Esquizofrenia e Produção Científica

Esquizofrenia e Produção Científica

(Parte 1 de 4)

Esquizofrenia e Produção Científica: Uma análise na CAPES entre os anos de 2000 a 2008

Aline Marangoni de AraujoGutembergue Fagundes
USJTUSJT
Brunna Iovino FerriMarcelo Costa dos Anjos
USJTUSJT

Para dar início ao processo de produzir ciência, faz-se necessário inicialmente conhecer o que é ciência e nesse sentido destaca-se a produção científica que exige esforços para que seja alcançada, mas traz benefícios e qualidade de vida ao homem, assim como um melhor aproveitamento da sociedade, como mencionado por Camilo e Witter (2007).

Camilo e Witter (2007) afirmam a importância da tecnologia (internet) no conhecimento científico já que facilita os meios de pesquisa hoje usados, como os Banco de Dados. Porém a sua origem utilizava-se de meios arcaicos como: listagem, fichas catalogáveis e livros, sendo que o acesso para esse tipo de informação antigamente era dificultoso. Concordando com estas palavras Ferrara e C. Witter (2007) afirmam por meio de Lourenço (1997) esse mesmo avanço tecnológico do conhecimento científico em nossas bibliotecas que hoje são automatizadas para facilitar nossas buscas e acrescentando outros meios e recursos de pesquisas.

A produção científica é o meio pelo qual são revelados novos conhecimentos e a divulgação de temas pesquisados nas mais diversas áreas do conhecimento, ou seja, mostra o que e como estão sendo discutidos nos meios científicos em um determinado período. A produção científica também colabora para avanço da ciência por meio de meios avaliativos e comparativos (Ferrara e C. Witter 2007; C. Witter 2005).

A condição básica para o desenvolvimento de um país é a ciência que quando produzida em quantidade e qualidade pode gerar avanço tecnológico e progresso econômico (Almeida, Buriti, Rodrigues, Witter, 2007).

Assim segundo Almeida et al (2007) concordando Lourenço (1997a) define produção científica como toda produção documental, independente do suporte papel ou meio magnético, onde uma comunidade científica especifica terá um determinado assunto de interesse que contribua para a abertura de novos horizontes de pesquisa e desenvolvimento da ciência, Costa e Ferreira (2007) complementa dizendo que a produção científica é toda a produção de documentos de assuntos e interesses de uma comunidade científica, que gera novos estudos e campos de pesquisas, sendo ela um conjunto de estudos de diversas áreas do saber e do conhecimento, e por meio desses estudos saberemos dos limites e dos avanços atingidos, e o ponto onde pode se dar continuação a um novo trabalho.

Almeida et al (2007) também ressaltam (Campos & Witter, 1999 e Oliveira, 1999) que os conhecimentos e as descobertas de novas tecnologias transformam-se em informações que guiam o processo do homem. Vieira, Ferreira, Buriti e C. Witter (2007) enfatizam que a produção científica enriquece a ciência de novos conhecimentos contribuindo com toda humanidade.

Na produção científica existem vários produtos resultantes do fazer ciências e, como meio determinante da divulgação, democratização e intercambio de conhecimento científico, temos os textos que por sua via a maioria das informações chega aos profissionais, outros cientistas e também a população alfabetizada. (Assis-Maria, Madeira, Witter, 2007). Para Buriti, Luiz, Witter (2007:157)

temáticas

Produção científica é medida em livros, artigos de periódicos e outras modalidades de publicações impressas, digitais ou eletrônicas, contendo os resultados da pesquisa científica de autores, instituições, regiões, países ou áreas

De acordo com Lourenço (1997) e Domingues (1997) apud Ferrari, Alcântara, Witter e Buriti (2007) por meio dessa produção documental sobre um assunto de interesse contribuem para a comunidade científica, para o país, o ensino e o saber científico.

