Dicionario brasileiro de terminologia arquivistica

Dicionario brasileiro de terminologia arquivistica

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DICIONÁRIO BRASILEIRO de Terminologia Arquivística

Rio de Janeiro 2005

DICIONÁRIO BRASILEIRO de Terminologia Arquivística

Praça da República, 173Centro
20211-350Rio de Janeiro RJ

Copyright © 2005 by Arquivo Nacional Tel. (21) 3806-6175

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República Dilma Vana Rousseff

Secretária-Executiva da Casa Civil da Presidência da República Erenice Alves Guerra

Diretor-Geral do Arquivo Nacional Jaime Antunes da Silva

Grupo de Trabalho Alba Gisele Gouget Beatriz Moreira Monteiro Cristina Ruth Santos Elizabeth da Silva Maçulo Maria Izabel de Oliveira Maria Lúcia Cerutti Miguel Nilda Barbosa Sampaio Sobrosa Silvia Ninita de Moura Estevão (coord.) Vera Lucia Hess de Mello Lopes Vitor Manoel Marques da Fonseca

Colaboração Especial Ana Celeste Indolfo (microfilmagem) José Luiz M. de Faria Santos (cartografia)

Edição e Revisão Alba Gisele Gouget Silvia Ninita de Moura Estevão Vera Lucia Hess de Mello Lopes Vitor Manoel Marques da Fonseca

Projeto Gráfico, Diagramação e Capa Alzira Reis

Arquivo Nacional (Brasil)

Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. 232p.; 30cm. – Publicações Técnicas; nº 51

Bibliografia: p. 175-178 ISBN: 85-7009-075-7

1. Arquivologia – Dicionários. I. Arquivo Nacional (Brasil). I. Título

025.17103 CDD

Sumário

Prefácio 5

Introdução 7

Índices por idioma

Prefácio

O Arquivo Nacional lança, após anos de trabalho, o Dicionário brasileiro de terminologia arquivística, instrumento de fundamental importância para a normalização conceitual das atividades inerentes ao fazer arquivístico.

O Conselho Internacional de Arquivos (CIA), alguns anos após a sua criação, instala um Comitê que se encarregaria de estruturar, com equivalências em seis idiomas, o primeiro dicionário de termos arquivísticos, lançado em 1964: o Elsevier’s lexicon of archive terminology. Em 1972, um ano após ser fundada a Associação dos Arquivistas Brasileiros (AAB), um grupo de especialistas divulga, durante o I Congresso Brasileiro de Arquivologia, o primeiro estudo sistematizado de terminologia arquivística feito no país, o qual, anos depois, se transforma em norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): a NBR 9578: Arquivo – Terminologia.

O Dicionário brasileiro de terminologia arquivística nasce com data marcada para revisão e nova edição, decorrente do reconhecimento prévio do dinamismo e necessidade de aperfeiçoamento constante, características inerentes a trabalhos dessa natureza, resultantes do uso e da eficácia da difusão do instrumento nos serviços arquivísticos da Administração Pública, na rede de arquivos públicos e privados e entre os profissionais que, direta ou indiretamente, estejam envolvidos com as atividades, o ensino e a pesquisa na área dos arquivos no Brasil.

Desejo manifestar, em nome do Arquivo Nacional e do Conselho Nacional de Arquivos, o reconhecimento da importância deste Dicionário, fruto do exaustivo trabalho de pesquisa e sistematização realizado por Silvia Ninita de Moura Estevão e pelos membros do Grupo de Trabalho por ela coordenado.

Rio de Janeiro, setembro de 2005

Jaime Antunes da Silva DIRETOR-GERAL DO ARQUIVO NACIONAL PRESIDENTE DO CONARQ

Introdução

Este trabalho é um aperfeiçoamento de Subsídios para um dicionário brasileiro de terminologia arquivística,1 disponível ao público no site do Arquivo Nacional para críticas e sugestões, em página do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), entre outubro de 2004 e junho de 2005.

Tanto Subsídios quanto este Dicionário foram compilados por um mesmo grupo de trabalho, constituído no âmbito do Arquivo Nacional com o objetivo de auxiliar as atividades de normalização de procedimentos técnicos no mundo dos arquivos. De início, o grupo foi formado basicamente por técnicos que haviam participado de estudos, realizados durante a década de 1990, tendo em vista a consolidação de um dicionário brasileiro de terminologia arquivística.

Com a retomada das discussões em maio de 2003, o grupo passou a contar com novos integrantes e, em poucos meses, com o apoio do CONARQ, por meio de sua Secretaria-Executiva.2 Esse apoio levou ao estabelecimento de um cronograma de trabalho mais rígido, tendo-se assumido o compromisso de, num curto espaço de tempo, apresentar produto que tanto pudesse servir de objeto de discussão quanto suprir necessidades imediatas de aplicação.

