Suicídio - Princípio de Bioética

Suicídio - Princípio de Bioética

(Parte 3 de 4)

O método escolhido por um indivíduo para suicidar- se freqüentemente é determinado pela disponibilidade e por fatores culturais. Ele também pode refletir a seriedade da tentativa, uma vez que alguns métodos (p.ex., saltar de um edifício alto) tornam praticamente impossível a sobrevivência, enquanto que outros (p.ex., dose excessiva de um medicamento) possibilitam uma tentativa de resgate. No entanto, a utilização de um método que revela não ser fatal não indica necessariamente que a intenção do indivíduo era menos séria. A dose excessiva (overdose) de um medicamento é o método mais comum nas tentativas de suicídio. Como os médicos não mais prescrevem barbitúricos freqüentemente, o número de overdoses com esses medicamentos diminuiu. No entanto, vem aumentando o número de overdose com outros medicamentos psicotrópicos (p.ex., antidepressivos).

A overdose de aspirina caiu de mais de 20% dos casos para cerca de 10%. Em aproximadamente 20% dos suicídios são utilizados dois ou mais métodos ou uma combinação de medicamentos, o que aumenta o risco de morte. Entre os suicídios consumados, o uso de armas de fogo é o método mais comum nos Estados Unidos. Trata-se de um método predominantemente utilizados por meninos e homens. As mulheres apresentam uma propensão a utilizar métodos menos violentos, como o envenenamento (ou a overdose de um medicamento) e o afogamento, embora nos últimos anos tenha aumentado o número de suicídios por arma de fogo entre as mulheres. Os métodos violentos, como o uso de armas de fogo e o enforcamento, são incomuns nas tentativas de suicídio, pois quase sempre acarretam a morte. Um ato suicida freqüentemente contém evidências de agressão dirigida a outros, como pode ser observado em assassinatos seguidos de suicídio entre prisioneiros que cumprem penas por crimes violentos.

Os métodos de liderança em diferentes regiões incluem enforcamento, envenenamento por pesticidas e armas de fogo. Em todo o mundo 30% dos suicídios são de pesticidas. A utilização deste método, contudo, varia consideravelmente de 4% na Europa a mais de 50% na região do Pacífico. Nos Estados Unidos, 52% dos suicídios envolvem o uso de armas de fogo. Asfixia e envenenamento tamb[em são bastante comuns neste país. Juntos, eles compreenderam aproximadamente 40% dos suicídios nos Estados Unidos. Outros métodos de suicídio incluem trauma contundente (saltando de um prédio ou uma ponte, pisando na frente de um trem, ou num acidente de carro, por exemplo). Há ainda causas menos comum, como afogamento intencional, choque elétrico, ou fome intencional.

Seja ou não exposição ao suicídio um fator de risco para ele é uma questão controversa. Um estudo de 1996 foi incapaz de encontrar uma relação entre suicídios entre amigos. Apesar de um estudo de 1986 encontrou maiores taxas de suicídio após um noticiário televisivo em relação ao suicídio.

Imprensa x Suicídio

Com relativa freqüência, nos últimos anos, a questão sobre a cobertura de suicídios ou tentativas de suicídios voltou a ser discutida no jornalismo. A imprensa deve cobrir estes fatos? A divulgação induz outras pessoas a cometer o suicídio? Qual a repercussão da divulgação de uma tentativa de suicídio sobre a imagem do protagonista do ato?

Os suicídios, ou tentativas de, historicamente não foram cobertos pela imprensa brasileira. Sem que a norma esteja escrita em algum lugar, os jornalistas, salvo as exceções, não noticiam suicídios para não incentivar que outras pessoas, também desesperadas, encontrem a "solução" para os seus problemas, ou que estas pessoas "descubram" uma forma de cometer o ato. Com base nisso, centenas de suicídios ocorrem a cada ano sem que a população saiba.

Em grande parte das redações, é recomendado aos jornalistas que evitem ao máximo a divulgação de suicídios. A justificativa para esse procedimento se baseia na hipótese de que qualquer notícia sobre o assunto pode vir a ser o estopim de uma série de outros atos semelhantes.