Ferrari et al (2007) afirmam que produção científica só será produção científica quando ela for publicada, ou seja, uma pesquisa só estará completa quando seus resultados forem publicados. Nesse sentido um dos veículos para a transferência de conhecimento científico são os periódicos que, quando divulgados se tornam a melhor forma de propiciar o contato entre o produtor e o consumidor segundo Almeida et al (2007).

Segundo Buriti, Luiz, Witter (2007) a Produção Científica escrita é a mais relevante por ser mais democrática e manter um caráter permanente. Torna analises mais verificada e um sistema cumulativo de informações onde atualiza o saber e preserva a história. Entre os tantos meios para o discurso escrito, o periódico é o mais valorizado hoje em dia, e abre espaço elevado na ciência para a comunicação escrita.

De acordo com Buriti, Luiz, Witter (2007) a visibilidade dos periódicos e onde são publicados os resultados de uma pesquisa esta diretamente ligada à visibilidade da produção científica de um país, universidade, área temática, e a quantidade de pesquisadores envolvidos na pesquisa, pois “visibilidade é hoje uma característica essencial na comunicação científica.” (2007:161).

Ferrari. et al (2007) concordam e ainda afirmam que os periódicos é o meio mais rápido e eficiente para se mostrar resultados de suas pesquisas científicas oferecendo preservação do conhecimento nele contido, sendo o periódico um principal veiculo de registro oficial da ciência servindo de pesquisas, novas descobertas ou idéias para outros estudos, por meio de cientistas ou estudos acadêmicos. Ferrari et al (2007:122) complementam dizendo que:

A pesquisa científica de um país está relacionada com os cursos de pós-graduação, pelo fazer científico dos mesmos e pelo seu papel na formação de pesquisadores que irão atuar em outras entidades universitárias ou não.

Conforme Oliveira e Ferreira (2007) a produção científica ao ser analisada fornece muitos subsídios para o desenvolvimento de novos conhecimentos, nos ideais de políticas de pesquisas e de pós-graduação, ajuda a detectar níveis do conhecimento alcançando, padrões discursivos, tecnologias utilizadas pelos pesquisadores, periódicos que valorizam a área do conhecimento.

Witter e Buriti (2007) complementam dizendo que a produção científica é a forma da universidade ou instituição de pesquisa, estar sempre presente no processo de aprendizagem, desenvolvimento, aplicação e divulgação da ciência, pelas diversas áreas do saber, em suportes científicos confiáveis e por meio deste processo que se constrói uma base de dados confiável em determinadas áreas do saber, onde se transforma em crescimento para ciência e para sociedade.

Foi na década de setenta que os primeiros trabalhos de análise de produção científica em psicologia se iniciaram, utilizava-se nessa época a metodologia da revisão de literatura para realizar a análise. Já nos anos oitenta e noventa observou-se o uso de estratégias que se aproximavam da cientometria (Anjos, Buriti, Chaves, Gerade, Witter, 2007). Atualmente é realizada baseando-se na meta-ciência onde é possível analisar dimensões abrangentes e pontuais, Anjos et al (2007).

Produção científica é marco no século X, provocando mudanças no cotidiano de cada individuo, quanto no social, político e econômico, estando ao alcance do conhecimento de diversas áreas do saber enfatizando a sua utilização para o desenvolvimento e evolução transformando toda uma nação (Phelippe, Witter e Buriti, 2007).

Segundo Anjos et al (2007) é nas revistas que por vezes se concentra a maior parte dos trabalhos científicos. Já os periódicos com pelo menos 50% de resultados de pesquisa em seu conteúdo. Assim se tratando de periódicos que ao surgirem se tornaram um meio de divulgação rápida do conhecimento e, com o crescimento de sua publicação vem sendo hoje o principal veiculo para o registro oficial da ciência.

De acordo com Buriti, Luiz, Witter (2007) a identificação e produção da literatura científica concebem as diferentes ligações que compõem a atividade de comunicação entre os pesquisadores, sendo assim chamada de comunicação científica.

