Caderno de combate a incêndios com extintores

Caderno de combate a incêndios com extintores

(Parte 1 de 2)

Colecção

ENB 1

Caderno de Combate a Incêndios com Extintores

S I N T R A2007

2.ª edição, revista e actualizada

Ficha Técnica

Título Caderno de Combate a Incêndios com Extintores

Colecção Cadernos de Sensibilização (n.º 1)

Edição Escola Nacional de Bombeiros Quinta do Anjinho – Ranholas 2710 - 460 Sintra Telef.: 219 239 040 • Fax: 219 106 250 E.mail: edicao@enb.pt

Texto António Matos Guerra

Comissão de Revisão Técnica e Pedagógica Carlos Ferreira de Castro, J. Barreira Abrantes, Luís Abreu, Sónia Rufino

Fotografia Rogério Oliveira, Victor Hugo

Ilustrações Osvaldo Medina, Ricardo Blanco, Victor Hugo

Grafismo e fotomontagens Victor Hugo Fernandes

Impressão Gráfica Europam, Lda.

ISBN: 972-8792-21-2 Depósito Legal nº 232240/05 1.ª edição: Agosto de 2005 2.ª edição: Março de 2007 Tiragem: 3 0 exemplares Preço de capa: i 2,0

1. Introdução5
2. Classificação5
3. Características e funcionamento dos extintores8
4. Escolha do agente extintor13
5. Distribuição dos extintores15
6. Inspecção, manutenção e recarga dos extintores18

Cad ern os d e Sen sibilização

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1 Introdução

Um extintor é um aparelho que contém um agente extintor que pode ser projectado e dirigido sobre um incêndio pela acção de uma pressão interna. Esta pressão pode ser fornecida por uma compressão prévia permanente ou pela libertação de um gás auxiliar.

É utilizado como meio de primeira intervenção no combate a um incêndio acabado de despontar.

A utilização de um extintor pode ser feita por qualquer pessoa logo que detecte um incêndio. Na realidade, a rapidez de actuação é primordial, na medida em que o extintor só é eficaz no início de um incêndio. Com efeito, a quantidade do agente extintor, assim como o tempo de utilização, são limitados. No entanto, o êxito da utilização do extintor depende dos seguintes factores:

• Estar bem localizado, visível e em boas condições de funcionamento;

• Conter o agente extintor adequado para combater o incêndio desencadeado;

• Ser utilizado na fase inicial do combate ao incêndio;

• Conhecimento prévio pelo utilizador do seu modo de funcionamento e utilização.

2 Classificação

Os extintores de incêndio podem classificar-se tomando em consideração os diversos critérios a seguir mencionados:

• Mobilidade do extintor; • Agente extintor;

• Modo de funcionamento;

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Quanto à sua mobilidade (fig. 1), os extintores classificam-se em:

• Portáteis; • Móveis (também designados por transportáveis).

Por sua vez, os extintores portáteis podem ser:

• Manuais; • Dorsais.

Designa-se por extintor manual o que, pronto a funcionar, tem um peso inferior ou igual a 20 kg. Diz-se que o extintor é dorsal quando pronto a funcionar, tem um peso inferior ou igual a 30 kg e está equipado com precintas que permitem o seu transporte às costas.

Os extintores móveis estão dotados, para o seu deslocamento, de apoios com rodas e, consoante a sua dimensão, são manobrados manualmente ou rebocados por veículos.

As capacidades mais usuais dos extintores manobrados manualmente variam entre 20 kg e 100 kg.

Os extintores rebocáveis, são equipamentos de médio e grande porte

Para serem deslocados, necessitam ser atrelados a um veículo que os reboca.

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Um extintor pode designar-se pelo agente extintor que contém. Actualmente, existem:

• Extintores de água; • Extintores de espuma;

• Extintores de pó químico;

De acordo com este critério, os extintores podem ser classificados de:

• Pressão permanente; • Pressão não permanente (operado por cartucho).