Os comentários enviados entre novembro de 2004 e junho de 2005, apesar de em menor número que o esperado, foram de grande valia para nortear a revisão dos termos e definições presentes em Subsídios. Mais que isso, demonstraram a importância e a necessidade de debates para o amadurecimento e cientificidade do Dicionário.3

Em julho de 2005, na 37ª Reunião do CONARQ, foi firmado o compromisso de que o grupo de trabalho, o Arquivo Nacional e o próprio CONARQ promoverão a revisão, num prazo de dois anos, da presente versão, esperando-se contar, para isso, com a colaboração ativa de técnicos, professores e estudantes de graduação e pós-graduação em arquivologia e áreas afins. Para estimular as contribuições, pretende-se dar ampla divulgação ao Dicionário, e organizar e participar de eventos compatíveis com o tema.

1Todas as obras aqui citadas acham-se relacionadas na bibliografia, ao final do trabalho.

2Em maio de 2003, o grupo era composto por Alba Gisele Gouget, Beatriz Moreira Monteiro, Maria Izabel Oliveira,

Nilda Barbosa Sampaio Sobrosa, Silvia Ninita de Moura Estevão, Vera Lucia Hess de Mello Lopes e Vitor Manoel Marques da Fonseca. Alguns meses depois, recebeu o concurso de Maria Lúcia Cerutti Miguel, Cristina Ruth Santos e Elizabeth da Silva Maçulo, além de ter contado com a colaboração de José Luiz M. de Faria Santos e Ana Celeste Indolfo para assuntos relacionados, respectivamente, à cartografia e à microfilmagem. Procurou-se, também, acompanhar os trabalhos da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do CONARQ, que vem elaborando glossário específico.

3Agradecemos, especialmente, a Carlos Augusto Silva Ditadi, Maria Odila Kahl Fonseca, Helena Corrêa Machado,

Maria Isabel de Matos Falcão, Lígia Café, Ana Márcia Lutterbach Rodrigues, Sérgio Miranda de Lima, Lúcia Maria Velloso de Oliveira, Luiz Fernando Duarte de Almeida, Kátia Isabelli Melo de Souza, Georgette Medleg Rodrigues, Juliana Gehlen, Júlio Cardoso, José Maria Jardim, André Porto Ancona Lopez, Eliane Braga de Oliveira, Miriam Paula Manini, Renato Tarciso Barbosa de Sousa e Rogério Henrique de Araújo Júnior.

Os primeiros estudos e trabalhosOs primeiros estudos e trabalhosOs primeiros estudos e trabalhosOs primeiros estudos e trabalhosOs primeiros estudos e trabalhos

Em âmbito internacional, as discussões em torno da consolidação de uma terminologia arquivística remontam à criação, em 1948, do Conselho Internacional de Arquivos (CIA). Em 1953, por ocasião do I Congresso Internacional de Arquivos, o CIA instituiu o comitê que, entre 1954 e 1963, dedicou-se ao tema, buscando a correspondência de termos e conceitos em seis idiomas. O comitê foi presidido por Herman Hardenberg (Holanda) e integrado por Marcel Baudot e Robert-Henri Bautier (França), Miguel Bordonau (Espanha), Antonino Lombardo (Itália), Herman Meinert (Alemanha), Heinrich-Otto Meisner (República Democrática da Alemanha) e Peter Walne (Inglaterra). Os estudos resultaram no lançamento, em 1964, do Elsevier’s Lexicon of archive terminology, redigido em francês, que englobou termos equivalentes em inglês, alemão, espanhol, italiano e holandês, compreendendo tipos de documentos, catálogos e inventários, aspectos físicos estruturais dos arquivos, métodos de preparação, processamento, utilização e preservação. No total, foram 175 termos agrupados em seis partes: documentos de arquivo, estrutura de arquivos, instrumentos de trabalho, conservação de arquivos, operações técnicas de tratamento de arquivos e utilização de arquivos e reprodução documental. Índices por idioma complementaram a publicação.

Em 1974, dez anos após a publicação do Lexicon, a Society of American Archivists reimprimiu, na The American Archivist, um trabalho compilado por Frank Bernard Evans, Donald F. Harrison e Edwin A. Thompson e editado por William L. Rofes, intitulado A Basic glossary for achivists, manuscript curators, and records managers. Obra referenciada em várias iniciativas norte-americanas no campo dos arquivos até a atualidade, o Basic glossary reuniu 127 termos em inglês, acompanhados das respectivas definições, seguidos de um apêndice bibliográfico no qual foram relacionados dicionários e glossários pertinentes.

