Manutenção de Sistemas Elétricos

Manutenção de Sistemas Elétricos

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Disciplina: MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE ENERGIA

Objetivos: Conhecer as técnicas de gerência de manutenção elétrica e execução de manutenção em equipamentos, máquinas elétricas e instalações elétricas.

Conteúdos

1 - Introdução

      • Conceito de manutenção; Histórico; organização da manutenção;

2 - Métodos de manutenção

      • Corretiva, preventiva, produtiva;

3 - Programação da manutenção; planejamento e organização da manutenção;

4 - Manutenção de equipamentos elétricos

      • Banco de capacitores, motores elétricos, transformadores, disjuntores, etc.

1 Introdução à Manutenção de Sistemas Elétricos

Atualmente as palavras produtividade e qualidade fazem parte do cotidiano das sociedades como sendo frutos da globalização. Quando se fala sobre Manutenção isto também é verdadeiro.

Nos primórdios a manutenção era considerada como uma despesa das empresas, mas já há algum tempo, passou para o patamar de investimento.

A área de manutenção tem se destacado cada vez mais como item fundamental no sucesso das empresas e de forma geral, o impacto de uma manutenção inadequada e ineficiente pode comprometer a rentabilidade de um negócio e a sobrevivência de um empreendimento.

O nível da organização da manutenção reflete as particularidades do estágio de desenvolvimento industrial de um país.

Com a degradação ou envelhecimento dos equipamentos e instalações, surgiu a necessidade de uma racionalização das técnicas e dos procedimentos de manutenção.

Foi nos países europeus e norte-americanos onde a idéia da organização da manutenção iniciou, devido a maior antiguidade do seu parque industrial. Surgiu então a palavra:

Maintenance

Manutention

Manutenção

De uma forma geral a manutenção constitui-se na conservação de os equipamentos, de forma que todos estejam em condições ótimas de operação quando solicitados ou, em caso de defeitos estes possam ser reparados no menor tempo possível e de maneira tecnicamente mais correta.

A partir de então, todas as grandes e médias empresas na Europa e América do Norte dedicaram grande esforço ao treinamento do pessoal nas técnicas de organização e gerenciamento da manutenção.

No Brasil, no início do seu desenvolvimento industrial, a baixa produtividade industrial, baixa taxa de utilização anual e os altos custos de operação e de produção, refletiam justamente um baixo nível ou até inexistência quase total de organização na manutenção.

No entanto, com o passar dos anos e o amadurecimento industrial, fez-se sentir a necessidade de reestruturação no nível e na filosofia da organização da manutenção, de modo que hoje podemos até dizer, que a manutenção ganha o seu destaque no processo produtivo.

Nos últimos 20 anos a atividade de manutenção tem passado por mais mudanças do que qualquer outra. Dentre as principais causas, podemos citar:

. Aumento, bastante rápido, do número e diversidades dos itens físicos (instalações, equipamentos e edificações) que têm que ser mantidos;

. Projetos muito mais complexos;

. Novas técnicas de manutenção;

. Novos enfoques sobre a organização da manutenção e suas responsabilidades.

1.2 Histórico da Manutenção

A evolução histórica da manutenção acompanha o próprio desenvolvimento do setor industrial, tendo sido muito impulsionada e organizada devido às necessidades do setor militar. O processo evolutivo pode ser dividido em três gerações (Tabela 1.1), onde cada uma possui suas particularidades e características.

1.3 Definições Importantes

Dentro dos sistemas elétricos e em especial na área de manutenção, alguns termos são muito utilizados e devem ser perfeitamente compreendidos. Dentre os vários destaca-se

os principais:

1. Instalação: conjunto de partes, elétricas ou não, necessárias ao funcionamento de um sistema elétrico ou de algum de seus elementos, como usinas, subestações, linhas de transmissão, indústrias etc;

2. Equipamento: unidade funcional, completa e distinta que exerce uma ou mais funções elétricas relacionadas com geração, transmissão, distribuição ou utilização de energia elétrica;

3. Defeito: qualquer anormalidade encontrada em uma instalação ou equipamento que não o impossibilite de permanecer em funcionamento ou disponível para a operação, mas que afete o grau de confiabilidade e/ou desempenho especificado ou esperado para essa instalação / equipamento;

