Estudo de caso paciente com esquizofrenia

Estudo de caso paciente com esquizofrenia

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA

CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE CAXIAS – CESC

CURSO: ENFERMAGEM

DISCIPLINA: ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL

PROFESSORA: IRENE SOUSA

ESTUDO DE CASO DE UM PACIENTE COM ESQUIZOFRENIA

ISLANA ANDRADE FERREIRA

CAXIAS - MA

2009

ISLANA ANDRADE FERREIRA

ESTUDO DE CASO DE UM PACIENTE COM ESQUIZOFRENIA

Relatório apresentado à professora Irene Sousa como requisito para obtenção da 3ª nota na disciplina de Enfermagem em Saúde Mental do curso de Enfermagem UEMA/CESC - Caxias.

CAXIAS - MA

2009

INTRODUÇÃO

A esquizofrenia é um distúrbio mental grave caracterizado pela perda do contato com a realidade (psicose), alucinações, delírios (crenças falsas), pensamento anormal e alteração do funcionamento laborativo e social. A esquizofrenia é um importante problema de saúde pública em todo o mundo. A sua prevalência mundial parece ser discretamente inferior a 1%, embora tenham sido identificados bolsões de maior ou menor incidência, no Brasil, são registrados 56.000 casos por ano.

A esquizofrenia começa mais freqüentemente entre os 18 e os 25 anos nos homens e entre os 26 e os 45 anos nas mulheres. No entanto, não é raro que comece na infância ou cedo na adolescência. A instalação pode ser súbita, no espaço de dias ou de semanas, ou lenta e insidiosa, ao longo dos anos.

Há diversas perturbações que partilham as suas características com a esquizofrenia. As perturbações que se assemelham à esquizofrenia, mas nas quais os sintomas estiveram presentes menos de 06 meses, denominam-se perturbações esquizofreniformes. As perturbações nas quais os sintomas psicóticos duram pelo menos um dia, mas menos de um mês, chamam-se perturbações psicóticas breves. Uma perturbação caracterizada pela presença de sintomas do humor, como a depressão ou a mania, juntamente com outros sintomas típicos da esquizofrenia, designa-se perturbação esquizoafetiva. Uma perturbação da personalidade que pode partilhar sintomatologia da esquizofrenia, mas na qual os sintomas não são suficientemente graves para reunir os critérios de psicose, chama-se perturbação esquizotípica da personalidade.

REVISÃO LITERÁRIA

Histórico

O histórico conceitual da esquizofrenia data do final do século XIX e da descrição da demência precoce por Emil Kraepelin. Outro cientista que teve importante influência sobre o conceito atual de esquizofrenia foi Eugen Bleuler.

Kraepelin (1856-1926) estabeleceu uma classificação de transtornos mentais que se baseava no modelo médico. Seu objetivo era delinear a existência de doenças com etiologia, sintomatologia, curso e resultados comuns. Ele chamou uma dessas entidades de demência precoce, porque começava no início da vida e quase invariavelmente levava a problemas psíquicos. Seus sintomas característicos incluíam alucinações, perturbações em atenção, compreensão e fluxo de pensamento, esvaziamento afetivo e sintomas catatônicos. A etiologia era endógena, ou seja, o transtorno surgia devido a causas internas. A demência precoce foi separada do transtorno maníaco-depressivo e da paranóia com base em critérios relacionados aos seus sintomas e curso. Kraepelin distinguiu três formas do transtorno: hebefrênica, catatônica e paranóide.

Bleuler (1857-1939) criou o termo “esquizofrenia” (esquizo = divisão, phrenia = mente) que substituiu o termo demência precoce na literatura. Bleuler conceitualizou o termo para indicar a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento nos pacientes afetados. Para explicar melhor sua teoria relativa aos cismas mentais internos nesses pacientes, Bleuler descreveu sintomas fundamentais (ou primários) específicos da esquizofrenia que se tornaram conhecidos como os quatro “As”: associação frouxa de idéias, ambivalência, autismo e alterações de afeto. Bleuler também descreveu os sintomas acessórios, (ou secundários), que incluíam alucinações e delírios (Ey, Bernard, & Brisset, 1985).

