UNIÃO EDUCACIONAL DO PLANALTO CENTRAL

FACULDADES INTEGRADAS DA UNIÃO EDUCACIONAL DO PLANALTO CENTRAL

Curso de Enfermagem

Anti-Histamínicos

Brasília, Maio de 2010.

I. INTRODUÇÃO

Quando se descobriu que a histamina era um importante mediador químico das reações alérgicas a procura de substâncias que agissem como concorrente específico da histamina despertou grande interesse. A histamina é uma amina básica formada a partir de histidina pela histidina descarboxilase, ela é encontrada na maioria dos tecidos, porém está presente em altas concentrações no pulmão e na pele e em concentrações particularmente elevadas no trato gastrintestinal. Em nível celular ela é amplamente encontrada nos mastócitos e basófilos.

Em 1937, Bovet e Staub relataram que certos ésteres fenólicos podiam inibir algumas ações da histamina. Embora os compostos originalmente desenvolvidos fossem muito tóxicos para o uso clinico, nos anos 40 começaram a aparece os primeiros anti-histamínicos clinicamente eficientes e relativamente atóxicos, um exemplo era o maleato de pirilamina, sintetizado em 1944. Desde então, numerosos anti-histamínicos foram comercializados e destinados principalmente ao tratamento da rinite e de outras manifestações alérgicas.

Os anti-histamínicos agem predominantemente como inibidores competitivos das ações da histamina, sendo difícil atingir e manter uma concentração adequada da droga anti-histamínicas; Concluindo assim que existem pelo menos dois tipos de receptores com os quais a histamina interage, sendo convencionalmente chamados de receptores H1 e H2. Por tanto assim as drogas que inibem os efeitos farmacológicos da histamina são classificadas como: bloqueadores dos receptores H1 (drogas capazes de antagonizar as respostas vasculares induzidas pela histamina, mas que não influem sobre aumento da secreção gástrica) e bloqueadores dos receptores H2 (drogas capazes de diminuir a secreção gástrica estimulada pela histamina), mas tarde forneceram evidencias sobre a existência de um terceiro tipo de receptor de histamina – o receptor H3 – usado como ferramenta de pesquisa.

A hipersensibilidade do tipo I (simplesmente denominada como “alergia”) ocorre em indivíduos que apresentam uma resposta ao antígeno predominantemente Th2 em vez de resposta Th1. Nestes indivíduos, as substancias que não são inerentemente nocivas (como o pólen de gramínea, ácaros de poeira doméstica, entre outros) desencadeiam a produção de anticorpos do tipo IgE. O contato subseqüente com o material provoca a liberação de histamina, PAF, eicosanóides e citocinas. Em alguns casos, a reação é mais generalizada e provoca choque anafilático, que pode ser grave e levar a morte. Alguns importantes efeitos adversos dos fármacos incluem respostas de hipersensibilidades anafiláticas.

A histamina possui ações significativas na secreção gástrica, no músculo liso, no sistema cardiovascular, no prurido e no sistema nervoso central.

II. FÁRMACOS E MEDICAMENTOS

Fármacos

Medicamentos

Bromofeniramina

Bialerge®

Cetotifeno

Asmalergin®

Cetotifeno

Asmax®

Clemastina

Agasten®

Cloridrato de epinastina

Talerc®

Cloridrato de fexofenadina

Allegra®

Cloridrato de prometazina

Fenergan®

Dicloridrato de cetirizina

Zyrtec®

Dicloridrato de cetirizina

Cetrizin®

Difenidramina

Alergo filina®l

Loratadina

Claritin®

Loratadina

Loremix®

Loratadina

Loranil®

Loratadina

Loratadina®

Loratadina + pseudoefedrina

Loranil- D®

Loratadina + sulfato de pseudoefedrina

Claritin D®

Maleato de azatadina esulfato de pseudoefedrina

Cedrin®

Maleato de dexclorfeniramina

Polaramine®

Maleato dedexclorfeniramina

Dexclorfeniramina®

Maleato de dexclorfeniramina + betametasona

Celestamine®

Triprolidina

Actifedrin®

<http://telelistas.net/guias/medsaude/>;

<http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_16/cap_169.html>;

<http://www.bulas.med.br/p/antihistaminicos-10167.html>

III. CLASSIFICAÇÃO

Existem três classes de antagonistas da histamina: os antagonistas dos receptores H1, H2 e H3. O termo “anti-histamínico” refere-se, convencionalmente, aos antagonistas dos receptores H1, que afetam vários mecanismos inflamatórios e alérgicos. Os antagonistas dos receptores H2 desenvolvidos mais recentemente, cujo efeito clínico principal é observado sobre a secreção gástrica.

