RELATÓRIO DE FARMACOLOGIA: IMPORTÂNCIA DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO NA ABSORÇÃO DE FÁRMACOS EM Rattus norvegicus

RELATÓRIO DE FARMACOLOGIA: IMPORTÂNCIA DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO NA ABSORÇÃO DE...

IMPORTÂNCIA DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO NA ABSORÇÃO DE FÁRMACOS EM Rattus norvegicus

TERESINA-PI, MARÇO DE 2010

O processo de absorção tem por finalidade transferir o fármaco do local onde é administrado para os fluidos circulantes, representados especialmente pelo sangue. Em geral existem algumas opções de vias pelas quais um agente terapêutico pode ser administrado e, por esta razão, o conhecimento das vantagens e desvantagens das diferentes vias de administração é fundamental. A importância deste processo de absorção reside essencialmente, na determinação do período entre a administração do fármaco e o aparecimento do efeito farmacológico (tempo de latência), bem como na determinação das doses e escolha da via de administração do medicamento. (GILMAN, 2005) O objetivo desta prática foi o de analisar em Rattus norvegicus, o tempo de absorção entre diferentes vias de administração e a variação da intensidade do efeito produzido pela droga (Tionembutal sódico).

O experimento foi realizado utilizando-se 3 animais da espécie Rattus norvegicus. O fármaco utilizado foi o Tionembutal sódico (25mg/Kg) na dose de 0,1 ml/10g, administrado pelas vias oral, intraperitoneal e intravenosa.

Inicialmente, pesaram-se os animais a fim de se determinar a dose de anestésico a ser administrado pelas três diferentes vias. A seguir, analisaram-se os parâmetros frequência respiratória (mov. resp./min), reflexo palpebral (presente, diminuído ou ausente) e atitude do animal (normal, excitado, deprimido ou dormindo) antes da administração do anestésico. Administrado o anestésico e passados 20 minutos, compararam-se os mesmos parâmetros relacionados à antes da administração da droga.

TABELA 1.0: REGISTRO DA FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA, REFLEXO PALPEBRAL E ESTADO DO ANIMAL, ANTES DA ADMINSTRAÇÃO ORAL, INTRAPERITONEAL E INTRAVENOSA DA DROGA TIOPENTAL (25mg/ml) NA DOSE DE 10g/0,1ml EM Rattus norvegicus. TERESINA, 2010.

Frequência Respiratória

Reflexo Palpeblal Estado

Cobaia 1 (Via Oral) 114 Presente Normal

Cobaia 2 (Via Intraperitoneal) 130 Presente Normal

Cobaia 3 (Via Intravenosa) 150 Presente Normal

Fonte: Laboratório de Farmacologia- UFPI, alunos de Farmácia, 2010.1

TABELA 2.0: REGISTRO DA FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA, REFLEXO PALPEBRAL E ESTADO DO ANIMAL, 20 MINUTOS DEPOIS DA ADMINSTRAÇÃO ORAL, INTRAPERITONEAL E INTRAVENOSA DA DROGA TIOPENTAL (25mg/ml) NA DOSE DE 10g/0,1ml EM Rattus norvegicus. TERESINA, 2010.

Frequência Respiratória

Reflexo Palpeblal Estado

Cobaia 1 (Via Oral) 95 Diminuído Normal

Cobaia 2 (Via Intraperitoneal) 95 Diminuído Deprimido

Cobaia 3 (Via Intravenosa) 112 Diminuído Deprimido

Fonte: Laboratório de Farmacologia- UFPI, alunos de Farmácia, 2010.1

“O método de administração dos medicamentos depende da rapidez com que se deseja a ação da droga, da natureza e quantidade da droga a ser administrada e das condições do paciente. As condições do paciente determinam, muitas vezes, a via de administração de certas drogas. Todavia, inúmeros problemas limitam a administração de drogas, por isso as vias utilizadas para administração de fármacos apresentam contra-indicações em alguns casos específicos” (CASTRO & COSTA, 1999).

“A ingestão oral é o método mais comumente utilizado para administrar os fármacos. Também é o mais seguro, conveniente e econômico. Suas desvantagens são a absorção limitada de alguns fármacos em função de uas características (Por exemplo hidrossolubilidade); vômitos causados pela irritação da mucisa gastrointestinal; destruição de alguns fármacos pelas enzimas digestivas ou pelo pHg gástrico baixo; irregularidade na absorção ou propulsão na presença de alinetos ou outros fármacos; e necessiadade de contar com a colaboração do páciente. Além disso, os fármacos presentes no trato GI podem ser metabolizados por enzimas da flora ou mucosa intestinal ou do fígado, antes que possaç alcançar a circulação sistêmica” (GILMAN, 2007). De acordo com a TABELA 2.0, o rato que recebeu o anestésico via oral apresentou frequência respiratória e reflexo palpebral diminuídos, entretanto o comportamento variou de normal a levemente deprimido, o que confirma a absorção lenta do fármaco por esta via.

