Nutrição enteral e parenteral

Nutrição enteral e parenteral

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NUTRIÇÃO ENTERAL E PARENTERAL

INTRODUÇÃO

Nutrição é o estudo dos alimentos e dos mecanismos pelos quais o organismo ingere, assimila e utiliza os nutrientes que nos fornecem a energia necessária para mente-lo vivo.

A relação da alimentação com o bem-estar físico e o pleno desenvolvimento mental e emocional já era conhecida na Antiguidade. Tal conhecimento tornou-se público através de Hipócrates, que escreveu sobre a higiene, o repouso e a boa alimentação.

Um dos maiores contribuidores para o desenvolvimento dos princípios da nutrição foi Pedro Escudero, médico argentino, que em 1937 introduziu o estudo da alimentação e da Nutrição nas escolas de Medicina de seu país, como uma nova visão da clínica médica. Com essa inovação, Escudero pôde divulgar as Leis da Alimentação, por ele estabelecidas aos profissionais que coordenavam equipes de saúde, e romper com o empirismo que até então cercava o tema da alimentação.

Atualmente, o estudo da Nutrição abrange campos mais diversificados, como as mais distintas áreas da saúde, nutrição, enfermagem, bromatologia, engenharia de alimentos, biotecnolobia entres outras.

NUTRIÇÃO ENTERAL

  • Conceito

Consiste na administração de alimentos liquidificados ou de nutrientes através de soluções nutritivas com formulas quimicamente definidas, por infusão direta no estômago ou no intestino delgado, através de sondas. Está indicada em pacientes com necessidades nutricionais normais ou aumentadas, cuja ingestão, por via oral, está impedida ou é ineficaz, mas que tenham o restante do trato digestivo anatomofuncionalmente aproveitável.

  • Objetivo da Nutrição Enteral

Atender as necessidades nutricionais do organismo, quando a ingesta oral é inadequada ou impossível, desde que o TGI (Trato Gastrointestinal) funcione normalmente.

  • Osmolaridade

A osmolaridade é o número de partículas dissolvidas na solução. Quanto maior o número de partículas, maior é a osmolaridade. No estômago, dietas com osmolaridade elevada reduzem os movimentos de propulsão, dificultando o esvaziamento gástrico, enquanto mais distalmente, no duodeno e jejuno, alimentos hiperosmolares aumentam o peristaltismo e ativam a propulsão da dieta. Em algumas situações são até responsáveis pela aceleração do trânsito intestinal e presença de diarréia osmótica. A osmolaridade sugerida pela literatura, em nutrição enteral, varia em tono da osmolaridade plasmática (mOm/L). Assim conforme os miliosmol/litro (mOm/L), as dietas podem ser isotônicas (menor ou igual a 350); moderadamente hipertônicas (350 a 450) e hipertônicas (maior ou igual a 550). Os componentes nutricionais que influenciam a osmolaridade da solução são principalmente os açúcares mais simples; os aminoácidos cristalinos e, em menor grau, os peptídeos; e o cloreto de sódio (NaCl) Os lípides não influenciam a osmolaridade, pois não formam solução.

  • Fabricação da Dieta Enteral

São utilizados dois tipos de dietas, as Dietas Industrializadas que são fabricadas de forma padronizada, especializada e comercializadas especificamente para terapia de nutrição enteral, e as Dietas Não-Industriais ou Artesanais que são preparadas à base de alimentos in natura ou de mesclas de produtos naturais com industrializados (módulos), liquidificados e preparados artesanalmente em cozinha doméstica ou hospitalar.

  • Principais Vantagens da Nutrição Enteral em Relação à Nutrição Parenteral

  • Aproxima-se mais da alimentação natural, sendo, portanto, mais fisiológica

  • Pode receber nutrientes complexos, tais como proteínas integrais e fibras

  • A presença dos nutrientes no trato digestivo estimula o trofismo intestinal, mantendo a integridade da mucosa intestinal

  • Mantém o pH e a flora intestinal normais

  • Estimula a atividade imunológica intestinal

  • Reforça a barreira da mucosa intestinal, aumentando a proteção contra a translocação bacteriana

