GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS - diferenças

GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS - diferenças

Robson de Moura Silva - UFMA Acadêmico de Letras

GÊNEROS TEXTUAIS – o que são e suas evoluções

É sabido que não é de hoje que o homem sempre sentiu a necessidade de se comunicar com os seus semelhantes. Esta inter-relação entre povos e culturas faz-se necessária partindo do pressuposto de que o homem é um ser social, por isso, foram surgindo, desde a invenção da escrita alfabética, por volta do século VII a. C., diversas práticas comunicativas, que foram denominadas, ao longo do tempo pelos estudiosos do ramo, de gêneros textuais.

Os gêneros textuais variam desde um simples diálogo até uma tese científica, e por serem frutos de uma sociedade, são carregados de elementos que caracterizam o contexto em que são empregados. Segundo Marcuschi (2002) “os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa (...) os gêneros não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos”.

São incontáveis os gêneros textuais e, o tempo todo, escolhemos diversos deles para diversas práticas sociais, seguindo sempre a necessidade temática, a relação entre os interlocutores e a vontade enunciativa. Enquadram-se nesse rol de práticas comunicativas: diálogo face-a-face, bilhete, carta (pessoal, comercial etc), receita culinária, horóscopo, artigo, romance, conto, novela, cardápio de restaurante, lista de compras, aula virtual, piada, resenha, inquérito policial, ofício, requerimento, ata, relatório etc. Hoje, com a “cultura eletrônica”, surgem novos gêneros textuais e novas formas de comunicação (oral ou escrita) como o bate-papo on-line (MSN), blog, twitter (micro blog), Orkut, Facebook, mensagens SMS (celular) etc. Toda essa dinâmica é confirmada quando Marcuschi diz: “(...) os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social”.

O acesso a diferentes gêneros textuais é de suma importância para criarmos uma “bagagem” textual e, com isso, sabermos escolher cada um deles em dado contexto. Essa bagagem é que nos propicia a escolha adequada de uma produção textual em dada situação comunicativa. Segundo Koch (2009), “construímos, ao longo de nossa existência, uma competência metagenérica, que diz respeito ao conhecimento de gêneros textuais, caracterização e função”. A competência metagenérica nos dá um norte para “quem”, “o quê”, “como escrever/falar”. Por exemplo, não podemos apresentar uma tese científica com uma linguagem informal, ao passo que não tem lógica, em uma mesa de bar com amigos, usarmos uma linguagem poética.

TIPOS TEXTUAIS – o que são e suas variações

Muitas pessoas fazem confusão em diferenciar gêneros textuais de tipos textuais. O que nós já sabemos é que os primeiros são incontáveis e que são práticas sociocomunicativas. E quanto aos tipos textuais? O que sabemos? Na escola, durante o Ensino Médio, por exemplo, aprendemos que são três os tipos textuais: narração, descrição e dissertação (argumentação). Podemos incluir nesse rol tipológico outros dois tipos textuais: injunção e exposição. Os tipos textuais são caracterizados pelas suas estruturas formais. O que é relevante dizer que são levados em conta os aspectos lexicais, gramaticais, os tempos verbais, uso de advérbios e outros elementos que nos permitem reconhecer a que sequência tipológica pertence a produção textual.

Para melhor compreensão, Marcuschi (2002) faz uma distinção entre gênero textual e tipo textual da seguinte forma:

(a) Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. (b) Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia dúzia, os gêneros são inúmeros. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante.

Podemos dizer que os gêneros textuais são incontáveis; são textos materializados por práticas sociocomunicativas e que exercem funções em uma situação comunicativa, enquanto que os tipos textuais são limitados em número, são construções textuais teóricas com aspectos sintáticos, lexicais, gramaticais, e com atenção especial aos tempos verbais, uso de advérbios etc.

Para entendermos as diferenças entre os tipos textuais, faremos as seguintes observações: Narrativo – predominância de verbos de ação, nos tempos do mundo narrado (Weinrich, 1964), bem como de adverbiais temporais, causais e, também, locativos. Há sempre mudanças de situações (antes e depois).

minutos, ele ouve gritos

Ex: Era meia-noite quando o policial percebeu dois homens entrarem na casa. Após alguns

Descritivo – predominância de elementos que descrevem propriedades, qualidades de uma entidade, sua situação no espaço. Os verbos aparecem no presente e no imperfeito. Predominam articuladores de tipo espacial/situacional.

Ex: O garoto, com bastante medo, tremia e suava frio. A casa onde ele se escondia era bastante velha e grande e estava às escuras.

Expositivo – os tempos verbais são os do mundo comentado (Weinrich, 1964) e os conectores, predominantemente, do tipo lógico.

Ex: A história do celular é recente, mas remonta ao passado – e às telas de cinema. A mãe do

Lamaar)

telefone móvel é a austríaca Hedwig Kiesler (mais conhecida pelo nome artístico de Hedy

Ex: Você que completa 18 anos neste ano, aliste-se já. Procure um Posto de Alistamento

Injuntivo – predominância de verbos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente e articuladores adequados ao encadeamento seqüencial das ações prescritas. Apresentam prescrições de comportamento ou ações sequencialmente ordenados.

Argumentativo – predominância de elementos modalizadores, verbos introdutores de opinião, operadores argumentativos, etc. Apresenta uma ideologia com base em argumentos e/ou contra-argumentos. Ex: (...) Esta história tem vários jeitos de se contar, como este de João Marcelo da Silva Elias.

Bibliografia:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais: Definição e Funcionalidade: In DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Ana Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros Textuais & Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

KOCH, Ingedore Villaça. Ler e compreender: os sentidos do texto/Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias. 2. Ed. – São Paulo: Contexto, 2006.

KOCH, Ingedore Villaça. Ler e escrever: estratégias de produção textual/Ingedore Villaça Koch, Vanda Maria Elias. – São Paulo: Contexto, 2009.

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