Material didático para ead: processo de produção

Material didático para ead: processo de produção

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Cuiabá, 2009

P856mPossari, Lucia Helena Vendrúsculo.

Ficha Catalográfica

Material Didático para a EaD: Processo de Produção./ Lucia Helena Vendrúsculo Possari; Maria Lucia Cavalli Neder. Cuiabá: .

104 p. il. Inclui bibliogragia ISBN 978-85-61819-63-7

1.Educação à Distância - EaD. 2.Material Didático. 3.Texto - Ação Educativa. 4.Comunicação. 5.Educação. I.Neder, Maria Lucia Cavalli. I.Título.

CDU 37.018.43

EdUFMT, 2009.

Drª Lucia Helena Vendrúsculo Possari Drª Onilza Borges

Drª Ana Arlinda de Oliveira Dr Carlos Rinaldi Drª Gleyva Maria Simões de Oliveira

Drª Maria Lucia Cavalli Neder Martins

Comissão Editorial

Revisão

Diagramação Capa

Germano Aleixo Filho Terencio Francisco de Oliveira Marcelo Velasco egundo os dados do INEP, no Brasil, em 2007, eram 408 os cursos a distância, atingindo mais de 350 mil estudantes; 3.702 os cursos Sda chamada “educação tecnológica” - cursos com duração de até dois anos -, com quase 350 mil matrículas também.

O Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (2007) confirma estes dados: 225 Instituições autorizadas pelo MEC para oferecer cursos a distância, atendendo a mais de 770 mil estudantes.

Em 1995, a Universidade Federal de Mato Grosso era a primeira instituição a oferecer um curso de graduação a distancia no País (Pedagogia), por meio de seu Núcleo de Educação Aberta e a Distância (NEAD), criado em 1992. Em 2000, eram apenas cinco as universidades, abrigando menos de 5 mil estudantes matriculados.

Esses poucos dados podem nos dar de imediato uma ideia aproximativa do crescimento desta modalidade, aqui no Brasil, pois no mundo, desde a década de 1970, milhões de estudantes frequentam universidades sem sair de casa ou do local de trabalho.

A impulsão da EaD em nosso país pode ser atribuída a pelo menos dois fatores:

- o primeiro, como parte do movimento de luta pela democratização do ensino. Há um grito forte e uma luta contínua para que o direito constitucional à educação se concretize para milhões de brasileiros excluídos deste bem social historicamente conquistado. E a modalidade a distância vem se afirmando como uma das possibilidades para que isto se realize; - o segundo fator pode ser atribuído às novas tecnologias da informação e da comunicação. Essas tecnologias realizaram avanços, e algumas delas, em certo sentido, se “popularizaram”, permitindo às pessoas ultrapassar as distâncias geográficas e se aproximar cada vez mais.

Assim, está ocorrendo uma espécie de rompimento do conceito de distância. A educação está mais próxima para uma parcela cada vez maior da sociedade (não está mais distante - “a distância”). As tecnologias da comunicação permitem o diálogo e a interação entre pessoas, em tempo real, como o telefone, o bate-papo, a video e a webconferência, tornando sem sentido falar em “distância” no campo da comunicação.

Por isso, podemos falar em EDUCAÇÃO SEM DISTÂNCIAS! Não somente porque é possível ser realizada, como por ser bandeira de luta a ser levada adiante para as próximas décadas, por nós, educadores!

Quando, em 1996, lançávamos o primeiro livro da coletânea

“Educação a Distância”, havíamos pensado nomear esta coletânea de Educação sem Distância.

Porém, naquele momento, avaliávamos que isso poderia provocar mal-entendidos e que, diante da necessidade de divulgar essa modalidade de ensino e diante da escassez de material sobre o tema em língua portuguesa, retratando nossa realidade educacional, social e cultural, seria mais oportuno recorrer à expressão consagrada mundialmente: Educação a Distância.

