Apostila SAE para email

Apostila SAE para email

(Parte 1 de 8)

CUIABÁ/2006

Introdução

Essa apostila foi elaborada com o objetivo de fornecer a Enfermeiros e Acadêmicos de Enfermagem elementos para a aplicação do Processo de Enfermagem a partir da construção de um referencial teórico embasado em teorias de enfermagem.

Em 2004, a utilizamos por ocasião da oficina realizada pela Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso junto aos enfermeiros dos Hospitais Regionais, onde contei com a colaboração da Enfª Idevania Geraldini Costa. Para subsidiar as oficinas promovidas pelo COREN em 07 regiões do Estado fiz algumas adaptações em 2005. Nesta segunda revisão, dispus novos textos para o estudo das teorias de enfermagem, e atualizei os diagnósticos de enfermagem.

Esse material está assim organizado: primeira parte - coletânea de textos referente a teorias de Enfermagem, a construção do marco referencial de Enfermagem e sua relação com a Sistematização da Assistência de Enfermagem(SAE). Na segunda parte apresentamos os aspectos éticos e legais relativos a SAE e na terceira parte descrevemos cada passo do processo de enfermagem e propomos alguns exercícios.

Agradeço a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a elaboração deste material, em especial as Enfas Geralda Lopes e Maria Yolanda e Silva.

As rápidas e contínuas mudanças no ambiente de cuidado de saúde Têm grandemente aumentado as responsabilidades que a enfermeira de hoje enfrenta.Para entender as responsabilidades, o planejamento e a documentação do cuidado são essenciais para a satisfação das necessidades do paciente e atendimento das obrigações legais. Assim, conforme as enfermeiras trabalham colaborativamente com outras disciplinas, para prestar o cuidado do paciente, nós precisamos continuar a identificar e documentar as necessidades de cuidado de enfermagem pelos pacientes, por meio do uso do processo de enfermagem e do diagnóstico de enfermagem…O que está a frente da Enfermagem e do Planejamento do cuidado?definitivamente um enorme, excitante e preciso desafio (DOENGES, 2003) .

Sandra Regina Altoé

PARTE 1

TEORIA DE ENFERMAGEM, MODELO CONCEITUAL E SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

CAPÍTULO 1. ENFERMAGEM: DE SUA ESSÊNCIA AOS MODELOS DE ASSISTÊNCIA.

Teima Elisa Carraro

É difícil identificar e descrever adequadamente as origens da Enfermagem, pois temos poucos registros sobre as atividades a ela relacionadas na antiguidade. Contudo, ela aparece nos descobrimentos arqueológicos e antropológicos desta época, mostrando cuidados com as crianças e a importância destas crianças para a sobrevivência da espécie humana. Logo, demonstram a importância do cuidado de Enfermagem mantendo a vida.

Muitas vezes, neste processo evolutivo, torna-se difícil distinguir a Enfermagem da Medicina, até porque os primórdios das duas profissões estão intimamente entrelaçados. Em algumas épocas, como a hipocrática, por exemplo, a Medicina era exercida sem a Enfermagem; já na Idade Média, a Enfermagem era praticada sem a Medicina. Sem dúvida, a mãe-enfermeira precedeu ao mago-sacerdote ou ao curandeiro. Inclusive, é possível que estes dois serviços estivessem unidos inicialmente, tendo-se dividido, com o tempo, dando lugar a duas profissões relacionadas à arte da cura: o fornecedor da Medicina e o cuidador, ou seja, o médico e a enfermeira (Stewart & Austin citados por Donahue, 1993).

A Enfermagem tem sido considerada a mais antiga das artes e a mais jovem das profissões. Atravessou várias fases, sempre participando dos movimentos sociais. A história da Enfermagem tem sido a história de um grupo profissional, cujo status sempre vem marcado pelas linhas prevalentes da humanidade. Os momentos decisivos da história também o são para a Enfermagem. Os acontecimentos que provocam consideração pelos seres humanos tendem a promover atitudes como as da Enfermagem, atitudes fundamentalmente humanísticas (Dock & Stewart citados por Donahue, 1993).

Podemos facilmente nos lembrar dos acontecimentos da Guerra da Criméia e relacioná-los a Florence Nightingale. Então, fica claro outro aspecto marcante na Enfermagem: sua relação com a história da mulher; pela predominância feminina e pela atuação voltada ao cuidado, a história da Enfermagem reflete a situação da mulher através dos tempos. De acordo com Donahue (1993, p. 3), durante os períodos em que a mulher esteve rigorosamente confinada ao lar por imposições sociais e suas energias se dirigiram exclusivamente à vida familiar, a Enfermagem adotou um caráter de arte doméstica. Os deveres da mulher, seu grau de independência econômica, sua liberdade fora da família e outros fatores tiveram uma influência capital no progresso da Enfermagem.

Esta forte relação entre a Enfermagem e a mulher, mais especificamente a mulher-mãe, perpetuou a idéia de que a Enfermagem só poderia ser exercida por mulheres, o que até os dias de hoje gera muitos preconceitos e influencia na escolha da profissão. A Enfermagem, no entanto, não inclui fronteiras sexuais; tanto homens como mulheres possuem uma tendência natural de agir frente ao processo saúde-doença, seja se afastando, seja ignorando, seja agindo junto ao outro. Assim, a Enfermagem é uma profissão que pode ser exercida por ambos os sexos.