Nos últimos anos, principalmente depois do surgimento de alguns telejornais e jornais sensacionalistas, que buscam o lucro a qualquer custo, alguns suicídios e tentativas de passaram a ser noticiados. Há pouco tempo, lamentavelmente, uma emissora de tevê mostrou cenas de um policial que cometeu o suicídio na frente das câmeras. Mas este exemplo não deve ser usado para defender a idéia de que todos os suicídios não devam ser cobertos pela imprensa. Se fosse assim, até hoje não saberíamos da morte do presidente Getúlio Vargas.

A imprensa deveria cobrir apenas suicídios (ou tentativas) que causam alguma conseqüência para a sociedade. Quando isso não ocorre, a imprensa deveria omitir os fatos, não apenas na tentativa de impedir novos suicídios, mas para respeitar a individualidade de cada um. Se uma pessoa resolve se matar, e isso não causa nenhuma repercussão sobre a sociedade e ela não foi induzida por alguém, trata-se de um ato que diz respeito somente para aquele indivíduo. Ou seja, não é um ato social, não se configura em uma verdadeira notícia, do mesmo modo que não interessa a ninguém com quem determinada pessoa mantém relações sexuais.

Os seguintes pontos devem estar sempre em mente, na divulgação de um ato suicida por parte da imprensa:

A cobertura sensacionalista de suicídios deve ser evitada a todo o custo, particularmente quando está envolvida uma celebridade. A cobertura deve ser minimizada tanto quanto possível. Qualquer problema de saúde mental que a celebridade possa possuir deve também ser referenciada. Devem envidar-se todos os esforços para evitar os exageros. Devem evitar-se as fotografias do falecido, do método usado e da cena do suicídio. Os títulos de primeira página nunca são os locais ideais para notícias de suicídios.

Devem ser evitados os detalhes dos métodos utilizados e de como foram produzidos. As pesquisas mostram que a cobertura dos suicídios pelos mídia possuem uma maior influência no método de suicídio adotado do que na frequência dos suicídios. Certos locais – pontes, penhascos, prédios altos, linhas de comboio, etc. – estão tradicionalmente associados ao suicídio e um aumento da publicidade faz aumentar o risco de mais gente os poder usar.

O suicídio não dever ser noticiado como inexplicável ou de uma forma simplista.O suicídio não é nunca o resultado de um só fator ou acontecimento. É normalmente causado por uma complexa interação de muitos fatores tais como doença mental ou física, abuso de substâncias, distúrbios familiares, conflitos interpessoais e pressões da vida. Reconhecer que uma grande variedade de fatores contribuem para o suicídio poderá ser útil.

O suicídio não deve ser descrito como um método de enfrentar os problemas pessoais tais como a falência, não passar num exame, ou abuso sexual.

As notícias devem ter em conta o impacto do suicídio nas famílias e nos outros sobreviventes em termos do sofrimento psicológico e do estigma.

Glorificar as vítimas de suicídio como mártires e objetos de adulação poderão sugerir a pessoas susceptíveis que a sua sociedade honra o comportamento suicidário. Em vez disto, o ênfase deverá centrar-se no luto da morte da pessoa.

Descrever as consequências físicas das tentativas de suicídio não fatais (danos cerebrais, paralisias, etc.) poderá agir como um fator desencorajante.

Apresentando uma listagem dos serviços de saúde mental disponíveis e linhas telefônicas de ajuda, juntamente com os números de telefone e endereços atualizados.

Publicando os sinais de aviso dos comportamentos suicidários;

Transmitindo a mensagem de que a depressão está geralmente associada ao comportamento suicidário e de que a depressão é uma doença tratável; Enviando uma mensagem de simpatia aos sobreviventes nas suas horas de dor e fornecendo os números de telefone de grupos de suporte a sobreviventes, se disponíveis. Isto fará aumentar a probabilidade de intervenção dos profissionais

de saúde mental, amigos e família nas crises suicidárias.