  • Tem menor índice de complicações

  • Tem metodologia mais simples e menor curto

  • Vias de Acesso

Como via de acesso, podemos recorrer à colocação direta de uma sonda, por passagem naso/orogástrica, para que a sua extremidade distal fique localizada no estômago, duodeno ou no jejuno, ou ainda, realizar uma gastrostomia ou jejunostomia. A escolha de um ou outro desses procedimentos e do local para o posicionamento da sonda dependerá das situações particulares apresentadas por casa paciente e observação de critérios para a escolhas do posicionamento da sonda para a nutrição enteral: local mais fisiológico; local de mais fácil acesso; maior tolerância a qualquer tipo de dieta, inclusive as hiperosmolares (glicose hipertônica); permite a progressão mais rápida do programa nutricional; menor risco de saída acidental da sonda; menor risco de refluxo entre outros.

Locais de acesso – Nutrição Enteral:

Naso/orogástrica;

Nasoduodenal;

Nasojejunal;

Gastrotomia e jejunostomia (são mais utilizadas para alimentação enteral em longo prazo).

A alimentação intragástrica é escolhida preferencialmente sempre que possível por vários fatores: em primeiro lugar, o estomago tolera mais facilmente que o intestino delgado uma variedade de fórmulas; em segundo lugar, o estômago aceita normalmente grandes sobrecargas osmóticas sem cólicas, distensão, vômitos, diarréia ou desvios hidroeletrolíticos, o mesmo não ocorrendo no intestino delgado. Além disso, o estômago exibe uma enorme capacidade de armazenamento e aceita mais facilmente as refeições intermitentes. Aqueles pacientes com reflexo de vômito preservado, sem pneumopatias e lúcidos costumam aceitar bem a alimentação nasogástrica. As sondas nasogástricas também são mais fáceis de se posicionar que as nasoduodenais. A alimentação nasogástrica aumenta o risco de aspiração.

  • Indicações da Nutrição Enteral

A nutrição enteral está indicada, basicamente, todas as vezes que o paciente não pode comer, não deve, não consegue ou o faz de maneira insuficiente. Também, quando se faz necessário administrar dietas rigorosamente balanceadas, na tentativa de corrigir certos distúrbios metabólicos.

Chama-se a atenção para o fato de que, sendo a nutrição enteral, quando comparada com a nutrição parenteral, uma forma terapêutica de metodologia mais simples, com menor índice de riscos e complicações, de menor custo e, ainda, uma modalidade terapêutica nutricional mais próxima da alimentação fisiológica normal, ela deve ter prioridade absoluta sobre a nutrição parenteral sempre que possível, em todos pacientes candidatos ao suporte nutricional especializado.

  • Principais Indicações do Suporte Nutricional Enteral e Parenteral:

  • Quando o paciente não pode comer:

Estado de coma

Lesões do sistema nervoso central

Debilidade acentuada

Traumatismo bucomaxilofacial

Intervenções cirúrgicas da boca, faringe, esôfago e do estômago

Obstruções mecânicas e fisiologias do tubo digestivo

  • Quando o paciente não deve comer:

Fístulas digestivas

Doenças inflamatórias intestinais(formas graves)

Enterite actínica(são lesões que surgem nas áreas intestinais)

Síndromes disabsortivas(má absorção intestinal)

Diarréias rebeldes

Intestino curto

Pancreatites

  • Quando o paciente não quer comer:

Anorexia nervosa

Estados de hiporexia grave (falta de apetite):

Estados depressivos

Doença neoplásica

Caquexia cardíaca

Desnutrição avançada

  • Quando o paciente não consegue comer o suficiente ou adequadamente:

Estados hipermetabólicos

Politraumatismo

Septcemia

Queimaduras

Pós-operatória

Distúrbios de deglutição

Ventilação mecânica prolongada

Tétano;

Pré e pós-operatório;

Quimioterapia e radioterapia;

Insuficiência respiratória;

Insuficiência cardíaca

Insuficiência renal

Insuficiência hepática

  • Principais Indicações Adicionais de Suporte Nutricional Enteral e Parenteral em Pediatria:

  • Incapacidade de sucção e/ou deglutição

  • Anomalias congênitas

Fissura do palato

Atresia do esôfago

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