Manual de puericultura

Manual de puericultura

(Parte 1 de 4)

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

DISCIPLINA DE SAÚDE COLETIVA

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

PROFª: FATIMA ARTHUZO PINTO

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À CRIANÇA SADIA (PUERICULTURA)

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

1. Introdução

O crescimento e desenvolvimento da criança depende principalmente do atendimento de suas necessidades essenciais e da estimulação apropriada de suas potencialidades. O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento é utilizado em todo o mundo com excelentes resultados, sendo realizado de forma simples, econômica e de fácil aplicabilidade, servindo como instrumento de controle e avaliação do processo evolutivo da criança e detecção precoce de possíveis problemas.

A manutenção do estado de saúde será alcançada através de medidas de promoção de saúde e prevenção de doenças ou agravos contidas nas ações de vigilância à saúde que integram as consultas de puericultura programadas e realizadas nas unidades de saúde, além das visitas domiciliares

O enfermeiro deverá conhecer os aspectos mais relevantes do desenvolvimento e estar preparado para fazer algumas intervenções, se necessária, identificando com clareza aquelas crianças que devem ser referidas para tratamento especializado.

Através do acompanhamento da criança saudável – puericultura – priorizando aquelas de maior risco de adoecer e morrer, espera-se reduzir a incidência de doenças aumentando suas chances de crescer e desenvolver-se à alcançar todo seu potencial.

Tendo em vista a diversidade em termos de condições de vida, condições de trabalho e panorama epidemiológico encontrado sugere-se aos profissionais adequarem as recomendações apresentadas, identificando prioridades e elaborando um plano de intervenção que alcance as especificidades de cada área.

2. Objetivos

Atender a todas as crianças de 0 a 2 anos, desenvolvendo ações de promoção à saúde e prevenção de doenças ou agravos, prestando assistência de forma integrada, acompanhando o processo de crescimento e desenvolvimento, monitorando os fatores de risco ao nascer e evolutivo, garantindo um atendimento de qualidade.

2.1. Objetivos específicos

- Diminuir o índice de morbi-mortalidade infantil

- Prevenir doenças evitáveis na infância

- Aumentar cobertura vacinal

- Realizar calendário de atendimento da criança no município

- Proporcionar assistência diferenciada e vigilância sobre o recém nascido e outras

- Estimular o aleitamento materno

- Proprocionar um sistema de vigilância e combate à desnutrição infantil

- Promover a intersetorialidade.

- Encaminhar para consulta médica a qualquer agravo e/ou alteração

4. Fatores de Risco

Tendo em vista a realização de uma assistência integral de enfermagem, a criança deverá ser avaliada, em relação aos riscos identificados ao nascer e alterações que possam adquirir durante seu crescimento, além de fatores que influenciam na produção da saúde ou da doença na população infantil. A partir da identificação dos fatores de risco é possível definir grupos mais vulneráveis e, por ações específicas eliminar ou amenizar os riscos.

  • Risco ambiental: ausência de saneamento básico, tipo de moradia, morador distante da UBS; perda materna

  • Risco socioeconômico: desemprego, ausência de escolaridade materna, área social de risco, idade materna, parto fora de ambiente hospitalar, nº de filhos vivos e mortos > = 5 anos; mãe portadora de alguma patologia e/ou deficiência mental, renda familiar

  • Risco nutricional: desmame precoce, aleitamento misto, introdução precoce de alimentos inadequados para idade; desnutrição

  • Risco biológico: baixo peso ao nascer, prematuridade, patologia com internação após alta materna, malformação congênita, gemelaridade.

É importante, identificar as crianças de risco ao nascer ou de risco adquirido durante a sua evolução para que seja possível planejar adequadamente ações que lhes assegure o melhor padrão de crescimento e de desenvolvimento.

5. Organização da Assistência à Criança

A organização da assistência, inicia-se pela captação precoce da criança, ainda na vida uterina, devendo assim, contemplar uma série de atividades programadas, de atendimentos individuais e coletivos e atividades educativas e promocionais com as famílias. Em qualquer circunstância, o acesso ao serviço de saúde deve ser garantido.

Toda oportunidade de contato com a família e a criança, seja em visita domiciliar pelo Agente Comunitário de Saúde, em demanda espontânea na UBS, deve ser aproveitada para a inscrição no programa e início das atividades previstas. Todas as crianças da área de abrangência da UBS devem estar cadastradas e incluídas no programa de acompanhamento.

O eixo da assistência à criança é centrado em seu acompanhamento do crescimento e desenvolvimento. O Cartão da Criança é o principal instrumento utilizado para esse acompanhamento e deve ser visto com um “cartão de identidade” da criança até cinco anos.

6. Atribuições Do Enfermeiro Na Assistência À Criança Saudável

  • Realizar consulta de enfermagem.

  • Realizar visitas domiciliares nos primeiros sete dias de vida do recém nascido e quando necessário.

  • Realizar busca de faltosos

  • Orientar, treinar e supervisionar os auxiliares de enfermagem em suas atividades relacionadas à saúde da criança.

  • Definir atribuições e delegar tarefas para a equipe de enfermagem.