Anti-histamínicos bloqueadores dos receptores H1 encontram sua maior utilidade terapêutica no tratamento das reações alérgicas e, em particular, no controle da rinite e conjuntivite alérgicas (são utilizados como terapêutica auxiliar no tratamento das rinites vasomotoras, da febre do feno – associados a descongestionantes- e nos resfriados comuns quando existir um componente alérgico), nas urticárias agudas e crônicas, no angioedema, como bloqueador dos pruridos (sua utilidade ate agora tem se provado eficaz com o tratamento de pruridos exceto quando é induzido por protease ou quando a histamina não age como mediador), na asma brônquica (são ineficazes para reverte uma crise já instalada tendo como efeitos colaterais o ressecamento das mucosas), em uso tópico entre outros. São exemplos desses antagonistas: Azatadina (Cedrin®); Cetirizina (Zyrtec®); Clemastina (Agasten®); Clorfeniramina (Benegrip®); Dexclorfeniramina (Polaramine®); Difenidramina (Bronquidex®); Dimenidrinato (Dramin®); Loratadina (Clarintin-D®); Prometazina (Fenegan®), Fexofenadina (Allegra®) e Triprolidina (Trifedrin®).

Os bloqueadores dos receptores H1 podem ser classificados em: anti-histamínicos de primeira geração, sendo eles, as etanolaminas (possui o grupamento oxigênio): Carbinoxamina e Difenidramina; as etilenodiaminas (possui o grupamento nitrogenio): Antazolina e Pirilamina; as alquilaminas (possui o grupamento carbono): Dexclorfeniramina e Triprolidina; as piperazinas (possui o grupamento núcleo piperazinas): Ciclizina e Meclizina e Fenotiazinas (possui o grupamento núcleo fenotiazínico): Isotipenidila e Prometazina e em anti-histamínicos de segunda geração, são eles, as piperidinas (possui o grupamento núcleo piperidina): Astemizol, Azatadina e Fexofenadina e outros: Loratadina e Citirizina.

IV. MECANISMO DE AÇÃO

Os anti-histamínicos bloqueadores dos receptores H1 agem simplesmente ocupando os receptores da histamina sem ativá-los e assim impedem que a mesma os ocupe e ative-os, em alguns casos os anti-histamínicos adaptam-se perfeitamente ao receptor impedindo que a histamina chegue até ele, em outros casos a droga bloqueadora não ocupa o receptor mais se fixa suficientemente próxima a ele de tal forma que a molécula de histamina é impedida de adaptar-se convenientemente ao receptor, não conseguindo ativá-lo, ou seja, o mecanismo de ação é o antagonismo competitivo dos receptores da histamina H1.

Esses antagonistas inibem varias atividades da histamina dentre elas as do músculo liso, contundo essa e parcial porque nessa musculatura existe a presença tanto de receptores H1 e H2, inibem também os efeitos vasoconstritores da histamina, que em certo grau bloqueiam fortemente os efeitos que resulta em aumento da permeabilidade capilar, inibem com eficiente o prurido e o eritema produzido, são capazes de inibir a liberação de histamina endógena, em pequenas doses, podem estimular ou inibir o sistema nervoso de acordo com a dose, pode apresentar atividade anestésica, em dose altas podem causar uma condução miocárdica, H1 de primeira geração tendem a inibir as respostas à acetilcolina que são mediadas pelos receptores muscarínicos essas ações semelhantes à atropina são proeminentes o suficiente em alguns dos fármacos para se manifestarem durantes o uso clinico já os antagonista de segunda geração não tem nenhum efeito sobre os mesmos receptores.

