Bases do Behaviorismo Behaviorismo Watsoniano ou clássico, Behaviorismo Skinneriano ou radical

Bases do Behaviorismo Behaviorismo Watsoniano ou clássico, Behaviorismo Skinneriano...

Como diversas outras ciências, a psicologia também adveio da filosofia. Baum (1999), aborda em seu livro: “Compreender o Behaviorismo” que todas as ciências – como a astronomia, química, física, biologia-tiveram sua gênese na Filosofia, porém, cindiram-se dela, uma vez que, as especulações já não mais o eram suficientes.

A psicologia estava preocupada neste período em estabelecer-se como ciência; em banir a idéia de ser o estudo da vida mental e da alma e passar a ser o estudo da consciência ou dos fatos conscientes. Posteriormente, com Watson e o behaviorismo, a “luta” estabelecer-se-á em opor-se a processos mentalistas, como a consciência, em razão de um objeto de estudo passível de observação – o comportamento.

A estruturação do corpo da nova ciência que desabrochou, dá razão à formação de cinco tendências ou escolas psicológicas no início do século XX, foram elas: o Estruturalismo, o Funcionalismo, o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise.

Tanto o Estruturalismo quanto o Funcionalismo preocuparam-se com conteúdos de teor mentalista.

Ao Behaviorismo, o foco deste trabalho, John B. Watson (1878-1988) não se contentou em “mentalizar”. Ao invés, visou provar que a psicologia para ser ciência não pode ser tautológica, nem aceitar uma conceitualização determinista. Buscou na psicologia animal apoio nos métodos que se assemelhavam às das ciências naturais.

Bases do Behaviorismo

Behaviorismo Watsoniano ou clássico

Na última metade do século XIX tornou-se costumeiro chamar a psicologia de “ciência da mente”, pois era mais acessível ao estudo científico do que psiche (usada pelos gregos). Para o estudo da mente foi proposto o método do introspeccionismo que deixava pouco à vontade alguns dos psicólogos dessa época, como relata Baum (1999), em virtude de que tal método científico parecia pouco confiável, vulnerável a distorções pessoais.

Esta subjetividade não permeava o que difundiam as outras ciências no mundo inteiro, em que se utilizavam medidas verificáveis e replicáveis em laboratórios.

Alicerçado no método objetivo, F.C. Donders (1818-1889)1, foi um dos pioneiros da psicologia objetiva, que visava desenvolver métodos para medir os processos mentais de forma objetiva. Ele se inspirou num intrigante problema levantado pela astronomia, em como calcular a hora exata em que uma estrela estará em determinada posição no céu.

Outra corrente que teve influência na base do behaviorismo foi à psicologia comparativa, que tinha como pressuposto o fato de encarar o homem não com um ente à parte, destacado das outras espécies de seres vivos e sim pertencendo a um continuum, isto é, a idéia de que mesmo as espécies mantendo características distintas entre si, assemelhavam-se umas às outras, à medida que compartilham uma mesma história evolutiva. O objetivo era que entendendo a expressão rudimentar de traços mentais, em espécies mais primitivas, pudesse dar uma idéia de como se desenvolvia os traços mentais em nossa espécie.

Dentre as influências mais veementes para a posição comportamentalista, estão os estudos com animais, delineados tanto na Psicologia Animal, como também através da Psicologia Comparativa, citada anteriormente. A relação entre a psicologia animal e o comportamentalismo está tão clara, que Watson, citado por Schultz&Schultz (1981), declara:

“O comportamentalismo é uma consequência direta de estudos sobre o comportamento animal [feitos] no decorrer da primeira década do século XX” (Watson, 1929)”.

Dentre os estudos pertencentes à Psicologia Animal é de crucial importância citar os trabalhos de Edward Lee Thorndike (1874-1949) e Ivan Petrovitch Pavlov (1849-1936).