 Etiologia

As causas da esquizofrenia são ainda desconhecidas. Porém, há consenso em atribuir a desorganização da personalidade, verificada na esquizofrenia, à interação de variáveis culturais, psicológicas e biológicas, entre as quais se destacam as de natureza genética.

Não há uma única causa para explicar todos os casos de esquizofrenia. Contrariamente à crença popular, as pessoas com esquizofrenia não são vítimas de uma origem pobre ou de fatores ambientais. A maioria é vítima de erros no desenvolvimento cerebral surgidos geneticamente. Pesquisas mais recente têm encontrado anormalidades no feto em desenvolvimento e não após o nascimento.

Pode dizer-se que até hoje não se conhece nenhum fator específico causador da esquizofrenia. Há, no entanto, evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais que contribuíram em diferentes graus para o aparecimento e desenvolvimento da doença. Sabe-se que filhos de indivíduos esquizofrênicos têm uma probabilidade de aproximadamente 10% de desenvolver a doença, enquanto na população geral o risco de desenvolver a doença é de aproximadamente 1%.

Manifestações Clínicas

A gravidade e o tipo de sintomatologia podem variar significativamente entre diferentes pessoas com esquizofrenia. Em conjunto, os sintomas agrupam-se em três grandes grupos: delírios e alucinações, alteração do pensamento e do comportamento inabituais e sintomas negativos. Um indivíduo pode ter sintomas de um, de dois, ou dos três grupos. Os sintomas são suficientemente graves para interferir com a capacidade de trabalho, de relação com as pessoas e do próprio cuidado.

Delírios

Os delírios são crenças falsas que, geralmente, implicam uma má interpretação das percepções ou das experiências. Por exemplo, as pessoas com esquizofrenia podem apresentar delírios de roubo ou de imposição do pensamento, crendo que outros podem ler as suas mentes, que os seus pensamentos e impulsos lhes são impostos por forças externas.

Alucinações

Podem ocorrer alucinações de sons, de visões, de cheiros, de gostos ou do tacto, embora as alucinações de sons (denominadas alucinações auditivas) sejam as mais frequentes. Uma pessoa pode “ouvir” vozes que comentam o seu comportamento, que conversam entre elas ou que fazem comentários críticos e abusivos.

Alteração do pensamento

Consiste no pensamento desorganizado, que se torna patente quando a expressão é incoerente, muda de um tema para outro e não tem nenhuma finalidade. A expressão pode estar levemente desorganizada ou ser completamente incoerente e incompreensível.

Comportamento inadequado

Este tipo de comportamento pode tomar a forma de simplismos de caráter infantil, agitação ou aparência, higiene ou comportamento inapropriado. O comportamento motor catatônico é uma forma extrema de comportamento inadequado, no qual uma pessoa pode manter uma postura rígida e resistir aos esforços para se mover ou, pelo contrário, mostrar atividade de movimentos sem estímulo prévio e sem sentido.

Sintomas negativos

Os sintomas negativos ou por déficit da esquizofrenia incluem frieza de emoções, pobreza de expressão, anedonia e associabilidade. O rosto da pessoa pode parecer imóvel; tem pouco contato visual e não exprime emoções. Não há resposta perante situações que normalmente fariam uma pessoa rir ou chorar. A pobreza de expressão é uma diminuição de pensamentos refletida no fato da pessoa falar pouco. As respostas às perguntas podem ser concisas, uma ou duas palavras, dando a impressão de vazio interior. A pessoa pode mostrar pouco interesse em atividades anteriores e passar mais tempo em atividades inúteis e sem interesse em relacionar-se com outras pessoas.

