Doenças de veiculação hídrica ? estado da paraíba

Doenças de veiculação hídrica ? estado da paraíba

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Danielle Durães Fontana2607094
Maria Gabriela Silva2607087
Anderson Pinheiro2607061
Rodrigo Massoni2607047

TURMA 3AX: Patrícia Cristine R. Fonseca 2607032 Marcos Aurélio Sousa 2607218

Junho / 2009 São Paulo - SP

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A disputa por território entre portugueses e franceses no Brasil - colônia levou dentre muitas, a formação da capitania do Rio Paraíba pelo Rei de Portugal após a tragédia de Tacunhaém em 1534. A preocupação dos lusitanos em conquistar essa capitania se dava pelo progresso da capitania pernambucana (divisa com Paraíba), a quebra da aliança entre índios e franceses além de estender essa colonização para o norte.

Em 1585 a capitania da Paraíba foi finalmente conquistada através da união entre os portugueses e os índios Tabajaras. A partir desta conquista, o Ouvidor Geral Martim Leitão uniu mão de obra para a edificação da Cidade de Nossa Senhora das Neves, nomeando João Tavares o capitão do Forte. Paraíba foi a terceira cidade a ser fundada no Brasil e a última do século XVI.

A divisão entre tribos indígenas, os seguimentos religiosos que acontecia na

Paraíba e o interesse de conquista de território entre portugueses e holandeses fez com que a Paraíba iniciasse seu crescimento com a fundação de algumas vilas elevadas a municípios anos mais tarde. Após a invasão dos holandeses, a capitania passou a ser governada pelos mesmos durante uma década, partindo para conquistas no interior do estado com a ajuda de missionário que partiam para missões de pregar o cristianismo, alfabetizando catequizando os indígenas. Na época colonial, a Paraíba ofereceu no aspecto econômico um traço digno de registro. Entre os principais produtos e fontes de riqueza, destacavam-se o pau-brasil, a cana-de-açúcar, o algodão e o comércio de negros.

Atualmente o Estado da Paraíba possui 223 municípios e é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situada a leste da região Nordeste e tem como limites o estado de Rio Grande do Norte ao norte, o Oceano Atlântico a leste, Pernambuco ao sul e o Ceará a oeste. Ocupa uma área de 56.439,838 km², sua capital é João Pessoa e possui uma população de 3.641.395 habitantes em todo o estado (IBGE, 2007), onde desta população, apenas 1,2% com idade acima dos 60 anos, ou seja, uma população jovem. A Tabela apresenta o mapa de pobreza e desigualdade do estado (IBGE 2003).

Mapa de pobreza e desigualdade

Incidência da Pobreza 57,48%

Limite inferior da Incidência da Pobreza 53,67% Limite superior da Incidência da Pobreza 61,29%

Incidência da Pobreza Subjetiva 61,75%

Limite inferior da Incidência da Pobreza Subjetiva 57,97% Limite superior da Incidência da Pobreza Subjetiva 65,54%

Índice de Gini 0,46

Limite Inferior do Índice de Gini 0,43 Limite Superior do Índice de Gini 0,48

Por ser cortada pelo Planalto da Borborema, a região sertaneja do Estado possui um clima extremamente seco, característico do sertão nordestino. Isso ocorre porque o Planalto da Borborema impede a passagem de massas de ar que iriam provocar chuvas no interior.

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As figuras abaixo apresentam a localização do estado no território brasileiro e a Bandeira adotada atualmente pela Paraíba.

Localização do Estado da Paraíba no território brasileiro.

Bandeira do Estado da Paraíba (IBGE, 2009)

Índices Socioeconômicos:

Segundo pesquisa realizada pelo IBGE em 2008 (Síntese de Indicadores

Sociais 2008) o índice de analfabetismo entre pessoas acima de 15 anos é de 23,5%. A mesma pesquisa apresenta dados econômicos da população local indicando que 68,7% das famílias com crianças de até 6 anos com rendimento familiar de ½ salário mínimo.

