A evolução da engenharia civil no brasil,

A evolução da engenharia civil no brasil,

(Parte 1 de 4)

NOS ÚLTIMOS 100 ANOS, NA CONSTRUÇÃO E

SÃO PAULO 2007 i PATRÍCIA RINA TÉSIO

NOS ÚLTIMOS 100 ANOS, NA CONSTRUÇÃO E

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi.

Orientador: Prof. Eng. Antonio Calafiori Neto

SÃO PAULO 2007 i PATRÍCIA RINA TÉSIO

NOS ÚLTIMOS 100 ANOS, NA CONSTRUÇÃO E

Trabalho apresentado em: 08 de Novembro de 2007.

_ Prof. Eng. Antonio Calafiori Neto

_ Prof. Wilson Shoji Iyomasa

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia civil da Universidade Anhembi Morumbi

iv

Dedico esse trabalho aos meus pais, minha avó e ao meu marido pelo apoio e carinho.

“Sem vocês eu não chegaria até aqui” v AGRADECIMENTOS

Agradeço a Srª Maria Cristina Monzello da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM pela atenção e o tempo dispensados.

Aos professores da Universidade Anhembi Morumbi, em especial ao meu orientador Professor Calafiori pelo auxílio e dedicação na conclusão desta etapa.

Ao meu marido Carlos pela paciência, compreensão e por estar ao meu lado me apoiando em todos os momentos.

Aos amigos queridos Ricardo Kerr e Fernando Mihalik pelo apoio e incentivo no início da jornada.

Aos arquitetos Luiz Paulo Andrade e Felipe Scroback pela compreensão e ajuda.

“Pessoas como vocês fazem toda a diferença” vi

Este trabalho aborda o processo evolutivo da Engenharia Civil no Brasil, das primeiras obras, dos materiais de construção e técnicas empregadas no início do século a sua evolução aos tempos modernos. A Estação da Luz foi a obra escolhida para o desfecho do tema, pois é uma obra que foi crescendo e se aprimorando junto com a Engenharia do País.

Palavras Chave: Restauro; História da Engenharia; Estrada de Ferro; vii

This work approaches the evolutionary process of Civil engineering in Brazil, the first buildings, the materials and techniques used on the beginning of the century to its evolution to current times. The “Estação da Luz” is the building chosen to show the theme, because its a building that was growing and developing together with the engineering of the country.

Key words: restauro, Engineery history, railroads viii

torre atual (ABPF, 2007)12

Figura 5.1 – Estação da Luz construída em 1898. O relógio foi transferido para a

Figura 5.2 – Os dois sistemas funiculares em funcionamento. Acima o segundo sistema (ABPF, 2007) _ 13

entre 1895 e 1901 (ABPF, 2007)14
Figura 5.4 – Níveis de intervenção do sistema (Restrepo, Beatriz, 1985)17

Figura 5.3 – Perfil Esquemático do Sistema Funicular da Serra Nova. Construído

cedida por A. C. Belviso (Estações Ferroviárias, 2007)18

Figura 6.1 – A primitiva estação de São Paulo, na época de sua abertura. Foto

História de São Paulo por suas Imagens – Nº 23 - 2004)19

Figura 6.2 – Gravura – A Estação da Luz em 1880. (Artigo de Henrique Ferraz – A

Figura 6.3 – A segunda estação, cerca de 1880. Foto cedida por A. C. Belviso (Estações Ferroviárias, 2007)._ 19

Figura 6.4 – Fachada Lado Brás (Acervo Andrade Gutierrez)20

Figura 6.5 – A então novíssima estação, em 1902. Foto cedida por Hermes Y. Hinuy _ 21

Figura 6.6 – A Estação da Luz em 190321
Figura 6.8 – A Estação da Luz – Elevação Rua Mauá23

ix

Figura 6.9 – Estação da Luz - 1919 - Construtores G. & A. Masini (Brazil Post Card – 2007)_ 23

Card – 200724

Figura 6.10 – Estação da Luz - Photo - 1914 - Ed. Rotschild & Co. (Brazil Post

Figura 6.1 – Saguão de entrada da Estação da Luz, em 1910. (Livro Cem Anos Luz) _ 24

(Prefeitura de São Paulo)27

Figura 6.13 – Parte da Lei nº 14.096 de Incentivo a Recuperação do Centro

Souza (Estações Ferroviárias, 2007)27
Figura 6.15 – O inicio das obras de restauração da Estação da Luz28
Figura 6.16 – Pontos de infiltração nas estruturas (Andrade Gutierrez – 2004)28