Em 1976, a literatura técnica foi enriquecida por uma publicação da Unesco que ultrapassou o domínio dos arquivos, intitulada Terminology of documentation, trabalho compilado por Gernot Wersig, do Instituto de Documentação e Estatísticas Médicas de Berlim, com a colaboração do Instituto Central de Informação Científica e Técnica de Moscou e de Armando M. Sandoval, do Centro de Informação Científica e Humanística da Universidade do México, abrangendo 1.200 termos considerados básicos na área de documentação, definidos em inglês, com os equivalentes em francês, alemão, russo e espanhol.

Em 1977, o CIA retomou o tema da terminologia em arquivos, constituindo um grupo de trabalho presidido pelo inglês Peter Walne, que havia participado do Lexicon of archive terminology (1964). O grupo, integrado por François-J. Himly e Michel Duchein (França), Eckhart G. Franz (República Federal da Alemanha), Antonio Arago (Espanha), Frank Bernard Evans (EUA, representante oficial da Unesco), Filip J. Dogih (URSS), Charles Kecskeméti (secretário-executivo do CIA), Eric Ketelaar (Holanda) e Elio Lodolini (Itália), produziu o Dictionary of archival terminology (DAT 1), publicado em 1984, pelo qual o CIA reafirmou os propósitos de instrumentalizar o intercâmbio técnico internacional, a despeito das diferenças conceituais e de procedimentos, buscando estimular compilações nacionais. Incluindo 503 termos, com as entradas e definições em inglês e seu paralelo em francês, e contemplando particularidades da tradição francesa, estabeleceu equivalências em holandês, alemão, italiano, russo e espa- nhol. Em inglês, foram congregados termos específicos utilizados no Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália, e em francês, aqueles usados na França, Canadá e Bélgica. Ao final, a obra contou com índices por idioma, seguindo os moldes instituídos pelo Elsevier’s Lexicon, de 1964.

Com o mesmo caráter e a mesma filosofia do DAT 1, uma segunda edição foi lançada em 1988, contendo 486 termos, com conceituações em inglês e francês, e termos equivalentes em holandês, alemão, italiano, russo e espanhol, incluindo aqueles usados especialmente na Áustria, Alemanha Oriental, Inglaterra, além de índices por idioma. Michel Duchein (França), Eckhart G. Franz (República Federal da Alemanha) e Peter Walne (Inglaterra) estiveram à frente desse trabalho, que também contou com a colaboração de Leopold Auer (Áustria), Bruno Delmas (França), R. Leipold (República Democrática da Alemanha), Maria Pia Rinaldi Mariani e Elio Lodolini (Itália), Eric Ketelaar e Peter Sigmond (Holanda), María Concepción Contel Barea (Espanha) e F. M. Vaganov (URSS), na elaboração da equivalência e dos índices.

Entre o DAT 1 e o DAT 2 vieram a público várias contribuições de diferentes países, inclusive do mundo hispânico – estas promovidas pela Associação Latino-Americana de Arquivos (ALA) –, uma das quais a tradução e adaptação efetuada por Manuel Vázquez (Argentina), e Maria Luisa Acuña Braun (México), em versão datilografada, que circulou em 1986. A contribuição de Cuba viria depois, em 1990, sendo reeditada pela Colômbia em 1992. Em 1993 foi a vez da Espanha lançar um dicionário, que teve uma segunda edição em 1995. Em 1997 publicou-se uma nova contribuição, empreendida pelo Grupo Iberoamericano de Tratamiento de Archivos Administrativos (GITAA), sugestivamente intitulada Hacia un diccionario de terminología archivística, que se propunha a promover uma convergência de termos e conceitos tal como utilizados na Espanha, Colômbia, Cuba, México, Brasil e Portugal.

Durante esse período também veio a público a contribuição de Portugal, que, em 1989, apresentou uma versão provisória do Dicionário de terminologia arquivística, sendo o texto definitivo publicado em 1993. A versão provisória contava com 552 termos, enquanto a versão de 1993 reunia 467, com equivalências em alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e português do Brasil.

Em 2002, o Arquivo Nacional tomou conhecimento da existência do esboço de um novo dicionário de terminologia arquivística produzido pelo CIA, o DAT 3, que, divulgado pela internet, abrigado em página da Universidade de Marbourg, tinha sua última atualização datada de 21 de setembro de 2002.4 O DAT 3, na versão 2002, abrangia 313 termos definidos em inglês, com equivalências em francês, alemão e espanhol. Atualmente pode ser acessado numa versão em francês, e avalia-se a possibilidade de serem introduzidos termos equivalentes em russo. Do grupo participam, pelo idioma inglês, Ishbel Barnes (Edimburgo) e Lynn L. Carlin (Washington), pelo francês, Philippe Charon (Paris), pelo espanhol, Concepción Contel e Rosanna de Andrés Diaz (Madri) e, pelo alemão, Angelika Mene-Haritz. Foi da versão em inglês, de setembro de 2002, que o Grupo de Terminologia do Arquivo Nacional se serviu.

4Em 28 de novembro de 2004 deu-se nova atualização.

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