Tipos de Esquizofrenia

Alguns pesquisadores acreditam que a esquizofrenia seja um distúrbio isolado, enquanto outros acham que se trata de uma síndrome (conjunto de sintomas) baseando-se nas numerosas doenças subjacentes. Em um esforço para classificar os pacientes em grupos mais uniformes, foram propostos subtipos de esquizofrenia. No entanto, em um mesmo paciente, o subtipo pode mudar no decorrer do tempo.

A esquizofrenia paranóide é caracterizada por uma preocupação com os delírios ou alucinações auditivas. A fala desorganizada e as emoções inadequadas são menos proeminentes.

A esquizofrenia indiferenciada é frequentemente caracterizada por sintomas de todos os grupos: delírios e alucinações, distúrbio do pensamento e comportamento estranho e sintomas de déficit ou negativos. Mais recentemente, a esquizofrenia foi classificada de acordo com a presença e gravidade dos sintomas negativos ou de déficit.

Na Esquizofrenia desorganizada incluem-se os doentes que têm problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza de raciocínio, discurso infantil. Por vezes, fazem comentários fora do contexto e desviam-se totalmente do tema da conversação. Expressam uma falta de emoções pouco apropriadas, riem-se às gargalhadas em ocasiões solenes, choram por nenhuma razão particular, etc, enfim, caracteriza-se por expressão desorganizada, comportamento desorganizado e emoções diminuídas ou inapropriadas. A Esquizofrenia catatônica é o tipo menos frequente de esquizofrenia. Apresenta como principais características transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao indivíduo mover-se. É capaz de passar horas sentado na mesma posição. A falta da fala também é freqüente neste tipo de esquizofrenia, assim como alguma atividade física sem propósito. Assim, pode dizer-se que a esquizofrenia catatônica caracteriza-se por sintomas físicos como a imobilidade, a atividade motora excessiva ou a adoção de posturas inabituais.

O termo Esquizofrenia residual é usado para se referir a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas seqüelas. O prejuízo que este na personalidade destes doentes não depende dos surtos agudos. Podem existir sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.

Esquizofrenia simples é um tipo de esquizofrenia pouco frequente, que surge lentamente, geralmente inicia-se na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas. Pode ser seguida de isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de caráter, passando de sociável a anti-social e terminando em depressão. Neste tipo de esquizofrenia não se observam muitos surtos agudos.

Diagnóstico

Não existe um exame diagnóstico definitivo para a esquizofrenia. O psiquiatra estabelece o diagnóstico baseando-se em uma avaliação geral da história e dos sintomas do paciente. Para que o diagnóstico de esquizofrenia seja estabelecido, os sintomas devem persistir por um mínimo de seis meses e devem estar associados a uma deterioração significativa da atividade laborativa, escolar ou social. São muito importantes as informações fornecidas pela família, amigos ou professores, para se estabelecer o momento do início da doença. O médico deverá descartar a possibilidade dos sintomas psicóticos do paciente serem decorrentes de um distúrbio do humor. É comum a realização de exames laboratoriais para se descartar a possibilidade do uso abusivo de drogas ou de um distúrbio clínico, neurológico ou endócrino subjacente que possa apresentar características da psicose, como por exemplo: certos tumores cerebrais, epilepsia do lobo temporal, doenças auto-imunes, doença de Huntington, doenças hepáticas e reações medicamentosas adversas. Os indivíduos com esquizofrenia apresentam anormalidades cerebrais que podem ser visualizadas em uma tomografia computadorizada (TC) ou em uma ressonância magnética (RM). No entanto, os defeitos são insuficientemente específicos para serem úteis no diagnóstico.

SINTOMAS CARACTERÍSTICOS

No mínimo dois dos seguintes, cada qual presente por uma porção significativa de tempo durante o período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso): delírios; alucinações; discurso desorganizado; comportamento amplamente desorganizado ou catatônico; sintomas negativos, isto é, embotamento afetivo, alogia (perda total ou parcial da fala diante da ausência de idéias) ou avolição.

