Soldagem I e II e Terminologia de Soldagem e de Descontinuidades de Soldagem

Soldagem I e II e Terminologia de Soldagem e de Descontinuidades de Soldagem

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SOLDAGEM I E II - TERMINOLOGIA DE SOLDAGEM E DE DESCONTINUIDADES DE SOLDAGEM - 2008

PRIMEIRA PARTE

SOLDAGEM PARA TÉCNICOS EM MECÂNICA

TERMINOLOGIA DE SOLDAGEM PARA TÉCNICOS EM MECÂNICA

Considerações iniciais. Espera-se de um profissional que ele tenha atitude e comportamento condizentes com a atividade que exerce e para a qual se preparou. Quando solicitado, deve saber explicar, ou definir, de forma clara e inteligível, utilizando o vocabulário condizente com o assunto tratado. Se o assunto for soldagem, a terminologia a ser empregada deve ser a de soldagem.

Esta parte de nosso curso de Soldagem para Técnicos em Mecânica, procura auxiliar o estudante a se tornar apto a:

a) Conhecer os termos de soldagem mais usuais;

b) Identificar os vários tipos de juntas;

c) Identificar os vários tipos de chanfros para preparação de juntas;

d) Identificar as várias zonas da junta soldada;

e) Identificar as várias posições de soldagem.

Vamos usar a terminologia de soldagem preconizada pela Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem – FBTS e, por ser pertinente, colocamos entre parêntesis, a terminologia inglesa das especificações AWS – “American Welding Society”.

Para facilitar o trabalho de consulta, tanto quanto foi possível, apresentamos os termos em ordem alfabética.

1 Abertura de raiz (root opening) é a separação entre as peças a serem unidas na raiz da junta (figura 1).

2 Alicate de eletrodo (electrode holder) é o equipamento, ou dispositivo usado para sujeitar (prender, segurar) mecanicamente o eletrodo, ao mesmo tempo em que conduz a corrente elétrica através dele.

3 Ângulo do bisel (bevel angle) é o ângulo formado por um plano perpendicular à superfície da peça e a borda preparada da junta a ser soldada (figura 1).

4 Ângulo do chanfro (groove angle) é o ângulo integral do chanfro entre as partes a serem unidas por soldagem (figura 1).

5 Ângulo de deslocamento ou de inclinação do eletrodo (travel angle) é o ângulo que o eletrodo forma com uma reta de referência, perpendicular ao eixo da solda, no plano comum ao eixo de solda e ao eletrodo (ver figura 2).

6 Ângulo de trabalho (work angle) é o ângulo que o eletrodo forma com a superfície do metal de base e ao plano perpendicular ao eixo de soldagem (ver figura 2).

7 Atmosfera protetora (protective atmosphere) é o envoltório gasoso que circunda a parte a ser soldada ou brazada durante a operação de soldagem.

8 Atmosfera redutora (reducing atmosphere) é a atmosfera protetora, quimicamente ativa e que, a temperatura elevada, reduz óxidos metálicos (reduzir óxidos é a operação de retirar, parte ou totalmente, oxigênio dos óxidos).

9 Brasagem (brazing, soldering) é o processo de união de materiais onde apenas o metal de adição sofre fusão, ou seja, não se funde o metal de base (o metal das partes a serem unidas). O metal de adição, liquefeito (fundido), penetra na fresta da junta e por capilaridade nas peças e, após esfriar e se solidificar, une as partes.

10 Camada (layer) é o conjunto de passes, ou cordões, depositados na mesma junta (figura 3).

11 Certificado de qualificação de soldador (welder certification) é o documento escrito certificando que o soldador executa soldas de acordo com os padrões pré-estabelecidos.

12 Chanfro (groove) é a preparação de junta a ser soldada, executada em forma de abertura ou sulco entre os componentes a serem soldados, determinando o espaço para conter a solda (ver figura 4). Os principais são:

Chanfro reto, ou sem chanfro, ou junta de topo;

Chanfro em “V” simples, ou em meio “V”;

Chanfro em “V”;

Chanfro em “J”;

Chanfro em “U”;

Chanfro em “K”;

Chanfro em “X”;

Chanfro em duplo “J”;

Chanfro em duplo “U”;

13 Chapa ou peça de teste de produção (production test plate, vessel test plate) é a chapa soldada como extensão de uma junta soldada normal, com a finalidade de sofrer exames através de ensaios mecânicos, químicos ou metalográficos.

14 Cobre-junta (backing) é o material (metal de base, solda, material granulado, cobre, ou carvão, colocado junto à raiz), com a finalidade de suportar o metal fundido durante a execução de soldagem.

15 Consumível é todo material empregado na operação de soldagem, como material de adição ou de proteção, tais como; eletrodos, varetas, arame, fluxos, gases etc.

16 Cordão de solda (weld bead) é o depósito de solda resultante de um passe (ver figura 3).

17 Corpo de prova (test speciment) é a amostra retirada da chapa ou peça de teste de produção para executar exames através de ensaios mecânicos, químicos ou metalográficos (veja item 13).