Depressão, covardia, egoísmo, desgosto, falta de féO que faz alguém ter vontade de colocar um

Casos Famosos de Suicídio ponto final na própria vida? Pensar em suicídio é algo muito dolorido. Especialistas explicam que, geralmente, uma pessoa não decide se matar de uma hora para a outra. Psicólogos garantem que existe um longo caminho entre o desejo de morrer e a conclusão do ato.

No ano de 2009, dois casos de artistas brasileiros fizeram com que o tema suicídio voltasse a ser discutido. O primeiro deles foi a tentativa de suicídio do ex-Polegar Rafael Ilha, que cortou o pescoço durante um surto depressivo. Por sorte Rafael foi socorrido a tempo e segue sua luta contra o transtorno bipolar e a dependência química. Mais recentemente, a atriz Leila Lopes interrompeu a própria vida ingerindo veneno para matar ratos.

Infelizmente, as estatísticas mostram que o caso é preocupante, pois a cada 40 segundos, uma pessoa se mata. No mundo das celebridades a lista de suicidas não é nada modesta. Abaixo, segue alguns dos principais casos de suicídio entre famosos, onde alguns conseguiram ir até o final, outros, graças ao rápido socorro, conseguiram reverter o caso.

Rafael Ilha

O ex-Polegar Rafael Ilha tentou o suicídio cortando o pescoço, no prédio de sua avó, no condomínio

Parque Brasil, no bairro do Morumbi, zona sul paulista. O fato ocorreu em 20 de novembro deste ano.

Rafael foi socorrido e levado para o Hospital do Campo Limpo, onde foi prontamente atendido e medicado. Após o ocorrido, ele foi novamente internado em um clinica e segue em tratamento.

Lobão

O musico declarou em entrevista ao Jornal da Tarde que em determinado momento de sua vida, por varias vezes tentou se matar: "Hoje não tenho mais crises, descobri há cinco anos que sou bipolar e comecei a me medicar. Meus pais se mataram, cada um no seu tempo. Minha mãe tentou se matar 20 vezes".

Pete Doherty

O musico britânico, artista e poeta, que namorou Kate Moss e esta na lista dos melhores amigos de

Amy Winehouse, revelou em entrevista que tentou cometer o suicídio no início deste ano, quando estava prestes a completar 30 anos. “Eu fiz papel de idiota. Não sei nem sequer o que aconteceu exatamente, mas eu acabei tentando me jogar de cima do meu hotel. Não estava feliz em fazer 30 anos”.

Halle Berry

A atriz contou em entrevista para a Parade em 2007 que depois do término de seu primeiro casamento com o jogador de beisebol David Justice, sentiu vontade de morrer e só desistiu de se matar quando já estava sentada no carro tentando se envenenar com o monóxido de carbono emitido pelo escapamento. O que a impediu de continuar foi a lembrança de sua mãe, que segundo Berry, se sacrificou muito por ela e seus irmãos.

Drew Carrey

O ator e comediante Drew Carrey contou em entrevista ao Acess Hollywood que sempre sofreu de depressão e que a doença o levou a tentar o suicídio por duas vezes, uma aos 18 e outra aos 20 anos. Drew contou que conseguiu combater a doença depois de ler muitos livros de auto-ajuda e aprender a acreditar em si mesmo.

Drew Barrymore

Ela teve uma adolescência selvagem e rebelde antes de se tornar uma atriz e produtora de sucesso.

Drew começou a fumar aos 9 anos, a beber aos 1 anos, a fumar maconha aos 12, experimentou cocaína aos 14 e aos 15, tentou se matar. Por conta desta vida desregrada, Drew foi internada para reabilitação com 13 anos e posteriormente aos 15, depois da tentativa de suicídio.

Yoko Ono

Em 1952, depois de se casar com o compositor e pianista Toshi Ichiyanagi, Yoko Ono tentou se suicidar. A família a internou em uma clínica psiquiátrica japonesa onde Yoko conheceu o músico de jazz Anthony Cox e se apaixonou por ele. Quando descobriu que estava grávida, a artista plástica pediu o divórcio de Toshi e se casou com Cox, pedindo a anulação do casamento pouco tempo depois por causa do temperamento instável do marido. Ele se desculpou e o casal voltou a se casar pouco antes da filha nascer. Yoko ainda era casada com Cox quando conheceu John Lennon e se apaixonou por ele.

