Métodos de desinfecção no ambiente

Métodos de desinfecção no ambiente

(Parte 1 de 4)

Rafael Massad Manso Brasília, jul. 2008

Aluno do curso de Pós – Graduação em Medina Veterinária da QUALITTAS Matrícula 0 – 0

Trabalho monográfico de conclusão do curso de pós graduação em Medicina

Veterinária (TCC), apresentado á UCB como requisito parcial para a obtenção do título de pós graduação em Medicina Veterinária, sob a orientação

da Profª

Elaborado por Rafael Massad Manso Aluno do curso de Pós – Graduação em Medina Veterinária da QUALITTAS

grau
Brasília, _ dede ___

Foi analisado e aprovado com

Dedico este trabalho aos meus pais e minha namorada, pelo incentivo e oportunidade que me deram para a realização deste trabalho.

Agradecimentos

que de alguma forma contribuíram para

A minha orientadora, professores do curso e todos os colegas da Pós-Graduação a realização deste trabalho.

Desinfetantes são agentes que destroem microorganismos patogênicos, embora não inativem todos os vírus e bactérias formadoras de esporos. Por costume desinfecção diz respeito ao uso de substâncias germicidas em objetos inanimados, enquanto anti-sepsia é o uso destas substâncias químicas antimicrobianas em tecido vivo. O ambiente local da ferida tem enorme impacto sobre a capacidade das bactérias de estabelecer uma infecção. A interação entre as bactérias e o hospedeiro, embora sob influência sistêmica, é determinada em última análise por fatores locais na ferida. Em relação aos ambientes cirúrgicos a escolha do produto desinfetante mais indicado para o uso pretendido depende da análise previa do tipo de material ou superfície a ser tratada, do tipo de sujidade existente, do tipo de microorganismos predominantes e do ambiente onde será aplicado. Serão abordados os principais microorganismos encontrados, e serão relatados os anti-sépticos mais utilizados na desinfecção do ambiente e da anti-sepsia do paciente, além dos principais métodos para tornar o ambiente cirúrgico limpo e livre de contaminações.

Desinfectants are agents that destroy pathogenic microorganisms, although it cannot necessarily inactivate all viruses and bacterias from forming spores. By custom desinfection relates to the use of germicidal substances in inanimate objects, while antisepsis is the use of antimicrobial chemicals in living tissue. The wound 's local environment has enormous impact on the ability of the bacteria to establish an infection. The interaction between bacteria and its hosts, while under systemic influence, it is ultimately determined by the wound.Regarding the choice of the desinfectant products of surgical environment the more suitable product depends on the type of material or surface to be treated, the type of existing dirt, the predominant type of microorganisms and the environment where it will be applied. It will examine the main microorganisms found, and what type of antiseptics are more used to desinfect environments and also the antisepsis of patients, in addition to the main methods for making surgical environments clean and free of contamination.

Figura 01: Staphylococcus sp9
Figura 03: Microscopia eletrônica da Pseudomonas sp1
Figura 04: Bacillus sp16
Figura 05: Crescimento da bactéria proteus em meio de cultura18
Figura 06: Escherichia coli21
Figura 07: Microscopia eletrônica da E.coli21
Figura 08: Permanganato de potássio sólido26
Figura 09: Solução aquosa de permaganato de potássio26
Figura 10: Hipoclorito de sódio38
a 5% em toda a região41
Figura 12: Solução de tintura de PVPI43
Figura 13: Ferida do Membro posterior esquerdo46
Figura 14: Ferida na região ventral do pescoço47

LISTA DE FIGURAS Figura 02: Crescimento da bactéria Staphylococcus em meio de cultura..9 Figura 1: Colocação de panos cirúrgicos e aplicação de tintura de iodo Figura 15: Sala de cirurgia de pequenos animais.......................................49

sistemas corporais5

Tabela 01: Microorganismos mais comumente isolados a partir de vários

Tabela 03: Desinfetantes comuns usados na clínica veterinária50
Tabela 04: Regras de técnica asséptica53
profiláticos59

Tabela 02: Classificação de feridas operatórias em relação a contaminação.48 Tabela 05: Considerações para escolha e administração de antibióticos

