Apostila de Equipamentos Radiologicos

Apostila de Equipamentos Radiologicos

(Parte 5 de 7)

A bateria perde energia mais devagar com o passar do tempo do que o capacitor; por isso é utilizada em carros, que muitas vezes passam alguns dias parados;

O capacitor tem capacidade de fornecer energia mais rapidamente que a bateria; que é conveniente na produção do feixe de fótons, que dura apenas alguns poucos segundos.

Professor. : Ricardo Pereirae-mail. : rad_rick@hotmail.com

Equipamentos Radiológicos

Figura 3.10. Produção de fótons em relação ao tipo de gerador de alta tensão. QUALIDADE DA RADIAÇÃO

O desenvolvimento de vários tipos de geradores de alta tensão tem dois objetivos básicos: a questão eletro-eletrônica e a questão radiográfica. Do ponto de vista eletro-eletrônico, sistemas de alta freqüência são mais confiáveis e precisos na produção de uma tensão quase contínua. Também são mais fáceis de controlar na questão do tempo de exposição e corrente que circula na ampola. Por outro lado, também ocupam menos espaço e são mais fáceis de fazer manutenção, além de permitirem mais recursos e opções para o técnico, inclusive exposição automática.

Do ponto de vista radiográfico, a melhoria nos geradores trouxe também uma melhoria na qualidade do feixe de fótons produzidos. Como os geradores de alta freqüência mantêm a tensão constante por mais tempo, são gerados mais fótons de alta energia do que no caso dos geradores trifásicos, e às vezes quase o dobro que um gerador monofásico.

Figura 3.1. Produção de fótons em relação ao tipo de gerador de alta tensão.

Esta melhoria da qualidade do feixe visto na figura 3.1, resulta num exame que pode ser executado de forma mais rápida e com menor dose para o paciente, já que são reduzidos, proporcionalmente, os fótons de baixa energia. Por outro lado, a repetibilidade da técnica, ou seja, a dose e a tensão escolhidas na mesa de comando serão sempre corretamente executadas pelo aparelho a cada novo exame, diminuindo a necessidade de repetição do exame por causa do desgaste da ampola. Isto é um fato corriqueiro em equipamentos mais antigos, com pouca manutenção, que seguidamente devem ter suas técnicas revistas pois as antigas não funcionam mais. Como

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Equipamentos Radiológicos dizem os técnicos que já passaram por este problema, o “aparelho cansou” ou o “aparelho está fraco”.

1. Por que deve existir a compensação de linha, manual ou automática? 2. Qual a principal vantagem entre o sistema retificado trifásico em relação ao monofásico? 3. Como funciona o sistema capacitivo de alta tensão? 4. Como funciona o sistema de alta freqüência? 5. Por que devemos ajustar a técnica quando trocamos de um equipamento que possui gerador de alta tensão de um tipo para outro com sistema de alta tensão?

Função da Mesa

A mesa de exames do equipamento radiográfico é importante para execução dos exames por dois motivos: suportar e posicionar o paciente e sustentar o filme radiográfico. Além disso, ela é feita de material que minimize a filtração do feixe de fótons, a fim de evitar que a dose no paciente seja incrementada para obtenção da mesma qualidade de imagem. Por questões de higienização e desinfecção, a mesa deve possuir ou um lençol hospitalar ou um lençol tipo papel-toalha a ser trocado a cada novo exame.

Eventualmente, o técnico pode fazer a desinfecção a cada novo paciente utilizando-se das técnicas tradicionais. A vantagem da utilização de uma cobertura descartável nos exames contrastados é muito grande, pois absorve o contraste eventualmente disperso e evita que o mesmo se espalhe por falhas da mesa, ficando escondido sob o tampo ou outro local inacessível, o que causaria artefatos no filme radiográfico.

Cada fabricante constrói sua própria mesa de exames sendo, portanto, difícil sua classificação em grupos distintos, ou mesmo indicar todos os seus

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Equipamentos Radiológicos acessórios e dispositivos. De uma forma geral, poderíamos caracterizar os tipos de mesas segundo sua movimentação:

• mesas fixas: elas não se movimentam de forma alguma, o cabeçote é que se alinha com a anatomia em movimentos longitudinais e transversais; • mesas com movimento transversal: há apenas o movimento na direção do técnico, para frente e para trás, ao longo da largura da mesa, o posicionamento da anatomia em relação ao cabeçote se dá pelo movimento longitudinal da estativa (coluna) que sustenta o cabeçote; • mesas com movimento total: movimentam-se tanto longitudinalmente quanto lateralmente. Geralmente o cabeçote e o porta-chassi são fixos; • mesas com movimento vertical: a mesa gira no sentido horário, até ficar de pé, o que facilita a execução de procedimentos com contrastes, principalmente exames de intestino e nefrologia.