Hoje, com a expansão quantitativa de cursos a distância e com a necessidade de qualificação de quadros para atuar nesta modalidade, existe produção significativa sobre esta prática educativa.

Educadores brasileiros com experiência nesta modalidade se propuseram escrever, expor suas experiências em EaD como maneira de contribuir na consolidação desta modalidade, aqui no Brasil, e na formação dos que atuam na EaD. São dezenas as teses e dissertações, centenas os artigos versando sobre Educação a Distância. A participação e a contribuição da UFMT, no debate sobre EaD, também têm sido significativa, com produção acadêmica, abertura da linha de pesquisa em EaD (2000), no Programa de Mestrado em Educação Pública e a coletânea Educação a Distância.

Em 1996, lançávamos o primeiro número da coletânea, com o tema: Inícios e indícios de um percurso, trazendo relatos da experiência do NEAD/UFMT na oferta do primeiro curso de graduação a distância no Brasil (1994).

Em 2000, com o segundo número da coletânea, Educação a

Distância: construindo significados, ampliávamos a discussão sobre esta modalidade, não se restringindo à experiência do NEAD. Trouxemos contribuições valiosas de educadores atuando em instituições de renome e com larga experiência em EaD, como G. Rumble, Neil Mercer e F. J. G. Estepa, da Open University da Inglaterra; Walter Garcia, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia (ABT); Rosângela S. Rodrigues, da Divisão de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, e do sociólogo Pedro Demo, que também prefaciou a obra. Eram relatados percursos diferentes, com experiências e visões diversas sobre EaD, que foram trazidas para o debate e ofereceram elementos de reflexão para quem estava atuando ou se propondo iniciar nesta modalidade.

Em 2005, foram lançados dois volumes. Em Educação a Distância: sobre discursos e práticas, discutia-se a Formação de Professores em cursos a distância, analisando as práticas discursivas sobre a EaD. Na obra Educação a Distância: ressignificando práticas, discutia-se a questão da gestão da EaD e a produção de material didático na EaD.

Neste ano de 2009, estamos lançando outros quatro volumes: um sobre os Fundamentos da EaD e três sobre a produção de Material Didático.

Esperamos, assim, com estes novos volumes da coletânea, continuar participando intensivamente do atual debate sobre a modalidade a distância, num momento em que o governo federal propõe e dirige a expansão do ensino superior por meio da modalidade a distância, com a criação do Sistema Universidade Aberta do Brasil (2006). Trata-se de política ostensiva e extensiva para que essa modalidade de ensino se solidifique e se qualifique como parte regular do sistema de ensino superior.

Oreste Preti, organizador da coletânea.

Maria Lúcia Cavalli Neder

Maria Lúcia Cavalli Neder

PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA A EAD Lúcia Helena Vendrúsculo Possari

Lúcia Helena Vendrúsculo Possari

Maria Lúcia Cavalli Neder

COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO: AGORIDADES Lúcia Helena Vendrúsculo Possari

ste livro constituiu o ato de tecer o complexo. Decidimo-nos pela urdidura dos textos, neste formato, os quais têm a dialogici-Edade como razão de ser.

Ao nos propormos a produzir material didático para a Educação a Distância, temos por pressuposto que a corporeidade que permite a interação entre o polo do curso (autor, professor, tutor) e o polo do cursista é, única e exclusivamente, o texto.

A ancoragem teórico-metodológica é, dessa forma, semiodiscursiva. Semiótica para os signos verbais e não verbais, como sinalizadores, assim como a formação discursiva, ambas concorrendo para a construção de sentidos (construção do conhecimento) conjunta.

Os leitores não são considerados receptores passivos a quem se ensina algo. Desde a concepção do texto, nós os consideramos coautores, previstos por antecipação, nas seções conversa inicial, problematização, Saber +, atividades, reflexões.

A CONVERSA INICIAL situa o leitor sobre todo o percurso, o campo de conhecimento, a metodologia, a forma de ser leitor em EAD.