Estudar um assunto sobre o qual não se encontra referencia na literatura ou, até mesmo para aprofundar conhecimentos fixando-se numa linha de pesquisa é muitas vezes a necessidade de fazer produção científica. As justificativas da existência das Universidades são as pesquisas e a produção científica, mas isso não ocorre no Brasil em muitas instituições (Almeida et al 2007).

Como vimos à produção cientifica mostra-se de suma importância para melhor compreensão de um tema especifico e também a importância de pesquisar o que já foi produzido sobre os mais diversos assuntos por nós conhecidos. Por isso focamos nosso interesse no tema esquizofrenia, iniciando nosso estudo pela sua produção nos últimos oito anos. E para melhor compreendê-la buscamos sua definição que segundo o dicionário Aurélio (2004:818)

(…) Termo que engloba varias formas clínicas de psicopatia e distúrbios mentais próximos a ela sua característica fundamental é a dissociação e a assintomia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.

Este termo já era mostrado por Roudinesco e Plon (1987) que em 1911 o psiquiatra

Alemão Eugen Bleuler designou esquizofrenia, como uma forma de loucura cuja etimologia é: Schizein, do grego fender, clivar e Phrenós pensamento, portanto Bleuler definiu a esquizofrenia como uma doença psíquica, caracterizada por uma cisão de pensamento, do afeto, da vontade e do sentimento subjetivo da personalidade. Crowcroft (1967) complementa dizendo que a esquizofrenia é uma ruptura dentro do próprio pensamento e sentimento, um rompimento da associação de idéias que desencadeia em profunda perturbação do pensamento e dos sentimentos, gerando uma desorganização da personalidade inteira. Szasz (1978) já dizia que a esquizofrenia é a mais comum e a mais incapacitadora das doenças mentais e definidas de forma vaga que na realidade é frequentemente aplicada a quase toda e qualquer espécie de comportamento reprovado pelo locutor.

O termo Esquizofrenia era ele conhecido anteriormente como dementia praecox (demência precoce) denominado por um psiquiatra alemão chamado Emil Kraepelin, que a identificou alguns sintomas entre os principais estão: incoerência do pensamento, da afetividade e da ação, e delírio. Sperling e Martin (1999) complementam dizendo que psicologia adotou o termo esquizofrenia como “mente dividida” que seu significado difere um pouco do termo utilizado por Bleuler.

De acordo com Sperling e Martin (1999) os pacientes esquizofrênicos apresentam tipos diferenciados de sintomas, mas todos negam a realidade e a evidencia de seus sentidos e a substituem por alucinações ou falsas percepções, sendo que os sintomas da esquizofrenia mostram uma condição na qual o doente foge da realidade para entrar no seu mundo fantasioso, sendo ele desligado de seu meio ambiente.

Segundo Pheula e Reisdorfer (2004), a esquizofrenia é um transtorno heterogêneo, cujas causas sejam desconhecidas, caracterizando-se por sintomas psicóticos que trazem prejuízo significativo ao funcionamento psíquico, onde podemos defini-la como uma doença crônica, da qual se tem uma degradação continua de suas funções. Como mostra Baitello Junior (1997), dizendo que o psiquiatra austríaco Leo Navratil, estudou de modo intenso as principais características da percepção esquizofrênica, sendo elas a fisionomização (é quando o esquizofrênico atribui formas humanas a qualquer objeto), formalização (vê ou efetua ritmos com freqüência) e simbolização (faz significado de modo arbitrário a qualquer objeto).

