RESUMO DO LIVRO: Avaliar para promover: as setas do caminho

RESUMO DO LIVRO: Avaliar para promover: as setas do caminho

(Parte 1 de 3)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA.

FACULDADE DE EDUCAÇÃO.

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO I.

CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA:AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM.

PROFª. ANTÔNIA ELISA CALÓ LOPES.

POR: ABRAÃO ERICK BRITO DA COSTA.

RESUMO DO LIVRO: Avaliar para promover: as setas do caminho.

É importante não ter pressa, permitir-se bastante tempo para observar tudo o que se passa ao nosso redor e, sobretudo cuidar de ter tempo para refletir sobre o que está vivendo”.

(Elias Valiña Sampedro. El camino de Santiago, 1993).

Salvador- Ba.

Abril, 2000.

INTRODUÇÃO

Neste livro de Jussara Hoffmann, é colocado que avaliar para promover é um título que pode inspirar várias interpretações, diferentes leituras. O termo “promoção” sempre esteve atrelado a decisões burocráticas da avaliação tradicional, significando acesso a outras séries ou graus de ensino. A intenção da autora é de resgatá-lo no seu sentido original de acesso a um patamar superior de aprendizagem.

Nos últimos anos, houve conquistas importantes em termos de uma maior reflexão e de um maior número de experiências em avaliação mediadora por escolas e professores, que resultaram na diminuição da repetência e da evasão escolar no país.

Há uma grande polêmica em torno da avaliação escolar, tendo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) contribuído para isso, no que se refere ao encaminhamento de novas regulamentações sobre a promoção dos estudantes, sugerindo a revogação das práticas classificatórias excludentes.

Tendo, em conseqüência, inúmeros pareceres, resoluções e normas oficiais somando-se a LDB e provocadas múltiplas e confusas interpretações dos preceitos legais.

Diante de tal polêmica, a sociedade e os professores ficam inquietos, temerosos, principalmente no que se refere às alterações em avaliação que “podem colocar em risco a educação tradicional (elitista e classificatória). Os reflexos desses esforços, embora temidos, são positivos e alentadores”.

Segundo Jussara, partimos para uma mudança impulsionados pelo desejo de alterar o que não nos satisfaz. Repensar os princípios de avaliação pode ser um primeiro passo para transforma-la, porque exige discuti-la em seu conjunto: valores, organização curricular, preceitos metodológicos, visão política, comunitária.

Uma reflexão conjunta sobre princípios que fundamentam a avaliação nas escolas favorece a convivência com diferentes perspectivas individuais, ampliando a compreensão coletiva sobre as dimensões do ser escola, do ser educador e do ser educando, que são fundamentos do avaliar para promover.

Trabalhando intensamente com a formação de professores, a autora percebe o avanço em termos de discussão sobre esse tema, mas mudanças ainda temidas em termos das práticas, que permanecem ainda de julgamento, burocráticas em muitas instituições educacionais.

Jussara mantém a percepção após vinte anos de estudos e pesquisas, que a avaliação mediadora é uma prática que não está por ser delineada, mas, hoje, com maior números de defensores, um processo a ser construído pelo diálogo, pelo encontro, pelo confronto, por pessoas em processo de humanização.

Após dez anos da publicação do primeiro livro, Jussara, elabora e publica este novo texto constituído a partir de estudos e debates sobre a avaliação com muitos professores do país.

Tendo a certeza que estão buscando novos recursos e que é preciso apontar-lhes algumas direções.

O grande dilema encontrado é que não há como “ensinar melhores fazeres em avaliação”, sendo que esse caminho precisa ser construído por cada um de nós, pelo confronto de idéias, repensando e discutindo, em conjunto, valores princípios, metodologias.

CAPÍTULO 01.

Rumos da avaliação neste século.

Com uma educação democrática, surgida nas últimas décadas, a atenção dos educadores, políticos e da sociedade voltou-se para a avaliação, devido a sua incompatibilidade com a mesma (educação) e a partir daí, intensificou-se as pesquisas nessa área.

Tal avanço se dá, após discussões sobre uma escola que parece não dar mais conta dos problemas sociais e corre o risco de educar os alunos até mesmo para uma ultrapassada visão do presente.

