História dos bairros de Porto Alegre

História dos bairros de Porto Alegre

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O texto a seguir disponibiliza a história dos bairros de Porto Alegre. A pesquisa é do Centro de Pesquisa Histórica vinculada a Coordenação de Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.

AGRONOMIA4
ANCHIETA5
ARQUIPELAGO6
AUXILIADORA8
AZENHA9
BELA VISTA10
BELÉM NOVO1
BELÉM VELHO13
BOA VISTA14
BOM FIM15
BOM JESUS17
CAMAQUÃ18
CAMPO NOVO19
CASCATA19
CAVALHADA21
CENTRO23
CHÁCARA DAS PEDRAS26
CHAPEU DO SOL27
CIDADE BAIXA27
CORONEL APARICIO BORGES29
CRISTAL31
CRISTO REDENTOR32
ESPÍRITO SANTO3
FARRAPOS34
FARROUPILHA35
FLORESTA37
GLÓRIA38
GUARUJÁ40
HIGIENOPOLIS41
HUMAITÁ4
INDEPENDÊNCIA46
IPANEMA47
JARDIM BOTÂNICO49
JARDIM CARVALHO50
JARDIM DO SALSO51
JARDIM FLORESTA52
JARDIM ITU *54
JARDIM LINDÓIA5
JARDIM SABARÁ *56
JARDIM SÃO PEDRO57
LAGEADO58
LAMI60
LOMBA DO PINHEIRO61
MÁRIO QUINTANA62
MEDIANEIRA64
MENINO DEUS65
MOINHOS DE VENTO67
MONTSERRAT68
MORRO SANTANA69
NAVEGANTES71
NONOAI73
PARTENON74
PASSO D’AREIA75
PASSO DAS PEDRAS7
PEDRA REDONDA79
PETRÓPOLIS80
PONTA GROSSA81
PRAIA DE BELAS82
RESTINGA83
RIO BRANCO85
RUBEM BERTA86
SANTA CECÍLIA8
SANTA MARIA GORETTI89
SANTA TEREZA90
SANTANA92
SANTO ANTÔNIO94
SÃO GERALDO95
SÃO JOÃO97
SÃO SEBASTIÃO100
SARANDI101
SERRARIA102
TERESÓPOLIS103
TRÊS FIGUEIRAS104
TRISTEZA106
VILA ASSUNÇÃO108
VILA CONCEIÇÃO109
VILA IPIRANGA109
VILA JARDIM1
VILA JOÃO PESSOA112

O bairro Agronomia localiza-se na zona leste da capital e foi oficializado em 21 de setembro de 1976, através da lei 4166. Teve seus limites alterados através da lei 6720, em 21 de novembro de 1990 e, posteriormente, através da lei 7954 de 08 de janeiro de 1997.

Sua origem remonta ao século XVIII, e sua gestação se deve ao tráfego contínuo em duas estradas que foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade de Porto Alegre: Caminho do Meio, atual Oswaldo Aranha e Protásio Alves, e estrada do Mato Grosso, atual Bento Gonçalves.

Já nos primeiros anos do século X, foi fundado no bairro o Instituto de

Agronomia e Veterinária, que viria transferido da Escola de Engenharia, localizada na área central de Porto Alegre, em função da necessidade de adequação do espaço geográfico com a proposta do curso, instalando-se em prédio próprio em 1° de julho de 1913. Neste sentido, o território que viria a ser o Bairro Agronomia, correspondeu às finalidades pretendidas pela instituição, que passaria a dispor de amplo espaço para a realização de suas práticas. Com a criação em 1934 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o referido departamento e a sua estrutura foi por ela absorvido, e essa atividade universitária trouxe uma relativa expansão para a região. A partir de meados da década de 1970, alguns institutos da UFRGS, sediados no campus central da mesma, começam a ser deslocados para uma área no bairro, próximo da divisa com o município de Viamão. Atualmente, são cerca de 20 cursos funcionando no chamado Campus do Vale.

O bairro apresenta baixo índice demográfico ainda na atualidade. Por estar localizado entre as duas estradas já citadas, o bairro Agronomia acabou por desenvolver apenas um pequeno comércio local, a nível de subsistência.