À medida que os cuidados de Enfermagem foram ficando mais complexos, ficou claro que para realizá-los era necessário mais que a simples motivação, até então suficiente. O amor e a dedicação não bastavam por si sós para fomentar a saúde e vencer a doença. O desenvolvimento da Enfermagem dependia de outros dois fatores: a habilidade/experiência e o conhecimento. A destreza manual para a execução de determinados procedimentos, realidade inclusive nas tribos primitivas, seguiu aperfeiçoando-se por meio da experiência. À medida que se dispunha de mais detalhes sobre o processo saúde-doença, surgia a necessidade de mais conhecimento (Dock & Stewart, referidos por Donahue, 1993).

A cabeça, o coração e as mãos se uniram firmemente para assentar os alicerces da Enfermagem moderna. Estes três elementos essenciais corresponderiam à ciência, à alma e à habilidade da Enfermagem e, inclusive, em outro contexto, seriam sinônimos dos aspectos teórico, prático e ético-moral da profissão (Stewart, apud Donahue, 1993).

O conhecimento dos fatos e princípios proporcionou o impulso para que a Enfermagem se convertesse tanto em uma arte quanto em uma ciência (Dock & Stewart, referidos por Donahue, 1993).

Tratando-se da Enfermagem moderna, percebemos que Nightingale corrobora o acima exposto, ao salientar que à Enfermagem cabia o cuidado com o doente e que a Medicina tratava a doença. Ressaltou a importância da Enfermagem ao doente" e da "Enfermagem saudável" e em ambas incluiu medidas de prevenção e de promoção à saúde. Para ela, "Enfermagem era 1mbos, uma arte e uma ciência, e requeria uma organização científica, e educação formal, para cuidar dos sofrimentos das doenças" (Nightingale, 893/1949, apud Reed e Zurakowski, 1983, p. 13, Carraro, 1994). A princípio Nightingale julgava que “para aliviar o sofrimento do próximo bastavam a ternura, a simpatia e a paciência”. Mas agora a sua curta experiência lhe mostrava que só os conhecimentos especializados poderiam trazer o alívio" (Woodham-Srnith, 1951, p. 143).

Da sua Essência

Japiassu e Marcondes (1991) registram que essência é o ser mesmo das coisas, aquilo que a coisa é, ou o que faz dela aquilo que ela é. Para Ferreira (1986), essência significa aquilo que constitui a natureza do ser, o principal, o cerne.

De acordo com Donahue, a essência da Enfermagem "reside na imaginação criativa, no espírito sensível e na compreensão inteligente, que constituem o fundamento real dos cuidados de Enfermagem eficazes". Para Florence Nightingale, a Enfermagem "...é uma arte;...[...]... poder-se-ia dizer a mais bela das artes" (Seymer, [19--], p. 106). Ela salientava que a arte da Enfermagem deveria incluir condições que, por si mesmas, tomassem possível a assistência de Enfermagem. Referia-se à enfermagem como a arte de cuidar dos doentes (1859/1989, p. 15). Não explicou o que entendia por arte, porém em todos os momentos deixa esse conceito transparecer (Carraro, 1994).

Vemos que a arte se expressa na Enfermagem principalmente através da sensibilidade, da criatividade/imaginação e da habilidade, como instrumentos para a assistência de Enfermagem. A sensibilidade nos leva a perceber e externar nossos sentimentos e, por outro lado, é ela que nos possibilita perceber, entender e respeitar os sentimentos do outro. A criatividade/imaginação se complementam e nos conduzem a pensar, inventar, figurar em espírito, com bases na sensibilidade. E é nesse lento que a habilidade se configura como aptidão ou capacidade para desenvolver algo, contemplando também a inteligência e a perspicácia, (se articulam no conjunto dos componentes já explicitados da arte) um todo (Carraro. 1994).

A ciência se evidencia através da aplicação de conhecimentos sistematizados instrumentalizados pela arte.

O Resgate do Modelo Nightingaleano de Assistência

A história da Enfermagem nos mostra a evolução de um fazer intuitivo - como o é o cuidado da mulher-mãe com o seu recém nascido, a um fazer reflexivo. Registra que a prática pré-nightingaleana era desenvolvida sem um referencial e que as pessoas que a exerciam não eram preparadas para tal.

A questão teórica na profissão nasce em Florence Nightingale, quando ela apresenta suas reflexões e diz que a Enfermagem é diferente da Medicina e que portanto, é necessário estudar e estruturar as maneiras de fortalecer nos indivíduos suas potencialidades naturais para que, por sua própria força, se opere a cura. Com esta proposição, ela afirma a importância de um trabalho dirigido por conhecimentos gerais e específicos que toda enfermeira deve possuir (Leopardi. 1999, p. 8).