Importante lembrar que a movimentação da mesa e/ou do cabeçote é uma condição necessária do aparelho radiográfico, pois isto evita que o paciente tenha que se deslocar ou mesmo ficar em posição incômoda para a realização do exame. E após a movimentação para ajuste do campo de irradiação com a anatomia desejada para exame, o técnico deve lembrar-se de ajustar também o porta-chassi para que o mesmo também fique abaixo do campo de irradiação. São poucas as mesas que movimentam o porta-chassi sincronizadamente com o movimento do cabeçote.

Equipamentos fabricados atualmente podem contar com um recurso extra, que facilita a vida do técnico e a qualidade do exame: a mesa telecomandada. Trata-se apenas de uma mesa com motores que a fazem mover em qualquer direção, controlada por comandos que estão posicionados junto à própria mesa ou junto à mesa de controle. Nesta última opção, o técnico não precisa se dirigir até a mesa de exames e reposicionar o tampo da mesa ou o paciente para enquadrar o campo de radiação com a anatomia de interesse. Basta acionar os comandos e, à distância, realizar a operação. Isto garante a qualidade e reduz o tempo do exame, pois evita o deslocamento repetido do técnico entre mesa de comando e mesa de exame.

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Normalmente a mesa telecomandada faz parte de um equipamento radiográfico telecomandado, onde o reposicionamento do paciente acontece após o técnico visualizar rapidamente, através da fluoroscopia, a anatomia a ser irradiada. Caso a anatomia não esteja corretamente posicionada, o técnico pode, a partir da mesa de controle, movimentar a mesa e/ou o cabeçote e com isso corrigir o erro sem necessidade de se deslocar a te a mesa de exames.

Uma das funções da mesa é a de sustentar o chassi onde está acondicionado o filme. Isto é importante para garantir o alinhamento entre foco, paciente e filme, garantindo que a anatomia a ser radiografada será registrada nitidamente na imagem.

As mesas apresentam então, um dispositivo conhecido como porta-chassi ou gaveta do chassi. O porta-chassi possui dois dispositivos basculantes que tem por função centrar transversalmente e segurar o chassi na posição adequada. Estes dispositivos são sincronizados, de forma que basta a movimentação de um deles (o que aparece quando a gaveta está aberta) para que outro também se movimente, garantindo assim que o chassi sempre estará no meio do porta-chassi. O técnico deve apenas tomar o cuidado de central longitudinalmente o chassi para que fique posicionado corretamente em relação ao feixe de raios X. As figuras apresentam os dispositivos em posição totalmente aberta na figura (a) e fechado para um filme de 18 cm na figura (b). Alguns fabricantes apresentam a possibilidade de se ter portas-chassis elétricos, o que diminui a possibilidade de colocação fora de centro do chassi.

A figura ao lado nos mostra o portachassi elétrico, escondido pela frente onde estão os comandos da mesa e com aberto para a colocação do chassi.

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MESA DE COMANDO Estrutura

A mesa de comando é a parte do equipamento que permite ao técnico ter todo o controle da parte elétrica do exame radiográfico a ser realizado. As mesas podem ser complexas, com várias opções para a escolha dos parâmetros, ou mais simples, onde tudo é automático e o técnico escolhe apenas um parâmetro da técnica. Basicamente, as mesas podem ser divididas em 2 tipos:

• analógicas, com botões rotativos, chaves liga e desliga e mostradores de ponteiros; ou

• digitais, com botões de pressão suave e mostradores digitais.

Comandos Interruptor ligado/desligado

Os controles de liga/desliga possuem comandos independentes.

