma nas mãos da sociedade. Se por vontade de todos no calor do clamor da massa voltaríamos à época da vingança privada. O Estado desta maneira age coagido, tornando sua soberania e poder em um remédio, eis o efeito placebo. Importante ressaltar que Direito Penal Simbólico é um termo relativamente recente.

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uma onda propagandista dirigida especialmente às

Antônio Carlos Santoro Filho descreve o Direito Penal Simbólico como sendo: massas populares, por aqueles que, preocupados em desviar a atenção dos graves problemas sociais e econômicos, tentam encobrir que estes fenômenos desgastantes do tecido social são, evidentemente entre outros, os principais fatores que desencadeiam o aumento, não tão desenfreado e incontrolável quanto alardeiam, da criminalidade.”

3DOS FENÔMENOS INTER--RREELLAACCIIOONNAADOS

3..1 O PPUUNNIITTIIVVIISSMMO Casos-símbolos são orientados por um punitivismo exacerbado. Isso é facilmente observado quando o poder (principalmente pela mídia) cria, pseudo-anseios- por exemplo por justiça- para depois satisfazê-los de uma edição de lei penal curta e açodadamente, como tem acontecido em tantos casos no Brasil. Acostumou-se a combater os sintomas e não as reais causas, como por exemplo no caso do Estatuto do Desarmamento.

3..2 O MMOVVIIMMENNTTO LEI E ORRDDEMM Este também é outro exemplo de modo a fazer o povo acreditar que tudo está sob controle e que o legislador é atento. Este caminho fica claro quando a lei penal em vez de prevenir crimes e garantir segurança, preceitos qual fazem parte dos básicos princípios deste instituto, torna-se ícone do glorioso e correto caminho trilhado pelo Estado. O fato é, as penas podem se elevar a proporções irracionais mas o nível de criminalidade e violência não necessariamente diminui.

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4FENÔMENOS CONSEQUENTES

4..1 A SSEGGUURRANNÇÇA E A LLEII

A doutrina aponta fenômenos consequentes quanto ao fato da segurança e a mantem-se em meios pelos quais os cidadãos buscam seus objetivos coletivos e individuais, tornando-se fins em si mesmos. Fato qual as estruturas de poder podem se aproveitar e extrair direitos e garantias individuais, muitas vezes com a pena do próprio povo a que ele se submete.

A população se submete a uma simbologia, criando um tabu onde nós não cometemos crimes e que não somos criminosos, que o criminoso é o outro. Situação qual tem seu advento de estigmatização de uma classe social que será combatida e marginalizada. Este é um fenômeno o qual alerta Zafarone como um infeliz resultado de Direito Penal.

5.. ESQUEMA ANALÍTICO

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6CONSIDERAÇÕES FINAIS

É claramente notável que este fenômeno é suscetível a ser utilizado como instrumento político por oportunistas acarretando a alterações pontuais na lei penal. A situação contemporânea sobre o Direito Penal é crítica. Como canta Chico Buarque no trecho em sua música “Cálice” composto nos tempos da Ditadura Militar, a qual se tipifica muito bem este caso: “De tão gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta...” Necessário é, que o legislador que sua função em glória é tutelar os bens jurídicos dos quais fazem parte os princípios básicos e direitos fundamentais. Se assim for, esta imagem utópica de “fazedor de leis” não enterra a eficácia do sistema penal. Somente desta maneira, por um milagre é que então a violência, desigualdade, a pobreza, o analfabetismo, o abandono da saúde e da educação pública caminharia para a resolução, pois afinal, estaríamos obrigados por este sistema imperativo e positivista a ser feliz e cairia por terra este “pileque” homérico por parte deste fenômeno utópico chamado Direito Penal Simbólico um Estado fictício que finge resolver o problema com soluções fáceis, e a sociedade chora as mortes clamando por uma justiça que governos tendem ignorar. É o uso do Direito com marcas da ideologia Estatal. No final das contas quem vai ter a responsabilidade de despertar o “homem moderno” que está dentro de nós, somos nós mesmos. O Poder vem do povo, da idéia coletiva, o Estado nasce de nossa projeção da necessidade de seguir algo. A idéia de paz é inerente ao que temos que ter em mente. A paz não resume-se na ausência de guerra , pois temos nos dias de hoje o que se chama de "violência passiva", a paz é a justiça social. Espera-se que a voz milenar do filósofo faça despertar este homem - "Eduquemos nossas crianças para que não tenhamos que punir os adultos de amanhã" Uma única arma pode ser usada de várias maneiras, e a instrução é a melhor delas nesta guerra.

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5BIBLIOGRAFIA

ARANHA, Lúcia de Arruda. Introdução à filosofia : Filosofando. EDITORA MODERNA. 2º Ed, São Paulo, 1993, pg 67.

ANDRADE, Regina Vera de. Dogmática e controle penal : em busca da segurança jurídica. DO ADVOGADO, 2º Ed.

MACHADO, Tomás Grings. Direito Penal I, 2009 – FACENSA.

GOMES, Luiz Flávio. Direito Penal do Inimigo. Endereço: <http://w.revistajuridicaunicoc.com.br/midia/arquivos/ArquivoID_47.pdf>

KELSEN. Hans. Teoria Pura do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

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