A própria Florence Nightingale, após buscar conhecer o que se praticava na Enfermagem, afirmou que só conhecimentos especializados poderiam trazer resultados satisfatórios e que ela iria fazer um curso de Enfermagem. Essa breve retrospectiva mostra-nos um crescente do empírico para o científico. A partir da atuação de Florence Nightingale e da consequente instituição da Enfermagem moderna determinou-se um contraste entre a prática da Enfermagem exercida por pessoas preparadas para tal e a prática anterior. Nightingale, embora de forma empírica e sem consciência desse fato, principalmente no que se refere às visões atuais, atuou embasada num Modelo de Enfermagem. Para Marriner-Tomey (1994), um modelo é uma idéia que explica por meio de visualização física ou simbólica. Os modelos simbólicos, para ela, podem ser verbais, esquemáticos ou quantitativos. Os verbais são enunciados construídos com palavras; os esquemáticos podem ser diagramas, gráficos, desenhos ou imagens; e os quantitativos se embasam em símbolos matemáticos. Os modelos servem para facilitar o raciocínio dos conceitos e das relações existentes entre eles ou, ainda, para delinear o processo de assistência de Enfermagem.

Segundo Selanders (1995), o Modelo de Enfermagem de Nightingale descreve como uma enfermeira deve implementar as leis naturais, as quais permitem que os conceitos pessoa, ambiente, saúde-doença e Enfermagem interajam. Seu modelo foi adotado não apenas na Inglaterra, seu país de origem, mas difundiu-se pelo mundo afora, influenciando diretamente o desenvolvimento da Ciência da Enfermagem.

Nightingale defendia que, embora o médico e a enfermeira possam lidar com a mesma população, a Enfermagem não deve ser vista como subserviente à Medicina; ao contrário, a Enfermagem objetiva descobrir as leis naturais que auxiliarão a colocar o enfermo na melhor condição possível, a fim de que a natureza possa efetuar a cura (Selanders, 1995).

Antigamente, a Medicina procurava ver o homem integral, respeitando suas crenças e valores. Hipócrates (460 a 475 a.C.) dizia que "o conhecimento do corpo é impossível sem o conhecimento do homem como um todo". Naquela época, Hipócrates, pressupondo que cada doença tinha uma causa natural e que sem causas naturais nada acontecia, abandonou as explicações sobrenaturais da doença.

Com o desenvolvimento da Medicina, estes princípios foram, aos poucos, sendo deixados de lado, e o seu enfoque passou a ser "nas noções do corpo como máquina, da patologia como uma avaria nesta máquina e da tarefa do Médico como o concerto desta máquina" (Engel apud Capra, 1982, p. 116). Ao mudar seu enfoque, a Medicina passa a centrar suas atenções na cura, pois se a patologia é considerada um fenômeno orgânico redutível a processos físicos/químicos, o saber médico tinha o poder de curar.

As atitudes médicas frente ao "corpo máquina" portador de uma doença foram reforçadas pelos avanços tecnológicos, os quais cada vez mais separam o profissional médico dos clientes. O avanço dos estudos e a tecnologia vêm reforçando o poder de cura outorgado à Medicina (Capra, 1982). Este modelo concede ao Médico o poder de decisão, tanto da assistência prestada, seja ela médica seja de outra categoria profissional, quanto sobre o destino dos pacientes.

Apesar da posição de Nightingale, os rumos na área da saúde levaram a Enfermagem a adotar o modelo biomédico (Carraro, 1999), o qual permeia sua prática até os dias atuais, determinando um distanciamento de suas metas originais, passando a existir centrado na prescrição médica. No entanto, podemos perceber que atualmente este modelo biomédico não responde mais às necessidades do ser humano na vivência do processo saúde/doença. Ele não quer mais ser visto em pedaços, mas sim como "um ser singular, integral, indivisível, insubstituível, pleno na sua concepção de interagir com o mundo; interage com o meio ambiente, onde são expressas crenças e valores que permeiam suas ações" (Carraro, 1997, p. 26).

No momento em que a Enfermagem voltar-se para seus modelos de assistência e assumir sua essência será uma profissão que responderá às necessidades do ser humano e que articulará ciência e arte, tendo assim visibilidade.

Do Modelo Nightingaleano à Diversidade de Modelos de Assistência.

O resgate do modelo nightingaleano vem acontecendo há alguns anos. A primeira Enfermeira a publicar pós-Nightingale foi Hildegard Peplau, que, em 1952, lançou o livro Relações Interpessoais em Enfermagem. Peplau tomou-se um marco histórico para a Enfermagem dos anos 50. Naquela década iniciaram-se os cursos de Mestrado nos Estados Unidos da América, dando novo ímpeto à profissão, deflagrando a época das Teorias de Enfermagem.

Segundo Leddy e Pepper (1993), a ciência da Enfermagem tem sido derivada principalmente das teorias sociais, biológicas e médicas. Todavia, depois de 1950, grande número de enfermeiras teoristas tem desenvolvido modelos de Enfermagem que oferecem suporte para o desenvolvimento das teorias de Enfermagem e do conhecimento de Enfermagem.

Este novo conhecimento posto, de algum modo, aponta como principal preocupação não a patologia, mas o indivíduo, doente ou não, experenciando o processo saúde-doença, com o enfoque na promoção do bem-estar e da saúde.