Seletor de foco

Quando ligado, é imediatamente iluminada a mesa e feito um check-up nos circuitos do gerador, ao mesmo tempo em que o foco grosso do dispositivo é ativado (permite maior carga em maior tempo. Se o operador desejar trabalhar com o foco fino, deverá acionar o botão

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Equipamentos Radiológicos correspondente, mostrado na figura ao lado. Seletores de KV, mA e tempo

Dependendo do tipo de equipamento, podemos ter controles de funções múltiplas, como segue:

• três comandos independentes; KV, mA, tempo; • dois comandos, KV e mAs;

• um comando, KV;

• um código de programação, para valores de técnicas já memorizadas;

• botões de seleção de projeções radiográficas.

Se a seleção é feita independentemente entre mA e tempo, o operador precisa fazer cálculos mentais, de maneira a adequar esses parâmetros quando aplicar uma determinada dose no paciente.

Normalmente, em equipamentos que proporcionam dois comandos (KV e mAs), o seletor permite variar a tensão de 1 em 1 KV, sendo que a seleção de corrente é feita em passos de 30%. Em equipamentos digitais, a seleção de KV e mAs é feita por meio de códigos, dependendo do tipo de técnica empregada. Também temos disponíveis na mesa, o amperímetro e voltímetro, que medem a intensidade de corrente e tensão utilizadas em determinada técnica.

REALIZAÇÃO DO EXAME Preparação do Exame

A primeira coisa que o técnico deve fazer, após chamar o paciente e identificar o exame a ser realizado, é posicionar o paciente. Se o exame for realizado na mesa, o técnico coloca o chassi no porta-chassi, posiciona o paciente e ajusta o cabeçote para que o feixe esteja alinhado com a anatomia a ser radiografada e o filme. Se precisar, ajusta a colimação para que apenas a anatomia seja abrangida pelo campo de irradiação. Se o exame for realizado no Bucky mural, então o paciente fica de pé, e após colocar o filme no portachassi, o técnico ajusta o cabeçote, girando-o 90o. Em seguida, ajusta a colimação e se dirige para a mesa de comando.

Preparação de Exposição

O técnico deve sempre usar a técnica mais adequada na realização do exame solicitado pelo medico. Isto implica em conhecer a altura e peso do paciente, a presença de algum implante ou sonda em seu corpo e o total conhecimento do aparelho, tela intensificadora e filme que se está utilizando no serviço radiológico. Uma vez determinada a melhor

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Equipamentos Radiológicos técnica para o exame, o operador deve selecionar na mesa de comando a tensão, corrente e tempo de exposição. Depois, deve selecionar a utilização ou não de grade antidifusora, ou Bucky mural, se for o caso. Depois de conferir todos os parâmetros, o técnico está pronto para realizar o disparo. A legislação vigente no Brasil exige que o dispositivo de disparo seja construído com um botão do tipo dois estágios. Esta obrigatoriedade vem em prol da segurança do paciente, do técnico e do controle total que o técnico deve ter sobre o equipamento. Além do sistema de botão de dois estágios, exige-se que o disparador seja solto no equipamento móvel, com cabo de 2 metros, no mínimo.

Em posição de preparação, estamos ativando o circuito de filamento, responsável pelo controle da produção de elétrons no filamento, que se torna incandescente.

Quando pressionamos o botão superior, estamos preparando o equipamento para o disparo, ou seja, começamos a girar o rotor e, conseqüentemente, o ânodo. Poucos segundos depois (1 ou 2 segundos), o equipamento está pronto para o disparo, pois o ânodo precisa adquirir uma velocidade mínima para isto poder acontecer. O disparo é feito ao pressionarmos o botão totalmente, ou seja, ao acionar o segundo estágio.

Exposição

Na posição de exposição, o equipamento está com seus circuitos de temporização e de alta tensão ativados. Após decorrido o tempo préselecionado, os interruptores abrem os circuitos de alta tensão e temporização. Qualquer tentativa de nova exposição (alivio do botão) antes de terminar o tempo pré-selecionado causa a interrupção da exposição. Normalmente, os tempos são curtos (milisegundos) e isto se torna difícil de ocorrer, porém pode ocorrer em situações de grande tempo de exposição (caso de projeção lateral de coluna lombar em adulto obeso). Os circuitos de exposição e temporização são independentes.

O interruptor de exposição normalmente está colocado no primário do transformador da alta tensão (interruptor primário). Em alguns equipamentos projetados para exposições repetitivas em curto tempo (angiografia), ele está colocado no circuito de altatensão (interruptor secundário). O temporizador é composto por um circuito eletrônico, o que permite controlar o tempo de exposição de uma maneira bastante precisa.

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