Na educação brasileira ocorre a preocupação em superar o viés positivista e classificatório das práticas avaliativas escolares, retomando-as em seu sentido ético, de juízo consciente de valor, de respeito às diferenças, de compromisso com a aprendizagem para todos e a formação da cidadania.

Os estudiosos em avaliação deixam para trás o caminho das verdades absolutas, dos critérios objetivos, das medidas padronizadas e das estatísticas, para alertar sobre o sentido essencial dos atos avaliativos de interpretação de valor sobre o objeto da avaliação, de um agir consciente e reflexivo frente às situações avaliativas e de exercício do diálogo entre os avaliados.Tendo como diferencial básico o papel interativo do avaliador no processo, influenciando e sofrendo influências do contexto avaliado.

Ao inovar suas práticas avaliativas, os professores devem estar conscientes das concepções que regem suas ações, uma vez que sua reputação está em jogo e a sociedade começa a contestar os parâmetros da avaliação educacional pela arbitrariedade e fragilidade teórica muitas vezes percebida.

Os processos avaliativos tendem a adequar-se aos novos rumos, com práticas sendo repensadas pelos professores, já que não podem ficar engajados em teorias e pré-feitos metodológicos para garantir a compreensão e a tomada de consciência sobre concepções formativas e mediadoras em avaliação.

A compreensão dos novos rumos exige a reflexão conjunta pelos avaliadores e todos os envolvidos, porque lhes exige retomar concepções de democracia, de cidadania, de direito a educação.

À medida que os estudos apontam para o caráter interativo e intersubjetivo da avaliação, alertam também para a essencialidade do diálogo entre todos os que fazem parte desse processo, para a importância das relações interpessoais e dos projetos coletivos.

Os estudiosos contemporâneos alertam sobre a diferença entre pesquisar e avaliar em educação. Enquanto a pesquisa tem por objetivo a coleta de informações, a análise e compreensão dos dados obtidos, a avaliação está predominantemente a serviço da ação, colocando o conhecimento obtido, pela observação ou investigação a serviço da melhoria da situação avaliada.

Esse primeiro princípio é o mais importante de todos para se compreender as novas tendências, porque altera, radicalmente, a finalidade da avaliação em relação às práticas classificatórias, seja da aprendizagem do aluno, de um currículo ou programa.

As mudanças essenciais em avaliação dizem respeito à finalidade dos procedimentos avaliativos e não, em primeiro plano, a mudanças de tais procedimentos.

Em relação à aprendizagem, uma avaliação a serviço da ação não tem por objetivo a verificação e o registro de dados do desempenho escolar, mas da observação permanente das manifestações de aprendizagem para proceder a uma ação educativa que otimize os percursos individuais.

A avaliação mediadora destina-se a conhecer, não apenas para compreender, mas para promover ações em benefícios aos educandos, às escolas, a universidades.

O papel do avaliador, ativo em termos do processo, transforma-se no de partícipe do sucesso ou fracasso dos alunos, uma vez que os percursos individuais serão mais ou menos favorecidos a partir de suas decisões pedagógicas que dependerão, igualmente, da amplitude das observações. Pode-se pensar, a partir daí, que não é mais o aluno que deve estar preparado para a escola, mas professores e escolas é que devem preparar-se para ajustar propostas pedagógicas favorecedoras de sua aprendizagem.

Avaliar para promover significa compreender a finalidade dessa prática a serviço da aprendizagem, da melhoria da ação pedagógica visando à promoção moral e intelectual dos alunos. O compromisso do professor é o de agir refletidamente, criando e recriando alternativas pedagógicas adequadas a partir da melhor observação e conhecimento de cada um dos alunos, sem perda da observação do conjunto e promovendo sempre ações interativas.

Há sérios entraves em nossas escolas e universidades quanto à efetivação de uma prática avaliativa em consonância ao princípio delineado. Ainda há um enorme descompasso entre o pretendido e o realizado pela a maioria das instituições educacionais.

Com as exigências da LDB (Lei de Diretrizes e Base) nº 9394/96, a maioria dos regimentos escolares são traduzidos por textos que enunciam objetivos ou propósitos de uma avaliação contínua, mas estabelecem normas classificatórias e somativa revelando a manutenção das práticas tradicionais.