Destaca-se no Brasil a atuação de Wanda de Aguiar Horta no que se refere à difusão das Teorias de Enfermagem. Nascida em 1926, em Belém do Pará, graduou-se em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP em 1948 e doutorou-se em 1968, na Escola Ana Néri. Em 1979, publica seu livro baseado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e, a partir daí, operacionaliza um Processo de Enfermagem. Existe atualmente uma discussão sobre se os escritos de Horta configuram uma teoria ou um processo de Enfermagem. Chegar a uma conclusão a respeito é tarefa muito difícil face à grande diversidade de paradigmas existentes; porém é inegável o grande avanço que seus escritos trouxeram para o desenvolvimento da Enfermagem brasileira, até porque a grande maioria dos Cursos de Graduação em Enfermagem adotou-os como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência de Enfermagem (Carraro, 1998). Certamente sua proposta nos mostra um Modelo de Assistência.

Atualmente, a influência das Teorias e dos Modelos de Assistência de Enfermagem é evidente no contexto da Enfermagem brasileira, pois estão cada vez mais difundidos, tanto na prática da Enfermagem quanto na formação de profissionais enfermeiros.

Modelos de Assistência são representações do mundo vivido expressas verbalmente, ou por meio de símbolos, esquemas, desenhos, gráficos, diagramas. Seu objetivo é direcionar a assistência de Enfermagem, oferecendo ao enfermeiro os subsídios necessários para sua atuação.

Segundo Keck (1989), as teorias são modelos da realidade, em geral realidades não-observáveis diretamente. Os modelos ajudam a desenvolver as teorias e a explicitar a relação existente entre os conceitos. Até porque os modelos permitem a manipulação dos conceitos sobre o papel antes de serem submetidos à verificação no mundo real.

Um modelo é uma abstração da realidade, um modo de visualizar a realidade, facilitando o raciocínio. Um modelo conceitual mostra-nos como vários conceitos são inter-relacionados e aplica teorias que predizem ou avaliam conseqüências de ações alternativas (Leddy e Pepper, 1993).

Fawcett (1992) salienta a utilidade dos modelos conceituais para a organização do pensamento, da observação e da interpretação do que se vê. Eles também provêem uma estrutura sistematizada e racional para o desenvolvimento das atividades.

Modelos de Enfermagem incluem conceitos de ser humano, Enfermagem, saúde-doença e ambiente (Fitzpatrick e Whall, 1983; Fawcett, 1992).

Na Enfermagem ou mesmo em outra área do conhecimento, agimos de acordo com um método, seguimos um modelo, mesmo que dinâmica e inconscientemente. Se prestarmos atenção à nossa rotina, observaremos que na maioria das vezes agimos de maneira semelhante todos os dias, repetindo ações, desde a mais simples até a mais complexa. E temos um motivo para isso: realizamos as atividades pautadas em conhecimentos empíricas, aprendidas no dia-a-dia com rotinas preestabelecidas, ou embasados cientificamente, e as repetimos cada vez que agimos. Muitas vezes fazemos isto sem refletir a respeito, sem procurar modos mais eficientes, sem buscar a atualização do conhecimento, sem nos lembrarmos da velocidade e do dinamismo com que o conhecimento avança na atualidade.

Este método de que lançamos mão visa organizar e direcionar nosso desempenho; embora num primeiro momento possa parecer complexo após estarmos familiarizados com este processo, ele passa a facilitar nosso trabalho, assegurando maior qualidade à assistência prestada.

Segundo Pollit e Hungler (1995), o método científico combina aspectos do raciocínio lógico com outros, para criar um sistema de solução de problemas que, embora falível, é mais confiável do que a tradição, a autoridade, a experiência ou a tentativa e erro por si sós.

Assim, um modelo de assistência embasado cientificamente conduz-nos ao fazer reflexivo, a estar sempre buscando a melhoria da assistência prestada. Leva-nos a refletir: que Enfermagem é esta que estou desenvolvendo? Quem é o ser humano que estou assistindo? O que é o processo saúde-doença a que o ser humano está exposto? E o meio ambiente, o que é?

Os modelos de assistência nos auxiliam a perceber que praticar Enfermagem não é simplesmente uma ordenação de procedimentos mais ou menos constantes, dependendo da situação. Ela é um processo dinâmico, mutável e criativo, mas nem por isso deixa de ser um processo conhecível, objetivo, programável e decifrável. Desta forma, quanto mais claro estiver o referencial teórico do modelo aplicado, maior será a segurança e a realização profissional do Enfermeiro, maior será o direcionamento da equipe de Enfermagem, culminando com uma assistência de Enfermagem adequada às necessidades apresentadas pelo ser humano assistido.

Por outro lado, a qualidade da Assistência de Enfermagem prestada depende da equipe, liderada e coordenada pelo Enfermeiro. Os modelos de assistência instrumentalizam o planejamento científico e sistematizado das ações a serem desenvolvidas pelos integrantes da Equipe de Enfermagem, oferecendo suporte e direcionando o desempenho das atividades. Contribuem para a credibilidade e visibilidade da Enfermagem.

O desenvolvimento da profissão de Enfermagem através dos tempos ainda não alcançou sua maturidade. Continua crescendo e desenvolvendo-se, a fim de ampliar as esferas de serviços e práticas profissionais, aumentando suas responsabilidades. Sem dúvidas, a cada dia a Enfermagem se supera, criando, agregando novos conhecimentos e indo além na certeza de que é uma Ciência e uma e Arte inacabada e crescente...