18 Corrente de soldagem (weldimg current) é a corrente elétrica utilizada no circuito de soldagem durante a execução da solda.

19 Corte com eletrodo de carvão (carbon arc cutting) é o processo de corte a arco elétrico (arco voltaico) no qual metais são separados por fusão devido ao calor gerado pelo arco voltaico formado entre um eletrodo de carvão (grafite) e o metal de base.

20 Dimensão da solda (size of weld). Consideram-se as seguintes situações:

a) para solda em chanfro: é a penetração da junta (profundidade do bisel mais a penetração da raiz, quando esta é especificada). A dimensão, ou profundidade de soldagem, de uma solda em chanfro é igual à garganta efetiva.

b) para solda em ângulo de pernas iguais (ver a figura 5): é o comprimento dos catetos do maior triângulo isóscele que pode ser inscrito dentro da seção transversal da solda. Para soldas em ângulo de pernas desiguais, é o comprimento dos catetos do maior triângulo retângulo que pode ser inscrito dentro da seção transversal da solda.

21 Eficiência de junta (joint efficiency) é a relação (quociente da divisão) entre a resistência da junta soldada (solda) e a resistência do metal de base (metal de que são feitas as partes).

22 Eletrodo de carvão (carbon electrode) é o eletrodo usado em corte ou soldagem a arco elétrico, consistindo em uma haste (vareta, barra etc.) de carbono ou grafite, que pode, ou não, ser revestida por cobre ou outro material.

23 Eletrodo nu (base electrode) é o material de adição consistindo de um metal ligado ou não, em forma de arame, barra ou tira, sem nenhum revestimento ou pintura, além daquele necessário à sua fabricação ou conservação.

24 Eletrodo revestido (covered electrode) é o material de adição composto, consistindo de uma alma (ou núcleo) de eletrodo nu, sobre o qual é aplicado um revestimento. O revestimento pode conter materiais, que com o calor do arco elétrico, formam uma atmosfera protetora, desoxidam o banho, estabilizam o arco, servem de fonte de adições metálicas à solda e produzem uma camada de escória protetora sobre o metal de solda (protegendo termicamente o cordão enquanto ele esfria, e contra a contaminação dos gases atmosféricos, enquanto aquecido).

25 Eletrodo para solda a arco (arc welding electrode) é um componente do circuito de soldagem através do qual a corrente é conduzida entre o alicate de eletrodo e o arco elétrico (voltaico).

26 Eletrodo tubular (flux cored eletrocde, metal cored electrode) é omaterial de adição composto, consistindo de um tubo de metal, ou outra configuração, com uma cavidade interna, contendo produtos que formam uma atmosfera protetora, desoxidam o banho, estabilizam o arco, servem de fonte de adições metálicas à solda e produzem uma camada de escória sobre o metal de solda. Atmosfera protetora externa pode ser ou não utilizada.

27 Eletrodo de tungstênio (tungsten electrode) é um eletrodo metálico usado em soldagem ou em corte a arco elétrico, feito de tungstênio (W, wolfrâmio) ou uma sua liga.

28 Equipamento soldado é o produto da fabricação, construção e/ou montagem soldada, tais como: equipamentos de caldeiraria, tubulação, estruturas metálicas, tanques, tubulação, oleodutos, gasodutos etc.

29 Equipamento de soldagem é a máquina, ferramentas, instrumentos, estufas e dispositivos empregados na operação de soldagem.

30 Escama de solda (stringer bead, weave bead) é o aspecto da face da solda semelhante à escamas de peixe. Quando depositada sem oscilação transversal. Assemelha-se à uma fileira de letra V. Em deposição com oscilação transversal, assemelha-se à escamas entrelaçadas (ver figura 6).

31 Face do chanfro ( groove face) é a superfície cortada como preparação de uma junta (figura 7).

32 Face de fusão (fusion face) é a superfície do metal de base que será fundida figura 8).

33 Face da raiz (root face) é a porção da face do chanfro adjacente à raiz da junta da junta (figura 8).

34 Face da solda: é a superfíccie exposta da solda, pelo lado onde a solda foi executada (parte superior da fig. 8).

35 Fluxo (flux): é o material uilizado para evitar oxidação, dissolver ou facilitar a remoção de óxidos e outras substâncias indesejáveis da superficiais.

36 Gabarito de solda (weld gage) é o dispositivo para verificar a forma e a dimensão de soldas.

37 Garganta efetiva (effective throat) é a distância mínima da raiz da solda à sua face menos qualquer reforço (figuras 5 e 9).

38 Garganta de solda (throat of a fillet weld) (ver figuras 5 e 9) é a dimensão de uma solda em ângulo que determina a distância entre a raiz da junta e:

a) hipotenusa do maior triângulo retângulo inscrito na seção transversal da solda (garganta teórica);

b) a face da solda (garganta real);

c) a face da solda menos o reforço (garganta efetiva).

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