Ozzy Osbourne

O roqueiro admitiu em diversas oportunidades ter tentado se matar algumas vezes durante sua vida. As tentativas começaram na adolescência, segundo ele, sem no entanto dar maiores detalhes.

Elton John

Sir Elton John tentou se matar abrindo o gás do fogão. O parceiro musical Bernie Taupin chegou quando Elton já estava inconsciente e o salvou. Posteriormente os dois acabaram compondo uma canção chamada Someone Saved My Life Tonight (Alguém salvou minha vida esta noite) que conta a história

Owen Wilson

Em 2007 ele cortou os pulsos depois de consumir heroína e metanfetamina com sedativos. Os cortes nos pulsos eram superficiais. Segundo se acredita, a tentativa de suicídio se deu depois do rompimento do namoro entre Owen e Kate Hudson.

Kurt Cobain

O líder da banda Nirvana, teve uma vida marcada pela depressão. Ele não se entusiasmava mais por nada, como disse em sua carta de despedida, e sentia o humor oscilar entre amor e ódio, medo e euforia. O músico era também viciado em heroína e teve um relacionamento conturbado com a esposa, igualmente viciada, Courtney Love. Depois de ingerir 50 comprimidos de Rohypnol com champanhe em Roma, em março de 1994, o para uns se configurou como overdose acidental de remédios controlados, e para outros uma tentativa de suicídio, Kurt se internou em uma clínica de reabilitação de onde fugiu e sumiu de vista até ser encontrado morto em sua casa com um tiro na cabeça. Ele deixou uma carta de despedida pedindo desculpas aos fãs.

Ian Curtis

O vocalista do Joy Division, se suicidou no dia 18 de maio de 1980 aos 23 anos. Ele era epilético e a rotina de shows do grupo agravou seu estado de saúde fazendo com que abusasse dos remédios anticonvulsivos, chegando a ser hospitalizado com overdose poucos meses antes de sua morte. Ian se enforcou na cozinha de sua casa ouvindo o disco The Idiot de Iggy Pop.

Michael Hutchence

O líder da banda INXS, foi encontrado morto em seu quarto de hotel em Sydney no dia 2 de novembro de 1997. Um cinto encontrado perto do corpo levou a polícia a acreditar que o músico tenha se enforcado. A falta de carta de despedida levou os parentes e amigos a acreditarem que a morte pode ter ocorrido por asfixia auto-erótica. Os legistas, no entanto, confirmaram que o cantor se suicidou. Ele estava com 37 anos.

Lucy Gordon

Aos 28, a atriz que atuou no longa "Homem Aranha 3", cometeu suicídio dentro de um flat em Paris.

Isso ocorreu em maio de 2009. Ela se matou dias antes de completar 29 anos. A atriz se enforcou e seu corpo foi encontrado pendurado no teto.

Lucy, atuava como atriz e modelo, e pode ser vista em longas como "Perfume" em 2001” e "As

Quatro Plumas", além de "Homem Aranha 3", onde interpretou Jennifer Dugan. John Costelloe

O ator de filmes como O Beijo da Morte e Duro de Matar 2 se matou aos 47 anos. No Brasil ele ficou mais conhecido graças a seu trabalho na série The Sopranos (Família Soprano). John suicidou-se com um tiro na cabeça em 16 de dezembro de 2008 e foi enterrado nas vésperas do Natal.

Maysa

Sua vida sempre foi marcada por muitas polêmicas e escândalos ligados uso de álcool e moderadores de apetite que lhe rendiam um temperamento instável. Tentou o suicídio várias vezes. Supõe-se que o efeito de anfetaminas somado à ingestão de álcool, teria provocado o acidente de carro, na Ponte Rio- Niterói, que a matou, quando dirigia em alta velocidade, rumo a sua casa de praia em Maricá, litoral fluminense.

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