Segundo a Pesquisa Industrial Anual (IBGE 2006), há 1.435 unidades locais no estado utilizando mão de obra de 59.543 pessoas. Sob o ponto de vista econômico, considerando a população economicamente ativa correspondente aos setores econômicos, percebe-se que está ocorrendo uma redução no número de pessoas

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Faculdades Oswaldo Cruz ocupando o setor primário paraibano, o que confirma a saída da população do campo. Enquanto isso, nas cidades, o setor terciário está sofrendo aumento gradativo, ao receber a população proveniente do setor primário.

As tabelas e gráficos abaixo apresentam a produção agrícola de Cereais,

Leguminosas e Oleaginosas, bem como da lavoura permanente distribuída pelos municípios do estado (IBGE 2007).

Produção Agrícola Municipal - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas 2007.

Algodão arbóreo (em caroço) - Quantidade produzida 86 Tonelada Algodão arbóreo (em caroço) - Rendimento médio da produção 511 Kg/ha

Algodão herbáceo (em caroço) - Quantidade produzida 2.884 Tonelada Algodão herbáceo (em caroço) - Rendimento médio da produção 560 Kg/ha

Amendoim (em casca) - Quantidade produzida 1.107 Tonelada Amendoim (em casca) - Rendimento médio da produção 771 Kg/ha

Arroz (em casca) - Quantidade produzida 5.044 Tonelada Arroz (em casca) - Rendimento médio da produção 713 Kg/ha

Feijão (em grão) - Quantidade produzida 64.672 Tonelada Feijão (em grão) - Rendimento médio da produção 382 Kg/ha

Mamona (baga) - Quantidade produzida 1.707 Tonelada Mamona (baga) - Rendimento médio da produção 871 Kg/ha

Milho (em grão) - Quantidade produzida 73.693 Tonelada Milho (em grão) - Rendimento médio da produção 460 Kg/ha

Rendimento médio de produção - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas 2007.

Rendimento médio da produção Agrícola

Algodão arbóreo (em caroço) - Rendimento médio da produção

Algodão herbáceo (em caroço) - Rendimento médio da produção

Amendoim (em casca) - Rendimento médio da produção

Arroz (em casca) - Rendimento médio da produção

Feijão (em grão) - Rendimento médio da produção

Mamona (baga) - Rendimento médio da produção

Milho (em grão) - Rendimento médio da produção

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Produção Agrícola Municipal – Lavoura Permanente 2007

Abacate - quantidade produzida 710 tonelada Abacate - rendimento médio 8.068 kg/hectare

Banana - quantidade produzida 242.915 tonelada Banana - rendimento médio 14.926 kg/hectare

Castanha de caju - quantidade produzida 2.901 tonelada Castanha de caju - rendimento médio 360 kg/hectare

Côco-da-baía - quantidade produzida 61.689 mil frutos Côco-da-baía - rendimento médio 5.236 frutos/hectare

Goiaba - quantidade produzida 4.852 tonelada Goiaba - rendimento médio 8.223 kg/hectare

Laranja - quantidade produzida 5.204 tonelada Laranja - rendimento médio 6.165 kg/hectare

Limão - quantidade produzida 1.921 tonelada Limão - rendimento médio 6.424 kg/hectare

Mamão - quantidade produzida 28.027 tonelada Mamão - rendimento médio 32.289 kg/hectare

Manga - quantidade produzida 2.669 tonelada Manga - rendimento médio 8.455 kg/hectare

Maracujá - quantidade produzida 7.862 tonelada Maracujá - rendimento médio 9.206 kg/hectare

Pimenta-do-reino - quantidade produzida 164 tonelada Pimenta-do-reino - rendimento médio 700 kg/hectare

Sisal ou agave (fibra) - quantidade produzida 10.167 tonelada Sisal ou agave (fibra) - rendimento médio 804 kg/hectare

Tangerina - quantidade produzida 13.974 tonelada Tangerina - rendimento médio 7.711 kg/hectare

Urucum (semente) - quantidade produzida 1.203 tonelada Urucum (semente) - rendimento médio 808 kg/hectare

Uva - quantidade produzida 1.980 tonelada Uva - rendimento médio 18.0 kg/hectare

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Rendimento médio de produção – Lavoura Permanente 2007. Rendimento médio - Lavoura Permanente