Figura 6.14 – A estação sendo reformada, no final de 2002. Foto Luis Rafael de

Fachada29
Figura 6.18 – Detalhe da situação das esquadrias antes do restauro30

Figura 6.17 – Detalhe da Técnica empregada para recuperação dos arcos da Figura 6.19 – Detalhe da Técnica empregada para recuperação das esquadrias__30

passagens subterrâneas – Interligação Metrô / CPTM31

Figura 6.21 – As novas instalações da Estação da Luz com liberação de

passagens subterrâneas – Interligação Metrô / CPTM32
Figura 6.23 – Seção Esquemática do Sistema de Impermeabilização33

Figura 6.2 – As novas instalações da Estação da Luz com liberação de

das incandescentes34
Figura 6.25 – Croqui simplificado do projeto luminotécnico35

Figura 6.24 – Lâmpadas de tecnologia moderna têm tonalidade de luz próxima à

restauração em 24/01/2004 - Aniversário de 450 anos de São Paulo36
Figura 6.27 – O Museu da Língua Portuguesa37

Figura 6.26 – A Reinauguração da Fachada da Estação da Luz após sua Figura 6.28 – O Museu da Língua Portuguesa_____________________________37 xi

ABCP Associação Brasileira de Concreto Portland ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABPF Associação Brasileira de Preservação Ferroviária BID Banco Interamericano de Desenvolvimento COC Centro Oswaldo Cruz CPTM Companhia Paulista de Trens Metropolitanos DPH Departamento do Patrimônio Histórico IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas NB Norma Brasileira RFFSA Rede Ferroviária Federal S.A. SPR São Paulo Railway UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro xii

2.2 Objetivo Específico3
3. MÉTODO DE TRABALHO E ORGANIZAÇÃO4
3.1 Fontes de Pesquisa4
3.2 Organização / Apresentação do Tema4
5. A EVOLUÇÃO DA ENGENHARIA CIVIL NO BRASIL6
5.1.1 Materiais empregados no inicio do Século XX8
5.1.2 Estrutura em Concreto8
no Brasil9
5.1.3 Estrutura em Aço10
5.1.4 Estrada de Ferro São Paulo Railway11
5.1.5 Patrimônio Histórico Público Cultural14
5.1.6 Conservação e Restauro15
6. A ESTAÇÃO DA LUZ18
6.1 Da Inauguração a Primeira Reforma18
6.2 A Estação da Luz como a Conhecemos20

1. INTRODUÇÃO _ 1 2. OBJETIVOS _ 2 2.1 Objetivo Geral _ 2 4. JUSTIFICATIVA _ 5 5.1 Pesquisas Específicas _ 8 5.1.2.1 A Primeira Norma Técnica Brasileira - Normalização do Concreto 6.3 O Incêndio _ 25 6.4 A Reconstrução e a Degradação_______________________________25 xiii

6.5.1 Recuperação de Fachadas28
6.5.2 Recuperando e Inovando31
6.6 O Museu da Língua Portuguesa36

6.5 A Restauração _ 27 6.5.3 Luminotécnica _ 3 7. CONCLUSÕES _ 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS_____________________________________ 40

1. INTRODUÇÃO

A evolução de um Povo, Nação ou Civilização ao longo da História é mostrada pelas riquezas culturais com as quais são feitas suas construções. A Arquitetura e a Engenharia Civil, desde os tempos mais remotos ditam o grau de tecnologia e avanço cultural da Sociedade.

A Engenharia Civil no Brasil começou de forma singela, as primeiras obras de porte “social” foram feitas por Oficiais Engenheiros e Mestres Pedreiros, conhecedores da época, vinham com experiência passada por gerações, não possuíam faculdade, apenas o conhecimento adquirido e mesmo assim estas obras sobreviveram ao tempo para contar e deixar sua marca na história.

A Estação da Luz nasceu assim, de forma discreta para atender uma necessidade local, mas com o crescimento da cidade e da cultura do café as mudanças se fizeram necessárias e a Estação foi evoluindo a passos largos para uma época onde tudo acontecia de uma forma peculiar. A primeira Estação nasceu em 16 de fevereiro de 1867 e desde então não parou, foi demolida, construída, pegou fogo, foi recuperada, restaurada e adaptada a uma cidade que não para nunca.

Hoje mais de 100 anos de sua primeira construção a cidade segue crescendo, evoluindo, suas construções ainda mais audaciosas não desafiam apenas em beleza, luxo, tecnologia mas também desafiam a gravidade com seus arranha-céus cada vez mais altos.