A PROBLEMATIZAÇÃO objetiva trazer o leitor-aluno para refletir sobre situações concretas, produzindo-se questões e, a partir delas, buscar, nos fundamentos e na experiência, subsídios para respostas. O SABER + proporciona leituras adicionais, sugeridas pelas

APRESENTAÇÃO Material Didático para a EaD: Processo de Produção9 autoras, em que podem/devem ser acrescentadas outras fontes pelos leitores.

A proposta de REFLEXÃO se dá num processo de recursividade permanente, propondo alinhar teoria-prática.

As ATIVIDADES culminam no fazer juntos. Os interlocutores – autores/professores/tutores e leitores – têm, pela internet, através do sistema MOODLE, local privilegiado de interação, onde se falam, debatem, incluem reflexões e atividades.

Consideramos adequado, pelo exposto, manter a formatação inicial: aquela que produzimos para o curso.

Escolhemos para esta obra os textos que nominamos BASE e

Saber +. Como nos cursos, nós os mantivemos intercalados para leitura.

Nossos textos abordam Educação e Comunicação, com um campo de conhecimento, inaugurando novo paradigma. Além de serem estudadas as funções do material didático como integrante do processo comunicativo, estudam-se também os movimentos paradigmáticos, a complexidade e a interculturalidade.

Estudamos a produção do material impresso, a do material não verbal e a produção das possibilidades midiáticas de veiculação. Estudamos, ainda, os elementos indispensáveis para cada produção.

Material Didático para a EaD: Processo de Produção10 ste é o espaço da interlocução inicial. É dizer boas-vindas aos cursistas. É dizer a eles aquilo de que se trata. É palavra de enco-Erajamento. É prepará-los para o diálogo. E, principalmente, explicitar os objetivos da disciplina, os temas a serem abordados, a metodologia e a sequência, enfim a lógica pensada do texto.

Então: Vamos lá, então, prezado cursista.

É com imensa satisfação que vimos iniciar nosso diálogo acerca de Produção de Material para a Educação a Distância. Com o objetivo de sugerir reflexões acerca da Produção como processo e, portanto, de construção, objetivamos com este texto que você, ao se propor produzir, tenha presente os requisitos de conhecer o currículo do curso, de traçar um mapa conceitual, de promover a interface entre o texto que constrói com outros de outros cursos e módulos. Igualmente, de promover o tempo todo o diálogo com o leitor-aluno, de maneira que ele seja interlocutor ativo, que traga para o processo suas contribuições e, dessa forma, que a construção de conhecimento seja conjunta.

Além de situarmos as condições de produção, convidamos à produção propriamente dita de material escrito, para ser impresso e para

Material Didático para a EaD: Processo de Produção11 ser usado on-line, como também a inserção do texto não verbal.

Na primeira parte, visando à fundamentação da relação do texto com os demais componentes curriculares, apresentamos os textos: PLANEJANDO O TEXTO DIDÁTICO ESPECÍFICO OU O GUIA DIDÁTICO PARA A EAD e MATERIAL DIDÁTICO E O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO NA EAD, de Maria Lúcia Cavalli Neder.

Na segunda parte, abordando questões relativas ao leitor de texto em EAD, apresentamos: PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA A EAD e EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: SUA CONCEPÇÃO COMO PROCESSO SEMIODISCURSIVO, de Lúcia Helena Vendrúsculo Possari.

Nossas propostas de REFLEXÃO permeiam o texto todo, considerando você coautor da construção e do conhecimento, abrindo ensejo a que traga conhecimentos prévios e práticas.

Da mesma forma, nossas propostas de ATIVIDADES possibilitam a você o fazer, o demonstrar, o preparar-se para produzir o material.

Para a seção SABER +, consideramos adequados, como leitura por acréscimo e continuidade de discussões, os textos: O TEXTO COMO ELEMENTO DE MEDIAÇÃO ENTRE OS SUJEITOS DA AÇÃO EDUCATIVA, de Maria Lúcia Cavalli Neder e COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO: AGORIDADES, de Lúcia Helena Vendrúsculo Possari.