Também, há a enorme dificuldade de avanços no sentido da aceitação, pelos educadores e pela sociedade em geral, de preceitos estabelecidos na LDB sobre oportunidade de promoção do aluno na escola, expressa na sugestão de regimes não seriados, ciclos, programas de aceleração e outros.

Tanto as normas classificatórias ainda presentes nos regimentos, quanto às críticas às novas formas de progressão escolar, revelam o caráter seletivo e burocrático que continua a prevalecer na avaliação educacional em nosso país, e também, a necessária tomada de consciência por educadores e leigos sobre os obstáculos decorrentes de uma avaliação classificatória à educação de milhares de crianças e jovens do nosso país.

A excessiva preocupação de educadores e leigos com a definição de critérios, registros finais, apresentação dos resultados e outras questões de caráter burocrático da avaliação revela que os rumos que perseguem precisam ser debatidos e esclarecidos, para que todos venham a agir conscientes do reflexo de suas ações e passam promover uma avaliação a serviço da aprendizagem do aluno, da formação, da promoção da cidadania; a mobilização, a inquietude, na busca de sentido e significado para essa ação; a intenção de acompanhamento permanente, de mediação, de invenção pedagógica para a melhoria da aprendizagem; a visão ideológica, de negociação entre os envolvidos e multirreferencial (objetivos, valores, discussão interdisciplinar); o respeito à individualidade, a confiança na capacidade de todos, a interação e socialização...

Avaliação mediadora se projeta e vislumbra o futuro, tendo por finalidade a evolução da aprendizagem dos educandos, não tendo por objetivo reunir informações para justificar ou explicar uma etapa da aprendizagem, mas acompanhar com atenção e seriedade todas as etapas vividas pelo estudante para ajustar estratégias pedagógicas.

Para que ocorra essa avaliação, o professor deve planejar sua ação de forma plástica e flexível, para abrir-se a várias opções de rumos e tempos aos alunos de cada turma, ajustando-se objetivos e atividades permanentes, uma vez que avaliação, direciona-se para favorecer a evolução da trajetória do educando.

Nos regimes seriados (séries anuais) a análise de cada série se dá isoladamente das demais e um ou mais professores responsabilizam-se pela educação do aluno sem conhecer ou ter ligações com o passado ou o futuro dele. No entanto, observa-se que o professor culpa as séries anteriores pelas dificuldades observadas nos alunos. Nesse tipo de educação é natural que a trajetória do aluno se dê de forma fragmentada ou com várias lacunas, porque a sua história não é acompanhada de perto pelo coletivo dos educadores de uma escola.

Com os regimes não-seriados, tem-se a visão ao acompanhamento longitudinal dos alunos, sua progressão contínua de uma série para outra, por ciclos de formação ou por idade, respeitando ritmos e interesses individuais, perseguindo sempre a máxima aprendizagem possível de todos os alunos.

Os ciclos de formação e outras formas de regimes não-seriados enfrentam muitas resistências de professores para aceitar e efetivar a mudança, pois estão acostumados com o regime anterior com testes finais e apresentação de resultados burocráticos. Outra grande dificuldade que as escolas enfrentam é a efetivação de um trabalho pedagógico que dê conta das diferenças dos alunos, pois os professores continuam a desenvolver as mesmas práticas do regime seriado, presos a currículos, não sabendo como lidar com os alunos que não acompanham suas propostas ou ritmo da maioria.

Vê-se, muitas críticas aos regimes não-seriados, por parte dos professores e leigos pelas dificuldades que os alunos continuam a apresentar. No entanto o problema está na qualificação dos professores, em termos de alfabetização e pedagogias diferenciadas.

Os regimes não-seriados, são alternativas válidas por quem entende desenvolvimento como sinônimo de educação e cultura para todos os cidadãos. Porém, como toda iniciativa, precisamos dar-lhe o crédito das tentativas, das inseguranças, das reconstruções.

Ainda temos no regime tradicional a recuperação que é feita de forma repetitiva, voltando aos estudos do que já fora estudado, sendo realizada ao término do semestre ou ano letivo.