Agora as atenções não estão apenas voltadas ao novo, mas também no resgate do passado, usando novas tecnologias para resgatar o que foi construído noutra época, em outro tempo e cultura para mostrar que o que se tem hoje é apenas fruto dos que começaram lá trás – Oficiais Engenheiros.

O intuito deste é contar um pouco desta história, como a Engenharia Civil caminhou nos últimos 100 anos e a Estação da Luz exemplifica com muita riqueza toda essa jornada.

2. OBJETIVOS

O objetivo deste trabalho é apresentar as mudanças sofridas na Engenharia Civil principalmente na Construção no decorrer do século X. Essas mudanças se apresentam não somente no tipo de construção, mas também nas técnicas construtivas, no tipo de material e na mão-de-obra empregadas.

Mesmo sem as técnicas e a tecnologia dos dias de hoje foi possível construir obras grandiosas que sobreviveram ao tempo para dar os detalhes minuciosos de suas construções ricas em detalhes e grandiosas fachadas.

O homem foi capaz de grandes obras e continua crescendo e evoluindo suas técnicas, por onde se olha pode-se ver obras monumentais e grandiosas, obras imponentes e que demonstram resistir ao tempo, desafiando a gravidade, para deixar para as futuras gerações uma rica herança.

Demorou muito, mas em tempo percebeu-se que o passado estava praticamente perdido em ruínas e lixo e hoje trabalha-se para recuperar a riqueza das grandes e memoráveis construções do início do século.

Com isso a engenharia viu-se em mais um desafio, como recuperar estas obras sem que estas perdessem sua verdadeira essência, e assim evoluir a engenharia no que se refere às técnicas de restauro.

2.1 Objetivo Geral

Com as novas tecnologias, as técnicas do presente e as lições aprendidas no passado tem-se a base necessária para trabalhar em favor da História guardada nas paredes de cada prédio, cada casa, e restaurar as edificações que contam boa parte da evolução das cidades.

Assim, estudando o passado e aprimorando técnicas, os engenheiros estão se tornando capazes de resgatar a memória grandiosa do glamour da era do café. Recuperando obras que fazem parte da história.

A Estação da Luz por ser um marco histórico é apresentado como estudo de caso.

2.2 Objetivo Específico

O presente trabalho tem como objetivo, abordar a importância do restauro do patrimônio histórico do país e a conservação dos mesmos por meio de técnicas e trabalho em equipe.

As obras de restauro podem envolver apenas as questões de modificação de uso, ou pintura de fachadas, mas também podem ser mais delicadas como reforço estrutural, impermeabilização e madeiramento de telhados, reforma de pisos, neste caso a recuperação envolve estudos mais minuciosos.

Para tanto deve-se levar em conta alguns pontos importantes, como:

• Levantar questões quanto a finalidade do bem a ser restaurado (dando uma nova funcionalidade sem destruir sua origem).

• Estudar para conhecer, é através de um estudo minucioso que se conhece a história do bem a ser restaurado para resgatar suas origens.

• Deve-se levar em conta os cuidados estéticos do antigo com o novo, no conflito das necessidades modernas ocasionado pelo "high tech".

4 3. MÉTODO DE TRABALHO E ORGANIZAÇÃO

A forma de apresentação do trabalho proposto se apresenta a seguir em tópicos:

3.1 Fontes de Pesquisa

Para elaboração deste foram utilizados meios digitais (internet) de fontes conhecedoras do tema abordado, livros de história, visitas a órgãos públicos e privados e entrevistas com engenheiros, arquitetos e funcionários públicos.

3.2 Organização / Apresentação do Tema

O tema se apresenta da seguinte forma:

3.2.1 Histórico sobre a evolução da Engenharia Civil no Brasil – com o intuito de apresentar como a engenharia caminhou no período de cem anos (como foi seu quadro evolutivo).

3.2.2 Métodos e Técnicas de Restauro – como funciona, e quais as etapas para a realização.

3.2.3 Estudo de Caso – Estação da Luz – da construção (focando as etapas construtivas, as dificuldades, os materiais utilizados) a restauração (métodos e tecnologias empregados no restauro).

5 4. JUSTIFICATIVA

A partir de 1990 e integrado ao paradigma do desenvolvimento sustentável, as grandes cidades passaram a buscar o renascimento dos centros urbanos, com a revitalização de suas áreas centrais e reutilização dos patrimônios (físico, social e econômico) instalados e da sua melhor utilização possível, viabilizando o sistema econômico através das melhores respostas socioculturais (VITRUVIUS, 2007).