4. Falha: efeito ou conseqüência de uma ocorrência acidental em uma instalação ou equipamento que acarreta sua indisponibilidade operativa em condições não programadas, impedindo-o de funcionar e, portanto, de desempenhar suas funções;

5. Confiabilidade: é a probabilidade com a qual um equipamento ou instalação possa desempenhar sua função requerida, por um intervalo de tempo estabelecido, sob condições definidas de uso;

6. Manutenabilidade: capacidade de um equipamento, instalação ou sistema de ser mantido ou recolocado em condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sob determinadas condições, obedecendo aos procedimentos e meios prescritos;

7. Desempenho: comportamento de um equipamento ou instalação no exercício de suas funções, em geral expresso pela relação de seu comportamento real pelo previsto ou de um padrão;

8. Disponibilidade: é o estado de um equipamento ou instalação que se encontra cumprindo ou em condições de cumprir, total ou parcialmente, suas funções;

9. Reparo: recuperação ou troca de componentes de um equipamento, proveniente de

uma ocorrência que provocou sua indisponibilidade;

10. Vida útil: é o tempo em que um equipamento desempenha a sua função, contado a partir da sua entrada em operação até a sua desativação ou reabilitação total.

11. Ocorrência: qualquer mudança do estado de operação normal de um equipamento, componente ou sistema que acarreta a sua indisponibilidade;

12. Inspeção: atividade de examinar certas características técnicas aparentes ou com reflexos superciais, de determinado componente, facilmente percebidas pelos sentidos humanos, com o objetivo de avaliar as suas condições;

13. Conservação: conjunto de medidas de caráter operacional, periódicas ou permanentes, que visam a conter as deteriorações em equipamentos e instalações.

1.3.1 Conceito de Manutenção

Conjunto de ações que permitem manter e/ou restabelecer uma função de um equipamento dentro de um estado específico ou na medida necessária para assegurar um determinado serviço ou resultado.

. Manter - ação de prevenir ou antecipar;

. Restabelecer - ação de corrigir ou recuperar;

. Estado específico - condições normais ou esperadas de funcionamento.

1.4 – Objetivos da Manutenção

Os principais objetivos da manutenção são:

  • Manter os equipamentos e os processos em condições ótimas;

  • Obter a eficácia e eficiência nos custos.

  • Eliminar falhas reincidentes;

  • Aperfeiçoar os Planos de Manutenção visando aumento de disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos;

. Cumprir o Plano de Manutenção estabelecido;

. Sistematizar a obtenção das informações dos indicadores da manutenção;

. Definir equipamentos reserva e sobressalentes para equipamentos do sistema;

. Sistematizar procedimentos para atendimento de emergências para falhas críticas;

. Desenvolver e implantar novas técnicas e tecnologias para equipamentos;

. Aperfeiçoar o conhecimento técnico das equipes de manutenção;

. Padronizar e implantar os Centros de Planejamento da Manutenção.

1.3.3 Focos da Manutenção

Os planos de manutenção possuem ênfases nos itens:

Manutenabilidade - ex.: locais de difícil acesso, excesso de parafusos, peso e/ou dimensões elevadas;

Confiabilidade - ex.: não falhar com frequência, melhor performance de componentes, redundâncias de sistemas;

Disponibilidade - ex.: maior velocidade de restabelecimento, reduzido número de falhas;

Durabilidade - ex.: elevado tempo de vida útil.

Ainda hoje, numa grande maioria dos empreendimentos tecnológicos, os responsáveis pela manutenção se encontram ausentes dos grupos que concebem, projetam e montam as usinas e as instalações industriais e serviços.

Ainda hoje, numa grande maioria dos empreendimentos tecnológicos, os responsáveis pela manutenção se encontram ausentes dos grupos que concebem, projetam e montam as usinas e as instalações industriais e serviços.

Projetar uma instalação sem que ninguém, até no momento de partida, trate da organização e da sistematização prévias das atividades de manutenção, constitui uma grande falha. Nestes casos, nos primeiros meses de funcionamento é normal acumularem-se problemas graves e multiplicarem-se e alongarem-se as paradas por defeitos devido às seguintes insuficiências:

. Ausência de pessoal de manutenção com conhecimento inicial das instalações;

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