Refletindo

Para praticar enfermagem necessitamos:

  • Conhecer e prosseguir conhecendo os fundamentos e avanços da profissão.

  • Ter clareza sobre a fonte de onde esta prática se origina.

  • Reconhecer as premissas e conceitos do modelo eleito para prestar assistência.

  • Estar atentos aos aspectos teóricos, práticos e ético-morais da profissão.

  • Ser coerentes entre a necessidade e a finalidade da assistência.

  • Ser coerentes entre no que pensamos, falamos e fazemos Saber avaliar e retro-alimentar nossa prática.

  • Ter bom senso para usar a cabeça, o coração e as mãos Conciliar ciência, alma e habilidade.

  • Ser artistas e ao mesmo tempo cientistas.

Para praticara arte da enfermagem necessitamos (Buscaglia 1972):

  • Tempo.

  • Compreensão da arte.

  • Sensibilidade para utilizar o material necessário.

  • Extrema paciência... enquanto aprendemos as habilidades básicas.

Praticar a arte da Enfermagem inclui o desejo de:

Experimentar, fracassar, arriscar... Conhecer frustração e mesmo o desespero... Antes de poder abandonar técnicas aprendidas mecanicamente. Projetar-se, plenamente, na própria criação.

2. TEORIAS E MARCO CONCEITUAL: SUA INFLUÊNCIA NA METODOLOGIA DA ASSISTÊNCIA.

Teima Elisa Carraro

A história registra que a Enfermagem pré-nightingaleana era desenvolvida sem um referencial, que as pessoas que a exerciam não eram preparadas para tal e, ainda, que seu resultado deixava muito a desejar.

A partir da vivência de Nightingale, a Enfermagem passa a ser denominada científica, passando a apresentar um modelo de assistência por ela desenvolvido e implementado.

As crenças de Nightingale a respeito da Enfermagem, o que é e o que não é, formam o fundamento do que escreveu em suas "Notas sobre Enfermagem”.Sua contribuição ao desenvolvimento das teorias está em explicar o campo de ação da Enfermagem, como a relação paciente/meio ambiente, e em iniciar as análises estatísticas para a saúde e a Enfermagem profissional (Choi, 1989).

Sua educação meticulosa, vinda de seu pai, um homem culto formado em Cambridge e Edimburgo, era pouco comum para uma mulher do século XIX. Estudou latim, grego, línguas modernas, artes, matemática e estatística, filosofia, história e religião. Sua educação e os acontecimentos da época estimularam seu pensamento crítico, levando-a a interessar-se por política, economia, governo, liberdade, condições sociais e instituições. Leu e citou em seus escritos: Platão, Dante, Mill, Bacon, Locke, Newton, Kant, Hegel, Comte e São João. Por outro lado era tímida e espiritualista. Acreditava que servindo ao homem estava servindo a Deus, o que a impulsionava a fazer seu caminho, a ser independente, a buscar uma profissão para utilizar sua capacidade (Carraro, 1999). Esta educação influenciou seu pensamento e sua concepção da Enfermagem como ciência e arte, subsidiando e determinando a prática da profissão.

Nightingale deixou-nos suas concepções registradas em I47 livros e panfletos. Sua correspondência pessoal também foi volumosa. Em 1859 publicou dois de seus "Best-Known": Notes on Hospitais e Notes um Nursing, livros que abriram uma nova época na reforma e no cuidado com a saúde (Schuyler, 1992). No entanto, a Enfermagem tem apresentado dificuldades em seguir seu exemplo no tocante a teorizar, escrever e publicar idéias e realizações.

A fundamentação teórica e a vivência de Nightingale influenciaram seus escritos e ainda estão presentes em muitas teorias de Enfermagem mais recentes. Este é um elo importante entre a Enfermagem Ciência e Arte de Florence Nightingale e a Enfermagem atual. Em sua visão e saber, incluem-se insight e valores antigos que se relacionam com a teoria do cuidado humano atual, teoria que uma vez mais guia a educação de Enfermagem, a prática e a investigação clínica que se baseia no cuidado como um ideal moral; teoria que permeia o espiritual, o transcendente, o todo, enquanto atende o ser e fazer, totalmente integrados. A visão e saber de Nightingale incluem a visão e a imagem de totalidade, beleza e harmonia de vida, um sentido de união de todos os seres vivos (Watson, 1992).

1. Das Teorias de Enfermagem

O interesse pelo desenvolvimento de Teorias de Enfermagem surgiu por duas razões. Primeiramente, as enfermeiras perceberam que o desenvolvimento de teorias era um meio de estabelecer a Enfermagem como profissão, além de ser inerente a um antigo interesse em definir um corpo de conhecimentos específicos da Enfermagem. Em segundo lugar, os teóricos estavam motivados pelo valor intrínseco das teorias para a Enfermagem e pela importância do crescimento e enriquecimento da teoria para a Enfermagem em si mesma (Choi, 1989).

Com o passar dos tempos, na busca de maiores subsídios para a atuação de Enfermagem, surgiram novas teorias e novos modelos de assistência, inicialmente nos Estados Unidos, onde esta preocupação tomou força com o surgimento dos cursos de mestrado em Enfermagem, expandindo-se depois para outros países.

