Produção agricola biomassa do nordeste

Produção agricola biomassa do nordeste

Considerações sobre a capacidade de produção de biomassa no NE brasileiro.

Agradecer o convite formulado à UFC, na minha pessoa.

Comentário sobre a palestra do Dr. Napoleão.

Alguns conceitos e fundamentos sobre produção agrícola no semi-árido para que possamos fazer uma reflexão e formar juízo sobre o tema.

Começaria com a seguinte indagação genérica:

O Nordeste semi-árido tem vocação para produção de biomassa vegetal?

O que é Agricultura? Exploração da radiação solar, pelas plantas cultivadas através da fotossíntese.

Temos radiação solar em abundância (matéria prima da agricultura).

Processo fotoquímico e processo bioquímico (Fixação do CO2 - 90% da biomassa).

Temperatura adequada, nutrientes minerais absorvidos do solo e o que está faltando?

ÁGUA

É usada no processo fotoquímico (fotólise com liberação de O2)

Sem água a planta perde turgidez e fecha os estômatos (interface de trocas de vapor de água e CO2 entre a planta e a atmosfera).

Na falta de água, os estômatos fecham e a planta evita a perda de água e não absorve CO2.

A fotossíntese será reduzida.

Portanto, em condições de deficiência hídrica há restrições na produção de biomassa.

O NE semi-árido é caracterizado por problemas de disponibilidade hídrica.

A produção de biomassa é maior nas regiões úmidas, cai nas semi-áridas e mais nas áridas.

Assim, há um RISCO associado à exploração agrícola no semi-árido (espada de Dâmocles).

Esse risco é motivado pela elevada probabilidade de ocorrer falta de água ao longo do ciclo.

O que fazer? Imitar a natureza e obter plantas adaptadas.

Seleção de espécies adaptadas (mamona, amendoim).

Hoje fala-se no pinhão manso (Jatropha curcos). Já se tentou, no passado, o marmeleiro, a favela, a jojoba. Guimarães Duque já falava nas lavouras xerófilas.

Por que não deram certo essas tentativas?

Há uma diferença básica entre uma planta nativa adaptada e uma planta cultivada (domesticada) adaptada à seca. A nativa é adaptada quando sobrevive à seca. A cultivada é adaptada quando pode produzir economicamente sob condições de deficiência hídrica.

Portanto, não vale apenas sobreviver, há que produzir economicamente.

No processo de domesticação de uma planta nativa ganha-se capacidade produtiva mas perde-se capacidade adaptativa.

Há ainda a seleção de cultivares adaptados em plantas já cultivadas. Há programas com relativo sucesso. Mesmo assim há restrições. Ao final obtém-se uma planta com produção mais estável, porém menos produtiva. O principal foco do programa não é maximizar a produção, mas sua estabilidade frente a situações climáticas desvantajosas.

O que mais poderia ser feito?

Manejo da cultura através de práticas culturais.

Consorciação de culturas; conservação do solo (aumenta a chuva efetiva); época e densidade adequadas de plantio.

Irrigação - Há limitações de recursos hídricos na Região. Preferência por culturas mais rentáveis (fruticultura, olericultura e floricultura). Talvez isso mude. Penso que há alguma possibilidade no uso desta opção. Temos alguns resultados preliminares promissores.

Quero discutir um outro aspecto que julgo importante.

Trata-se do tipo de tecnologia agrícola utilizada.

Há, num extremo, a agricultura tradicional e no outro a agricultura moderna.

Qual a diferença entre elas?

Uma usa elevada densidade de mão-de-obra.

A outra usa elevada densidade de capital.

Há diferenças marcantes de produtividade entre elas.

O que é produtividade? É a relação entre produção e um determinado fator de produção. Produção por área plantada; por mão de obra; por fertilizante; por combustível, etc.

A tradicional, por não usar insumos modernos, apresenta baixa produtividade da terra. Igualmente apresenta baixa produtividade de mão de obra.

Baixa produtividade implica em, quase sempre, insuficiente remuneração da mão de obra.

Como quebrar o ciclo? Qual a solução para aumentar a rentabilidade da mão-de-obra? Modernizar a agricultura. Porque isso não ocorreu ainda? Qual a razão da manutenção das práticas da agricultura tradicional no semi-árido do Nordeste?

RISCO elevado devido á irregularidade pluvial.

Onde a agricultura se modernizou? Culturas irrigadas.

O problema transcende o aspecto técnico e passa a ser sócio econômico.

Seguro agrícola; e subsidio ao preço do produto.

O custo deverá ser bancado pela sociedade através de políticas públicas bem elaboradas.

Adotar práticas culturais que determinem o aumento da área cultivada por trabalhador.

Ao invés de 3 ha cada família poderia cultivar seis ou mais hectares (uso de mecanização associada a controle químico de plantas daninhas). Com apenas 3 ha com os preços praticados, uma família dificilmente romperia o ciclo da miséria em que se encontra.

Há uma grande expectativa com o programa de biodiesel em termos de ganhos pecuniários. Várias pessoas têm me procurado desejosas de ingressar nesse promissor mercado de combustível na expectativa de lucros elevados e emancipação financeira. Associar-se a uma empresa rica como a Petrobras é tentador. Quando mostro os números eles se decepcionam.

Conclusão

A regiões semi-áridas (caso do Nordeste brasileiro) têm menor capacidade de produção de biomassa que as outras regiões com melhor disponibilidade de água.

Assim, o potencial de produtividade por área é baixo devido aos constrangimentos ambientais.

Os níveis de produtividade por área e por pessoa serão baixos com a utilização de práticas culturais da agricultura tradicional. Este fato limita a inserção da região em programas de produção de biomassa.

Para incrementar a renda do agricultor é necessário propiciar aporte tecnológico modernizando a tecnologia agrícola por ele utilizada.

Deverão ser utilizadas tecnologias modernas que poupem mão-de-obra para que haja um rápido aumento em sua rentabilidade. No curto prazo, será mais viável a obtenção do aumento da rentabilidade da mão-de-obra que da terra.

Biomassa para biodiesel e para etanol.

Deve-se ter em mente que sob a ótica da agricultura a produção de biomassa para biodiesel (mamona, soja, dendê, girassol etc) é mais dispendiosa que a produção de açúcares e amiláceos (cana, mandioca, milho, sorgo) para a produção de etanol. Portanto, os preços oferecidos devem ser bem superiores para compensar a menor produtividade agrícola dessas culturas.

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