Como a administração oral de medicamentos é segura, mais conveniente e menos dispendiosa, a maior parte das medicações é normalmente administrada por esta via. As medicações para administração oral são disponíveis em muitas formas: comprimidos, comprimidos de cobertura entérica, cápsulas, xaropes, elixires, óleos, líquidos, suspensões, pós e grânulos. As medicações orais são algumas vezes prescritas em doses maiores que seus equivalentes parenterais, porque após absorção através do trato gastrointestinal, elas são imediatamente metabolizadas no fígado antes de atingir a circulação sistêmica, diminuindo assim efeitos adversos (CASTRO & COSTA, 1999).

”A injeção parenteral dos fármacos tem algumas vantagens inequívocas em comparação com a administração oral. Em alguns casos, a administração parenteral é essencial para que o fármaco seja liberado em sua forma ativa. Em geral a biodisponibilidade é mais rápida, ampla e previsível quando o fármaco for adminstrado por via injetável. Por essa razão, a dose eficaz pode ser administrada com maior precisão. No tratamento de emergência e quando o paciente estiver inconsciente, impossibilitando de colaborar ou incapaz de reter algo por via oral,o tratamento por via parenteal se torna necessário. Entretanto a injeção de fármacos tem suas desvantagens: a assepsia deve ser mantida e isto é particularmente importante quando os fármacos forem administrados repetidamente, como ocorre com a administração intravenosa e intratecal; as injeções podem ser dolorosas” (GILMAN, 2007).

qualquer veia periférica acessívelEsta via é utilizada em casos de emergência na

Na via Intravenosa, a concentração desejada de um fármaco no sangue é obtida com uma precisão e rapidez que não são possíveis com outros procedimentos. É a administração de uma droga diretamente na veia, a fim de obter uma ação imediata do medicamento. A medicação poderá ser administrada em qual o paciente se encontra inconsciente (MENDES et al, 1988 ). No experimento observou-se o rápido efeito do anestésico, e de acordo com os resultados da TABELA 2.0, frequência respiratória e reflexo palpebral diminuídos e comportamento deprimido, o que confirma o rápido efeito da via intravenosa.

Pela via intraperitoneal, os fármacos penetram rapidamente na circulação através da veia porta. A injeção intraperitoneal é um procedimento laboratorial comum, comumente utilizada em experimentação animal, mas raramente usada na clínica. Há perigos de infecção e formação de aderências. A cavidade peritoneal oferece grande superfície de absorção a partir da qual as substâncias entram rapidamente na circulação. A absorção se faz melhor através do peritônio visceral; parte da droga passa pelo fígado e sofre metabolização antes de atingir a circulação sistêmica (VALLE, 1991). No experimento, observou-se que a cobaia diminuiu sua freqüência respiratória e reflexo palpebral após a injeção da droga por esta via (TABELA 2.0). Quanto ao comportamento notou-se pequena alteração, maior que a cobaia anestesiada por via oral, mas inferior à por via venosa. Assim, tanto a via intraperitoneal como a oral não tão eficientes para uma absorção rápida de um fármaco.

Por meio da análise dos parâmetros frequência respiratória, reflexo palpebral e estado do Rattus norvegicus, pode-se concluir que a via de administração de determinada droga tem influência sobre a absorção e por conseguinte, a intensidade do efeito do fármaco. Observou-se na via intravenosa o rápido aparecimento dos efeitos da droga, entretanto para as vias intraperitoneal e oral, os efeitos da droga aparecem lentamente, devido às várias barreiras biológicas presentes até a chegada do fármaco na circulação sanguínea.

CASTRO, M.S.; COSTA, T.D.Vias e métodos de administração e formas farmacêuticas. In: Farmacologia Clínica para Cirurgiões-Dentistas. 1999

GILMAN, A. G. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 11a ed. Rio de Janeiro: Mcgraw-Hill Interamericana, 2007.

MENDES, ISABEL AMÉLIA COSTA. NOGUEIRA, MARIA SUELY et al. Rev.Bras. Enfermagem. 41(2):93-6.abr-jun. 1988.

VALLE, L.B.S. et aí, Farmacologia Integrada . Vol. I — Fundamentos Farmacológicos da Terapêutica. RJ/SP. Atheneu, 1991.

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