No Brasil, em 1979, Wanda de Aguiar Horta publica sua teoria, baseada na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e a partir daí operacionaliza um Processo de Enfermagem. Seus escritos foram adotados por grande parte dos Cursos de Graduação em Enfermagem, como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência.

Considerando-se teoria como "... um conjunto de princípios fundamentais duma arte ou duma ciência" (Ferreira, 1993, p. 1664), percebe-se de forma crescente a influência das teorias no contexto da Enfermagem brasileira, pois sua difusão cada vez mais transparece tanto na sua prática quanto na formação de profissionais enfermeiros.

Teoria de Enfermagem é definida por Meleis (1985) como uma construção articulada e comunicada da realidade criada ou descoberta (fenômenos centrais e inter-relações) dentro da ou pertinente à Enfermagem, para os propósitos de descrição, explicação, predição ou prescrição do cuidado de Enfermagem. Ainda, segundo a autora, as teorias de Enfermagem refletem diferentes realidades, pois apontam os interesses da Enfermagem na época, o ambiente sociocultural e as experiências educacionais e vivenciais da teórica. Espelham algumas realidades da época em que foram concebidas e ajudam a dar forma às realidades da época atual.

De acordo com Neves e Trentini (1987), a teoria orientada para a prática é aquela dirigida para produzir mudanças ou efeitos desejados em determinada condição ou fenômeno. Assim, as teorias se apresentam como formas de olhar/compreender os fenômenos da Enfermagem. Alguns fenômenos são abordados em praticamente todas as teorias de Enfermagem, porque representam o centro da sua prática, tais como o ser humano, o ambiente, a saúde/doença e a Enfermagem. Estes fenômenos compõem uma rede de conceitos que se inter-relacionam e formam uma maneira de ver o mundo da Enfermagem e desenvolver sua prática (Paim et al., 1998).

As teorias que hoje temos representam os esforços coletivos e individuais das Enfermeiras para definir e dirigir a profissão e, como tal, proporcionar a base para um desenvolvimento teórico continuado (Choi, 1989).

Ao representar estes esforços, as teorias mostram diferentes modos de pensar Enfermagem, algumas apontando apenas um aspecto da realidade, outras apontando todos os fenômenos de interesse da disciplina. Várias teorias utilizadas por Enfermeiros são cedidas por outras disciplinas, como as teorias do estresse, do enfrentamento, do risco, da educação (Fawcett, 1995).

É de fundamental importância que os Enfermeiros, ao fazerem a opção por uma ou outra teoria, considerem a adequação e a aplicabilidade dela à situação de Enfermagem em que será utilizada.

2. Marco Conceitual

Fawcett (1995) enfatiza que os marcos conceituais não são uma realidade nova na Enfermagem; existem desde Nightingale (1859), com suas primeiras idéias avançadas sobre Enfermagem, mesmo que não tenham sido expressas formalmente como marcos.

A proliferação formal dos marcos conceituais de Enfermagem aconteceu concomitante à introdução das idéias sobre teorias de Enfermagem, ambas com interesse em conceitualizar a Enfermagem como uma disciplina distinta. Para Fawcett (1995), o desenvolvimento dos marcos conceituais de Enfermagem foi um importante avanço para a disciplina.

No entanto, este é um tema que vem gerando discussão e mostrando divergências conceituais entre os estudiosos, principalmente no que se refere às terminologias de marco e modelo, teórico e conceitual, conforme podemos ver a seguir:

Newman (1979) registra que Marco Teórico é uma matriz de conceitos que, juntos, descrevem o foco da investigação.

De acordo com Fawcet (1984 e 1978), Modelo Teórico ou Marco Teórico refere-se a uma teoria ou grupo de teorias que fornecem fundamentos para as hipóteses, políticas e currículo de uma ciência.

Para Neves e Gonçalves (1984), Marco Conceitual é uma construção mentalogicamente organizada, que serve para dirigir o processo da investigação e da ação.

Segundo Fawcet (1992) e Botha (1989), Marco Conceitual é sinônimo de Modelo Conceitual e é definido como um conjunto de conceitos e proposições abstratas e gerais, intimamente relacionados.

Em 1993, Silva e Arruda registram que o Marco de Referência apresenta nível de abstração de menor complexidade do que os Marcos Conceituais/ Teorias, no que se refere a sua construção teórico-conceitual. Tem a finalidade de demarcar o conhecimento em que se apóia, servindo de base para as ações de Enfermagem (Silva e Arruda, 1993).

Na compreensão de Wall (2000), o Marco Conceitual é um conjunto de elaborações mentais sobre aspectos relacionados ao objeto em estudo. Um ponto que serve como força, como orientação. Uma proposta da qual queremos nos aproximar.

Apesar desta divergência conceitual, é fundamental que os enfermeiros compreendam que os marcos e/ou modelos (Marco Conceitual, Modelo Conceitual, Marco Teórico, Modelo Teórico), com suas diferenças e semelhanças, formam um emaranhado de conceitos inter-relacionados que servem para direcionar as ações de Enfermagem. Podemos dizer que eles iluminam os caminhos da Enfermagem.

Em resumo, todos os termos utilizados visam aprofundar formas de dirigir a ação de Enfermagem, pois buscam, por meio dos conceitos, formalizar uma construção mentalogicamente organizada, que fundamente a ciência e, consequentemente, as ações de Enfermagem.