Thorndike é considerado o precursor do behaviorismo. Sua investigação sobre a conduta animal foi um passo decisivo para a explicação do comportamento através de controle rigoroso e sistemático. Deu relevante colaboração à educação, principalmente pela elaboração de princípios de aprendizagem. Entre outros pontos formulou a lei do exercício: quanto mais freqüente, mais recente e mais fortemente um vínculo é exercido, mais efetivamente será fixado. Estabeleceu, também, o princípio do ensaio e erro na aprendizagem. O conexionismo – abordagem experimental – por ele criado, consiste numa associação entre situações e respostas. Todavia, apesar de concentrar-se nesta conexão, Thorndike estava voltado para processos mentais, reportando-se a termos como “satisfação”, “contrariedade” e “desconforto”, ao discutir os comportamentos dos seus animais experimentais. Sua base experimental empregava um equipamento - a caixa-problema - cujo objetivo era colocar um animal - no caso, o gato - faminto (privado de alimento) na caixa, e este tinha de aprender a operar um trinco para escapar; tendo como recompensa da fuga, o alimento que se encontrava fora da caixa. Inicialmente o gato exigia um comportamento meio “caótico”, empurrando, farejando e dando patadas para seguir o alimento (o que Skinner mais tarde denominará de comportamento exploratório). Passando ao processo de aprendizagem, mediante a freqüência da situação do gato à caixa-problema. A esse tipo de procedimento, Thorndike denominou de “aprendizagem por tentativa e erro”, concluiu que um ato seguido de satisfação será gravado enquanto seguindo de insatisfação será eliminado conhecido como formalizando a Lei do Efeito:

“Todo ato que, numa dada situação, produz satisfação fica associado com essa situação, de maneira que, quando a situação se repete o ato tem mais probabilidade de se repetir do que antes. Inversamente, todo ato que, numa dada situação, produz desconforto se torna dissociado dessa situação, de maneira que, quando a situação se repete, o ato tem menos probabilidade de se repetir do que antes” (Thorndike, 1905).

Quanto à influência de Pavlov, esta foi de suma importância no que tange ao estudo dos reflexos, concentrando-o nas secreções glandulares e movimentos musculares objetivos e quantificáveis. Quem já não ouviu falar na situação de condicionamento da salivação de um cão a uma sineta, no tocante ao estudo da psicologia? A relevância de Pavlov é extrema, pois, não foi à toa a sua dedicação incondicional aos estudos, à luta por uma ciência objetiva; e por isso, gerava tanto fascínio entre seus pupilos.

O apogeu de seus experimentos é caracterizado pelo Reflexo Condicionado, no processo de aprendizagem, em que consistia em apresentar um estímulo condicionado (uma luz acesa, por exemplo); imediatamente apresenta-se o estímulo não condicionado (o alimento). Após sucessivas apresentações de pareamento entre a luz e o alimento, o animal passa a salivar ao ver a luz (mesmo sem visualizar o alimento). Logo, o animal está condicionado ao estímulo condicionando, acontecendo a aprendizagem.

A notoriedade de tais estudos fez prevalecer uma busca incessante em tornar a psicologia uma ciência objetiva. Para tanto, de fato agora discorrer-se-á sobre a “instalação” do behaviorismo, as perspectivas e objetivos de seu fundador, que vão de encontro a esta tônica.

John B. Watson (1878-1958), um quase religioso, com histórico de vida entrecruzada de conflitos familiares, deixado por seu pai aos 13 anos de idade, vivendo em uma situação de extrema pobreza e carregando nas costas o título de “delinqüente” tornar-se o fundador e defensor do comportamentalismo.

Sua carreira e objetivação com o behaviorismo agarraram-se na luta em alcançar o patamar de subsidiar uma ciência psicológica objetiva e científica assemelham-se as ciências naturais que são mecanicistas (comportamento reflexo), materialistas (são idéias realistas do mundo, não estão em busca do conhecimento da matéria) e, deterministas (afirma que o livre arbítrio é uma ilusão formada na ignorância dos fatos que determinam o comportamento), envolta por métodos observáveis, quaisquer rastro de subjetividade e recorrência ao mentalismo.

