A realização de montagens experimentais que possam ser facilmente otimizadas com a troca de componentes de maneira rápida e eficiente, a garantia de que a colocação do componente ocorra com contatos perfeitos e sustentação mecânica eficiente, leva o projetista de eletrônica a adotar um único recurso: a matriz de contatos. Possibilitando a utilização de componentes, sem a necessidade de solda, por um número indeterminado de vezes, garantindo um perfeito contato elétrico e além de tudo permitindo a realização prática de forma rápida dos mais complexos projetos, a matriz de contatos é um recurso indispensável no laboratório de eletrônica.

Um dos problemas para a realização de uma montagem experimental é a necessidade de um projeto prévio de placa de circuito impresso que, além de demorado, exige recursos especiais, além da necessidade de se "gastar" componentes que depois de soldados não podem ser reaproveitados da mesma forma.

É claro que existem as chamadas montagens "aranha" e "ponte de terminais", que servem perfeitamente para a realização de experimentos, mas neste caso também temos problemas de diversos graus. Dentre os mais simples, temos a dificuldade em manter ligações curtas quando experimentamos circuitos de altas freqüências, o que facilmente introduz instabilidades de funcionamento, quando não o impede por completo. Dentre os intermediários, temos a dificuldade em reaproveitar os componentes para outras montagens em vista de seus terminais terem solda acumulada; e dentre os mais graves, temos a quase impossibilidade de se trabalhar com circuitos integrados e dificuldade extrema em manejar os componentes e fazer as ligações quando nos defrontamos com um circuito muito complexo (figura 1).

A solução para estes problemas está na matriz de contatos. Dentre as vantagens que ela apresenta em relação a qualquer outro tipo de recurso para montagens experimentais podemos citar: 1- garantia de contato perfeito pela simples introdução dos terminais dos componentes nas garras da matriz; 2- não necessidade de solda para fixação dos componentes; 3- possibilidade de trabalhar com circuitos integrados; 4- manutenção de ligações curtas mesmo em montagens complexas, o que permite o trabalho com circuitos de médias e até de altas freqüências; 5- possibilidade de realização de montagens bastante complexas; 6- facilidade de alteração, a qualquer momento, do projeto pela simples retirada do componente, por desencaixe, e colocação de outro.

A capacidade de uma matriz de contatos, em relação a sua utilização, pode ser medida pelo número de pontos de ligação que ela possui. Não queremos dizer com isso que, quanto mais avançado seja o praticante de eletrônica, mais pontos deva ter a matriz que ele utiliza.

A disponibilidade de matrizes de diversas dimensões, com número de pontos variável, vem tanto do fato de que podemos ter projetistas que ainda não trabalham com circuitos complexos, como também pelo fato de existirem montadores que trabalham com circuitos de todos os graus de complexidade.

Assim, mesmo num laboratório avançado, pode ser suficiente uma matriz pequena num dado instante, quando se deseja experimentar uma configuração simples como parte de um projeto maior ou mesmo de modo independente.

Tomando uma matriz de contatos de 550 pontos, conforme mostra a figura 2, observamos que ela possui duas filas horizontais de terminais interligados e duas regiões centrais com filas verticais de terminais também interligados.

As filas horizontais podem ser usadas como linhas de alimentação (positivo e negativo), com uma boa quantidade de pontos disponíveis de conexão.

As filas verticais são dispostas de tal forma e com tal dimensionamento que permitem o encaixe dos mais diversos tipos de componentes. Em especial observamos o dimensionamento igual ao de circuitos integrados DIL e relé miniatura, que serão encaixados diretamente, conforme mostra a figura 3.

Assim, a partir das filas verticais temos acesso aos terminais dos componentes, podendo fazer a conexão de elementos de polarização e acoplamento (diodos, resistores e capacitores) ou então interligações.

As interligações entre pontos ou entre componentes são feitas pelo simples encaixe de pedaços de fios rígidos (os fios usados em linhas telefônicas internas e componentes de cabos são os mais indicados para o trabalho nestas matrizes).

Na figura 4 temos um exemplo de montagem em matriz de contatos.

Observe que, usando um circuito integrado

DIL de 14 pinos temos basicamente 5 pontos de acesso a cada terminal, o que significa uma grande versatilidade para a realização mesmo de montagens mais complexas.

Os contatos existentes na parte inferior da matriz, que seguram os terminais dos componentes firmemente, possuem características elétricas que garantem uma mínima resistência elétrica e boa fixação mecânica. Isso é importante para que se evitem quaisquer tipos de problemas de funcionamento devido a maus contatos.

Por outro lado, cada fila de contatos tem um comprimento relativamente pequeno, não significando uma indutância elevada, nem uma capacitância que possa afetar circuitos de médias e mesmo altas frequências.

Estes contatos possuem uma resistência mecânica que permite sua utilização milhares de vezes.

Os tipos disponíveis de matrizes de contatos podem vir montados em bases de alumínio, plástico ou mesmo sem base. Para os tipos com base podem ser disponíveis ainda bornes para a ligação das fontes de alimentação.

Nos tipos sem base será preciso ter certo cuidado no trabalho em superfícies moles ou sem apoio, pois ao enfiar o componente seu terminal pode furar o adesivo existente na parte inferior que segura as filas de contatos (figura 5). Para se evitar isso o próprio usuário pode improvisar uma base com um pedaço de plástico ou mesmo madeira, parafusando sua matriz.

Outros tipos de manutenção de uma matriz de contatos são praticamente dispensáveis. O usuário apenas não deve expô-la ao calor excessivo, tentando soldar componentes que estejam nela fixados, e ainda evitar o acúmulo de pó que pode prejudicar os contatos ou mesmo afetar sua aparencia externa.

Em relação à limpeza externa, um cotonete com um pouco de álcool ou outro solvente é o ideal.

A utilização da matriz de contatos é muito simples. No entanto, algumas "dicas" podem ajudar bastante aqueles que ainda não trabalham com as matrizes de contatos.

Certos componentes exigem um preparo para poderem ser usados com as matrizes. Este é o caso de potenciômetros, jaques, alto-falantes, instrumentos indicadores etc. É conveniente ter estes componentes já prontos, com fios de pequeno comprimento soldados, permitindo assim sua conexão rápida nas matrizes.

Para utilizar basta partir do diagrama do aparelho que se deseja montar. Os integrados são instalados na região central e a alimentação é feita nas trilhas paralelas horizontais.

Uma seqüência para o procedimento de montagem consiste em se fazer em primeiro lugar todas as conexões referentes a alimentação de componentes ativos, tais como integrados ou etapas transistorizadas. Depois, numa segunda fase, providenciamos todos os componentes de polarização, tais como resistores, diodos, capacitores etc. Completamos a montagem com a colocação dos componentes ou ligações de acoplamentos.

Para os circuitos de RF devemos ter cuidado em manter as ligações mais críticas bem curtas. Para os circuitos que operam com sinais de áudio de pequena intensidade e, portanto, sujeitos a captação de zumbidos, podemos usar fios blindados nas ligações mais longas (entradas e saídas de sinais) ou então fios bem curtos.

Observamos que se tivermos que trabalhar com etapas de potência que exijam correntes muito elevadas, devemos ter cuidado para não superar os limites recomendados pelo fabricante. O mesmo se dá em relação à tensão, já que para valores muito altos podem ocorrer arcos entre filas adjacentes de pontos de ligação.

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