No que diz respeito aos limites do bairro, encontra-se o município de Viamão, o bairro Partenon e Jardim Carvalho. Dentro do bairro, os limites da universidade percorrem uma latitude delimitada pelo Arroio Dilúvio e a Av. Bento Gonçalves.

Referências bibliográficas:

GERMINIANI, Clotilde de Lourdes Branco. A História da medicina veterinária no Brasil. In: http://w6.ufrgs.br/agronomia/ e http://www.ufrgs.br/favet/ Http://w.portoalegre.rs.gov.br

Localizado à direita da estrada federal BR 116 em direção à Canoas, entre o

Aeroporto e a cidade Gravataí, o bairro Anchieta foi oficializado pela lei nº 2022 de 0/12/1959, tendo seus limites assim estabelecidos: da Estrada Federal para Canoas, limite desta pelo Bairro São João ao sul; no leste com uma linha imaginária até a divisa com o rio Gravataí, por este na direção leste/oeste até encontrar novamente a Estrada Federal e por esta em direção norte-sul até encontrar o limite com o Bairro São João.

Sua denominação, segundo o cronista Ary Veiga Sanhudo, é em referência ao

Padre Anchieta, fundador do colégio São Paulo, na região que, mais tarde, constituiu o núcleo inicial da capital paulista. Na década de 1970, o bairro era considerado um lugar novo, em formação na cidade, e o mesmo cronista assim o descrevera: “ Anchieta é bairro na lei, loteamento no aspecto e grama em toda a sua extensão.” Essa descrição é feita em virtude da escassa população que residia na região, como o é ainda hoje. A baixa densidade talvez seja em função de situar-se em zona baixa da cidade, que não oferecia atrativos que motivassem a ocupação imediata pois, sob ponto de vista da urbanização prevista para cidade no Plano Diretor, encontra-se abaixo da cota de construção.

A partir de 1973, instala-se no bairro a CEASA - Centrais de Abastecimento do

RS, na Av. Fernando Ferrari , 1001, quando produtores e atacadistas foram transferidos da Praia de Belas para o bairro, dando início à fase de comercialização no complexo.

A principal via de acesso ao bairro é a avenida dos Estados, que encontra registros nos relatórios da Secretaria de Obras Públicas do Estado desde início do século X. A preocupação com a pavimentação da avenida iniciou em 1912, porém as obras começaram em 1925, sendo construída a primeira faixa de cimento no ano de 1930. O nome da avenida foi oficializado em 1960 pela lei municipal nº 2076.

O bairro Anchieta possui características industriais, além de ali estarem instalados armazéns e grandes depósitos.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: Crônicas da Minha cidade. Porto Alegre: Editora Movimento/Instituto Estadual do Livro,1975. Dados do Censo IBGE/2000. In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

Composto por 16 Ilhas, o Arquipélago é um dos bairros mais peculiares de

Porto Alegre. Além da condição natural da localização, com sua extensa área verde e biodiversidade, os motivos da sua especificidade também estão ligados à vivência íntima de seus habitantes com as águas, que adaptaram seus modos de vida às condições naturais da região, transformando a natureza para ali constituírem locais de moradia e formando uma cultura própria dos ilhéus.

A primeira ocupação das ilhas do Arquipélago, conforme indícios arqueológicos, data do século XVI, e seus primeiros habitantes eram índios guaranis. Com a ocupação do Rio Grande do Sul, os índios obrigaram-se a buscar outras regiões do Estado.

Segundo os moradores antigos do Arquipélago, no século XVIII as ilhas Saco do

Quilombo, Maria Conga também chamada Ilha do Quilombo (atual Ilha das Flores) e Maria Majolla abrigaram ancestrais escravos. A presença de quilombo nas Ilhas é assunto ainda pendente de estudo aprofundado, porém documentos da Câmara do século XIX comprovam a presença de população negra na Ilha em 1810, e dá indícios que sua ocupação seja anterior a esta data.

No início do século XIX, as Ilhas abasteciam o centro da cidade com seus produtos, principalmente capim, hortaliças e peixes. Mas, a partir do final deste século, a pesca foi a principal atividade econômica dos ilhéus. Foi assim até meados de 1970: a pesca era artesanal e abundante, sendo o barco o meio de transporte por excelência.