Atendendo à eficácia de extinção, os extintores, classificam-se segundo o fogo-tipo que são capazes de extinguir.

Para se determinar a eficácia de extinção são efectuados, em áreas adequadas para o efeito, ensaios de fogos de dimensões controladas que obedecem aos parâmetros das normas.

A classificação do fogo-tipo é representada no rótulo por uma letra, que indica a classe de fogo para o qual o extintor demonstrou capacidade efectiva e por um número (somente para as classes A e B), que representa a dimensão do fogo-tipo que o extintor satisfaz. Os extintores classificados para uso em fogos das classes C ou D não necessitam de ter um número precedendo a letra de classificação.

Os rótulos, sobre a forma de decalcomania ou impressão serigráfica, com inscrições em língua portuguesa, colocados numa posição tal que possam ser lidos e que permitam reconhecer e utilizar um extintor, devem conter, em cinco áreas diferenciadas, as indicações, destacadas na figura 2.

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3 Características e funcionamento dos extintores

De acordo com os critérios anteriormente focados, descrevem-se a seguir, as características e funcionamento dos diversos tipos de extintores.

31 Extintores de pressão permanente

Nos extintores de pressão permanente (fig. 3) o agente extintor e o gás propulsor estão misturados no recipiente. Desta forma, a pressão está permanentemente estabelecida no interior por um gás, geralmente o azoto (N2 ).

O agente extintor ocupa uma grande parte do volume interno do recipiente, ficando o restante volume, designado por câmara de expansão, reservado para o gás propulsor, que se encontra a uma pressão entre os 12 e 14 kg/cm2.

Nestes extintores existe um manómetro que permite verificar se a pressão interna está dentro dos valores estipulados para o funcionamento eficaz do extintor.

Combate a Incêndios com Extintores

Quando se retira a cavilha de segurança e se abre a válvula do extintor, o agente extintor é expelido, pela acção da pressão exercida pelo gás propulsor, para o exterior através do tubo sifão e mangueira com bico difusor colocado na extremidade desta. Para interromper, temporária ou definitivamente, a descarga do agente extintor, basta fechar a válvula de comando.

Um caso particular é o do extintor de CO2 (fig. 4) que é, também, um

Devido às suas propriedades físicas de elevada tensão de vapor (50 a

extintor de pressão permanente.

60 kg/cm2), o CO2 encontra-se nos estados líquido e gasoso, ocupando o volume interior do recipiente.

Este extintor, que não tem manómetro possuí um tubo sifão e uma válvula de controlo de descarga com um difusor acoplado ou, no caso dos extintores de maior capacidade, uma mangueira com difusor ligado à válvula. O difusor permite dirigir o agente extintor para as chamas, com eficácia e segurança.

Para se interromper, temporária ou definitivamente, a descarga do agente extintor também basta fechar a válvula de comando de descarga.

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32 Extintores de pressão não permanente

Nos extintores de pressão não permanente, isto é, de colocação em pressão no momento da utilização (fig. 5), o agente extintor ocupa uma parte do volume interno do recipiente.

Fig. 5 Extintores de pressão não permanente. A – Com garrafa interior; B – Com garrafa exterior. A B

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O gás propulsor, normalmente CO2 , encontra-se numa garrafa (cartucho) colocada no interior ou no exterior do recipiente. Quando se coloca o extintor em funcionamento, o gás propulsor, expande-se no interior do recipiente através do tubo de descarga, indo ocupar o volume da câmara de expansão, misturando-se, assim, com o agente extintor.

Pela acção da pressão exercida pelo gás, o agente extintor é projectado e dirigido para o fogo através de uma mangueira ligada à parte superior ou inferior do recipiente, sendo a descarga controlada por uma pistola difusora, colocada na extremidade da mangueira.

Os extintores portáteis em que a garrafa se encontra no exterior do extintor estão a ser cada vez menos utilizados.

de funcionamento, de pressão permanente ou de pressão não permanente

Os extintores móveis (transportáveis) (fig. 6) podem ser, quanto ao modo Neste último caso, o gás propulsor encontra-se normalmente numa garrafa exterior.