TRATAMENO MEDICAMENTOSO

Os objetivos gerais do tratamento são a redução da gravidade dos sintomas psicóticos, a prevenção de recorrências de episódios sintomáticos e da deterioração associada do funcionamento do indivíduo e a provisão de apoio para que o indivíduo consiga apresentar o melhor funcionamento possível. Os medicamentos antipsicóticos, a reabilitação e as atividades de apoio comunitário e a psicoterapia representam os três principais componentes do tratamento. Os medicamentos antipsicóticos costumam ser eficazes na redução ou eliminação de sintomas como os delírios, as alucinações e o pensamento desorganizado. Após o desaparecimento dos sintomas agudos, o uso contínuo de medicamentos antipsicóticos reduz substancialmente a probabilidade de episódios futuros. Infelizmente, os medicamentos antipsicóticos produzem efeitos adversos importantes, incluindo a sedação, a rigidez muscular, os tremores e o ganho de peso. Um pequeno número de indivíduos com esquizofrenia é incapaz de viver independentemente, seja por apresentarem sintomas graves e não serem responsivos à terapia ou porque não possuem as habilidades necessárias para viver em comunidade. Nesses casos, é necessário o tratamento contínuo em um ambiente seguro e amparador.

A psicoterapia é outro aspecto importante do tratamento. Em geral, o objetivo da psicoterapia é estabelecer uma relação de colaboração entre o paciente, sua família e o médico. Dessa forma, o paciente pode aprender a compreender e a lidar com sua doença, a tomar os medicamentos de acordo com a prescrição e a enfrentar as situações estressantes que possam agravar a doença.

ESTUDO DE CASO

IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE

NOME: F. F. A.

IDADE: 23

DATA DE NASCIMENTO: 01/01/1986

SEXO: Masculino

ESTADO CIVIL: Solteiro

PROFISSÃO: Lavrador

RESIDENTE: Jacurutú

NATURALIDADE: Maranhão

DATA DE ADMISSÃO: 15/06/2009

HISTÓRICO

F. F. A., sexo masculino, 23 anos, solteiro, natural de Jacurutú. Esteve no mesmo Centro em 11/06/2009, como paciente ambulatorial e foi admitido no serviço médico do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III) no dia 16/06/2009, procedente de sua residência, para dar seqüência ao seu tratamento por estar apresentando crise de reagudização clínica, com sintomas de agressividade e agitação. Já esteve internado em outras ocasiões devido a problemas psiquiátricos (Hospital DIA em Caxias - MA). Vive com a mãe, a irmã e o irmão em casa própria de taipa. Não tem vida social ativa e apresenta dificuldade de relacionamento familiar. Em casa o paciente faz uso de medicamentos há mais ou menos 05 anos, mas a acompanhante não soube especificar quais. Relata não ter nenhum antecedente pessoal mórbido. É um paciente totalmente independente na satisfação das seguintes necessidades básicas: respirar, comer e beber, eliminar, movimentar-se, vestir-se e despir-se. Desconhece exatamente o seu peso e a sua altura, apresenta um bom estado de hidratação e nutrição. Acompanhante relata que ele faz três refeições diárias, sem restrição de qualquer alimento de acordo com as possibilidades e também não faz uso de substâncias psicoativas (álcool, tabaco ou outras drogas). Na sua história familiar existem antecedentes psiquiátricos (irmã com transtornos mentais). Mostrou-se calmo e calado durante toda a entrevista de enfermagem. Tem bom padrão de higiene, toma banho diariamente. A sua história patológica pregressa é de Esquizofrenia.

Diagnóstico médico: CID-10 = F 20.8 - Outras Esquizofrenias.

Observações:

Alguns dados recolhidos para a realização deste trabalho foram obtidos através de uma entrevista com o paciente no dia 30/06/2009 podendo por isso não conter dados fidedignos.