  • Promover a integração da equipe no desenvolvimento das atividades.

  • Promover atividades educativas na UBS e na comunidade tanto individual quanto coletiva.

  • Promover acompanhamento e orientação sobre aleitamento materno.

  • Marcar os dados antropométricos no gráfico de crescimento (após mensuração e pesagem em consulta), ensinando as mães como interpretá-los e informar sobre a importância dos mesmos.

  • Agendar, orientar e executar a vacinação das crianças.

  • Prescrever as dietas alimentares, quando necessário, e orientar as mães quanto ao seu preparo e oferta às crianças.

  • Prescrever medicamentos básicos, conforme a lei do exercício profissional (Lei 7498), aprovados pela secretaria de saúde, conforme em anexo n.º 7.5.4.

  • Orientar os familiares das crianças e auxiliares de enfermagem quanto às prescrições.

  • Fazer a solicitação de exames, estabelecidos pela secretaria de saúde, quando necessário.

7. Atividades educativas na assistência á criança

Vale ressaltar a importância das atividades educativas na assistência de enfermagem às crianças. Tais atividades devem permear todas as ações desenvolvidas. Além da educação individual durante as consultas, o(a) enfermeiro(a) deverá promover atividades educativas coletivas, sejam elas em grupo dentro e fora da UBS (escolas, creches, grupos de mães, sala de espera ...) ficando a critério das equipes a operacionalização de tais atividades.

8. Seguimento da Criança

8.1. O Calendário de Acompanhamento

O acompanhamento da criança, inicia-se com a visita domiciliar durante a primeira semana após nascimento. Recomenda-se no primeiro ano de vida, sendo uma etapa de grande vulnerabilidade, um total de 7 consultas individuais, realizadas por médicos e enfermeiros. No segundo ano, são recomendadas 2 consultas individuais e a partir de 2 anos, até 5 anos, 1 consulta individual ano.

Sugerimos o seguinte acompanhamento:

  • Mensal até 6 meses de idade

  • Trimestral entre 6 meses à 2 anos de idade

  • Semestral entre 2 à 5 anos de idade

A primeira consulta à criança deve ser realizada pelo médico. As demais podem ser desenvolvidas pelo(a) enfermeiro(a) ou intercaladas com o médico conforme critério da equipe desde que a criança seja classificada como sadia.

8.2. Roteiro Para o Exame Físico e Particularidades da Criança

Os dados antropométricos ( peso, altura e perímetro cefálico) devem ser realizados em todos os atendimentos e anotados no Cartão da Criança e analisados em curvas de crescimento adequadas.

O exame não deve ser realizado quando a criança encontra-se co fome e irritada, nem após a amamentação, pois pode provocar a regurgitação do leite ingerido, além de estar hipotônico e sonolento. O exame deve ser rápido e completo, pois o recém-nascido tolera pouco a exposição ao frio, com risco de hipotermia. Inicia-se sempre pela avaliação da freqüência respiratória (contar 1 minuto) e cardíaca, seguida da ausculta desses aparelhos. Esta etapa do exame dever ser realizada, de preferência, com o RN ainda vestido, pois a manipulação desencadeia reflexos primitivos, choro e taquicardia, falseando a avaliação. Na sequência avaliar a atividade espontânea do RN, sua reatividade e tônus, a qualidade do choro, temperatura corporal, estado de hidratação, perfusão capilar e reflexos (moro, sucção, preensão palmar, plantar e de marcha)

Inspeção geral: - visão geral: pele e mucosas: cianose, icterícia ou palidez

- estado de consciência

- aparência

- grau de atividade

- desenvolvimento

Cabeça: Inspeção: face, implantação do cabelo, do pavilhão auricular, grau de palidez na

conjuntiva e na mão, pêlos, pescoço (tumorações)

Palpação: crânio: conformação, fontanelas e grau de tensão dessas, perímetro cefálico, tumefações (bossa)

olhos: mucosa conjuntiva (coloração, lesões), presença de nistagmo,

estrabismo, exoftalmia, secreções

nariz: obstrução, mucosa, batimentos de asa de nariz

boca: dentes, gengiva, língua, amígdalas, lábios, mucosa oral, palato

linfonodos: tamanho, consistência, mobilidade e sinais inflamatórios

pescoço: tumorações,lesões, rigidez, palpação da traquéia, pulso venoso

Membros Superiores: Inspeção: lesões de pele, cicatriz de BCG, articulações, simetria

Percussão: reflexos

Palpação: temperatura axilar, reflexo de preensão palmar, linfonodos

axilares, perfusão capilar, pulso radial, unhas, simetria,

tônus e força muscular

Tórax: Inspeção: forma, simetria, mobilidade, lesões na pele, respiração (tipo,ritmo, amplitude

Freqüência,esforço respiratório) e mamas (desenvolvimento e simetria)

Percussão: timpanismo ou macicez

Palpação: linfonodos supraclaviculares, expansibilidade, pontos dolorosos

Ausculta: ruídos respiratórios audíveis, caracterização de sons respiratórios, ruídos

adventícios

Região Posterior

do Tórax: Inspeção: forma, simetria, mobilidade e lesões de pele

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