Fig. 6 Extintor manobrado manualmente.

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Os extintores rebocáveis (fig. 7) são de pressão não permanente. As garrafas do gás propulsor, normalmente azoto (N2 ), encontram-se montadas no exterior do extintor.

Devido às suas características, devem ter-se em atenção as instruções fornecidas pelos fabricantes sobre a forma de colocação em funcionamento destes extintores.

Fig. 7 Extintor rebocável.

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4 Escolha do agente extintor

Os agentes extintores mais usados são: • Água;

Assim, passa a designar-se o extintor de acordo com o agente extintor nele contido.

Os extintores mais comuns à base de água são constituídos por recipientes contendo, os mais usuais, seis ou nove litros. Quanto à pressurização, podem ser de pressão permanente ou não permanente.

Estes extintores têm a característica de poder projectar a água em jacto ou pulverizada. A descarga deve fazer-se através de um filtro colocado no tubo sifão, de forma a reter corpos estranhos que possam existir misturados com o agente extintor.

O extintor de espuma física é aquele que projecta espuma, isto é, uma mistura espumosa à base de água.

A espuma física obtém-se pela mistura de três elementos: água, líquido espumífero e ar. A água e o espumífero estão contidos no recipiente, podendo o espumífero estar dentro de uma embalagem de plástico, que se rompe

Cad ern os d e Sen sibilização no momento da pressurização, ou ser adicionado à água no momento do carregamento do extintor.

O ar mistura-se com a água e espumífero durante a actuação do extintor, através dos orifícios da agulheta, pelo efeito de Venturi.

Os extintores de espuma física podem ser do tipo de pressão permanente ou de pressão não permanente.

O extintor de pó químico, como o próprio nome indica, contém, como agente extintor, pó químico seco: ABC, BC ou D. Estes extintores podem ser de pressão permanente ou de pressão não permanente.

Conhecido como «extintor de CO2 », contém dióxido de carbono armazenado sob pressão.

O dióxido de carbono encontra-se no recipiente à temperatura ambiente e a uma pressão de cerca de 60 bar. Ao utilizar-se o extintor é normal formar-se uma «camada de gelo» no difusor do extintor.

O CO2 ao vaporizar-se, sob a forma de «neve carbónica», atinge tempera- turas que podem chegar a 78C negativos, o que implica muitos cuidados no manuseamento deste extintor, sobretudo quando utilizado na presença de outras pessoas.

A projecção do CO2 obtém-se pela pressão permanente criada no interior do recipiente, provocada pela tensão de vapor contido no próprio agente extintor.

Resume-se no Quadro I a escolha do extintor, de acordo com o agente extintor, segundo as classes de fogos.

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QUADRO I ESCOLhA DO AGENTE ExTINTOR

5 Distribuição dos extintores

51 Princípios a respeitar na implantação dos extintores

Conhecidos os agentes extintores mais eficazes no combate a cada classe de fogo, indicam-se os princípios que devem ser respeitados para uma eficaz cobertura dos locais a proteger:

• A selecção e o dimensionamento dos extintores, quanto ao seu número, eficácia e localização para uma dada situação, devem ser determinados segundo a natureza dos possíveis incêndios e conhecimento antecipado do tipo de construção, número de ocupantes, risco a proteger, condições de ambiente e temperatura;

• As construções deverão ser protegidas por extintores aprovados para o combate a fogos da classe A. A protecção dos riscos de ocupação, deverá ser efectuada por extintores homologados para o combate a fogos das classes A, B, C ou D, de acordo com o maior risco que a ocupação apresente;

• As construções com um tipo de ocupação que apresente riscos de fogos das classes B e/ou C, deverão ter, além de extintores para o combate a fogos da classe A, extintores para fogos das classes B e/ou C.