EXAME DO ESTADO MENTAL

O exame do estado mental foi realizado no momento da entrevista. O mesmo inclui os seguintes itens: descrição geral (a aparência, a atividade psicomotora e comportamento, a atitude perante o examinador e a atividade verbal), humor sentimento e afeto, percepção, processo do pensamento (a forma e o conteúdo do pensamento), sensório e cognição (consciência, orientação, concentração, cognição, memória, informação e inteligência), juízo e credibilidade.

Descrição Geral:

Aparência: o paciente apresenta boa higiene, com vestuário da instituição. Encontra-se aparentemente calmo e colaborativo, com olhar baixo, quase não olhando para a entrevistadora.

Atividade psicomotora e comportamento: manifesta um comportamento calmo.

Atitude perante o examinador: apresenta-se colaborativo, atento, mas com atitudes algumas vezes reservadas.

Atividade verbal: demonstra um discurso algumas vezes incoerente com pensamento desorganizado, espontâneo em determinados assuntos e desorganização da linguagem (salta de um assunto para outro e às vezes não se entende o que ela fala).

Humor, Sentimento e Afeto:

O paciente apresenta um humor triste. Seu afeto encontra-se adequado à situação.

Percepção:

O paciente não apresenta perturbações da percepção manifestada por alucinações (visuais e auditivas) e delírios.

Processo de pensamento:

Forma: o paciente exibe pensamentos e idéias desorganizados, pelo que em determinados assuntos não tem capacidade para responder.

Conteúdo: o paciente não apresenta delírios.

Sensório e cognição:

Consciência: o paciente apresenta-se consciente.

Orientação: o paciente apresenta-se orientado de acordo com o lugar, pessoa e tempo.

Concentração e cognição: devido ao tempo limitado que estive com o paciente, torna-se difícil saber se o mesmo apresenta dificuldades na realização de atividades terapêuticas de grupo, o mesmo relata que faz TO, mas não soube descrever o quê.

Memória: não se verificou qualquer alteração em relação à memória.

Inteligência: o tempo foi curto para fazer uma avaliação correta sobre este item.

Juízo:

O paciente admite que já esteja bem.

Credibilidade:

Fazendo uma comparação com a entrevista e com o processo do paciente é verificável que se encontram algumas incongruências, pelo que se constatou não haver credibilidade em relação à capacidade do paciente para relatar a sua situação claramente.

PRESCRIÇÃO MÉDICA

11/06/2007

  • Paciente Ambulatorial

Haloperidol 5mg (1+1+1) VO

Amplictil 25mg (2+2+2) VO

Fenergan 25mg (1+1+1) VO

 Neozine 100mg (0+0+1) VO

15/06/2009

  • Paciente Interno

 Haloperidol 5mg (1+1+1) VO

 Amplictil 100mg (1+0+1) VO

 Fenergan 25mg (1+1+1) VO

Neozine 100mg (0+1/2+1) VO

30/06/2009

  • Paciente de Alta Médica

 Haloperidol 5mg (1+0+1) VO

 Amplictil 100mg (1+0+1) VO

 Fenergan 25mg (1+0+1) VO

 Neozine 100mg (0+1/2+1) VO

FARMACOLOGIA

  1. AMPLICTL (substância ativa - CLORIDRATO DE CLORPROMAZINA)

Apresentações:

Comprimidos de 25mg ou 100mg; Ampolas com 5 ml (25mg) de solução injetável; Frasco de 20 ml de solução a 4%.

Propriedades

O seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. Antipsicótico que bloqueia os receptores dopaminérgicos no cérebro.

Indicações

Sua principal finalidade é o tratamento dos sintomas psicóticos, podendo também ser usado para evitar vômitos e mesmo como anti-hipertensivo quando administrado pela veia.

