Comunicaçao e interpretaçao de texto

Comunicaçao e interpretaçao de texto

(Parte 1 de 2)

FAPAL

CURSO: DIREITO

DISCIPLINA: INT. PROD. TEXTOS

PROFESSOR: GERALDO CABRAL

ATO DE ESCREVER

O papel da escola é, acima de tudo, propiciar aos seus alunos a formação necessária para que eles sejam usuários da língua culta, necessária à ocupação de posições situadas na escala social.

Os PCN parecem induzir o ensino da língua portuguesa apenas para o uso da linguagem, dando sempre maior ênfase à linguagem verbal, ou seja, o importante é que o ensino da língua materna leve o aluno a desenvolver o processo de comunicação:

O espaço da Língua Portuguesa na escola é garantir o uso ético e estético da linguagem verbal; fazer compreender que pela e na linguagem é possível transformar/reiterar o social, o cultural, o pessoal; aceitar a complexidade humana, o respeito pelas falas, como parte das vozes possíveis e necessárias para o desenvolvimento humano, mesmo que, no jogo comunicativo, haja avanços/retrocessos próprios dos usos da linguagem; enfim, fazer o aluno se compreender como um texto em diálogo constante com outros textos“. (MEC - PCN:1999, P.144).

  • Escrever não é uma tarefa fácil, mas se é preciso escrever, mãos à obra.

ESCREVER

PARA QUÊ?

A comunicação é uma atividade essencial à existência humana. Sem ela, o homem perde a sua função enquanto ser racional e social, diferenciando dos outros seres vivos, e deixa de expressar pensamentos, emoções, opiniões através dos mais variados tipos de linguagem.

Para comunicar-se através da palavra, não basta apenas dominar a língua. É necessário e fundamental saber pensar com objetividade, com clareza e coerência, para ser bem compreendido. Muitas vezes, uma idéia brilhante, uma história fantástica perdem-se em meio a um emaranhado de frases mal construídas e a um discurso mal formulado.

Por isso, antes de mais nada, ao escrever é importante sabermos articular adequadamente o pensamento. Estruturar e coordenar bem as idéias é condição fundamental para que nos expressemos deforma a obter a melhor comunicação possível com o leitor.

COMO?

A correção gramatical não é o aspecto mais importante de um texto. São virtudes primordiais da escrita a clareza e a precisão das idéias, além da coerência e da maneira elegante e sem afetação do exteriorizar o que está armazenado no interior de cada um.

Todas essas qualidades são fruto de um trabalho constante e, até certo ponto, lento, exaustivo, pois as idéias não surgem “prontas”: elas precisam ser trabalhadas, buriladas, aperfeiçoadas.

A linguagem na escrita1

O homem, ao expressar ou transmitir suas idéias e emoções, utiliza um sistema codificado: a linguagem. Essa pode apresentar-se de forma:

. expressiva – isto é, traduzindo as emoções e sentimentos do emissor;

. comunicativa – isto é, manifestando, no seu mais alto grau, a significação exata e precisa daquilo que o emissor quer transmitir.

Uma vez que na escrita não se pode contar com os recursos da língua falada (gestos, expressões fisionômicas, desenhos, cores) é preciso tomar cuidado alguns cuidados com a transmissão da mensagem:

. ordenar as idéias;

. observar a colocação dos termos na oração;

. escolher bem as palavras, evitando impropriedade de termos;

. não sobrecarregar a frase, empregando repetições desnecessárias.

  • “Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo.” (Luft: 2001)

Você concorda com essa afirmação?

Repare: Vi ele ontem - ou - Lhe vi ontem (Vi-o ontem).

Não se esqueça: só se aprende escrever, escrevendo. É somente com a prática de produção textual que se poderá escrever bem. Portanto, o que se pode repassar, são apenas sugestões, pois o que vale mesmo é o exercício constante do ato de escrever.

Não basta estudar técnicas de escrita. É preciso escrever sempre (querer é poder).

ESTILO NA MODALIDADE ESCRITA

.língua culta: é usada pelas pessoas que conhecem a norma culta das diferentes profissões e classes sociais. Pauta-se pelos preceitos vigentes da gramática normativa e caracteriza-se pelo apuro da forma e a riqueza lexical.

. língua popular ou coloquial: é a fala espontânea e fluente do povo. Mostra-se quase sempre rebelde à disciplina gramatical e está eivada de palavras vulgares e expressões de gíria.

Observação: A modalidade escrita da língua é padrão, formal, culta (obedece às regras gramaticais).