Desejamos que nosso caminho, juntos, seja o mais profícuo. As autoras

Material Didático para a EaD: Processo de Produção12 magine que você recebeu um convite para produzir um material didático para a Educação a Distância. Independentemente da área Iem que atue - linguagens, ciências, computação, direito, administração -, você, orgulhoso e agradecido pelo convite, indagará: para que curso, com que duração, especificamente para qual disciplina, como é o currículo do curso, o curso é por módulos, por semestre, como funciona, ou seja, como são os contatos: autor/professor/tutor/alunos, há momentos presenciais, há momentos on line?

Ufa!!! Só depois de obter essas respostas é que se sentirá à vontade para pensar o material propriamente dito. Aí, surgem novas questões: é impresso, é on-line, pode ser acompanhado de outras mídias como CDs, DVDs, que veiculem vídeo e áudio?

Aí, começa, então, a pensar o material. Vai situá-lo, no curso, relacioná-lo com as demais disciplinas, inseri-lo numa sequência, vai dimensioná-lo do ponto de vista epistemológico e metodológico. Delimitará o essencial sobre o conhecimento a ser construído. Pensará as atividades, as leituras adicionais e começará a produzi-lo. Ao mesmo tempo, virá a preocupação com a redação clara, objetiva. Com o processo de interlocução e, assim, o dialogismo discursivo e, então, o texto deverá fluir.

Material Didático para a EaD: Processo de Produção13

Maria Lúcia Cavalli Neder interessante que, ao refletirmos sobre a produção de material didático, pensemos nos tipos de texto, associados à natureza das Élinguagens utilizadas. Se verbal: oral ou escrita. Se não verbal: todas as formas (signos) – olhares, gestos, expressões faciais, cores, luzes, ruídos, desenho, fotos, pintura, sons etc. Igualmente também as mídias de que dispomos para veiculá-los.

A escolha da natureza do texto, de sua tipologia e dos meios a serem utilizados para sua veiculação deve estar associada ao currículo do curso que se quer construir, sua proposta teórico-metodológica. O importante é que tenhamos claro que, em qualquer proposta de ensino, devemos trabalhar com uma pluralidade de textos, com objetivos e perspectivas diferenciadas. Para uma classificação mais simples, podemos designá-los de textos-base e textos de apoio.

O objetivo do texto-base deve ser não só o de garantir o desenvolvimento de conteúdo básico indispensável ao andamento do curso, mas também o de abrir oportunidade para o processo de reflexão-açãoreflexão por parte dos alunos. Nesse sentido, o texto deve possibilitar ao aluno, por meio de um processo dialógico, construir seu conhecimento sobre a área ou tema em foco.

O conteúdo selecionado para ser trabalhado nos textos-base deve servir como dinamizador curricular, permitindo, sempre que possível, a relação teoria-prática por parte do aluno. É importante que, nesses textos considerados marcadores curriculares, haja definição de objetivos e esclarecimento sobre sua organização, somados a sugestões de tarefas e

Material Didático para a EaD: Processo de Produção17 pesquisas, com a intenção de aprofundamento teórico na área de conhecimento trabalhada, além de uma indicação bibliográfica de apoio.

Os textos-base podem ser produzidos pelos professores responsáveis pelas áreas de conhecimento ou por disciplinas trabalhadas no curso, com objetivos muito bem-determinados, ou podem, ainda, ser textos de outros autores considerados relevantes para a compreensão e a discussão que se queira alcançar.

No caso de optarem por textos de outros autores, os professores responsáveis pelas disciplinas ou por áreas de conhecimento se apresentam como mediadores do processo do diálogo entre autor e leitor (aluno) do texto selecionado. Essa mediação pode ser feita mediante um guia didático, cuja função é auxiliar o aluno em seu processo de leitura e compreensão do texto estudado.

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