3. Das Funções dos Marcos Conceituais.

Os Marcos/Modelos proporcionam ao profissional a evidência de que ele necessita para embasar suas ações, apontando e justificando por que selecionar um determinado problema para estudo. Ajudam na sumarização do conhecimento existente, na explicação dos fatos observados e das relações entre eles.

De acordo com Neves e Gonçalves (1984), o Marco Conceitual contribui na previsão de eventos até então não-observados e no estabelecimento de relações entre os eventos com base nos princípios explicativos englobados nas teorias.

Fawcett (1995) salienta que os marcos direcionam a procura das questões sobre o fenômeno e sugerem soluções para problemas práticos. Enfatiza que os marcos conceituais de Enfermagem explicitam orientações filosóficas e pragmáticas para a assistência que somente os Enfermeiros podem oferecer aos pacientes, por conhecerem a dimensão total do cuidado, o qual é diferente daquele realizado por qualquer outro profissional de saúde.

O marco conceitual constitui uma construção teórica que sustenta a prática de Enfermagem e as decisões no processo de assistir o ser humano. Ele reflete também a maneira de o autor conceber os indicativos assistenciais da Enfermagem (Carraro, 1997).

Assim compreendido, o Marco Conceitual torna-se uma importante ferramenta para embasar, direcionar e clarificar as ações, não apenas do Enfermeiro, mas de toda a equipe de Enfermagem. Ele serve de base para a proposta e o desenvolvimento da Metodologia de Assistência de Enfermagem, a qual deverá estar estruturada de forma coerente com seus conceitos.

Tem a finalidade de proporcionar o foco que ilumina os caminhos a serem percorridos pelo profissional para atingir seus objetivos assistenciais, formando um emaranhado, uma teia dentro da qual a assistência, os aspectos teóricos, técnicos e éticos são examinados, a fim de tomarem possível explicar as relações propostas e identificar vazios no conhecimento que necessitam ser revelados, para ampliar continuamente as possibilidades de cuidado.

4. Da sua Construção

Todos nós temos uma imagem pessoal do que seja a prática da Enfermagem. Esta imagem influencia nossa interpretação dos dados, decisões e ações. Mas pode uma disciplina continuar desenvolvendo-se quando seus membros se sustentam em diferentes imagens? Os proponentes dos marcos conceituais para a prática estão procurando fazer uso consciente destas imagens, sem o que não poderemos começar a identificar semelhanças em nossas percepções sobre a natureza da prática nem evoluir para conceitos bem ordenados (Reilly's, citado por Fawcett, 1995).

Segundo King (1988), conceitos são abstrações que provêem conhecimento sobre a essência das coisas. Um conceito é uma imagem mental de uma coisa, de uma pessoa ou de um objeto. Para Chinn e Jacobs (1982), os conceitos são formulações mentais complexas de um objeto, propriedade ou acontecimento, originárias das percepções e experiências individuais.

Os conceitos registram ainda as crenças e valores do autor sobre aquilo que está sendo conceituado. Quando os conceitos são inter-relacionados, como no caso da Enfermagem, eles formam uma base para as ações, seja na pesquisa, seja na prática profissional. A esta estrutura pode-se chamar marco conceitual (Carrão, 19).

A construção de um Marco Conceitual pode partir da prática, da conceituação das imagens privativas do Enfermeiro sobre a prática da Enfermagem vivenciada pelo autor, baseada em suas crenças e valores, com a busca de subsídios na teoria. Nesta forma de construção, primeiramente se elaboram os conceitos eleitos, registrando-se aquilo em que se acredita sobre cada um deles, com leituras releituras e reformulações, até que reflitam os pensamentos do autor. Pode-se usar a estratégia de discuti-los com a Equipe de Enfermagem e/ou com outras pessoas. Somente após esta prévia estruturação dos conceitos busca-se uma teoria que venha ao encontro das idéias ali expressas, potencializando-as. Então, incorporam-se aos conceitos as idéias contidas na teoria.

Pode-se também partir da teoria. Contudo, antes de optarmos por uma teoria, primeiramente é necessário estudá-la, procurando compreendê-la, buscando as relações entre o que ela retrata, aquilo em que se acredita e a aplicação que se pretende fazer. Somente após essa identificação é que deve ser feita a opção por uma determinada teoria. Então, alguns dos seus conceitos são escolhidos para embasarem o Marco Conceitual e a prática da Enfermagem.

Convém lembrar que a teoria escolhida não necessita ser especificamente de Enfermagem. Existe ainda a possibilidade de se usar mais de uma teoria, porém com muita cautela, pois as concepções teórico - filosóficas delas podem ser divergentes, comprometendo assim toda a construção do Marco Conceitual e, consequentemente, a assistência de Enfermagem a ser prestada.

A construção de um Marco Conceitual, partindo da prática ou partindo da teoria, é um processo reflexivo que se configura num ir e vir aos conceitos, reformulando-os tantas vezes quantas forem necessárias para que estes reflitam o pensamento do seu autor. Busca-se, ainda, a inter-relação entre os conceitos de tal modo que, lendo-se um deles, os demais estejam implícitos, mostrando forte relação entre si.