De acordo com Neto (2003 e 2004) a Esquizofrenia é uma doença que afeta uma a cada cem pessoas, delas 80 mil brasileiros e 1% da população mundial, sendo ela uma doença rara que se desenvolve ao longo da vida, aparecendo em homens com a idade entre 17 e 27 e mulheres entre 17 e 37 anos, com a ocorrência mais rara em idades mais avançadas. A divisão dos sintomas psicóticos tem por finalidade dizer de maneira objetiva o estado do paciente, tendo como ponto de referência a normalidade, estruturando os processos básicos do pensamento em duas grandes categorias, chamadas de sintomas Positivos e Negativos, dos quais a alucinação, delírios, perturbações do pensamento e alteração da sensação são caracterizados como Positivos e falta de motivação, apatia, indiferença emocional, isolamento social e perturbações do pensamento são caracterizados como Negativos.

De acordo com o CID 10 (CID - Classificação Estatística Internacional de Doenças e

Problemas Relacionados com a Saúde, 1993) que é publicada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) que desempenha um importante avanço na classificação Internacional das Doenças Mentais, sendo representado por uma codificação que vai do F00 ao F99 e sua utilização está destinado para o uso clínico, educacional e assistencial em geral. Dentro dessa classificação a Esquizofrenia é conhecida como F20.

Por meio do DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais –

Quarta Edição, 2003) que foi desenvolvido pela APA (Associação Psiquiátrica Americana) por um conjunto de critérios de diagnósticos montados didaticamente para o ensino de psicopatologia, sendo ele usado por clínicos e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Assim como o CID 10 o DSM-IV apresenta uma classificação especifica para cada tipo de transtorno, porém sua classificação é numérica e não faz uso de letras, as classificações são protótipos, e um paciente que esteja com essa estreita aproximação é classificado como possuidor da doença.

A escolha da utilização dos os dois sistemas, CID 10 e DSM-IV, têm uma finalidade comparativa entre suas classificações, mas as suas descrições de uma Classificação ou de outra não muda muito, porém foram percebidas pequenas variações quanto aos tipos de Esquizofrenias.

CID 10 DSM IV

F20.0 – Esquizofrenia paranóide; 295.30 – Esquizofrenia paranóide; F20.1 – Esquizofrenia hebefrênica; 295.10 – Esquizofrenia desorganizada; F20.2 – Esquizofrenia catatônica; 295.20 – Esquizofrenia catatônica; F20.3 – Esquizofrenia indiferenciada; 295.90 – Esquizofrenia indiferenciada e F20.4 – Depressão pós-esquizofrênica; 295.60 – Esquizofrenia residual. F20.5 – Esquizofrenia residual e F20.6 – Esquizofrenia simples.

A Esquizofrenia Paranóide apresenta desordens emocionais e mentais dos demais esquizofrênicos é um tipo comum em varias partes do mundo, onde seus principais sintomas são ilusão sistêmica de perseguição, delírios de grandeza, variedade auditiva e alteração da percepção. Esse Esquizofrênico apresenta uma personalidade relativamente preservada durante um longo período; sendo esse tipo o mais recente (surgiu mais tarde que as outras), sendo ela muito resistente ao tratamento (Crowcroft, 1967, CID 10, 1993, DSM-IV, 2003 e Sperling e Martin, 1999).

Esquizofrenia Hebefrênica (do grego. hébe, mocidade + phrén, inteligência, alma) caracteriza-se pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos que as pessoas normalmente chamam de “louco tolo”. A esquizofrenia hebefrênica é uma enfermidade mental própria de adolescentes e que conduzia rapidamente à loucura caracterizada por distúrbios de afetividade com delírios de grandezas, sem perturbações duradouras. O indivíduo começa a ter pensamentos desorganizados e o seu discurso está cheio de caminhos incoerentes e tende a ter um prognóstico simples e causa um rápido desenvolvimento de sintomas negativos. (CID 10, 1993, Sperling e Martin, 1999, Houaiss, 2004, Aurélio, 2004). De acordo com o DSM-IV (2003) o tipo hebefrênico é também conhecido como desorganizado, porém suas características não diferem em nada. Apenas os nomes se mostram diferentes.

(Parte 1 de 4)

Comentários