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106 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

dio para outro peptídio ou para um aminoácido produzindo aminoácidos g-glutamil e cistenil- dos e peptídios através das membranas celulares, na síntese protéica e na regulação dos níveis de glutatião tecidual. A g-GT é encontrada no fígado, rim, intestino, próstata, pâncreas, cérebro e coração.

AUMENTOS NA ATIVIDADE DA g-GT

Apesar da atividade enzimática ser maior no rim, a enzima presente no soro é de origem, principal- mente, do sistema hepatobiliar. No fígado, a g-GT está localizada nos canalículos das células hepáti- cas e, particularmente, nas células epiteliais que revestem os ductos biliares. Deste modo, o principal valor clínico na avaliação da g-GT é no estudo das desordens hepatobiliares. O grau de elevação é útil no diagnóstico diferencial entre as desordens hepáticas e do trato biliar.

Obstrução intra-hepática e extra-hepática.

São observados os maiores aumentos (5-30 vezes os limites superiores dos valores de referência) nas colestases do trato biliar – processo patoló- gico primário da cirrose biliar, colestase intrahepática e obstrução biliar extra-hepática. A g-GT é mais sensível e duradoura que a fosfatase alca- lina, as transaminases e a nucleotidase, na detectação de icterícia obstrutiva, colangite e colecistite. Além disso, a g-GT é útil na diferenci- ação da fonte de elevação da fosfatase alcalina – a g-GT apresenta valores normais nas desordens mente importante na avaliação do envolvimento hepatobiliar em adolescentes, pois a atividade da fosfatase alcalina está elevada durante o crescimento ósseo.

Nas doenças hepatocelulares incluem também a elevação das transaminases, bilirrubinas, tempo de protrombina prolongado e hipoalbuminemia.

Enfermidades hepáticas induzidas pelo álcool. A liberação da g-GT no soro reflete os efeitos tóxicos do álcool e drogas (ex.: fenitoína) sobre as estruturas microssomiais das células he- páticas. A g-GT é um indicador do alcoolismo, particularmente, da forma oculta. Em geral, as elevações enzimáticas nos alcoólatras variam en- tre 2-3 vezes os valores de referência. Por outro lado, a ingestão de álcool em ocasiões sociais não aumenta, significativamente, a g-GT. Estes en- saios são úteis no acompanhamento dos efeitos da abstenção do álcool. Nestes casos, os níveis voltam aos valores de referência em duas ou três semanas, mas podem elevar novamente se o uso do álcool é retomado. Em vista da susceptibilidade da indução enzimática, a interpretação da g-GT em qualquer caso, deve ser realizada à luz dos efeitos de drogas e álcool. O diagnóstico do uso de álcool pode ser complementado pelos se- guintes testes:

§ Volume celular médio (VCM) dos eritrócitos. O valor diagnóstico da g-GT é aumentado quando a macrocitose é encontrada pela medida do VCM.

§ Tranferrina deficiente em carboidratos (CDT). Em pacientes com doença induzida pelo álcool, a transferrina plasmática tem um reduzido conteúdo de carboidratos (ácido siálico). O teor de CDT plasmático está aumentado em, aproximadamente, 90% dos pacientes que ingerem mais de 60 g de álcool por dia.

§ Etanol sangüíneo.

Hepatite infeciosa. Aumentos de 2 a 5 vezes os valores de referência; nestes casos a determinação das aminotranferases (transaminases) é de maior utilidade.

Enzimas 107

Neoplasmas. Primários ou secundários apresentam atividade da g-GT mais intensa e mais precoce que outras enzimas hepáticas.

Esteatose hepática (fígado gorduroso). É a mais comum das hepatopatias alcoólicas, mas também é descrita em outros quadros, como: hepatites medicamentosas, gestação, nutrição pa- ções protéicas. Pequenos aumentos (2 a 5 vezes o valor superior de referência) ocorrem pela indução

das enzimas microssomiais pelo álcool. Nas outras condições os aumentos são menores.

Drogas. A g-GT está presente em grandes quantidades no retículo endoplasmático liso e, por- tanto, susceptível a indução de aumento da sua atividade por drogas, tais como a fenitoína, warfa- rina e fenobarbital. Nestes casos, as elevações atingem níveis 4 vezes maiores que os limites superiores dos valores de referência.

Fibrose cística (mucoviscidose). Elevam a g-GT por complicações hepáticas decorrentes.

Câncer prostático. São encontrados níveis moderadamente elevados. Outros tipos de câncer com metástase hepática também provocam aumentos da enzima.

Outras condições. Lupus eritematoso sistêmico e hipertireoidismo.

Atividade normal da enzima é encontrada em enfermidades ósseas (enfermidade de Paget, neo- plasma ósseo), em crianças acima de um ano e em mulheres grávidas saudáveis – condições em que a fosfatase alcalina está aumentada. Apesar da g-GT ser encontrada no pâncreas e rins, a enzima não eleva em desordens nestes órgãos a menos que exista envolvimento hepático.

DETERMINAÇÃO DA g-GT

Paciente. Deve permanecer em jejum por 8 horas, à exceção da ingestão de água. Além disso, não deve ingerir álcool durante 24 horas antes da prova.

Amostra. Soro sangüíneo. Estável por uma semana em temperatura ambiente. Quando congelada é estável por 3 meses.

Métodos. Os primerios métodos de análise da g-GT empregavam o glutatião como substrato. O desaparecimento do substrato ou a formação de produto era detectada por cromatografia, mano- metria ou absorvância em UV.

doador é transferido para a glicilglicina, liberando a p-nitroanilina, um produto cromogênico com absorvância em 405-420 nm. Esta reação tanto pode ser usada como método de monitorização contínua como de ponto final. Em química seca

(DT Vitros) a alteração de reflexo é empregada para calcular a atividade da enzima.

Interferências. Resultados falsamente elevados: fenitoína, fenobarbital, glutemidina e metaqualona.

Valores de referência (U/L)

Homens: 5 a 25 Mulheres 8 a 40

Bibliografia consultada

BERTELLI, M. S., CONCI, F. M. Álcool e fígado. Caxias do Sul : EDUCS, 1997. 219 p.

Committtee on Enzymes of the Scandinavian Society for

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108 Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

lactato desidrogenase (LD) é uma enzima da classe das oxidorredutases que catalisa a oxidação reversível do lactato a piruvato, em presença da coenzima NAD+ que atua como doador ou aceptor de hidrogênio.

Lactato + NAD+ + D Piruvato + NADH+ + H+

A LD está presente no citoplasma de todas as células do organismo. Sendo rica no miocárdio, fígado, músculo esquelético, rim e eritrócitos. Os níveis teciduais de LD são, aproximadamente, 500 vezes maiores do que os encontrados no soro e lesões naqueles tecidos provocam elevações plasmáticas significantes desta enzima.

Devido a presença da lactato desidrogenase em vários tecidos, aumentos dos teores séricos da mesma é um achado inespecífico. É possível obter informações de maior significado clínico pela

separação da LD em suas cinco frações isoenzimáticas. As isoenzimas de LD são designadas de acordo com sua mobilidade eletroforética. Cada isoenzima é um tetrâmero formado por quatro subunidades chamadas H para a cadeia polipeptí- dica cardíaca e M para a cadeia polipeptídica

muscular esquelética. As cinco isoenzimas encontrados no soro são:

Tipo Percentagem Localização

pâncreas

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