É importante ressaltar que, independentemente da forma de construção, o Marco Conceitual deverá contemplar as especificidades da prática a que será aplicado, uma vez que ele é um instrumento que subsidia a prática da Enfermagem (portanto, um meio e não um fim em si mesmo, embasando a construção e o desenvolvimento da Metodologia da Assistência de Enfermagem).

Após a construção do Marco Conceitual, passa-se a sua aplicação, para que deverão ser buscados os elementos de cada conceito, as ações a que cada elemento conduz e a estratégia para desenvolver cada ação. Esta operacionalização pode configurar-se como um "mapa" da assistência a ser prestada, embasando a metodologia de assistência.

Como exemplo*, vai imaginar que, ao conceituar-se ser humano, esteja registrado que ele é singular, integral, indivisível e insubstituível. As ações a que este registro conduz são ações de humanização da assistência, e as estratégias poderão ser: chamar pelo seu nome, envolver sua família na assistência, ouvir, tocar, entre outras.

Se o registro diz que a Enfermagem é uma ciência e uma arte, as ações deverão ser de aplicação tanto do conhecimento científico quanto da sensibilidade. Imaginação/criatividade e habilidade ao prestar cuidados. As estratégias deverão contemplar diálogo, observação e desenvolvimento de técnicas específicas.

Enfim, o resultado final da Assistência prestada deverá refletir o Marco Conceitual proposto, além de servir para confirmar / testar os conceitos formulados ou mesmo dar-lhes novos direcionamentos e / ou reconstruções.

5. Algumas Considerações

A implementação da prática assistencial embasada num Marco Conceitual proporciona uma perspectiva de assistência sistematizada e singular, um embasamento teórico para o desenvolvimento da prática e, por meio desta, um enriquecimento da teoria, num movimento de ir e vir.

No transcorrer da assistência evidenciam-se pontos do Marco Conceitual que a subsidiam. Quando se inicia a implementação da prática subsidiada por um Marco Conceitual, pode-se encontrar dificuldades, até por uma questão de hábito: "... O pensamento se configura, mas a ação é tão automática que, quando percebemos, já a executamos, não como a pensamos, mas como estávamos condicionados a fazer" (Carraro, 1994, p. 119).

Precisamos ter o Marco Conceitual introjetado em nós para conseguirmos vencer os hábitos anteriores e avançar rumo a uma nova proposta de assistência, estando alertas para nossas ações, até para não nos desanimarmos com o processo, pois aos poucos podemos transpor as dificuldades de implementação que se apresentarem.

O Marco Conceitual, quando conscientemente aplicado, pouco a pouco vai mostrando que o fazer, fazendo, aprendendo e teorizando à luz da prática concretiza-se no dia-a-dia da assistência de Enfermagem. Enfim, conduz ao fazer reflexivo, proporcionando satisfação na Prática Assistencial de Enfermagem, tanto para o profissional quanto para o ser humano que está sob seus cuidados.

BILBIOGRAFIA

CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para a assistência de enfermagem: teorizações, modelos e subsídios para a prática. Goiânia:AB, 2001. pág. 5-14 .

CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para p Assistência de Enfermagem: teorizações, modelos e subsídios para a prática. Sobre teorias e marco conceitual: sua influência na metodologia da assistência.Goiânia:AB, 2001. pág. 29-37.

CAPÍTULO 3. TEORIAS E METAPARADGMAS DE ENFERMAGEM.

1. NOÇÕES GERAIS SOBRE TEORIA

1.1. A LINGUAGEM DO PENSAMENTO TEÓRICO

“A unidade básica do pensamento teórico é o CONCEITO. Os conceitos são palavras que representam a realidade e facilitam a nossa capacidade de comunicação sobre ela. (Webester, 1991)”.

Os conceitos podem ser:

EMPÍRICOS = sentidos percebidos, observados, OU

ABSTRATOS = não são observáveis. Ex. esperança, infinito.

“Todos os conceitos tornam-se abstrações na ausência do objeto”.

TEORIAS

Conjunto de conceitos inter-relacionados, definições e proposições que apresentam uma forma sistemática de ver fatos/eventos, pela especificação das relações entre as variáveis com a finalidade de explicar ou prever o fato/evento. (Kerlinger, 1973).

1.2. NATUREZA CÍCLICA DA TEORIA

PRÁTICA  PESQUISA

 

TEORIA E CONCEITOS

1.3. CARACTERÍSTICA DE UMA TEORIA

Características de uma teoria segundo Torres, 1990:

  1. as teorias podem inter-relacionar conceitos de tal forma que criem uma nova maneira de ver determinado fenômeno.

  2. as teorias devem ser de natureza lógica

  3. as teorias devem ser relativamente simples e ainda generalizáveis

  4. as teorias podem ser as bases para as hipóteses serem testadas ou para a teoria ser expandida.

  5. as teorias contribuem para o aumento do corpo de conhecimentos gerais da disciplina através da pesquisa implementada para validá-las.

  6. as teorias podem ser utilizadas por profissionais para orientar e melhorar a sua prática

  7. as teorias devem ser consistentes com outras teorias validadas, leia e princípios, mas devem deixar abertas as questões não-respondidas, que devem ser investigadas.

(Parte 1 de 8)

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