Ação

Possui uma ação estabilizadora no sistema nervoso central e periférico e uma ação depressora seletiva sobre o SNC, permitindo, assim, o controle dos mais variados tipos de excitação. É, portanto, de grande valor no tratamento das perturbações mentais e emocionais.

Cuidados de Enfermagem:

- Informe aos pacientes as reações adversas mais freqüentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente sonolência, torcicolo, queda de pressão, sedação o médico deverá ser comunicado imediatamente;

- Orientar o paciente a evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento.

  1. HALOPERIDOL (substância ativa -HALOPERIDOL)

Apresentações:

Comprimidos de 1mg ou 5mg. Ampolas com 1 ml de solução injetável.

Propriedades

É um antipsicótico do grupo das butirofenonas, antagonista do receptor D2 de dopamina.

Indicações

Indicado nos distúrbios psicóticos agudos e crônicos incluindo esquizofrenia, mania e psicose induzida por drogas. Nos distúrbios de comportamento e nas psicoses infantis acompanhadas de excitação psicomotora. Na paranóia, confusão mental aguda, alcoolismo, demência, oligofrenia. Na agitação e agressividade do idoso. Nos estados impulsivos e agressivos; pode ser usado também para evitar enjôos e vômitos de qualquer origem, para controlar agitação, agressividade devido a outras perturbações mentais.

Ação

Produz um efeito seletivo no Sistema Nervoso Central, exercendo um bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos (D2) no sistema mesolímbico dopaminérgico e um aumento da síntese, liberação e utilização (turnover) da dopamina central para produzir efeitos tranqüilizantes. O Haloperidol diminui a freqüência de disparos dos neurônios dopaminérgicos ao longo do bloqueio D2 pós-sináptico, resultando na ação antipsicótica. Como conseqüência direta desse bloqueio dopaminérgico, o Haloperidol apresenta ação incisiva sobre delírios e alucinações, sendo também um sedativo eficiente nos quadros de mania, agitação psicomotora e outras síndromes de agitação.

Cuidados de Enfermagem:

- Informe aos pacientes as reações adversas mais freqüentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente tremor, rigidez, hipersalivação, bradicinesia, acatisia, distonia aguda, insônia, inquietação, ansiedade, agitação, sonolência, euforia, depressão e cefaléia o médico deverá ser comunicado imediatamente;

- O Haloperidol potencializa os efeitos do álcool. Portanto, o paciente deve ser orientado a não ingerir álcool se estiver tomando esse medicamento.

  1. NEOZINE (substância ativa - MALEATO DE LEVOMEPROMAZINA)

Apresentações:

Comprimidos de 25mg e 100mg. Ampolas com 5 ml(5mg/ml) de solução injetável. Solução oral fr. c/20 ml.

Propriedades

Um neuroléptico antipsicótico do grupo das fenotiazinas.

Indicações

Considerado como o mais sedativo dos neurolépticos e o mais antiálgico dos derivados fenotiazínicos, serve para tratar sintomas psicóticos, psicopatias agudas ou crônicas, esquizofrenias crônicas e também para agitação ou irritabilidade de pacientes com outros problemas psiquiátricos.

Ação

Seu mecanismo de ação ocorre bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos cerebrais, desenvolvendo efeito sedativo, potencializador de analgésicos (neuroleptoanalgesia).

Cuidados de Enfermagem:

- Informe aos pacientes as reações adversas mais freqüentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente ressecamento da boca, prisão de ventre, visão turva, queda da pressão arterial, tonteiras, zumbidos, aumento do peso corporal, sonolência, alterações do ritmo cardíaco o médico deverá ser comunicado imediatamente.

  1. FENERGAN (substancia ativa - CLORIDRATO DE PROMETAZINA)

Apresentações:

Comprimidos de 25 mg de cloridrato de prometazina e ampolas de 50 mg (2 ml) de cloridrato de prometazina.