A sua tentativa de construção da psicologia - de fato científica - teve como ponto de partida, primeiramente, o fato de que os organismos sejam animais ou humanos se ajustam aos seus ambientes por meio de equipamentos hereditários e hábito. Em segundo lugar, que certos estímulos levam os organismos a dar respostas. A preocupação, pois, de Watson esteve muito mais voltada por seu interesse em tentar demonstrar a necessidade de manter a uniformidade do procedimento experimental e do método de apresentar resultados, no trabalho com seres humanos e animais, evidenciando que os mecanismos de respostas são semelhantes quando submetidos a processos de estimulação em tais; do que por desenvolver idéias que possa ter acerca das mudanças que por certo virão no escopo da psicologia humana (já com Skinner, terão desdobramentos tais questões pragmáticas para com a vida humana).

Ou seja, a vertente de Watson está em firmar uma metodologia que proporcione à Psicologia uma tonicidade científica ao seu objeto de estudo – o comportamento – Outra característica é a negação de todas as tendências inatas, o homem para Watson herdou apenas as estruturas do seu corpo e do seu funcionamento: Não herdou nenhuma característica mental, nem inteligência, nem habilidades, nem instintos, nem talentos, nem dons especiais. Para explicar diversos tipos de comportamento Watson dava ênfase ao ambiente, ao meio e as circunstâncias.

Indubitavelmente, os métodos do comportamentalismo foram um “atentado” e teor de repúdio aos “ditos psicólogos” (os mentalistas com seus estudos acerca da consciência) e através do método introspeccionista. Na proposta de Watson uma sociedade está baseada no comportamento cientificamente modelado e controlada.

Com relação aos métodos, Watson sumaria que seriam: a) a observação, com ou sem instrumentos; b) os métodos de teste; c) método do relato verbal e d) os métodos do reflexo condicionado.

Falar de Reflexo Condicionado remete a mencionar, talvez, o mais popular de todos os estudos do comportamentalismo, isto é, o pequeno Albert. Watson demonstrou sua teoria das respostas emocionais condicionadas em seu estudo experimental com Albert, um bebê de onze meses, que foi condicionado a ter medo de um rato branco, que ele não temia antes das tentativas de condicionamento. Sempre que o rato lhe era mostrado, seguia-se um ruído bastante forte; dentro de pouco tempo, a mera visão do rato produzia sinais de medo na criança. Watson demonstrou que esse medo condicionado pode ser generalizado para outros estímulos como um coelho, um casaco de pele branca, ou mesmo as barbas de papai Noel.

Instinto, emoção, aprendizagem e pensamento passaram do status de tautologias mentalistas ao topo de respostas condicionas. Coisas que pareciam herdados podiam ter sua origem no treinamento da infância, assim, não é que as crianças nasciam com aptidão para ser grandes músicos ou atletas, mas eram influenciados pelos pais nestas direções, através do reforço e encorajamento, não reduzindo tal processo à concepção de que seria algo instintivo, exemplificando.

Eduard Chace Tolman (1886-1959) – torna-se notado com o estudo de variáveis intervenientes (ou seja, é o que acontece no organismo que provoca uma dada resposta comportamental diante de um estímulo. O que antes associava E-R, passa a figurar E-O-R, onde O é organismo) O condicionamento S-R exercido pelo ambiente era responsável pelo comportameto e o mapa cognitivo (padrão de sinais no processo de aprendizagem); Edwin Ray Guthrie (1886-1959), contribui com a aprendizagem por tentativa (princípio por contigüidade é sua base) e Clark Leonars Hull (1884-1952), acreditava e defendia que a aprendizagem não pode acontecer na ausência de reforço; e, portanto, compatível com o pensamento de Thorndike e a Lei do Efeito, denominou a força da conexão E-R vinculada da força do hábito (enfatizando sobremaneira o efeito pró-ativo do reforço). Estes neobehaviorista foram sem dúvida perpetuadores e incentivadores na luta behaviorista, porém, foi com Burrhus Frederick Skinner (1904-1990) que a perpetuação bem como expoência máxima do comportamentalismo instaurou-se.

Os neobehavioristas baseia-se no princípio estímulo resposta e contrapõe-se a psicologia mentalista.

Objetivo de estudo da psicologiado behaviorismo para Watson é o comportamento objetivamente observável, com isso evita termos como mente e consciência, evita a subjetividade da introspecção e do antropomorfismo ( inferir sentimentos,sensaçõe e pensamento a animais como resposta a seus comportamentos.