FOGOS Pulverizada

Não

Não Não

Sim Muito bom

Não

Sim Muito bom

Sim Bom

Não

Sim Muito bom

Sim Muito bom

Sim Bom

Não

Não

Sim Bom

Sim Bom

Não

Sim Bom

Sim Muito bom

Não

Não

Sim Muito bom

Sim Aceitável

Não

Não

Sim Bom

Não

Não Não

Jacto ABC BC D

Água

Espuma CO2 Pó químico

Fonte: NP 1800 – (1981) – Segurança contra incêndios. Agentes extintores. Selecção segundo as classes de fogos.

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52 Implantação dos extintores

Quanto à implantação deve atender-se ao seguinte:

• Os extintores têm de estar colocados permanentemente nos locais previamente escolhidos e em condições de operacionalidade. Alguma legislação publicada sobre segurança contra riscos de incêndio, refere que os extintores portáteis devem ficar colocados de modo que o seu manípulo fique a cerca de 1,20 m do pavimento. A sua colocação deve ser feita em suportes de parede ou montados em pequenos receptáculos, de modo a que o topo do extintor não fique a altura superior a 1,50 m acima do solo, a menos que sejam transportáveis (fig. 8).

riscos de incêndio publicada, isto é, 15 m para os extintores de pó e

• É importante que os extintores estejam localizados nas áreas de trabalho, ao longo dos percursos normais, em locais visíveis, acessíveis e não obstruídos. A distância a percorrer de qualquer ponto susceptível de ocupação até ao extintor deve ser a determinada na legislação contra

15 m para os de CO2 (fig. 9). É de salientar que a Norma Portuguesa

NP 3064, alínea 6, estabelece que a distância máxima a percorrer é de

25 m para os extintores de pó químico e de 9 ou 15 m para os de CO2 de acordo com o tipo de risco e eficácia de extinção dos extintores;

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• Em grandes compartimentos ou em certos locais quando a obstrução visual não possa ser evitada, devem existir meios suplementares (sinais) que indiquem a sua localização (fig. 10).

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6 Inspecção, manutenção e recarga dos extintores

É da maior importância que os extintores se encontrem em perfeitas condições de operacionalidade quando da sua utilização. Para isso, será necessário observar as regras estabelecidas na NP 4413 no que se refere a inspecção, manutenção e recarga.

É de notar que o proprietário, inquilino ou a entidade exploradora de um local onde existam extintores instalados é o responsável pela sua inspecção, manutenção e recarga. Indicam-se de seguida algumas das regras mais importantes.

A inspecção é feita normalmente por pessoal designado pelo proprietário, inquilino ou entidade exploradora e consiste na verificação rápida de que o extintor está pronto a actuar no local próprio, devidamente carregado, que não foi violado e que não existem avarias ou alterações físicas visíveis que impeçam a sua operação.

tâncias imponham, devendo contudo sê-lo, pelo menos, trimestralmente

Os extintores devem ser inspeccionados com a frequência que as circuns- Ao inspeccionar um extintor, o pessoal designado deve verificar se:

• O extintor está no local adequado; • O extintor não tem o acesso obstruído, está visível e sinalizado;

• As instruções de manuseamento, em língua portuguesa de acordo com a NP EN 3-7, estão legíveis e não apresentam danos;

• O peso ou pressão, consoante os casos, estão correctos;

• O estado externo do corpo do extintor bem como da válvula, da mangueira e da agulheta é o adequado;

Quando uma inspecção revelar que houve violação e que o extintor está danificado, com fugas, com carga superior ou inferior à normal ou que apresenta indícios visíveis de corrosão ou outros danos, deve ser submetido a medidas de manutenção adequadas.

Deve existir um registo permanentemente actualizado que contenha as datas das inspecções, a identificação de quem as fez e todas as indicações das medidas correctivas necessárias.

A manutenção deve ser efectuada por empresa com o serviço de manutenção certificado para realizar os trabalhos que se indicam na NP 4413.

Quando retirados do seu local para manutenção ou recarga, os extintores devem ser substituídos por outros, de reserva, do mesmo tipo e com a mesma eficácia.

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