O registro formal do português na modalidade escrita deve observar os seguintes itens:

  1. Coerência: é a ligação ou nexo entre os fatos ou às idéias.

  2. Coesão: harmonia, concordância (frases e verbos em concordância entre si).

3) Correção: evidentemente, um texto deve obedecer às regras gerais da língua, ressalvando-se sempre algumas liberdades como conseqüência do estilo (recordamos aqui o conceito de fala: o uso que cada indivíduo faz da língua, conforme sua vontade).

4) Clareza: se o texto não obedece às normas gerais da língua, torna-se pouco claro, difícil de ser compreendido. As palavras devem obedecer a uma determinada lógica, sem se cair, no entanto, num didatismo primário. Ao leitor deve restar sempre o prazer da descoberta.

5) Concisão: a concisão é precisão, exatismo, brevidade; exposição de uma idéia em poucas palavras sem, contudo, comprometer-se a clareza. O oposto é prolixidade; isto é, usar muitas palavras para dizer uma coisa, defeito que deve ser evitado.

6) Elegância: é, em última análise, o resultado final obtido quando se observam as qualidades e evitam-se os defeitos. É o texto agradável de ser lido tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

7) Ambigüidade: vício de linguagem muito comum. Ocorre quando uma frase apresenta mais de um sentido em conseqüência de má pontuação ou da má colocação das palavras.

8) Obscuridade: é o defeito que se opõe à clareza. São exemplos de vícios que acarretam obscuridade: má pontuação, rebuscamento da linguagem, frases excessivamente longos (prolixas) ou exageradamente curtas (lacônicas).

9) Pleonasmo vicioso ou redundância: consiste na repetição desnecessária de um texto ou de uma idéia. Entrar pra dentro // Sair para fora.

10) Cacofonia ou Cacófato: é o sem desagradável resultante da combinação de duas ou mais sílabas de diferentes palavras.

Agora, vamos exercitar um pouco

As questões que se seguem apresentam fragmentos de redações de vestibulandos da FUVEST, coletados pela professora Maria Thereza Fraga Rocoo no seu livro Crise na linguagem – a redação no vestibular.2

Nesses fragmentos há repetições que nada ou quase nada acrescentam de novo, comprometendo a progressão discursiva. Tente reescrever essas passagens, excluindo as repetições.

Questão a

Estou contente agora, mas aposto que vou ficar muito chateado com puxões de orelha e os trotes dos meus colegas. Sei que vão me passar trotes e dar puxões de orelha porque já fui avisado para ir me preparando para os puxões de orelha e trotes porque quando eu aparecer eles vão fazer um trote caprichado.

Questão b

Hoje é o dia mais feliz da minha vida, pois é o dia do meu aniversário de 18 anos. É o dia da minha maioridade. Porque estou completando 18 anos estou super alegre e muito contente. Estou felicíssima mesmo.

Questão c

Hoje será uma oportunidade para descobrir o quanto me consideram e conforme for, eu mudarei o rumo de vida. Sempre achei que hoje seria um dia muito importante em minha vida e estou contente pois o dia chegou e pode mudar completamente o rumo de minha vida... Este bilhete em branco vai mudar o curso da minha vida.

COESÃO E COERÊNCIA

Coesão – promove o sentido entre as idéias que formam um texto, a coesão relaciona-se às peças que interligam o texto, como conjunções, preposições e pronomes. A coesão pe a organização entre os elementos que articulam as idéias de um texto.

Exemplo:

Não-coeso: Ele é muito estudioso, porém sempre tira notas boas.

Coeso: Ele é muito estudioso, por isso sempre tira notas boas.

No primeiro fragmento, o elemento que articula as duas idéias dá o sentido de contradição, sendo que sentido é de conseqüência. Porém, deu noção de contradição e por isso, de conseqüência.

Coerência – é a lógica entre as idéias expostas em um texto. Para se manter coerente, basta saber que a idéia apresentada deve se relacionar ao todo textual, com a seqüência das demais idéias, com a progressão dos argumentos e afirmativas que vêm a ser explicadas.

Exemplo incoerente: O carro era adequado para as viagens de nossa família. Haviam várias malas em meus pés.

Atividades

A - Analise o parágrafo seguinte e explique as razões de sua incoerência:

Na verdade, a televisão é um passatempo mortificante, pois, além de proporcionar às famílias alguns momentos de distração, reduz-lhes o tempo que poderiam dedicar à conversa, que cada vez se torna mais rara entre pais e filhos.

B - Substitua, nas frases abaixo, os conectivos de transição e palavras de referência que sejam inadequadas às relações de idéias que pretendem estabelecer:

a) Levantei-me às 6 horas, pois me tinha deitado às 3:30; dormi, aliás, pouco mais de três horas.

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