RESUMOVI
ABSTRACTVII
LISTA DE FIGURASVIII
LISTA DE TABELASIX
1. INTRODUÇÃO1
2. DESENVOLVIMENTO4
2.1. POSSÍVEIS CONTAMINANTES DE FERIDAS CIRÚRGICAS4
2.2. MICROORGANISMOS ENVOLVIDOS8
2.2.1. STAPHYLOCOCCUS SPP8
2.2.2. PSEUDOMONAS SPP1
2.2.3. CORYNEBACTERIUM SPP14
2.2.4. BACILLUS SPP16
2.2.5. PROTEUS SPP18
2.2.6. E.COLI spp20
2.3. ANTI-SÉPTICOS UTILIZADOS24
2.3.1. PEROXIDO DE HIDROGÊNIO24
2.3.2. PERMANGANATO DE POTÁSSIO26
2.3.3. GLUCONATO DE CLOREXIDINA28
2.3.4. GLUTARALDEIDO30
2.3.5. FORMALDEIDO32
2.3.6. ÁLCOOL34
2.3.7. HIPOCLORITO DE SÓDIO37
2.3.8. IODO40
2.3.9. POVIDINE – IODINE (PVPI)43
2.4. COMPLICAÇÕES PÓS – CIRURGICAS – FERIDAS45
2.5. TRATAMENTO49
2.5.1. AMBIENTES CIRURGICOS49
2.5.2. PACIENTES CIRÚRGICOS54
3. CONCLUSÃO61

1. INTRODUÇÃO

Klebbs foi o primeiro pesquisador, em 1872, a chamar a atenção para a possível origem bacteriana dos processos purulentos, descrevendo o Microsporon septicum como seu agente. Até então, atribuía-se a formação de pus a qualquer processo irritativo que induzia o organismo a produzi-lo, sem nenhum significado específico. Discutia-se então, como se formava o pus, e Wirchow afirmava que o fato se devia exclusivamente às células fixas do tecido, enquanto Conheim dava maior significado aos leucócitos que saíam dos vasos por diapedese.Klebbs não só chamou a atenção para os cocos, como filtrou pus, mostrando que o filtrado era inócuo e a parte retida que o continha provocava fenômenos típicos de supuração. Pouco após, Heuter também lhes atribuía o poder supurativo e, em 1875, Bergeron também demonstrava a presença de bactérias no pus (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

As infecções de feridas são complicações cirúrgicas comuns, potencialmente graves e com freqüência dispendiosas. Cerca de 5% de pequenos animais que sofrem cirurgia desenvolvem infecções pós-operatórias , apesar do amplo uso de medidas para reduzir a contaminação bacteriana durante a cirurgia e do uso disseminado de antibióticos. O impacto destas infecções pode variar de pequena morbidade rapidamente resolvida à problemas mais graves. Nos seres humanos, as infecções pós-operatórias de ferida representam 25% de todas as infecções nosocomiais (de base hospitalar) e podem prolongar acentuadamente a duração da hospitalização. Em animais, as infecções pós-operatórias da ferida constituem o tipo mais comum de infecções adquiridas no hospital. É fundamental conhecer os fatores que influenciam as infecções da ferida cirúrgica, particularmente quando são utilizados protocolos anestésicos e procedimentos cirúrgicos cada vez mais sofisticados em pacientes com alto risco de infecção pós-operatória (FOSSUM, 2005).

Sempre que a integridade dérmica for interropida, tal como durante uma cirurgia, microrganismos ganham acesso a tecidos internos. As bactérias que contaminam ferimentos cirúrgicos geralmente se originam da flora endógena do paciente, dos funcionários da sala de cirurgia e do ambiente. Para evitar a contaminação de um ferimento, devem-se seguir regras de técnica asséptica, infringi-las os pacientes serão sujeitos ao risco de infecção ou doença (SLATTER, 2007).

O potencial da pele como reservatório de microrganismos com ação contaminante para a ferida cirúrgica é bem conhecido (GRÖSCHEL e PRUETT, 1991). Esses microrganismos são reduzidos em número com uma preparação apropriada da pele, minimizando a probabilidade de infecção causada por bactérias presentes na área operatória (STUBBS et al., 1996).Segundo SWAIM et al. (1991), 20% da microflora residente da pele é inacessível a qualquer tipo de desinfecção, pois estão localizadas nas camadas mais profundas (PENILDON, 1985).