O processo de desenvolvimento urbano da cidade altera o modo de vida de seus habitantes, como a construção da ponte do Guaíba que, paulatinamente, diminui o uso do transporte fluvial. Por sua proximidade e facilidade de acesso ao Centro da cidade, houve significativo aumento populacional, sendo que as com maior número de habitantes são: Ilha da Pintada, Ilha Grande dos Marinheiros, Ilha das Flores e Ilha do Pavão. Nesta última, funciona uma das sedes do Grêmio Náutico União, tradicional clube de Porto Alegre. Das dezesseis ilhas que compõem o Arquipélago, a Ilha das Garças pertence ao município de Canoas, e a Ilha das Figueiras, ao município de Eldorado.

Mesmo com todas dificuldades enfrentadas junto ao Arquipélago, especialmente pelos freqüentes alagamentos, seus moradores encontram alternativas de atividades econômicas, como a das catadoras de lixo da Ilha Grande dos Marinheiros, que desenvolvem um importante trabalho de reciclagem, traduzindo-se como fonte de renda e preservação da natureza.

Oficialmente, o bairro Arquipélago foi constituído pela lei nº 2022 de 07/12/1959 com um total de dezesseis ilhas. Em 1976, por decreto oficial, o Arquipélago faz parte do Parque Estadual do Delta do Jacuí e, em 1979, o governo Estadual institui o Plano Básico do Parque com o objetivo de disciplinar a ocupação e evitar a degradação ecológica, e a administração do bairro ficou a cargo da Fundação Zoobotânica.

Referências bibliográficas:

GOMES, José Juvenal, et alli. Arquipélago: as ilhas de Porto Alegre. Porto Alegre: Unidade Editoria da Secretaria Municipal da Cultura UE/SMC/Porto Alegre, 1995. (Memória dos Bairros). Dados Censo/IBGE 2000. IN: http://www.portoalegre.rs.gov.br

Oficialmente criado em 07/12/1959 pela lei nº2.022, o bairro Auxiliadora tem sua origem nas últimas décadas do século XIX. Seu desenvolvimento se deu através da Estrada da Aldeia – hoje Av. 24 de Outubro, que ligava a capital à Freguesia dos Anjos, atual cidade de Gravataí. Com a instalação de moinhos de vento, na propriedade de Antonio Martins Barbosa (Barbosa Mineiro), próximo à atual Barros Cassal, a Estrada da Aldeia passa a ter maior circulação, e seu nome é mudado para Estrada dos Moinhos de Vento.

A instalação da linha de bonde impulsiona a ocupação na região, e esta vai tomando ares de bairro. Nas primeiras décadas do século X, inicia-se o processo de loteamento das terras da região. É também erguida a capela Nossa Senhora Auxiliadora, tornando-se paróquia em 1916.

Por decreto municipal, em 1933, a rua Moinhos de Vento ganha seu nome atual - 24 de Outubro, em homenagem ao golpe militar que depôs o presidente Washington Luís. Neste período, já eram numerosos os transportes públicos que circulavam no local, e as linhas que iam para a região denominavam-se Auxiliadora, o que popularizou o nome do bairro.

Por ter iniciado a partir de um loteamento organizado, o bairro se caracteriza pelo planejamento de suas ruas e boa infra-estrutura, e as moradias que compõem a região são heterogêneas: misturam-se no mesmo ambiente, casas antigas, com construções do início do século, e edifício modernos, que possuem uma boa vista da cidade.

Atualmente, o bairro Auxiliadora conta com uma população de quase 10 mil habitantes, distribuída em uma área de 84 hectares. Apesar de sua proximidade com o centro de Porto Alegre, é um bairro com características residenciais, dispondo, porém, de variado comércio e serviços que atendem, quase exclusivamente, os moradores do bairro e arredores. Quanto ao lazer, a região dispõe de diversão para todas idades, contando com variados bares e danceterias. Há ainda, no bairro, elegantes e refinados restaurantes da capital gaúcha.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico, 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. RIOS, Renata Ferreira. Histórico – Auxiliadora. IN: http://www.nosbairros.com.br/auxiliadora.htm CENSO IBGE 2000 In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

O significado da palavra que deu origem a denominação do bairro Azenha – “moinho de roda movido à água; atafona” – vincula-se à atividade de moagem de trigo que foi iniciada na região em meados da metade do século XVIII, por iniciativa do açoriano Francisco Antônio da Silveira, que possuía extensas plantações junto aos altos do atual bairro. Conhecido popularmente como o “Chico da Azenha”, foi o primeiro plantador de trigo e fabricante de farinha de Porto Alegre e, para tanto, utilizou-se do trecho do Arroio Dilúvio, antigamente denominado como Arroio da Azenha, no represamento da água necessária para o funcionamento de seu moinho.