Propriedades

Anti-histamínico que apresenta significativa atividade anticolinérgica.

Indicações

É indicado no tratamento sintomático de todos os distúrbios incluídos no grupo das reações anafiláticas e alérgicas. Graças à sua atividade antiemética, é utilizado também na prevenção de vômitos do pós- operatório e dos enjôos de viagens. Pode ser utilizado, ainda, na pré-anestesia e na potencialização de analgésicos, devido à sua ação sedativa.

Ação

Bloqueia os efeitos da histamina. Efeito inibitório na zona de gatilho quimiorreceptora da medula, resultando em propriedades antieméticas. Altera os efeitos da dopamina no SNC

Cuidados de Enfermagem:

- Informe ao paciente as reações adversas mais frequentemente relacionadas ao uso da medicação e que, diante a ocorrência de qualquer uma delas, principalmente dor de garganta, urina escura, pele e olhos amarelados, febre, tremor, rash e fraqueza, como também aquelas incomuns e intoleráveis, o médico deverá ser comunicado imediatamente

- Pode causar boca seca. Enxagues orais frequentes, balas ou gomas de mascar sem açúcar podem minimizar este efeito.

EVOLUÇÃO

  • Dia 30/06/2009

Segue consciente, orientado em espaço e tempo, calmo, cooperativo, fásico, apresentando um pouco de desorganização da linguagem e do pensamento, sonolento, mucosas hipocoradas, boa higiene, afirmando já ter tomado banho quando acordou. Afirma que suas eliminações fisiológicas estão presentes e normais. Já tomou a medicação da manhã. De alta médica, aguardando alguém da família para buscá-lo.

PLANO DE CUIDADOS

O objetivo principal da assistência de enfermagem é despertar o interesse do esquizofrênico pela vida, uma vida digna e de participação no seu meio familiar e social, apesar da doença. É importante valorizar e incentivar os pacientes a participarem do seu tratamento, para que as chances de adesão ao tratamento possam ser maiores.

A assistência de Enfermagem deve ter por finalidade melhorar os sintomas, prevenir as recaídas e evitar a institucionalização. Entretanto, nos momentos de crise, deve ajudar a encarar uma internação necessária como medida protetora. Seus principais objetivos são:

1. Interromper a perda da capacidade mental, preservando o contato com a realidade;

2. Restaurar a capacidade de cuidar de si e de administrar sua vida, e manter o máximo de autonomia para promover o melhor ajustamento pessoal, psicológico e social possível;

3. Diminuir o isolamento;

4. Reconhecer e reduzir a natureza ameaçadora dos eventos da vida, para os quais existe uma sensibilidade particular;

5. Conscientizar o portador sobre a realidade de seus recursos e limitações, tanto ajudando a descobrir e realizar seu potencial, quanto ajudando na aceitação de suas limitações;

6. Recuperar e promover a auto-estima, a auto-imagem e a autoconfiança, proporcionando contínuo progresso;

7. Estimular a independência, os cuidados consigo mesmo em questões de higiene e capacitar o paciente para as atividades da vida diária.

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM

Analisando os dados colhidos no histórico, são identificados os problemas de enfermagem, que levaram à identificação das necessidades básicas afetadas.

  • Déficit de interações sociais e familiares relacionado com a falta de vontade de relacionar-se socialmente.

  • Falta de conhecimento com relação à patologia.

  • Falta de adesão ao tratamento, relacionada à desistência da terapia farmacológica.

INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM:

  • Déficit de interações sociais e familiares relacionado com a falta de vontade de relacionar-se socialmente.

META: Diminuir o isolamento e despertar o interesse do paciente.