O termo desinfecção corresponde à destruição da maior parte dos microrganismos patogênicos presentes em objetos inanimados (não-vivos), enquanto o termo anti-sepsia corresponde à destruição da maioria dos microrganismos patogênicos em objetos animados (vivos). Usam-se antisépticos para matar microrganismos durante a preparação cutânea do paciente e a escarificação cirúrgica; no entanto, a pele não fica esterilizada.A desinfecção geralmente envolve o uso de desinfetantes líquidos. A escolha do desinfetante apropriado depende do resultado desejado. Alguns são eficazes na destruição de um número limitado de microrganismos; outros são eficazes na eliminação de todos os microrganismos, incluindo esporos (SLATTER, 2007).

As técnicas de preparação da pele não eliminam completamente os microorganismos da pele; cerca de 20% das bactérias residentes se localizam nas camadas mais profundas da pele, onde são inacessíveis a soluções antisépticas (FOSSUM, 2005).

Uma técnica asséptica é definida como os métodos e práticas que evitam a contaminação cruzada em cirurgias. Ela implica em preparação apropriada das instalações e do ambiente, do local cirúrgico, da equipe cirúrgica e do equipamento cirúrgico. Para que uma infecção se desenvolva, devem-se introduzir microrganismos no ferimento cirúrgico. A origem dos microrganismos pode ser exógena (ou seja, ar, instrumentos cirúrgicos, equipe cirúrgica ou paciente) ou endógena (ou seja, microrganismos que se originam no corpo do paciente). É impossível eliminar todos os microrganismos de um ferimento cirúrgico e de um campo estéril; no entanto, uma técnica asséptica limita a exposição do paciente a uma quantidade não-prejudicial de microrganismos (SLATTER, 2007).

As esfregaduras antibacterianas são comumente aplicadas à pele por esponjas de gaze umedecidas, embora o uso da mão enluvadas seja mais eficaz na redução das quantidades bacterianas. As escovas para esfregadura causam trauma cutâneo excessivo. A espuma de detergente e uma ação de esfregadura são importantes para a remoção mecânica de resíduos e bactérias. Evita-se esfregadura exagerada, porque causa irritação ou abrasões que são rapidamente colonizadas por bactérias de dentro dos folículos pilosos para a superfície. Utiliza-se água suficiente para produzir uma boa espuma, mas evitam-se os volumes excessivos, porque a molhadela do animal aumenta a perda de calor durante a cirurgia e a contaminação úmida (penetrante) de panos de campos cirúrgicos (FOSSUM, 2005).

A sala cirúrgica raramente é apontada como fonte de contaminação, provavelmente porque o paciente e a equipe são fontes mais significativas. A sala deve constituir um ambiente o mais livre possível de contaminação bacteriana. Todas as superfícies na sala cirúrgica, incluindo paredes, pisos e luzes, devem ser cuidadosamente limpas com desinfetante diariamente, e as mesas são desinfetadas entre cirurgias. As quantidades de bactérias na sala cirúrgica estão diretamente relacionadas ao número de pessoas presentes, à atividade na sala e à quantidade de conversa. Os índices de infecção são mais baixos para as primeiras cirurgias do dia. As portas da sala de cirurgia permanecem fechadas durante a cirurgia, e o transito pela sala deve ser mínimo. Os sistemas laminares de fluxo de ar, se utilizados de maneira adequada, reduzem a contaminação bacteriana no ambiente; o mesmo vale para a manutenção de pressão positiva do ar dentro da sala (FOSSUM, 2005).

2. DESENVOLVIMENTO 2.1. POSSÍVEIS CONTAMINANTES DE FERIDAS CIRÚRGICAS

A descontaminação de tecidos vivos vem ganhando importância, principalmente pela conscientização dos profissionais de saúde de que o paciente é a fonte primária de infecção (RODRIGUES et al. 1997). Toda a ferida cirúrgica deve ser considerada contaminada (SLATTER, 1993), uma vez que os microrganismos vivem na superfície cutânea, especialmente na camada córnea, e também no interior das glândulas sudoríparas, sebáceas e folículos pilosos (RODRIGUES et al. 1997).