Behaviorismo Skinneriano ou radical

Skinner, diferente de Watson relata que não lhe faltou afeto e que seu ambiente de infância era estável. Gostava de ir a escola e não teve histórico de rebeldia ou delinquência. Porém, o sistema de psicologia de Skinner é sob muitos aspectos um reflexo das suas primeiras experiências de vida. Ele considerava a vida como um produto de reforços passados, e acreditava que todos os aspectos de sua experiência pessoal remontavam apenas a fontes ambientais.

Do aprendiz ao mestre, há vários aspectos importantes em que a posição de Skinner representa uma renovação do comportamentalismo Watsoniano. Schultz & Schultz (1981) descrevem:

“Seu tipo exclusivamente descritivo de comportamentalismo radical se dedica ao estudo das respostas; volta-se para descrever, e não para explicar, o comportamento. Ele só se ocupava do comportamento observável e acreditava que a tarefa da investigação científica se traduz em estabelecer relacionamentos funcionais entre as condições de estímulo controlados pelo experimentador e a resposta subsequente do organismo”.

Uma das premissas que difere o comportamentalismo skinneriano do watsoniano, é de que neste os sujeitos têm uma condição passiva, por serem observados pelo experimentador que, por vezes, introduz o estímulo; enquanto àquele opera no ambiente e “eleva-se” a uma condição de sujeito atuante, isto é, ativo no seu processo de aprendizagem.

Por falar de operar, Skinner deixar em seu estudo com ratos, utilizando um instrumento, que ficou divulgadamente conhecido como “Caixa de Skinner”, conceitos como Comportamento Respondente e Comportamento Operante. De forma exemplificada: o comportamento do rato ao pressionar a barra e receber comida é operante; ele não recebe nenhuma comida enquanto não pressionar a barra. O recebimento da comida é o reforço por sua emissão de comportamento. Já o comportamento respondente, conceitua-se ao comportamento do “cão de Pavlov” que responde ao estímulo condicionado (a luz acesa) produzindo uma resposta condicionada (salivação).

Desta experiência básica inicial, outras foram à frente, e programas de reforço criados para as pessoas receberem notável reconhecimento. O berço de ar – projetado para mecanizar o cuidado infantil – que utilizou com sua própria filha; bem como a máquina de ensinar (inventada pelo psicólogo Sidney Pressey, nos anos 20), promovida por Skinner, foram notoriedade pública.

Entretanto, um marco de transposição da tecnologia do comportamento, em que tentou transpor para sociedade mais ampla suas descobertas de laboratórios, Skinner estabeleceu um programa de controle comportamental. Este “brasão” data de 1948, quando publicou Waldem Two, um romance que descreve uma comunidade rural de mil membros na qual cada aspecto da vida é controlado pelo reforço positivo. Enfim, a modificação do comportamento mediante o reforço positivo é uma técnica popular em hospícios, fábricas, prisões e escolas, onde é utilizado com o objetivo de transformar comportamentos animais ou indesejáveis em comportamentos mais aceitáveis e desejáveis. No recente artigo de Henry L. Roediger (2004), ele aborda sobre o que acontece com o behaviorismo?

Apontadas as “altas” e “baixas” do mesmo, ao fazer uma breve retomada evolutiva; perpassando do auge ao que ele denominou não de declínio, mas, sobre vitória, pois, o fato de ser menos discutido e debatido hoje em dia, é porque na verdade ele venceu o debate intelectual (o comportamento venceu!). Apesar das constantes tentativas de abafar a corrente fundamentada de pensamento seja nas do início do século XX com a metodologia introspeccionista, seja na queda da década de 60 com o cognitivismo, cujo retrata um retrocesso, um atraso em resgatar a postura mentalista, ‘re-lançando’ termos como pensamento, emoção, etc. Isto é tão evidente, que o próprio autor(Roediger,2004) - sendo cognitivista - assume este ‘ato falho’ – diria Freud – ou esta ‘discriminação’ – termo preferível, é claro – diria Skinner.

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