A revitalização de áreas e imóveis degradados busca um melhor aproveitamento de espaços existentes em vários aspectos inclusive econômico, social e cultural.

Com esta revitalização que se objetiva reverter o processo de degradação e abandono do centro da cidade através de intervenções (restauro e modernização de edifícios históricos, praças e calçadas, qualidade ambiental, pluralidade econômica, inclusão social, segurança e iluminação).

5. A EVOLUÇÃO DA ENGENHARIA CIVIL NO BRASIL

Para que se possa entender a evolução da Engenharia Civil no Brasil nos últimos cem anos se faz necessário um breve histórico de seu surgimento, para que assim se faça entender seu quadro evolutivo.

A Engenharia Civil no Brasil iniciou suas atividades de forma não regulamentada no período colonial com a construção de fortificações e igrejas (MORAES, 2005).

Durante esse período atuavam duas categorias de profissionais na área de engenharia: os oficiais Engenheiros e os Mestres Pedreiros. Os primeiros eram oficiais do Exército Português, com o objetivo principal de executar obras de engenharia (alguns nem tinham um curso regular na área, mas eram os únicos que tinham algum conhecimento sistemático a respeito), e os Mestres, também chamados mestres de risco, eram os que projetavam e construíam as edificações em geral, e seus conhecimentos eram passados de geração a geração (sem nenhum conhecimento científico) (TELLES, 1984).

Em 1792, é criada pelo vice Rei D. Luiz de Castro, a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, precursora da engenharia no (UFRJ, 2007).

Em 4 de Dezembro de 1810 o futuro Rei D. João VI assinou uma lei criando a Academia Real Militar do Rio de Janeiro, a primeira escola de engenharia brasileira (que posteriormente teria seu nome mudado para Escola Politécnica). Nessa época quem executava tais serviços era chamado de engenheiro militar (mesmo não exercendo a carreira militar) (UFRJ, 2007).

Na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, no ano de 1858 é criado o curso de engenharia civil, ministrado aos não militares, isto é, aos civis. O curso era voltado as técnicas de construção de estradas, pontes, canais e edifícios (UFRJ, 2007).

Em São Paulo a primeira Escola de Engenharia – A Escola Politécnica de São Paulo

– nasce em 1893, e assim por diante as escolas de engenharia vão se espalhando por todo o país (Pernambuco – 1895, Porto Alegre – 1896, Bahia – 1897) (TELLES, 1984).

O País passou por muitas mudanças no final do século XIX e início do século X, nesse período devido a cultura do café e posteriormente o desenvolvimento industrial, as riquezas geradas serviram de alavanca para o crescimento.

A cultura do café trouxe as cidades grandes mudanças, como as estradas de ferro, os prédios, e as casas.

Essas mudanças se viam nas grandes obras riquíssimas e imponentes erguidas nos centros das cidades, sendo hoje de relevante valor histórico. Este patrimônio que conta a memória dos tempos áureos do café, e tantas outras histórias da cidade de São Paulo e do Brasil estavam esquecidas, até mesmo perdidas diante das grandes obras que a evolução e o futuro trouxeram.

Com o período de evolução que o Brasil passou nos últimos 50 anos, o país se esqueceu do passado memorável e se voltou exclusivamente ao futuro e a um presente que passa tão rápido que mal pode se acompanhar.

O rico passado deu espaço a uma invasão de excluídos sociais, desabrigados, meliantes e desocupados, transformando essa riqueza em favelas verticais, os centros históricos em lugares de alto índice de insegurança e risco.

Os centros das grandes metrópoles se tornaram escuros, sujos, com calçadas e edificações obstruídas e deterioradas.

Em 1991, as iniciativas privadas por meio de parcerias com as Prefeituras, Bancos (como o BID) e as associações (como a Viva o Centro – em São Paulo) deram início ao “Programa de Revitalização”, com o intuito de recuperar a História e as riquezas do País.

8 5.1 Pesquisas Específicas

Para se compreender de forma clara os assuntos a serem expostos nos itens subseqüentes, aqui são focados os termos técnicos e as pesquisas específicas quanto ao caso a ser estudado.

5.1.1 Materiais empregados no início do Século X

No início do século X as obras ricas e suntuosas eram privilégios das igrejas, enquanto que as construções residenciais e prédios públicos eram de construção simples, em sua maioria em pedra e cal nas proximidades do litoral e em taipa (técnica construtiva a base de argila e cascalho utilizada com o objetivo de erguer uma parede – dicionário) no restante do país, o que diferenciava as classes sociais era apenas o tamanho das residências.

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