Os bloqueadores dos receptores H2 reduzem eficazmente a secreção acida gástrica estimulada por alimentos, pentagastrina, insulina, cafeína ou histamina. Essa diminuição estar relacionada com redução tanto do conteúdo acido quanto do volume do suco gástrico e ocorre em indivíduos sadios e em portadores de ulceras pépticas. A secreção da pepsina é reduzida em cerca de 30% após doses normais de cimetidina. Essa redução é, entretanto, muito maior que a sofrida pelo conteúdo ácido do suco gástrico. A redução da pepsina é em sua maior parte devida a redução de volume do suco gástrico determinada pelos bloqueadores H2 a secreção de fator intrínseco é também é reduzida pelos bloqueadores H2, mas, como em condições fisiológicas o fator intrínseco é secretado em grande excesso, absorção de vitamina B12 permanece suficientemente mesmo nas terapias de longa duração como bloqueadores de H2. Não há influencia dos bloqueadores H2 sobre a secreção pós-prandial de lípase, tripsina e ácidos biliares, assim como não é alterada a secreção pancreática. Embora tenha sido evidenciada a interferência dos bloqueadores H2 nas respostas vasculares induzidas pela histamina em aminas. A histamina bloqueia o seu próprio metabolismo, efeito esse parcialmente inibido pelos bloqueadores dos receptores H1 e H2.

V. EFEITOS INDESEJADOS

O que é considerado “indesejável” irá depender, ate certo ponto, da finalidade para qual a droga esta sendo utilizada. Quando os antagonistas dos receptores H1 são utilizados pelas suas ações estritamente periféricas todos os efeitos sobre o sistema nervoso central são indesejáveis. Dentre as reações adversas associadas ao uso dos bloqueadores H1 podemos citar: sonolência, lassidão, fadiga, fraqueza, depressão, incapacidade de julgamento, incoordenação, ataxia, hiporeflexia, delírio, coma; “tinnitus”, vertigem, diplopia, visão turva, midríase; insônia, cefaléia, “nervosismo”, tremores, hiper-reflexia, parestesia, paralisa; convulsões, síncope, anormalidades eletroencefalograficas; taquicardia, hipertensão, hipotensão, choque, anormalidades eletrocardiográficas; febre, hipertemia intensa; perda do apetite, náuseas, desconforto epigástrico, vômitos, constipação, diarréia; disúria, aumento da freqüência urinaria, retenção urinaria, insuficiência renal; ressecamento das membranas mucosas, tosse; leucopenia, agranulocitose, anemia hemolítica, hepatite; hipersensibilidade, fotossensibilidade. A administração de doses excessivas pode causar excitação e produzir convulsões em crianças (RANG E DALE, 2008; SILVA, 2008; GOODMAN E GILMAN, 2006).

Dentre as reações adversas associadas ao uso dos bloqueadores H2 podemos citar: cefaleia, astenia, tonturas, confusão mental; diarréia ou obstipação intestinal; dores musculares e reações cutâneas; neutropenia e agranulocitose; elevação da creatinina sérica e das transaminases; elevação da prolactina: mastodína, ginecomastia, galactorréia.

VI. USOS CLÍNICOS

Os antagonistas dos receptores H1 ocupam um lugar importante e bem estabelecido no tratamento sintomático de varias reações de hipersensibilidade imediata.

Os anti-histamínicos bloqueadores dos receptores H1 são de grande utilidade para reações alérgicas, incluindo rinite alérgica (febre do feno), urticária onde esses agentes aliviam os espirros, a rinorréia e o prurido dos olhos, do nariz e da garganta. Pode-se obter algum alivio em muitos pacientes que sofrem de dermatite atópica e dermatite de contato, bem como em outras condições como picadas de inseto e envenenamento por toxicodendro. Em vários outros tipos de prurido sem base alérgica respondem às vezes à terapia anti-histamínica. Todavia, é preciso reconhecer a possibilidade de produzir dermatite alérgica com a aplicação local de antagonistas H1.