A LDB preceitua ações paralelas (estudos paralelos de recuperação) ao longo do ano letivo, porém professores que possuem turmas numerosas não sabem como parar ou voltar a explicar a alguns ou poucos alunos que não entendem, enquanto outros esperam.

Os estudos paralelos de recuperação são inerentes a uma prática avaliativa mediadora, com a intenção de subsidiar, provocar, promover a evolução dos alunos em todas as áreas do seu desenvolvimento, direcionada ao futuro. Nesse pressuposto não se trata de voltar atrás, mas de prosseguir com experiências educativas, alternativas que provoquem o estudante a refletir sobre conceitos e noções em construção.

Assim a grande aventura do educador consiste em prosseguir na diversidade, valorizando a multiplicidade de caminhos percorridos pelos vários alunos, investindo na heterogeneidade ao invés de buscar a homogeneidade.

Os estudos paralelos de recuperação devem ser planejados e articulados ao andamento dos estudos no cotidiano da sala de aula.

Os conselhos de classe, tais como vêm sendo realizados em grande parte das escolas, sofrem severas críticas por parte de professores e supervisores, pois, tendo por objetivo a oportunidade de reunir professores, para refletirem sobre a aprendizagem dos alunos, tornaram-se sessões de julgamento, com réus e culpados.

Para fugir do perigo de se resumirem à apresentação de resultados e reclamações sobre atitudes dos alunos, alternativas como a participação de alunos, pré-conselhos, pais e outras, foram criadas pela escola, aumentando o problema, pois, nesse caso, fica justificado e explicado resultado alcançado em detrimento do objetivo de buscar alternativas pedagógicas à superação (questão de ensino aprendizagem).

Projetar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos fazendo com que prossigam através de provocações significativas.

A avaliação educacional, ao lidar com a complexidade do ser humano, deve orientar-se por valores morais e paradigmas científicos. Não estando fundamentado apenas, em princípios, regras e critérios de investigação científica e considerações metodológicas. Torna-se necessário recorrer a princípios de interação e relação social, numa análise ético-política das práticas e metodologias da avaliação.

O compromisso de qualquer estudo avaliativo, na concepção ético-política, é o de seguir e abrir caminhos à reconstrução de uma escola onde todos os alunos tenham seus direitos respeitados.

Hoje, em nosso país, devido a problemas que temos em nossas escolas, programas emergenciais estão sendo adotados embora não correspondam ao ideal de educação na concepção de educadores, de toda a sociedade. Muitos criticam essas alternativas, que mal surgiram, precocemente, sem pesquisas e estudos mais sérios, sem observa-las no seu devido tempo de ajuste e amadurecimento. São muitas as tentativas de lidar com os reflexos de uma prática avaliativa excludente, na qual o correto muitas vezes não correspondeu ao ético, o que se devia fazer não correspondeu ao que se pôde fazer.

Se as medidas alternativas nem sempre correspondem aos parâmetros de qualidade ideais de ensino, elas correspondem a um sentido de justiça e ética frente à seletividade e a exclusão provocada por uma avaliação exigente em nome de uma escola eficaz e de qualidade.

A diversidade de determinações em educação, a cada mudança de governo, provoca descrédito e insegurança em toda a sociedade sobre os fins perseguidos.

Em avaliação não há regras gerais, pois essas caracterizadas de justiça da uniformização acarretam inúmeras injustiças, visto que, toda a situação deve ser analisada em seu contexto.

Em plena consciência das finalidades em avaliação favorecerá a escolha consciente de estratégias de ação pelos educadores e não à imposição de metodologias.

Uma das grandes dificuldades da escola, apontada pelos professores, é a ausência dos pais e o seu descomprometimento com questões de formação moral e aprendizagem dos filhos. Sendo esta última, definida por alguns, como não sendo responsabilidade direta da família, mas dos profissionais que atuam nas escolas, bem como em questões de relações interpessoais no ambiente escolar.

Os profissionais em educação defendem o compromisso dos pais em acompanhar o processo vivido pelos filhos, dialogar com a escola e assumir o que lhes é de responsabilidade.

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