Abacate - rendimento médio Banana - rendimento médio

Castanha de caju - rendimento médio Côco-da-baía - rendimento médio

Goiaba - rendimento médio Laranja - rendimento médio Limão - rendimento médio

Mamão - rendimento médio Manga - rendimento médio Maracujá - rendimento médio

Pimenta-do-reino - rendimento médio Sisal ou agave (fibra) - rendimento médio Tangerina - rendimento médio

Urucum (semente) - rendimento médio Uva - rendimento médio

Relevo

As terras que formam a Paraíba não apresentam a mesma forma em todo o

Estado. A baixada litorânea possui altitudes que variam entre 0 e 10 metros e tem as seguintes formas de relevo:

I - As praias: Depósitos arenosos ou terras de várzeas, que ficam junto às embocaduras dos rios que lançam suas águas no Oceano Atlântico.

I - Restingas: Depósitos arenosos em forma de língua ou flecha. I - Dunas: São montes de areia formados pela ação dos ventos.

IV- Mangues: São planícies de marés com vegetação formada por árvores e arbustos.

Os tabuleiros variam de altitude de 20 a 30 metros, havendo alguns com até 200 m. São formados pelo acumulo de terras provenientes de lugares mais altos. São terras altamente férteis e próprias para o cultivo da cana-de-açúcar.

As planícies aluviais correspondem aos grandes vales formados pelos rios Paraíba e Mamanguape, que cortam os tabuleiros.

O Planalto da Borborema constitui a parte mais elevada do relevo paraibano, cruza a Paraíba de Nordeste a Sudeste, com presença de várias serras, com altitude variando entre 500 e 650 metros. Entre as principais serras, podemos destacar a da Araruna, Viração, Caturité, Teixeira, Comissária e outras. Na Serra de Teixeira fica o Pico do Jabre, o ponto mais elevado da Paraíba, com mais de 1.0 metros de altitude.

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A depressão sertaneja se inicia em Patos, após a serra da viração. Constituem um conjunto de terras baixas, ocupando uma área extensa entre a Borborema e as terras situadas nos estados vizinhos.

Clima

A Paraíba situa-se à faixa tropical do hemisfério sul, pois está a uma latitude de 7° próximo ao Equador, porém existem desvios significativos no sentido leste-oeste dos ventos, provocados pelas regiões planálticas.

A região situada próximo ao Equador recebe uma alta radiação energética, que corresponde a 3.0 horas de insolação anual, determinando um clima quente e úmido, com temperatura média anual de 26°C. Percebe-se também pequenas diferenças térmicas influenciadas pelo relevo.

A Paraíba situa-se dentro das faixas dos ventos do Sudeste (alísios), porém estes ventos sofrem desvios relevantes devido à presença de áreas serranas, mais ou menos transversais à direção destes ventos, o que evidenciam sobre a força e a continuidade da massa de ar. Este fato determina uma zona de chuvas abundantes na parte oriental, no inverno; uma zona de chuvas escassas na parte central, no verão e uma zona de chuvas menos escassas na parte ocidental no verão e outono.

O total pluviométrico de 400 a 1.0 m, juntamente com o período de seca, possuem grande influência na atividade agropecuária da Paraíba. Podemos concluir que as regiões mais próximas do mar estão sob o domínio do clima quente e úmido. A partir que se distanciam do litoral as regiões passam a ter o predomínio de climas quentes e secos.

Hidrografia e Hidrogeologia regional

A mais forte característica dos rios paraibanos é o fato de a maioria serem temporários, ou seja, diminuem bastante de volume ou mesmo secam nos períodos de seca, principalmente no sertão, o que complica a agricultura na região.

As principais bacias hidrográficas da Paraíba são a do rio Piranhas, a do

Paraíba, a do Curimataú, a do Camaratuba, a do Mamanguape, a do Miriri, a do Gramame e a do Abiaí.

