Bibliologia do Livro de Eclesiaste

Bibliologia do Livro de Eclesiaste

O Livro de Eclesiastes

Análise nº 21

Palavra chave: "Debaixo do sol"

Mensagem: “A vida separada de Deus é cheia de cansaço e desapontamento”.

NOME: Emprestado da Septuaginta. Na Bíblia hebraica é chamado Kohelet. Embora o significado desta palavra seja incerto, tem sido traduzida em português como "pregador", ou alguém que dirige uma reunião.

 

CONTEÚDO:

 

O livro contém as reflexões e experiências de um filósofo cuja a mente estava em conflito sobre os problemas da vida.

 

Depois de falar das desilusões que havia tido, apresenta o enfoque do materialismo epicureu - que não há nada melhor que o gozo carnal dos prazeres da vida.

 

À medida que esta idéia aparece repetidamente através do livro, é evidente que o escritor lutava com ela, enquanto que ao mesmo tempo expressava verdades profundas acerca do dever e das obrigações do homem para com Deus.

 

Finalmente, parece sair de suas especulações e dúvidas até alcançar a conclusão nobre de 12:13: "Teme a Deus", e guarda os seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem.

 

SINOPSE:

 

Caps. 1-2.

 

(1) Introdução. Reflexões sobre a rotina monótona da vida, 1:1-11.

(2) A busca de satisfação e felicidade do homem natural.

(a) Não se encontra na aquisição de sabedoria, 1:12-18.

(b) Não se encontra no prazer mundano, 2:1-3.

(c) Não se encontra na arte ou na agricultura, 2:4-6.

(d) Não se encontra nas grandes possessões, 2:7-11.

(3) Conclusões.

(a) O sábio é superior ao insensato, 2:12-21.

(b) Do epicureu - não há nada melhor do que comer, beber e gozar a vida, 2:24-26.

 

Cap. 3. O ponto de vista do homem natural acerca da cansativa rotina da vida.

 

(a) Há um tempo para tudo, vs. 1-8.

(b) A conclusão do materialista, vs. 13-22.

 

Cap. 4. O estudo dos males sociais afasta da fé, vs. 1-15.

 

Conclusão: tudo é sem sentido e inútil, v. 16.

 

Cap. 5.

 

(a) Conselhos acerca dos deveres religiosos, vs. 1-7.

(b) A insignificância das riquezas, vs. 9-17.

(c) A conclusão é - comer, beber e gozar a vida, vs. 18-20.

 

Cap. 6. A falta de sentido de uma vida longa, vs. 3-12.

 

Cap. 7.

 

(a) Uma série de ditos sábios, vs. 1-24.

(b) Conclusões acerca da mulher má, vs. 25-28.

 

Cap. 8.

 

(a) Deveres civis, vs. 1-5.

(b) A incerteza da vida, vs. 6-8.

(c) A certeza do juízo divino, e as injustiças da vida, vs. 10-14.

(d) A conclusão epicuréia, v. 15.

(e) A obra de Deus e o homem, vs. 16-17.

 

Cap. 9.

 

(a) Coisas similares sucedem aos justos e aos maus; o túmulo é a meta da vida, o homem é uma criatura de circunstâncias. Conclusão epicuréia: Comamos e bebamos porque amanhã morreremos, vs. 1-9.

(b) A sabedoria é preeminente, ainda que às vezes não seja apreciada, vs. 13-18.

 

Cap. 10. Vários ditos sábios, o contraste entre a sabedoria e a insensatez, etc.

 

Cap. 11.

 

(a) Conselhos acerca da generosidade, vs. 1-6.

(b) Conselhos ao jovem, vs. 9-10.

 

Cap. 12. Uma descrição poética da velhice, vs. 1-7. As últimas palavras do pregador e a conclusão final acerca do dever primordial do homem, vs. 8-14.

 

O VALOR DE UMA CHAVE

 

1) Não é possível ler e compreender, com proveito, certos livros da Bíblia sem que, antes de tudo, se ache a chave do estudo. Talvez nenhuma outra porção das Sagradas Escrituras necessite tanto da chave para o estudo como Eclesiastes.

 

2) Admira-nos o fato do livro ter despertado o interesse dos ateus. Diz-se que Volney e Voltaire apelavam para ele em defesa de seu ceticismo filosófico. Ninguém pode ocultar as declarações contidas no livro, tão opostas aos sagrados ensinos bíblicos. Parecem aprovar coisas indignas dos cristãos. Ler: 1:15, 2:24, 3:3, 4, 11, 19 e 20, 7:16 e 17, 8:15.

 

INDISPENSÁVEL

 

Mesmo considerado contraditório e incompreensível, não o podemos dispensar, pois é, largamente, citado no Novo Testamento. Cap. 7:2 em Mat. 5:3,4; Cap. 5:2 em Mat. 6:7; Cap. 6:2 em Lucas 12:20; Cap. 11:5 em João 3:8, Cap. 12:14 em II Cor. 5:10, Cap. 5:1 em I Tim. 3:15; Cap. 5:6 em I Cor. 11:10.