AÇÕES:

1. Iniciar uma relação individualizada e de confiança com o paciente, fazendo uma aproximação direta e individual;

2. Iniciar o relacionamento com conversas breves e freqüentes, aumentando gradualmente o tempo de permanência juntos;

3. Falar lentamente, não o obrigando a falar;

4. Estabelecer com o doente uma relação empática de modo a que o doente verbalize os seus sentimentos e frustrações, se ele for capaz;

5. Ouvir o doente e mostrar-se disponível;

6. Acompanhar o doente nos primeiros contatos, diminuindo-lhe a ansiedade, fornecendo-lhe confiança;

7. Reforçar positivamente qualquer progresso observado.

  • Falta de conhecimento com relação à patologia.

META: Educação em saúde e assim proporcionar conhecimento sobre a patologia ao paciente e/ou à sua família.

AÇÕES:

  1. Orientar ao paciente e/ou sua família sobre a patologia e seu tratamento;

  2. Orientar quanto aos primeiros sinais de reaparecimento dos sintomas e o que deve ser feito;

  3. Orientar sobre quando procurar o serviço médico novamente.

  • Falta de adesão ao tratamento, relacionada à desistência da terapia farmacológica.

META: proporcionar ao paciente conhecimentos relacionados ao tratamento.

AÇÕES:

  1. Informar ao paciente e/ou família sobre os horários de tomar a medicação;

  2. Mostrar ao paciente e/ou família quais os medicamentos a serem tomados, especificando os respectivos nomes;

  3. Orientar ao paciente e/ou sua família, que a desistência do tratamento acarreta o reaparecimento dos sintomas.

PLANO DE ALTA

No plano de alta o paciente e a família/acompanhante recebem orientações sobre como tratar a doença em casa.

Foi orientado ao paciente e sua acompanhante, no caso a Tia (Maria José):

Sobre a doença, seu tratamento e controle;

Sobre a medicação, seus horários e a importância de não deixar de tomar nos respectivos horários, para que não haja uma futura recaída;

Como receber a medicação mensalmente na própria instituição;

Quando retornar para uma reavaliação médica;

A importância de relacionar-se socialmente com outras pessoas e a própria família.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através desse estudo de caso foi possível conhecer um pouco mais sobre os Transtornos Esquizofrênicos. Sobretudo, este trabalho possibilitou a obtenção de uma visão holística sobre a ação de enfermagem e não apenas um enfoque técnico-medicamentoso.

Ao que se presenciou, conclui-se que a sistematização da assistência de enfermagem (SAE) é favorável para um bom prognóstico. Percebe-se, na prática, que a melhor assistência é a individualizada e humanizada, assistindo o paciente como um ser único, respeitando as suas necessidades biopsicossociais.

Pode-se perceber que a promoção do cuidado não necessariamente é feita através de procedimentos técnicos, em um leito hospitalar ou em um ambulatório. A escuta atenta, o respeito, à vontade de interagir, a confiança, o vínculo são elementos que precisam ser utilizados na prestação de assistência qualificada, principalmente em pacientes psíquicos. Através do estudo realizado, pude valorizar ainda mais estes conceitos e perceber sua importância no ato do cuidar e, assim, levá-los a aplicar na minha futura prática.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BRUSCATO, WL. Psicoterapia individual na esquizofrenia. In: Shirakawa I, Chaves AC, Mari JJ, editores. O desafio da esquizofrenia. São Paulo: Lemos Editorial; 1998.

  • Diagnósticos de Enfermagem da NANDA. Definições e Classificações. 2007-2008, Porto Alegre. Artmed, 2008.

  • Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem: 2007/2008.5aed. Rio de Janeiro EPUB, 2006.

  • DOCHTERMAN, Joanne Mc Closkey; BULECHEK, Glória M. Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC). 4aed. Porto Alegre. Artmed, 2008.

  • LARAIA. Michelle T. Enfermagem Psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2002

  • NUNES, Portella. Psiquiatria e Saúde Mental. Rio de Janeiro: Atheneu, 2005.

  • SPARKS. Sheila M. TAYLOR, Cynthia M. DYER, Janyce G. Diagnóstico em Enfermagem. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2000.

APENDICE

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