Mas, o Arroio que beneficiava o moinho, também colaborava para o isolamento de boa parte da região leste e sul da cidade. Assim, foi construída uma ponte de madeira que, até metade do século X, passou por inúmeros reparos e substituições, em decorrência das enxurradas do Arroio. Apesar da precariedade de acesso ao bairro, a ponte era o modo de contato com a estrada do Mato Grosso que, mais tarde, ficou conhecida como Caminho da Azenha, bem como estabelecia o vínculo de Porto Alegre com a antiga capital, Viamão. A atual ponte, mais larga e mais sólida que as anteriores, foi iniciada em setembro de 1935 e concluída no ano seguinte pelo Intendente Alberto Bins.

Com o final da Guerra dos Farrapos, o bairro assume novas características, tendo em vista a transferência dos três cemitérios da Cidade para o alto de suas colinas, sendo o primeiro deles, o da Santa Casa, em 1850. Assim, melhoramentos no bairro passaram a ocorrer, sobretudo quando se aproximava o Dia de Finados. No ano de 1864, a rua conheceu a “maxambomba”, um veículo de transporte coletivo, que se dirigia ao Menino Deus através da Azenha.

Conforme Sérgio da Costa Franco, o bairro ganhou relevo no romance de Josué

Guimarães, Camilo Mortágua, cujo principal personagem residiu, durante algum tempo, numa casa de cômodos fronteira ao antigo Cinema Castelo. Este cinema, aliás, foi considerado o maior da história de Porto Alegre, com mais de 3 mil lugares.

A Azenha foi criado pela Lei 2022 de 7/12/59, com limites alterados pela Lei 4685 de 21/12/79. Trata-se de um bairro que é uma das principais vias de passagem de Porto Alegre, possuindo um forte comércio, especialmente com relação às lojas de autopeças. Situa-se no bairro um dos mais antigos hospitais da cidade, o Ernesto Dornelles, inaugurado em 1962, situado entre a Av. Ipiranga e rua Freitas de Castro, em uma área de 1 mil quadrados.

Referências bibliográficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1992. Dados Censo/IBGE 2000 In: http://www.portoalegre.rs.gov.br

O nome do bairro já caracteriza a região: no alto do morro, vislumbra-se uma vista maravilhosa de toda a cidade de Porto Alegre.

A história do Bela Vista está muito ligada ao bairro Petrópolis, um dos bairros mais antigos da cidade, pois se trata do desmembramento de uma das diversas chácaras, no caso, da família Santos Neto. Em 1970, as terras da família foram loteadas, tornando o bairro essencialmente residencial.

Até o inicio da década de 90, o bairro era composto somente por casas residenciais, mas, a partir da lei 434/9, as características do bairro se alteraram completamente, passando a ser construídos edifícios, o que modificou sensivelmente sua paisagem e arborização. Dentro da perspectiva de ampliação viária da cidade, também nos anos 90 é aberta avenida Neuza Brizola, que passa a ligar a av. Nilópolis com a av. Protásio Alves.

Os limites do bairro existem desde 1959, a saber: rua Passo da Pátria, esquina rua Vicente da Fontoura até a rua Jaime Teles; por esta até a Av. Nilópolis; por esta até a Av. Nilo Peçanha; por esta até Av. Carlos Gomes; por esta até a rua Furriel Luiz Antônio Vargas; por esta até a rua Pedro Ivo; por esta até a rua Carlos Trein Filho; daí até a rua Farnese; daí à rua Antonio Parreiras; por esta até encontrar a rua Vicente da Fontoura.

Referências Bibliográficas:

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