Já na asma brônquica, no tratamento da anafilaxia sistêmica e na angioedema grave os antagonistas da histamina exercem efeitos benéficos limitados. No resfriado comum, os antagonistas H1 não têm valor no combate ao ele, os efeitos anticolinérgicos fracos dos agentes mais antigos tendem a diminuir a rinorréia, mas esse efeito pode causar mais dano do que beneficio, assim como a sua tendência a induzir a sonolência. Em certos casos preferem-se as drogas desprovidas de ações sedativas ou antagonistas dos receptores muscarínicos. Alem disso o uso combinado de antagonistas H­1 e H2 mostra-se eficaz para alguns indivíduos nos casos de falha da terapia com antagonistas H1.

As lesões urticariformes edematosas da doença do soro respondem aos antagonistas H1, enquanto a febre e a artralgia freqüentemente, não o fazem. Como antieméticos na prevenção da cinetose ou outras náuseas, particularmente aquelas associadas com vertigens, alguns antagonistas H1 mostram-se úteis em uma ampla gama de afecções mais leves e oferecem a vantagem de produzir menos efeitos adversos. Alguns antagonistas H1 notavelmente o dimenidrinato e a meclizina, são, com freqüência, benéficos em distúrbios vestibulares como a doença da Ménière, bem como em outros tipos de vertigem verdadeira. Apenas a prometazina tem alguma utilidade no tratamento das náuseas e dos vômitos que ocorrem após quimioterapia ou radioterapia para neoplasias malignas; todavia, existem outros agentes antieméticos eficazes. As ações anticolinérgicas desse agente também podem ser utilizadas nos estágios iniciais do tratamento de pacientes com doença de Parkinson, embora seja menos eficaz do que outros agentes, como o triexifenidil.

Para sedação; alguns antagonistas dos receptores H1 são sedativos bem potentes, que podem ser utilizados para esta ação. A tendência de alguns dos antagonistas dos receptores H1 a produzir sonolência fez com que fossem utilizados como agentes hipnóticos. Os antagonistas H­1, principalmente a difenidramina, são encontrados com freqüência em vários medicamentos para insônia que são vendidos sem prescrição médica.

VII. CONTRA INDICAÇÕES

Deve-se ter cautela com o uso de certos anti-histamínicos no tratamento de gestantes ou nutrizes, especialmente com os fármacos de primeira geração, por causa de seu possível efeito teratogênico ou de efeitos sintomáticos sobre o lactante, devido à secreção no leite materno.

VIII. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Os bloqueadores dos receptores H1devem ser utilizados cautelosamente quando em associações com barbitúricos, ansioliticos benzodiazepínicos ou outras drogas depressoras do SNC (inclusive o álcool), pela a possibilidade de potencialização dos efeitos depressores desses agentes. Esses bloqueadores também podem aumentar os efeitos anticolinérgicos de certas drogas como a atropina, antidepressivos tricíclicos e paroxetina devem ainda usados com especial cuidado em indivíduos portadores de glaucoma, retenção ou obstrução urinária e em pacientes em idosos. Alguns bloqueadores H1 podem antagoniza a ação de antiadrenérgicos usados no tratamento da hipertensão arterial, eles também estimulam as enzimas microsomais hepáticas envolvidas no metabolismo de varias drogas, como corticosteróides, hormônios sexuais, fenobarbital, difenilidantoina e vários anticoagulantes.

A cimetidina retarda o metabolismo de anticoagulantes orais, antidepressivos tricíclicos, antipirina, aminopirina e benzodiazepínicos, por inibir o sistema microsomal hepático.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

<http://telelistas.net/guias/medsaude/> acessado em 10.04.2010 as 11:13 h.

<http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_16/cap_169.html> acessado em 10.04.2010 as 12:06h.

<http://www.bulas.med.br/p/antihistaminicos-10167.html> acessado em 10.04.2010 as 14:30 h.

H. P. Rang, M. M. Dale e J. M. Ritter. Farmacologia. Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro. 2001.

Silva. P, Farmacologia. Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro. 1998

BRUNTON L.L.; LAZO J.S. E PARKER K.L. Goodman e Gilman - As bases farmacológicas da Terapêutica. Rio de Janeiro. McGraw Hill. 2006.

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