O conhecimento das vias de transmissão de microorganismos causadores de infecção e a identificação dos tipos de bactérias envolvidas com a contaminação cirúrgica permitem reduzir a ocorrência e severidade dessas infecções (tabela 01). A microflora endógena do organismo é normalmente a maior fonte de infecção de feridas cirúrgicas, uma vez que os processos de anti-sepsia reduzem efetivamente as bactérias exógenas (SLATTER, 1993).

Tabela 01: Microorganismos mais comumente isolados a partir de vários sistemas corporais.

Procedimento, Sistema ou Afecção Patógenos Prováveis

Cirurgias torácicas (procedimentos pulmonares e cardiovasculares)

Staphylococcus spp, bacilos Gramnegativos

Cirurgias ortopédicas (por exemplo, substituição coxofemoral total, fixação interna prolongada)

Staphylococcus spp.

Cirurgias gástricas e intestinais superiores (pacientes de alto risco)

Cocos Gram-positivos, bacilos Gramnegativos intestinais

Cirurgias no trato biliar (pacientes de alto risco)

Bacilos Gram-negativos intestinais, anaeróbios (especialmente Streptococcus spp., Clostridium spp)

Cirurgias colorretais Bacilos Gram-negativos intestinais, anaeróbios (especialmente Bacteróides spp., Streptococcus spp)

Sistema urogenital (por exemplo, piometra, endometrite)

Escherichia coli, Streptococcus spp., anaeróbios

Ferimentos penetrantes e profundos (por exemplo, ferimentos com menos de 6h, ferimentos por mordedura)

Bactérias facultativas, anaeróbios

Odontologia (pacientes com cardiopatia valvular)

Staphylococcus spp., Streptococcus spp., bactérias facultativas, anaeróbios

Fonte: Slatter, 2007

Todas as formas de remoção de pêlos causam algum trauma e inflamação cutâneos. A agressão à pele é seguida por rápida colonização bacteriana. Os índices de infecção da ferida cirúrgica aumentam conforme aumenta o tempo entre a remoção dos pêlos e a cirurgia. Quando os pêlos são removidos do local antes da indução anestésica, o local cirúrgico tem três vezes mais probabilidade de se infectar do que se a pelagem for removida depois da indução anestésica. A remoção da pelagem das áreas ao redor de feridas abertas requer cuidados especiais para evitar a contaminação da ferida por pêlos soltos e resíduos. A proteção da ferida com esponjas embebidas em solução salina ou géis hidrossolúveis é eficaz. Os pêlos removidos são coletados com vácuo o mais rapidamente possível. O animal inteiro e a superfície da mesa devem ser limpos com aspirador para garantir que todos os pêlos e caspas livres sejam removidos. Isso reduz a contaminação do local cirúrgico e da sala cirúrgica (FOSSUM, 2005).

Há consenso em relação a fontes geradoras de partículas capazes de carrear microorganismos causadores de infecção hospitalar, que são classificadas em fontes internas: pessoas, os ventiladores, os aparelhos de ar condicionado, os nebulizadores, umidificadores, vasos de plantas, e certos tipos de alimentos. Quanto às fontes externas, temos o solo, a água, o material orgânico em decomposição, a poeira de construção e reformas (MOSCATO, 2000). Observa-se ainda, que muitas destas fontes geradoras estão dentro do ambiente de centro cirúrgico.

Um indivíduo normal pode eliminar 3.0 a 60.0 microorganismos por minuto, e o numero de partículas de 0,3 micrometros emitidas por minuto pode variar entre 100.0 e 5.0.0 (DENEGRIT & DROUILLY, 1981). Estas partículas funcionam como substrato para a multiplicação microbiana, que duplicam de número a cada vinte minutos (DANTAS, 1998).

Bactérias, escamas de pele, fibras e outras poeiras contaminam o ar da sala de operação e através de correntes de ar turbulentas, depositam-se nas superfícies (DHARAN & PITTET, 2002).

A contaminação do ar ambiente e, consequentemente, dos filtros de sistema de ar condicionado das salas de operação, devido à dispersão dos fragmentos de pele do pessoal que trabalha nas salas de operação, ocorre a partir da exposição da pele e através dos vãos das fibras dos tecidos de que são feitas as roupas do centro cirúrgico (APECIH, 2001; HAMBRAEUS, 1988).

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