Produção de mudas nativas

Produção de mudas nativas

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Edna Scremin-Dias

Cristiane Kalife

Zildamara dos Reis Holsback Menegucci Paulo Robson de Souza

Manual

Reitor: Manoel Catarino Paes - Peró Vice-Reitor: Amaury de Souza

Obra aprovada pelo CONSELHO EDITORIAL DA UFMS Resolução 16/06

CONSELHO EDITORIAL Célia Maria da Silva de Oliveira (Presidente) Antônio Lino Rodrigues de Sá Cícero Antonio de Oliveira Tredezini Élcia Esnarriaga de Arruda Giancarlo Lastoria Jackeline Maria Zani Pinto da Silva Oliveira Jéferson Meneguin Ortega Jorge Eremites de Oliveira José Francisco (Zito) Ferrari José Luiz Fornasieri Jussara Peixoto Ennes Lucia Regina Vianna Oliveira Maria Adélia Menegazzo Marize Terezinha L. P. Peres Mônica Carvalho Magalhães Kassar Silvana de Abreu Tito Carlos Machado de Oliveira

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) (Coordenadoria de Biblioteca Central – UFMS, Campo Grande, MS, Brasil)

[et al.]. -- Campo Grande, MS : Ed. UFMS, 2006.

Produção de mudas de espécies florestais nativas : manual / Edna Scremin-Dias 59 p. : il. ; 27 cm. – (Rede de sementes do Pantanal ; 2)

ISBN 85-7613-087-4 1. Árvores – Mudas. 2. Viveiros florestais. I. Scremin-Dias, Edna. I. Série.

CDD (2) – 634.9562

Edna Scremin-Dias

Cristiane Kalife

Zildamara dos Reis Holsback Menegucci Paulo Robson de Souza

Campo Grande - MS 2006

Manual

Projeto: Rede de Sementes do Pantanal Instituição Executora: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Convênio 042/2001 – MMA/FNMA)

Coordenação Edna Scremin Dias

Laboratório de Botânica - Departamento de Biologia Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Caixa Postal 549 79070-900 - Campo Grande - MS

Secretaria Executiva Cristiane Kalife Ana Lúcia Barros

Técnico em Informática Fabio Luiz Modesto

Responsáveis pelo Banco de Dados Alex Wukio Wassano Ana Lúcia Barros Cristiano Costa Argemon Vieira Hercules da Costa Sandin Ravi Vilela Rauber Paulo Robson de Souza (produção do acervo de fotografias)

Revisão Técnica do Manual Ana Lúcia Barros Arnildo Pott (listas de espécies) Cristiane Kalife Edna Scremin-Dias Nelson Akira Matsuura (normas para a produção de mudas florestais) Paulo Robson de Souza Zildamara dos Reis Holsback Menegucci

Ilustrações Vander Fabrício Melquíades de Jesus

Consultoria ad hoc Alexandra Penedo de Pinho Angela Lúcia Bagnatori Sartori

Fotos da Capa Paulo Robson de Souza (foto maior: dossel de piuval, Tabebuia sp., Base de Estudos do Pantanal – UFMS; foto menor: plântula de olho-de-cabra, Ormosia fastigiata)

Capa Lennon Godoi

Editoração Eletrônica Marcelo Brown

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL Portão 14 - Estádio Morenão - Campus da UFMS Fone: (67) 3345-7200 - Campo Grande - MS e-mail: editora@editora.ufms.br

ISBN: 85-7613-087-4 Depósito Legal na Biblioteca Nacional Impresso no Brasil

1 INTRODUÇÃO7
2 NORMAS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS FLORESTAIS9
3 MANEJO DE VIVEIROS1
3.1. Definição do local de instalação do viveiro1
3.2. Dinâmica operacional do viveiro12
4 PROCESSOS GERMINATIVOS15
4.1. A semente15
4.2. Germinação da semente16
4.3. Fatores que influenciam na germinação16
4.4. Tipos de dormência16
4.4.1. Dormência do tegumento (casca) da semente16
4.4.2. Dormência morfológica17
4.4.3. Dormência interna17
4.5. Métodos de superação da dormência17
4.5.1. Escarificação mecânica17
4.5.2. Método químico18
4.5.3. Choque térmico18
4.6. Teste de Germinação19
4.7. Regras para análise de sementes (RAS)19
4.8. Preparo de substrato20

SUMÁRIO 4.8.1. Procedimentos ....................................................................................................................... 21

4.8.2. Características do substrato21
4.8.3. Tipos de substratos que podem ser utilizados em viveiros2
4.8.4. Preparo do húmus23
4.8.5. Estocagem dos componentes do substrato24
4.9. Semeadura24
4.9.1. Preparo da sementeira24
4.9.2. Processo de desinfecção dos canteiros24
4.9.3. Processo de semeadura25
4.9.4. Semeadura indireta25
4.9.5. Sistemas de semeadura indireta26
4.9.6. Semeadura direta26
4.9.7. Manutenção dos canteiros29
4.9.8. Irrigação das sementeiras ou dos tubetes29
4.9.9. Controle dos lotes e das espécies plantadas29
4.9.10. Repicagem das mudas obtidas nas sementeiras30
4.9.1. Desbaste30
4.10. Espécies-alvo do Pantanal32
5 IRRIGAÇÃO DA PRODUÇÃO37
5.1. Processo de irrigação respeitando os estágios de desenvolvimento das plântulas37
5.2. Necessidades distintas das espécies38
5.3. Qualidade do recurso hídrico38
6 ADUBAÇÃO DAS PLÂNTULAS41
6.1. Variações das necessidades nutricionais entre espécies de diferentes classes sucessionais42
6.2. Associação simbiótica entre mudas e microrganismos4
7 PREPARO DAS MUDAS PARA A EXPEDIÇÃO47
7.1. Procedimentos para a preparação do lote de expedição48
8 CUIDADOS NO PLANTIO DAS MUDAS51
8.1. Defeitos das mudas51
8.2. Qualidade das mudas51
8.3. Uso do gel absorvente52
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS5

1. INTRODUÇÃO

Desde o descobrimento do Brasil, os recursos naturais constituem a principal riqueza nacional, tendo sido explorados e, infelizmente, negligenciados ao longo dos últimos séculos. Atualmente, as plantações florestais (exóticas ou nativas) ocupam apenas 0,6% do território brasileiro, atendendo cerca de 30% da demanda nacional de madeira (Gonçalves & Stape, 2002).