 

FATOS CIENTÍFICOS

 

Contém declarações sobre fenômenos científicos, rigorosamente certas. “Sendo tão maravilhosas essas afirmações, o estudante incauto corre o perigo de tomar a Bíblia em defesa de conhecimentos científicos. Fato curioso é o das afirmações de Salomão sobre a evaporação das águas e a formação de chuvas, coincidirem, perfeitamente, com as descobertas dos sábios de nossos dias a esse respeito. Alguns têm dito que a teoria de Redfield sobre as tempestades tem sua origem aqui. Sem penetrarmos em tal campo, perguntamos: quem ensinou a Salomão o emprego de termos que, claramente, exprimem fatos, e quem revelou a ele que o movimento dos ventos, tido por muitos sem lei, se rege por leis tão positivas como as que determinam o crescimento da planta; e ainda, que, por evaporação, as águas que caem sobre a terra, sobem novamente e tornam a descer de sorte que o mar nunca transborda? – cap. 12:6, é uma descrição poética da morte; como “cadeia de prata” descreve a espinha dorsal; o “copo de ouro” é a caixa craniana; o “cântaro” são os pulmões; a “roda” é o coração. Sem pretendermos afirmar que Salomão fosse inspirado a revelar algo positivo sobre a circulação do sangue, 26 séculos antes que Harvey a revelasse, veja-se a assombrosa linguagem que ele usa, e que evoca a figura duma roda puxando água através dum cano para despejar noutro”. (Dr. Pierson).

 

CARÁTER

 

1) Não há dúvida de que Salomão é o autor do livro, 1:1 e que é certamente, a autobiografia de sua vida dramática cheia de experiências difíceis desde que se desviou de Deus e apelou para recursos pessoais para alcançar a felicidade. Este livro originou-se no triste afastamento de Salomão.

 

2) Regenerou-se Salomão? Foi restaurado? Os últimos versos do livro parecem declarar, de maneira decisiva, que o foi.

 

PALAVRA CHAVE

 

1) É pródigo em palavras chave: “debaixo do sol”, encontra-se 29 vezes; “vaidade”, 37 vezes”: “debaixo do céu”, 3 vezes; “sobre a terra”, 7 vezes.

 

2) A verdadeira chave é: “debaixo do sol”. Tem sido chamado, com justiça, o “livro do homem natural”. É interessante que o título da Aliança, Jeová não é mencionado nenhuma vez. Este livro se refere, unicamente, ao homem em relação ao seu Criador. O livro é uma exposição da longa experiência humana, ressaltando os resultados de uma tentativa feita para viver sem Deus.

 

3) Mas, para o cristão, viver não é apenas existir “debaixo do sol”, mas “acima do sol”, “assentado, com Cristo, nos lugares celestiais”. E, aquilo que, “debaixo do sol” se diz impossível, o homem de Deus, “acima do sol”, conhece e afirma ser, gloriosamente, possível. “Debaixo do sol”, é a vida materialista e natural; “acima do sol” é a vida sobrenatural. O impossível ao homem, é possível a Deus. Ler: Isaías 40:4 e 42:16 – Lucas 3:5 e 13:13 – Filip 2:15 e 1:9 – II Cor. 5:17 e Apoc. 21:5.

 

MENSAGEM

 

A mensagem do livro é que, separada de Deus, a vida de enche de enfado e desapontamento. Ainda bem que ao Eclesiastes segue Cantares de Salomão, um é complemento do outro. Em Eclesiastes aprendemos que sem Cristo não podemos ser felizes, mesmo que possuamos o mundo inteiro, o que é por demais pequeno para o coração. Nos Cantares de Salomão, o ensino é que se renunciarmos o mundo e concentrarmos toda a nossa afeição em Cristo, não poderemos sondar a infinita preciosidade e excelência do seu amor. O objeto, Cristo, é demasiadamente grande para o coração.

 

ANÁLISE

 

1) O problema – 1:1-3

Como satisfazer-se e viver feliz sem Deus?

 

2) A experiência – 1:4 – 12:12

Ele buscou satisfazer-se com:

a) Ciência, 1:4-11, mas colheu enfadonha monotonia.

b) Sabedoria e filosofia, 1:12-18, tudo sem nenhum proveito

c) Prazeres, 2:1-11, em alegria, 1 – em beber, 3 – em construir, 4 – em ter grandes possessões, 5-7 – em riquezas e música, 8 – tudo em vão.

d) Materialismo, 2:12-26, vivendo só para o presente.

e) Fatalismo, 3:1-15

f) Deísmo, 3:16 até o fim do cap. 4, aí tudo falhou.

g) Religião (sem Deus), 5:1-8

h) Riquezas, 5:9 até o fim do cap. 6, sem satisfação

i) Finalmente experimentou: Moralidade, 7:1 a 12:12. Aqui ele respira numa atmosfera mais pura. Eleva-se a um plano superior. Mas, nem a moralidade o satisfez.

 

3) Salomão surge aos nossos olhos, cada vez, como homem de ciência e de prazer; como fatalista e materialista; como céptico, epicurista e estóico, com poucos intervalos ardentes e brilhantes, até o fim do livro. Mas, no fecho da obra, ele se desliza de todas as vaidades enganosas e se firma, aos nossos olhos, como o mais nobre tipo humano: o arrependido e o crente.

Notar: “dever” está em grifo, isto é, “este é o homem íntegro”. Como que dizendo: fazendo isto serei o todo e não a metade de um homem, portanto, santo!

Somente Deus pode satisfazer.

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