A principal bacia de todas é a do rio Piranhas, que nasce na serra do Bongá, na fronteira com o Estado do Ceará. Ele tem uma relevante importância para o Estado, uma vez que através da barragem de Mãe D'Água, em Coremas, viabiliza a irrigação de muitas terras. O Rio Paraíba, o mais famoso do Estado, nasce na serra de Jabitacá, em Monteiro, no Planalto da Borborema.

O Estado da Paraíba está inserido na Região Hidrográfica Atlântico Nordeste

Oriental que possui uma área de 287.348 km2, equivalente a 3% do território brasileiro, contemplando 5 importantes capitais do Nordeste, apresentando também dezenas de grandes núcleos urbanos e um significativo parque industrial.

Nesse cenário, destaca-se o fato da região circunscrever mais de uma dezena de pequenas bacias costeiras, caracterizadas pela pouca extensão e vazão de seus

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Faculdades Oswaldo Cruz corpos d’água. Observando a evolução da ação antrópica sobre a vegetação da região para a inserção da pecuária, cultura canavieira e extrativismo vegetal.

No litoral do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco encontram-se estuários, manguezais e lagoas costeiras dotados de grande biodiversidade e grande riqueza de espécies de interesse econômico que vem sofrendo forte pressão antrópica. Nos estados da Paraíba e Pernambuco as ameaças mais importantes são o desmatamento, a especulação imobiliária, agroindústrias, canaviais, os efluentes urbanos e químicos.As demandas para uso urbano e rural são respectivamente 15 % e 7 % do total da região. A demanda para irrigação responde por 70% do total da região e área irrigada corresponde a 13% da área irrigada do País, sendo quase na sua totalidade composta por projetos privados (97%). A relação entre a disponibilidade e a demanda configura um quadro de baixa segurança hídrica, sobretudo nos períodos de estiagem sazonal.O estado da Paraíba é ainda dividido em 1 Bacias Hidrográficas, são elas: Abiaí, Gramame, Paraíba, Miriri, Mamanguape, Camaratuba, Guaju, Curimataú, Jacu, Trairi e Piranhas. A figura abaixo apresenta o mapa das bacias hidrográficas do estado da Paraíba.

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Papel da água na transmissão de doenças

A água pode constituir veículo de disseminação de doenças entre os seres vivos quando está contaminada por agentes microbianos ou poluídas por agentes químicos. Pode também ser excelente criadouro para larvas de mosquito transmissores de moléstias infecciosas.

Microorganismos contaminantes patogênicos encontrados na água e os riscos de infecção.

Notadamente a água é um importante veículo de transmissão de doenças do aparelho intestinal. Os microorganismos patogênicos responsáveis por essas doenças atingem a água com os excretas de pessoas ou animais infectados, dando como conseqüências as denominadas “doenças de transmissão hídrica”.

Em geral, os microorganismos normalmente presentes na água podem:

1. ter seu “habitat” normal nas águas de superfície; 2. ter sido carreados pelas enxurradas; 3. provir de esgotos domésticos e outros resíduos orgânicos, que atingiram a água por diversos meios; 4. ter sido trazidos pelas chuvas na lavagem da atmosfera.

Os microorganismos patogênicos não são de fácil identificação em laboratório.Utiliza-se assim os microorganismos do grupo coliforme. Neste grupo encontram-se os coliformes fecais, habitantes normais dos intestinos dos animais superiores e outros de vida livre, que são de identificação mais fácil; sua presença indica provável existência de excreta e, portanto, possibilidade de ocorrência de germes patogênicos de origem intestinal. Emprega-se assim o chamado índice de coli para determinar o grau de contaminação de uma água. Oportuno assinalar que, em princípio, existe uma certa correlação entre o número de coliformes e doenças de transmissão hídrica; estudos epidemiológicos, com base na estatística, podem, inclusive, correlacionar o número de coliformes com o número de determinados microorganismos patogênicos. Oportuno também assinalar que a presença de coliformes nem sempre indica a obrigatoriedade de existência de agentes patogênicos e, portanto, de ocorrência de doenças. Assim, a presença de coliformes, em determinadas concentrações, deve ser encarada como um sinal de alerta indicando a possibilidade de haver uma poluição e/ou contaminação fecal, principalmente quando ocorrem variações bruscas do número de coliformes numa determinada água.

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