Em decorrência disto há uma grande pressão sobre os remanescentes florestais do país, restando, na maioria das regiões brasileiras, somente fragmentos florestais, muitos deles em alto grau de antropização. Ressalta-se que nosso patrimônio florestal requer enorme responsabilidade quanto ao manejo e preservação, de maneira a atender às demandas sociais e ambientais (Gonçalves & Benedetti, 2000). Neste sentido, deve-se dar atenção especial à geração de conhecimento técnico e aplicação e difusão de tecnologias.

O processo produtivo de sementes e mudas das essências florestais nativas deve ser embasado em parâmetros técnicos consistentes e bem elaborados. As mudas destinadas à comercialização devem possuir excelente qualidade, resultando em produtos valorizados no mercado, sem problemas fitossanitários e que se estabeleçam eficientemente após o plantio.

Neste sentido, o Ministério do Meio Ambiente lançou edital, por meio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), objetivando estruturar redes de sementes em todos os biomas brasileiros para melhorar a qualidade e aumentar a quantidade de sementes e mudas das essências florestais nativas produzidas e comercializadas no Brasil. O estabelecimento da Rede Brasileira de Sementes contribuirá para o fortalecimento do setor produtivo de sementes e mudas, além de estimular o consumo de produtos com qualidade, tendo como conseqüência a conservação de ambientes naturais em todos biomas brasileiros.

O setor produtivo de essências florestais nativas do Brasil apresenta atraso tecnológico de mais de 30 anos. As pesquisas em tecnologias para produção de espécies exóticas possuem destaque no Brasil e, infelizmente, os produtos florestais nativos somente despertaram interesse na última década.

Atualmente, o destino da produção atende principalmente aos processos de restauração ambiental. Contudo, a geração de tecnologias para o plantio consorciado de espécies, para fins madeireiros ou para sistemas agroflorestais, ainda é incipiente. Em decorrência do grande número de espécies de interesse florestal no Brasil e do atraso tecnológico no setor, os parâmetros técnicos ideais para a produção e comercialização das sementes e mudas florestais brasileiras são desconhecidos para a grande maioria das espécies.

O destino da produção de sementes e mudas deve ser definido no início do processo produtivo, pois há uma diferença básica nas características das mudas destinadas ao processo de restauração ambiental daquelas cujo destino é o setor produtivo de madeira ou subproduto madeireiro. A diferença está principalmente na origem do material a ser propagado, ou seja, as características das matrizes produtoras das sementes ou propágulos (por exemplo, estacas).

Apesar da importância dos processos relativos a marcação de matrizes, colheita e armazenamento de sementes, estes já foram apresentados no primeiro volume desta série Rede de Sementes do Pantanal (Scremin-Dias et al., 2006), não cabendo aqui retomá-los.

Este manual destina-se a orientar o setor produtivo de mudas, e sua elaboração foi baseada no I Curso de Capacitação dos Parceiros da Rede de Sementes do Pantanal. O roteiro para elaboração deste material seguiu o apresentado pelo Professor José Leonardo de Moraes Gonçalves (ESALQ/USP) durante o Curso de Manejo de Viveiros, sendo acrescido das orientações contidas no Manual de Produção de Mudas de Essências Florestais Nativas, elaborado pela Diretoria de Meio Ambiente da CESP/SP e demais fontes bibliográficas referentes ao assunto.

2. NORMAS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS FLORESTAIS

Todo o setor produtivo de sementes e mudas no

Brasil foi regulamentado pelo Decreto n° 5.153, de 23 de julho de 2004, que aprovou o Regulamento da Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003. Esta Lei e o referido Decreto dispõem sobre o Sistema Nacional de Sementes e Mudas – SNSM, onde é firmado que todas as ações decorrentes das atividades previstas no Regulamento deverão ser exercidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, dentro da competência prevista no art. 5º da Lei.

Além da Lei e do Decreto, devem ser consideradas (i) a Instrução Normativa MAPA n° 24, de 16 de dezembro de 2005, que aprova as Normas para a Produção, Comercialização e Utilização de Mudas, (i) a Instrução Normativa MAPA n° 9, de 02 de junho de 2005, que aprova as Normas para a Produção, Comercialização e Utilização de Sementes e da qual alguns anexos são também utilizados pelos produtores de mudas e, ainda, (i) a Instrução de Serviço CSM n° 1/2005, que trata das taxas decorrentes da inscrição no Registro Nacional de Sementes e Mudas - RENASEM.

No caso específico de produção de mudas de espécies florestais nativas, deve-se observar, ainda, o capítulo XII do Decreto 5.153/2004, em seus artigos 143 a 175. Para elaboração das normas comple- mentares a estes artigos o MAPA instituiu uma comissão.

Os textos da citada legislação se encontram disponíveis na página eletrônica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

O endereço: w.agricultura.gov.br

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